Luciano Salles é quadrinista, ilustrador freelancer da Folha de S.Paulo e 1/3 da Produtora Cultural Memento 832.
Autor das Histórias em Quadrinhos Limiar: Dark Matter (2015, Publicação Independente), L'Amour: 12 oz (2014, MINO) indicada ao 27º HQMIX, O Quarto Vivente (2013, Publicação Independente) indicada ao 26º HQMIX e da HQzine Luzcia, a Dona do Boteco (2012, Publicação Independente), indicada ao 27º HQMIX.

19.6.17

CCXP 2017, Print Vs HQ e Eudaimonia

Olá, tudo bem?

As coisas mudam e acredito que isso seja muito bom. Se procurar em algumas postagem do início do ano, havia comentado que não participaria de nenhum evento de quadrinhos em 2017 e, provavelmente, 2018. Mas conforme iniciei este parágrafo, as coisas mudam! Recebi algumas mensagens e e-mails perguntando se eu não estaria na CCXP 2017 pois não havia compartilhado aqui no blog e em minhas redes sociais, nada sobre ter sido aprovado para ter mesa no evento. Antes de mais nada, fico realmente lisonjeado com as mensagens.

Sim, estarei na CCXP 2017 com minhas HQ O Quarto Vivente, Limiar: Dark Matter, dois prints e um lançamento. Por enquanto minha ida só está sendo possível graças ao apoio cultural do Colégio Pueri Domus Araraquara, que agradeço em nome da Mônica Zaher. Muito obrigado de coração, Mônica!

Print produzido exclusivamente para a CCXP 2016
Ok, está certo, sei que escrevi print, uma palavra que há poucas semanas causaram um alvoroço entre desenhistas, quadrinistas, ilustradores e demais. Confesso que li alguns poucos argumentos mas enfim, levarei dois novos prints por alguns motivos:

A CCXP não é apenas um evento focado nas histórias em quadrinhos. É simplesmente o maior evento de cultura pop da América Latina.

Algum destes prints podem chamar a atenção de alguém que esteja passando pelo Artists' Alley e que não tenha tanto interesse em quadrinhos. Se essa pessoa chegar até minha mesa pela imagem de um print, com certeza vou apresentar meu trabalho, mostrar meus quadrinhos e conversar de boa com esse(a) possível comprador(a). Pode ser que eu venda somente este print para essa pessoa, pode ser que eu agregue nesta venda uma ou duas HQ, pode ser que essa pessoa, que não tinha o hábito de ler quadrinhos, tome gosto pela leitura e assim, quem sabe, temos um novo leitor.

Penso que os prints não inviabilizam meu trabalho como quadrinista até porque o que eu faço são histórias em quadrinhos. Simples assim.

Comic Con é um evento caro para os expositores. São 5 dias de exposições, moro a 300km da do evento, tenho que ficar em hotel, pagar o aluguel da mesa, alimentação, transporte e tantos outros itens e despesas. Fiz a opção de viver somente pelos quadrinhos. E o que isso significa? Que toda a minha renda provém somente do meu trabalho como quadrinista e tudo mais o que possa envolver essa profissão. Desta maneira, agregar a venda de prints na CCXP é fundamental para mim.

Tem um bom post sobre essa controvérsia Print Vs HQ no blog do Brão Barbosa. Aqui está o link: Print ou quadrinho? Ou os dois?

Imagem de Eudaimonia, retirada do meu Instagram
Fazia quase duas semanas que não atualizava o blog e sei que tenho atualizado bem menos por um bom motivo: logo que puder, revelo Eudaimonia* por aqui. Já coloquei alguns fragmentos de páginas na minha conta do Instagram.

*O termo "eudaimonia" pode ser entendido com um perfeito ajuste na ordem cósmica.

Fico por aqui com a satisfação de poder publicar (ainda não sei como) uma nova HQ em 2017.

Conto com seu comentário, compartilhamento, perguntas, dúvidas, curiosidades ou mesmo surpresa por essa "nova novidade novissíma e eudaimonica".

Um grande abraço!

Luciano Salles.

5.6.17

O tempo de Luciano Salles – Podcast HQ sem roteiro

Imagem retirada do Iradex

Olá, tudo certinho?

Nunca havia participado de um podcast até o receber o convite do Pedro PJ Brandão, que comanda o HQ sem roteiro, que agora fica dentro do site do Iradex. Assim, fui conhecer o programa, gostei bastante e marcamos para gravar. Conversamos sobre praticamente tudo desde que comecei a fazer quadrinhos. Falamos desde o horário que acordo até meus quadrinhos, como escrevo os roteiros, meu traço, conversamos sobre o tempo, ilustrações e muito mais! Fiquei contente com o resultado e deixo aqui o convite para você ouvir o programa.

Copiei o texto de introdutório do podcast, incorporei o áudio aqui no blog e deixo o link para, se preferir, ir direto até o Iradex e conhecer todo o conteúdo que eles mantêm ali!

Texto retirado do podcast HQ sem roteiro – Iradex
"O Tempo de Luciano Salles.


O tempo é muito importante para Luciano Salles. O quadrinista paulista sabe exatamente qual dia, mês e ano pediu demissão do seu trabalho como bancário para se dedicar exclusivamente ao trabalho com ilustração e HQs. Vendeu a moto que tinha e usou todo o dinheiro para imprimir os exemplares de seu primeiro quadrinho em cores, O Quarto Vivente, em 2013. De lá pra cá, lançou também L'Amour 12oz, em 2014, e Limiar: Dark Matter, em 2015.
O traço característico de Luciano talvez só não seja mais marcante do que suas tramas complexas, repletas de cortes temporais e multinarrativas que se intercalam. São quadrinhos que desafiam. Assim como o tempo. É sobre tudo isso e muito mais que Pedro PJ Brandão conversa com Luciano Salles no HQ Sem Roteiro Podcast dessa semana. Pode por suas luvas de boxe e subir no ringue".
Seu comentário é sempre muito bem vindo.

Um abraço,

Luciano Salles.

3.6.17

Sereia: Ilustração para camiseta da turnê europeia da banda Liniker e os caramelows

Sereia por Luciano Salles.
Desenho do adesivo para a turnê europeia
da banda Liniker e os caramelows
Olá, tudo bom?

Tenho uma relação bem próxima com a banda Liniker e os caramelows. Vi tudo surgir devagarinho, pequenininho. Fui em muitos ensaios, conversava bastante e até pelos anos de experiência que tive como gestor em instituições bancárias, ajudei no que pude, bem lá no comecinho, também neste aspecto.

Neste mês de junho, eles estão em turnê pela europa e fiz a arte que estampa a camiseta destes shows. Recebi a ideia que a banda queria e pensei bastante, sinteticamente, em como o desenho deveria ser.  Gosto de pensar o suficiente antes de qualquer traço e se você acompanha meu blog, já deve ter lido isso algumas vezes.

Assim, já no primeiro sketch acertei o que queria e como sempre preciso dar nomes aos meus desenhos, chamei este de Sereia.

Sereias por Luciano Salles.
Silk em cinco cores para a camiseta oficial da turnê
europeia da banda Liniker e os caramelows
O mesmo desenho deveria ser para a camiseta, que seria feita em silkscreen, e para um adesivo. Este foram os resultados.

O que eu mais queria no desenho era um olhar distante e apaixonado. Algo de sutil percepção, com expressão e, de certa forma, com voz.

Esteja livre para deixar seu comentário aqui. Dúvidas, sensações, comentários, elogios,  qualquer argumentação sempre será bem vinda e respondida.

Um abraço,

Luciano Salles.







Rascunho de Sereia, por Luciano Salles
Rascunho de Sereia em cores,
por Luciano Salles

29.5.17

Bate-papo e oficina de quadrinhos no SESC Registro

SESC Registro por Luciano Salles
Olá, tudo bem?

De Araraquara, interior do estado de São Paulo e cidade onde moro, até Registro, uma pequena cidade que fica bem perto do litoral sul paulista, são boas horas de viagem. Fiz o longo trajeto a convite da unidade do SESC Registro para um bate-papo e uma oficina sobre o mercado dos quadrinhos independentes, que aconteceram, respectivamente, nos dias 27 e 28/05. 

Oficina de quadrinhos no SESC Registro
A instalação do SESC na cidade é incrivelmente linda e fica em um prédio tombado pelo patrimônio histórico, as margens do rio Beira do Iguape. Como sempre, fui muito bem recebido e acolhido pelos funcionários da unidade.

A palestra ou, como prefiro, bate-papo, aconteceu de forma fluida e com muitas perguntas. É interessante perceber como as pessoas tem curiosidade em entender como funciona esse processo de viver exclusivamente pelos quadrinhos. Sempre acho válido todos esses questionamentos e entendo a curiosidade.

Outra percepção que é notável é o nível de ansiedade que as pessoas
Oficina de quadrinhos no SESC Registro
carregam e penso que hoje, os algoritmos que são tão presentes em nossas vidas, são os robôs futuristas que nunca imaginávamos que teriam essa forma. Ou melhor, essa fôrmula. Chego a refletir que esses algoritmos nos conhecem melhor do que nós mesmos.

A oficina também foi intensa e com resultados incríveis. Tentar desvincular as pessoas de um mundo tão pronto é algo que adoro tentar fazer.

Como enfatizei nos dois eventos, se esses encontros retornem de 
Bate-papo sobre o mercado dos quadrinhos independentes no SESC Registro
alguma forma na cabeça de um participante, dias após os eventos, qualquer esforço já valeu a pena.

Tudo aconteceu dentro do primeiro #FicFan, um final de semana geek/nerd que o SESC promoveu. Teve RPG, cosplay, zumbis, música, quadrinhos e tudo mais que envolve a cultura pop.

Deixo aqui meu agradecimento a  Débora Passarinho e ao Willian, representando todos da unidade SESC Registro.
Bate-papo sobre o mercado dos quadrinhos independentes no SESC Registro

Um abraço,

Luciano Salles.




Uma versão minha pela oficineira Nelissa. Adorei!


22.5.17

Participo do primeiro #FicFan no SESC Registro

Programação #FicFan do SESC Registro 
Olá, tudo bem?

Nos dias 27 e 28/05 (próximo final de semana) estarei no SESC Registro para o primeiro #FicFan! 

No sábado vamos conversar sobre o mercado dos quadrinhos independentes e tentar entender os entraves e desmistificar esse tipo de publicação. Tudo isso na forma de um bate-papo descontraído onde todos terão voz. Confira também as postagens: + 12 dicas para um quadrinista independente21 dicas para um quadrinista independente.

Já no domingo, acontece uma oficina de quadrinhos com ênfase na iniciação de novos autores. Será abordado temas como a história da sua HQ, elementos de composição de um quadrinho, roteiro, narrativa gráfica, tudo de forma simples e didática, com exercícios e exemplos. Os "oficineiros" serão convidados a desenvolver uma pequena história em quadrinhos.

Em ambos os dias estarei com minhas HQs e alguns prints para vender!

O primeiro #FicFan tem uma excelente programação que você pode conferir na imagem ao lado ou neste link do Facebook do SESC Registro.

Espero você para o bate-papo e na oficina.

Um abraço!

Luciano Salles.

5.5.17

Mapinguari: tem uma arte original minha como recompensa no Catarse de Rodrigo Otäguro.

Original de Mapinguari, por Luciano Salles
recompensa no Catarse de Rodrigo Otäguro
Olá, tudo bem?

É difícil começar a fazer quadrinhos. Então sempre que posso, ajudo da melhor forma quem está no início de tudo. No caso de Mapinguari, do Rodrigo Otäguro, foi com esse desenho. Fiz a arte para a galeria do álbum e decide que ele pudesse criar uma recompensa única onde você levará todas as demais recompensas e a arte original, autografada e com dedicatória.

Conheci o Rodrigo Otäguro em uma palestra que ministrei em setembro de 2014, em Piracicaba. Depois nos encontramos no Festcomix e depois novamente em dois cursos que coordenei no Instituto HQ, em São Paulo. Até que ele me convidou para fazer parte da sua nova HQ Mapinguari, que está na reta final de captação no Catarse.

Então, corre ali no Catarse, na página do Mapinguari, assista ao vídeo, entenda a proposta da HQ, conheça melhor o Rodrigo e se achar legal, contribua para a revista ser financiada. E, se puder, contribua com o item que leva esse meu original. Vai dar um baita gás na reta final da campanha!


2.5.17

+ 12 dicas para um(a) quadrinista independente – Parte II

Quadro de Limiar: Dark Matter por Luciano Salles e cores por
Marcelo Maiolo.
Olá, tudo bem?

Em 2015, escrevi um post entitulado: 21 dicas para um(a) quadrinista independente. Hoje, ainda recebo mensagens através do meu Twitter, Facebook ou, diretamente por aqui, perguntando como procedo em diversos aspectos no tocante aos quadrinhos, vendas, administração de tempo, traço, roteiro e outros temas e dúvidas.

Enquanto matutava em escrever esse novo post, pensei muito se isso poderia soar como algum tipo de autoajuda ou frações de similaridades.

Não, não é autoajuda. Não serão peças ou itens que solucionarão suas ânsias mas podem, de certa forma, trazer certa tranquilidade e até alguma orientação. Não será um kit de soluções rápidas de problemas mas penso que para alguns poderá trazer um alento, um entendimento, um suporte ou um "estalo". 

E por qual motivo digo isso? Pois o que eu sinto é diferente do que você sente, a energia que eu tenho para realizar algo é diferente da sua, o tanto que demoro para atingir o meu nível de cansaço é diferente do seu, o horário que preciso dormir é diferente do seu e a quantidade de horas de sono também. Assim como a capacidade de ficar focado em cima de um trabalho, tudo sempre será diferente para qualquer outra pessoa além de você.

Entendido e fechado este acordo, vamos lá:

01. Tenha ciência de que sendo um(a) quadrinista autoral e independente, você não vai viver ou sobreviver das vendas unitárias de sua(s) revista(s). Isso tem que ser algo claro, cristalino e extremamente bem resolvido em sua cabeça.

02. Tente produzir e manter certa regularidade na produção das suas HQs. O motivo deste item é que com material novo, você poderá ir aos mais diversos eventos de quadrinhos e, pelo menos uma vez ao ano, apresentar um trabalho inédito. Isso além de alavancar suas vendas, contribui para vender também suas HQs anteriores.

03. Utilize seus quadrinhos também como ferramenta que impulsione outros negócios. A contradição do item 01 para com item 02 é justa e aceitável: Se não vou sobreviver das vendas da minhas revistas, porquê tenho que produzi-las? Por experiência, um(a) quadrinista autoral, deve usar suas publicações também como uma ferramenta que impulsione outros meios de rentabilizar sua proposta de vida. Através de seus álbuns em quadrinhos, você pode direcionar outras atividades como bate-papos, commissions ou encomendas de arte original, palestras e oficinas, que agregarão condições de novas rentabilidades.

04. Se você é o(a) desenhista das suas próprias histórias, é hora que se disponibilizar para trabalhos de ilustração esporádicos ou freelancer. Um atalho não existe. Você terá que desenhar, desenhar, desenhar e entrar em contato com os ambientes que possam demandar ilustrações. Revistas, jornais e sites. Aqui as possibilidades são inúmeras e lembre-se que as vendas unitárias das seus quadrinhos não irão quitar seus boletos.

05. Não idealize que seu trabalho será consagrado por outros quadrinistas. Não sonhe ou imagine que uma "Elis Regina" consagrará sua música. Confie no seu quadrinho e trabalhe no esquema mais punk possível: "Do it yourself" ou "faça você mesmo".

06. Entenda que o tempo está a seu favor. A famosa desculpa do tempo. Para entender essa frase é sabido a necessidade de entender o critério de tempo e neste ponto, o problema é bem mais confuso. Por exemplo, se você pensar que nada é eterno, então o tempo, como conhecemos, não existe. Tudo somente é. Entretanto, os segundos foram impostos e assim vivemos em prol dos tique-taques.
Desta forma, se você estiver bem disposto e feliz com a história que está desenhando, em qualquer momento que você se voltar para esse trabalho, o tempo está a seu favor. Concluindo: se o tempo, por mínimo que seja, está a seu favor, faça valer cada instante.

06.01. Trabalhe com todas e quaisquer redes sociais fechadas. Encerre, não acione, bloqueie, não logue, silencie e não deixe o celular por perto vibrando sem parar. Assim você perceberá novamente como o tempo estará inteiramente ao seu lado.

07. Antes de começar a desenhar, fazer suas cores ou escrever seu roteiro, pare por alguns minutos. Como enfatizei desde o começo do post, isso funciona pra mim. Lembre-se que somos diferentes. O fato de eu ficar 5, 10 ou 20 minutos parado, sem fazer nada, me ajuda a aliviar alguns pensamentos que não me auxiliarão em nada no trabalho.

08. Não se prenda a nenhuma escolha, escola, forma ou estética imposta. Entendo o conforto em produzir algo que está em alta, que está sendo feito e dando certo, em usar cores ou efeitos que estão "na moda". Entretanto, nada disso garante que seu quadrinho também será bem aceito.
Ser livre é extremamente difícil. O fato de ser livre e com autonomia para fazer o que deve ser feito implica em arcar com as responsabilidades desta escolha. Isso é angustiante. Aliás a angústia me parece ser necessária para uma sincera criação.

09. Faça seu quadrinho com o melhor que você pode oferecer. Já que vai fazer, faça da melhor forma possível! Com excelência e honrando todo prazo e acordo.

10. Nunca trabalhe de graça. Na dúvida em quanto cobrar por um trabalho, não hesite em perguntar para um colega.

11. Não desenhe no anseio de likes, retuítes ou qualquer outra forma de consolo virtual. Se estiver afim de fazer algum desenho, seja por motivo político, homenagem, contestação ou até uma fã arte, faça pelo ato e pelo processo. Obrigar-se a desenhar algo somente pelo fato do assunto estar em alta, sendo muito discutido, apenas te faz obrigado a reagir de acordo com o que está produzindo  algum tipo de efusão no meio. Ser voluntariamente obrigado a algo é extremamente desnecessário.

12. Não protele.

Termino por aqui. Seu comentário é sempre bem vindo e assim que puder responderei.

Um abraço.

Luciano Salles.

1.5.17

As palestras no SENAC e no Colégio Sapiens

Nessa semana que passou (25/04/2017 a 28/04/2017) participei com duas palestras na Semana SENAC de leitura e com um bate-papo e uma oficina na Feira do livro do Colégio Sapiens. Em ambos os eventos fui muito bem acolhido por todos.

É sempre muito legal encontrar com pessoas que tem a curiosidade de querer saber como "funciona" o fato de se viver somente através da sua arte. Há um misto de admiração, desconforto, desconfiança e, principalmente, de curiosidade.

Muito obrigado Selene (SENAC), Marina Amaral e Patrícia Corbi (RIMA e Collegium Sapiens) pelo convite e carinho.

Um abraço.

Luciano Salles.

Semana SENAC de leitura. Fotos cedidas pelos alunos do curso de fotografia da unidade.
Semana SENAC de leitura. Fotos cedidas pelos alunos do curso de fotografia da unidade.






















27.4.17

Amor Plutônico

Amor Plutônico por Luciano Salles
Amor Plutônico por Luciano Salles
Olá, tudo bem?

Ao entrar no Facebook, você percebe inúmeras discórdias, brigas, dualidades, ataques, compartilhamento de mentiras, indiretas, bloqueios, denuncias e uma polaridade jamais vista.

Penso que o mínimo poder que o Facebook e as redes sociais concedem, seja o suficiente para que – novamente – esse mínimo poder venha a tona com uma violência e ferocidade assustadora.

Agora imagine ser o presidente do país mais poderoso do mundo. O líder supremo de um outro país. O(A) presidente de uma grande empresa, ser um(a) grande lider
Amor Plutônico por Luciano Salles
religioso(a), o(a) presidente de um grande partido partido político. Imagine ser cantor(ra) de sucesso mundial. Consegue fazer esse exercício? Consegue dimensionar as escala de poder?

Se o poder de escrever o que quiser em uma rede social já causa tanto alvoroço, imagine ter o poder de construir e lançar mísseis nucleares.

Somos naturalmente egoístas e por consequência, devastadores. Basta uma diferença que não agrade para nossa ira emanar vociferando atrocidades e violência. 

A idade média é agora.

Foi um post pesado, mas queria fazer. Fique a vontade para deixar seus comentários, compartilhar a
Sketch porcão por Luciano Salles
imagem, o texto e o que mais desejar.

Muito obrigado as pessoas que ajudaram com minha dúvida quanto ao trocadilho do nome do desenho. Obrigado Érico Assis, Murilo Nunes e Rafael Miney.

Um abraço.

Luciano Salles.

20.4.17

Semana de bate-papos no SENAC e no Colégio Sapiens

Olá, tudo bem?

Na última semana de Abril, vou participar de dois bate-papos em sobre histórias em quadrinhos, ilustração e tudo mais o que envolver esses temas. Ambos eventos serão feiras do livro aqui na minha cidade (Araraquara) sendo que um acontece no Collegium Sapiens Araraquara e o outro no SENAC Araraquara.

01. Na Feira do Livro do Collegium Sapiens, o bate-papo acontecerá no dia 27/04 das 19h às 21hserá aberto ao público e a entrada é gratuita. O endereço da escola é na Rua Castro Alves, 2004.

Arte por Rima Design


02. Já na Semana SENAC de Leitura: Literatura fantástica e HQs, estarei nos dias 25/04 às 20h40 e no dia 27/04 às 15h40 para falar sobre o Mercado de ilustração e quadrinhos. Segue abaixo toda programação e toda informação repassada pela unidade:




logo senac.jpg

Senac oferece 300 atividades gratuitas de estímulo à leitura e realiza Feira de Troca de Livros e Gibis

Entre as ações, exposição e desfile de trajes de cosplay, bate-papo e palestras com autores regionais são destaques da programação

A Literatura fantástica e HQs será o tema da próxima edição da Semana Senac de Leitura, que acontece de 24 a 29 de abril, em 57 unidades do Senac São Paulo. Com entrada franca, o evento apresenta 300 atividades que propõem ao público um mergulho no universo da leitura. Quem visitar a unidade Araraquara, entre os dias 24 e 28, poderá apreciar a Exposição de Trajes de Cosplay e participar da Feira de Troca de Livros e Gibis.

Na programação, estão palestras e bate-papo com profissionais do seguimento literário como a autora Maria Nilza Campo Lepre, que falará sobre os direitos do escritor, no dia 24, a partir das 9h40. O ilustrador Luciano Salles aborda O Mercado de Ilustrações e Quadrinhos, em palestras nos dias 25, às 20h40  e 27, às 15h40. 

17.4.17

Vídeo sobre o processo, detalhes e nuances sobre ilustração da capa do novo disco d'Os Capial.

Olá, tudo bem?

Há pouco tempo fiz a capa do novo disco da banda, aqui de Araraquara, Os Capial. O Marcelo Tucci (Tucciname Produções), vocalista e guitarrista da banda, fez um vídeo comigo sobre o processo, nuances e sobre alguns detalhes inseridos na ilustração. 

Fico por aqui e volto para os desenhos dos meus novos trabalhos em quadrinhos.

Um abraço.

Luciano Salles.

11.4.17

Divagando [01]: Vontade de fazer, insistência, inspiração e prêmios.

O pugilista M, de L'Amour: 12 oz de Luciano Salles
Olá, camarada. Tudo bem com você?

Enquanto trabalho aqui nas páginas dos meus quadrinhos, em algumas ilustrações e trabalhos esporádicos para a Folha de S.Paulo, eu penso, penso muito. Preparo mentalmente as palestras sobre ilustração e o mercado independente que vou ministrar ainda este mês no SENAC e no Colégio Sapiens, ambos aqui em Araraquara.

Por vezes, tenho muita vontade de fazer apenas o quero fazer. Muita mesmo! Mas é algo que não pode acontecer o tempo todo, certo? Isso é claro e nítido para mim, assim como acredito que deva ser para você. Entretanto, para fazer com apreço o que deseja, você terá que abdicar um pouquinho deste desejo, para assim poder concretizá-lo de fato. 

Voltando aos quadrinhos e aos meus desenhos, entendo que a melhor obra que já produzi vai ser a que farei amanhã. Você pode até ter a sensação de que sou um eterno insatisfeito com o que faço mas garanto ser bem ao contrário. A circunstância da prática diária me faz crer que estou melhorando e, se estou no caminho do aprimoramento, o melhor ainda está por vir. Vale uma ressalva: isso se enquadra para mim mas como existem 7 bilhões de habitantes no planeta, deve valer também para alguns outros(as).

Resumindo todo o parágrafo anterior, o que quis dizer é que sou um insistente. Persevero até conseguir concretizar o meu trabalho e da melhor forma possível.

Uma das coisas que escuto e que respondo bastante é de onde vem minha inspiração. Sendo muito sincero, não acredito muito em inspiração, aquela como algo divino, que simplesmente invade meu campo imagético, surge na tela da minha mente e BOOM!, tenho uma história pronta. Muito das ideias dos meus 4 (quatro) quadrinhos publicados vieram de conhecimentos prévios, informações adquiridas, vivências, memórias, do dia a dia e principalmente, da observação. Sou um observador por natureza e esse é um fato que me auxilia muito. Acho que a chamada inspiração nunca me premiou.

E por usar o verbo "premiar", lembro que nunca recebi prêmio algum com os quadrinhos. Nunca ganhei um HQMIX, um Angelo Agostini, um Grampo de Ouro ou qualquer outro que haja. Somente fui indicado em algumas categorias, mas ser o escolhido e ganhar o trofeu, isso nunca aconteceu.

Penso que deva ser muito legal levar um prêmio. Figurativamente, é um reconhecimento público pelo seu trabalho. Quando comecei a fazer quadrinhos e fui indicado, fiquei bem contente. Tinha 38 anos. Depois disso, fui indicado por todas as história em quadrinhos que publiquei. Hoje tenho 42 e não sei dizer direito o que penso a respeito de uma premiação. Se algum dia vier a receber algum prêmio, acredito que a sensação de felicidade será sobrepujada por uma boa dose de otimismo.

Bom, como sou um persistente, vou voltar para os desenhos da minha nova HQ e fique a vontade para divagar em seus comentários. Com certeza serão respondidos.

Muito obrigado pela visita!

Um abraço,

Luciano Salles.

7.4.17

O que há de novo?

• • • • • • • • • •, por Luciano Salles
Olá camarada, tudo bem?

Faz um tempinho que não atualizo o blog e o motivo são os trabalhos. Isso é bom mas gosto também de publicar aqui.

• • • • • • • • • •, por Luciano Salles
Fiquei quase 15 dias imerso na produção da coleção outono/inverno da LUPO. Vivo pelos quadrinhos mas tenho uma produtora artística – Memento 832 – e por vezes faço alguns trabalhos que tomam bastante do meu tempo, como este da LUPO, e preciso praticamente parar tudo o que estou fazendo e produzindo, em relação aos quadrinhos, para atender estas demandas.

No meio de toda esta correria, as coisas (agora sim, no mundo dos quadrinhos) vão acontecendo, mudando e por isso, tenho boas novidades futuras que no devido momento revelo aqui. As páginas de ELA estão saindo mas os desenhos que estão neste post não são de ELA 😉

Neste mês de Abril estarei na Escola Sapiens, aqui de Araraquara, falando sobre o mercado dos quadrinhos e da ilustração. No dia 27/04 às 20h faço uma palestra (bate-papo) e no dia 28/04 das 18h às 21h, realizo uma mini oficina de quadrinhos. O bate-papo será aberto ao público então todos estão mais do que convidados(as).

Ainda neste mês participo da Semana SENAC de Leitura e estarei em dois dias na unidade Araraquara. 
No dia 25/04 às 20h40 e no dia 27/04 às 15h40. O evento é aberto para a comunidade e novamente convido a todos, que gostam de quadrinhos, ilustração e cultura pop para esse semana!

Como sempre, fique a vontade para publicar seus comentários!

Termino por aqui com um fraternal abraço.

Luciano Salles.

30.3.17

Amanhã estarei na Quanta Academia de Arte em São Paulo

Olá, tudo bem?

Amanhã tenho um compromisso em São Paulo e ficarei grande parte do dia na Quanta Academia de Artes.  Devo chegar antes do almoço e ficar até o começo da noite. Se estiver de boa e interessado em comprar alguns dos meus trabalhos em quadrinhos, prints, pequenos originais, trocar ideia sobre desenhos, HQs, ilustração ou mesmo pagar um café para mim (isso é brincadeira tá, mas aceito 😉) é só me procurar por lá.

Aproveito para agradecer ao Marcelo Campos em sempre ser tão solidário e acolhedor.

A Quanta fica na Rua Dr. José de Queiroz Aranha, 246 na Vila Marianabem perto do metrô Ana Rosa. No vemos por lá.

Um abraço.

Luciano Salles.

23.3.17

O processo criativo de “ELA”, nova HQ de Luciano Salles. Entrevista para Revista O Grito

Olá, tudo bem?

Saiu uma pauta bem legal e com entrevista, na Revista O Grito. Paulo Floro conversou comigo por e-mail. Logo abaixo inseri toda matéria e clicando aqui, você vai direto para a revista.

Espero que curta o texto e fique livre para perguntas aqui no blog.

Um abraço.

Luciano Salles.

ENTREVISTA

Entrevista: O processo criativo de “ELA”, nova HQ de Luciano Salles


 
 

Luta livre, detalhismo em preto e branco, protagonista feminina forte. Os bastidores da nova HQ do autor de O Quarto Vivente
Demorou apenas três obras para que Lucianno Salles se tornasse um dos quadrinistas com uma das assinaturas mais marcantes de sua geração. Parte de um momento muito criativo (e prolífico) das HQs nacionais ele foi responsável pela trilogia L’Amour: 12 ozO Quarto Vivente e Limiar: Dark Matter, em que mistura elementos de ficção científica e toques de surrealismo. Antes disso ele lançou uma outra HQ independente, Luzcia, a Dona do Boteco
Agora ele prepara o novo álbum, ELA, em que segue caminhos pouco usuais dentro de sua proposta artística. A começar pelo uso do preto e branco. Quem leu a trilogia sabe o impacto que a colorização tem no trabalho de Salles, com o uso inusitado de tons vibrantes. “Neste processo em PB estou sendo muito mais detalhista e criterioso. Não que nos meus outros trabalhos não tivesse sido, apenas sinto que estou 100% em cada linha traçada, em cada dialogo pensado e em cada cena montada”, explica Salles nesta entrevista por e-mail. 
Saca a sinopse de ELA. “Dette é uma jovem lutadora de artes marciais. Após uma derrota inesperada e análises de exames pós luta, foi informada pela sua equipe que não poderia mais lutar profissionalmente. Ao procurar ajuda especializada, encontra mais do que um problema de saúde. Dette e sua médica descobrem um obscuro torneio anual de artes marciais onde não há regras para os combates e tudo é permitido. Doutora e paciente vão para o torneio com a esperança de poder tratar a doença de modo não convencional perante os formais conselhos de medicina”. 
Parece bem interessante. Para nos adiantar detalhes sobre a obra, que deve sair esse ano, batom um
papo rápido com Luciano Salles. 
Quais foram as principais diretrizes criativas que você pensou para ELA, sua nova HQ?
O processo de criação começou com uma ideia que me apeteceu e que sabia que poderia ser uma boa história. A partir dela entrei no processo de manipular a ideia mentalmente por um bom tempo. Entretanto, um fato aconteceu e foi bastante divulgado na mídia muito similar ao que estava trabalhando em minha cabeça. Foi um balde de água fria. Desde esse fato comecei a embutir diretrizes criativas no processo. Comecei a inserir variáveis dentro da ideia anterior, onde o principal conceito passou para um bom adendo à história.

O que tem te inspirado para compor a personalidade de Dette, a protagonista? 
Sou fã de lutas. De qualquer tipo. Se estiver passando algum campeonato na TV, para o que estiver fazendo para assistir. Sempre observo muito os(as) lutadores(as) em todos os aspectos. Como ele(as) falam muito pouco com seus técnicos ali no minuto de descanso entre os rounds, as posturas antes das lutas, no momento em que o juiz explica as regras do combate e principalmente, no momento do embate. É nítido as expressões corporais enquanto os minutos se desenrolam. Sempre haverá duas hipóteses: um(a) vence e o(a) outro(a) é derrotado(a), entretanto, luta é luta e uma reviravolta pode acontecer em um golpe, em apenas um movimento, em uma fração de segundos. Tudo isso para dizer que Dette é uma lutadora em todos os aspectos. Daquelas pessoas que só se dedicaram para o esporte e tem potencial para aquilo. Dette é naturalmente combativa.

Esta é sua primeira obra toda em preto e branco? Como está sendo a experiência?
O minha primeira HQ, chamada Luzcia, a Dona do Boteco, é em preto e branco. Até pelo fato que havia acabado de deixar meu emprego e não vi outra alternativa para produzi-la. ELA já foi pensada e desejada para ser em preto e branco. Neste processo em PB estou sendo muito mais detalhista e criterioso. Não que nos meus outros trabalhos não tivesse sido, apenas sinto que estou 100% em cada linha traçada, em cada dialogo pensado e em cada cena montada. Estou realmente muito feliz de estar fazendo esse trabalho.

Seus três últimos livros formaram uma trilogia. Como foi terminar esse projeto a longo prazo e como acha que evoluiu nesse período?
A trilogia foi um processo basicamente intuitivo. Até mesmo em percebê-la. Eu estava bastante ansioso para terminar a trinca quando ainda desenhava Limiar: Dark Mattermas tive que me conter! Eu já estava trabalhando mentalmente a ideia de ELA quando já estava com uns 50% de Dark Matter desenhada e isso ajudou a mitigar minha ânsia. Mas tenho de ser sincero em dizer do alívio que senti quando peguei o último álbum da trilogia nas mãos. A partir dali eu estava livre para escrever o que quisesse. O processo de evolução sempre existe quando você tem consciência, entende o que está fazendo e a que se propõe. Neste aspecto posso dizer que evoluí.

Agora uma evolução quando a história, aos desenhos e a tudo mais que estou produzindo em ELA, os gabaritados para dizer isso será um(a) provável leitor(a). Sinto que meus desenhos melhoram e que escrevi uma boa história. É claro que isso é o que acho! Se eu não achar legal o que estou fazendo quem vai achar? Aprendo muito com alguns amigos que tenho a liberdade de mostrar o que estou fazendo. Ficar no interior é algo que amo e sou um caipira de coração e alma mas por vezes, preciso consultar esses amigos. São poucas pessoas, mas muito criteriosas e isso me ajuda. 
O que pode nos adiantar em relação à obra? Já tem previsão de lançamento ou formato da publicação?
Esse é o meu primeiro trabalho que não coloquei data de lançamento logo que comecei a desenhar a revista. Até mesmo pelo fato de ter terminado a trilogia e sentir que poderia fazer o que quisesse. Então, não há data de lançamento. Ano sim! Será em 2018. No tocante ao formato, quero sair do formato A4 que mantive nas três últimas publicações. Quero publicar algo em tamanho menor, em um papel diferente ao couchê e que converse melhor com o que estou preparando. Outro fato que posso adiantar é que será o trabalho mais diferente que já produzi. Isso posso dizer com a máxima certeza.


Desenho de Salles para Limiar: Dark Matter, parte da trilogia do autor.

14.3.17

A primeira entrevista sobre ELA

Olá, tudo bem?

O site Quadrinhosfera, através do Luan Zuchi, entrou em contato e faz uma pequena entrevista sobre ELA. Você pode conferir toda entrevista aqui mesmo ou aproveitar, ler a entrevista e conhecer o Quadrinhosfera.

Um abraço.

Luciano Salles.

11/03/2017

1 - Olá, Luciano! Tudo bem por aí? Muito trabalho nas páginas de ELA, sua nova HQ, eu acredito. E afinal de contas: Quem é ELA?

Olá Luan, tudo bem sim. Bom, não vou dar assim de bandeja quem é ELA mas acho que posso dizer que ELA é tudo que permeará essa minha nova história em quadrinhos. Essa é uma boa resposta.

2 - Nos seus trabalhos anteriores, você construiu um universo futurista com uma cultura própria e um novo português. Li em algum post seu que O Quarto Vivente, Limiar e L’amour compunham uma trilogia. Sendo assim, ELA será o começo de uma nova trilogia?

Não. Tenho a certeza que não será o começo de uma nova trilogia. Afirmo isso até pelo fato de já saber o que vou fazer depois deste trabalho.

3 - Complementando o tópico anterior, podemos esperar a criação de uma cultura nova, como visto nos teus trabalhos precedentes, ou ELA terá referênciais espaciais, temporais e culturais mais próximos ao cotidiano atual?

ELA tem referências mais próximas do que vivenciamos. Mas não exatamente pois, simplesmente, não consigo fazer isso. Posso citar um simples exemplo. Enquanto escrevia o roteiro, dentro da história, a protagonista recebe um aviso. Poderia simplesmente fazer ela receber uma mensagem no celular. Mas é exatamente neste ponto que fico incomodado. Não gosto de usar nada do que usamos diariamente nas minhas histórias. 
Veja, não estou dizendo será uma história futurista ou coisa assim. Digo apenas que desviar das nossas contemporaneidades é uma obsessão. Posso buscar algo do passado para que ela receba essa notícia.

4 - Em um dos seus posts, comentando sobre o novo trabalho, você liberou uma breve sinopse e dentro dela disse que ELA se trata da história de uma lutadora de artes marciais. Por que a opção por essa temática?

Porque adoro artes marciais. Na real adoro qualquer tipo de luta. Sempre acompanhei lutas de boxe, campeonatos de judo, karatê, luta greco-romana, ou seja, se tiver alguma luta para assistir eu assisto. Lembro que bem no começo dos anos 90 fiquei sabendo que havia lutas que valiam tudo, os “vale tudo”. Logo depois descobri que tinha um conhecido que, não sei como, conseguia gravações dessas lutas em fitas de videocassete. Era um prato cheio! Enfim, gosto de ver lutas.

5 - Fingindo que sou uma criança, seguirei com os “porquês”: Por que preto e branco? Como está sendo a experiência de trabalhar com o nankin e só?

Há algum tempo queria trabalhar somente em PB mas como estava na toada da trilogia, sabia que não poderia abandonar as cores até finalizar Limiar: Dark Matter. O desenho em preto e branco se mostra um desafio quando você sabe que não haverá cores. Precisava disso. Não via a hora de fazer isso!

6 - Você é um desenhista com o estilo caracterizado pelo cuidado e pelo detalhismo, quanto tempo, em média, você está levando para produzir uma página de ELA?

Eu não consigo ficar direto em cima de uma página de ELA pois tenho a Memento 832, que é minha produtora cultural, que preciso dar atenção. Sempre aparecem ilustrações para eu fazer para a Folha de S.Paulo, cursos, bate-papos, oficinas, produções, reuniões e então o trabalho vai aos goles. Mas se for contabilizar, estou fazendo uma página a cada 3 ou 4 dias. Acho que está bom.

7 - Você já teve a experiência de publicar completamente de forma independente e também por meio de uma editora (MINO). Como você avalia essa experiência, que, com o aumento do interesse das editoras pela produção nacional, cada vez mais se misturam na realidade dos autores nacionais?

Acho fantástico tudo o que aconteça em prol do quadrinho nacional. Temos uma cena, um mercado salpicado pelos estados do Brasil. Então, se for para contribuir legal, tudo é válido.

As editoras estão aí e há muita gente fazendo excelentes trabalhos independentes. Poxa, é um prato cheio para os editores mais antenados. Por mais que, por vezes, sempre existe a exposição ou a super exposição de um ou outro quadrinista, o que chamam de “hype”, termo que não acho legal. Acho estranho usar termos em inglês com sinônimos para nossa língua portuguesa. Imagino o tanto de sinônimos que Mario de Andrade ou Machado de Assis teria para isso.

Enfim, sou um quadrinista de Araraquara, bem do interior do estado de São Paulo e me encaro com os times de futebol do interior, aqueles da terceira, quarta divisão, sabe? Sou um quadrinista da terceira divisão. Então, o fato de já ter publicado por um editora é uma vitória legal. O fato de ter participado do livro Mônica(s) foi incrível. Acho que desviei um pouco da pergunta, mas é isso.

8 - Como sei que você é um workaholic extremamente dedicado e organizado, acredito que já tenha tudo planejado, então me arrisco a perguntar: Quando ELA estará pronta?

Para essa HQ eu não coloquei data de lançamento. Para todas as anteriores havia data de lançamento assim que começava a desenhar. Como farei tudo em PB, decidi que cada página vai merecer minha melhor atenção e dedicação. O leitor que adquirir um exemplar de ELA vai notar todo meu empenho em cada linha e por isso não determinei uma data de lançamento. Quero fazer valer cada centavo de um provável leitor. E não somente no tocante aos desenhos. Tomei um cuidado absurdo com o roteiro e tudo mais. Decidi até que não irei para nenhum evento de quadrinhos até essa revista estar impressa na minha mão. É claro que se for convidado para algum evento irei com certeza, mas preparar toda logística para ir a um evento por conta não vai acontecer. Mas garanto que se eu sumir um pouquinho será por um bom motivo.

9 - Bom, muito obrigado pela entrevista e bom trabalho por aí, Luciano! Se quiser acrescentar algo sobre o qual não lhe foi perguntado, sinta-se à vontade, o espaço é seu.

Eu que agradeço a gentileza de abrir um espaço no seu site. Só gostaria de enfatizar que tudo o que faço está no meu blog dimensaolimbo.com. É o melhor jeito de me achar.
Mais uma vez, muito obrigado, Luan.