Luciano Salles é quadrinista, ilustrador da Folha de S.Paulo e 1/3 da Produtora Cultural e Editora Memento 832.
Autor da histórias em quadrinhos EUDAIMONIA (2017, Publicação independente/Catarse), Limiar: Dark Matter (2015, Publicação independente), L’Amour: 12 oz (2014, Editora MINO), O Quarto Vivente (2013, Publicação independente) e da HQzine Luzcia, a Dona do Boteco (2012, Publicação independente).
Contato: lucianosalles@dimensaolimbo.com

28.12.17

O quê? Você vai cobrar por um sketch?

Desenhando e autografando uma edição de EUDAIMONIA
na CCXP17
Olá, tudo bem?

O que estou para publicar desde o término da CCXP17 é sobre uma situação delicada que acontece em convenções de quadrinhos, entre o autor – que também desenha – e o seu leitor, seu fã, seu público ou mesmo alguém que esteja com um caderninho colecionando sketches pelo evento.

Quanto vale um sketch? É justo chegar até a mesa de um(a) artista com um sketchbook e pedir um desenho? Desconsiderar os trabalhos que estão pela mesa e apenas pedir para ele(a) desenhar um batman ou outro personagem?

Sei que isso é recorrente e não tenho a resposta para uma possível equação que solucione esse tipo de pedido, considerando os produtos que a pessoa comprou (ou não) na mesa do(a) artista, o tempo que o(a) artista vai demorar para fazer o desenho, o específico valor daquele trabalho e qual será o destino final daquele desenho.

O que posso fazer é trazer essas questões para o meu mundo, para o que vivo nesta relação direta. Na última CCXP, vendi muitas revistas e prints. Para cada um destes itens vendidos, faço com o maior carinho do mundo um desenho (ou, sketch) e sempre pergunto se posso assinar os prints também. Gosto de fazer o melhor que posso naqueles poucos momentos. Não sou um desenhista tão rápido.

Foto retirada do Facebook de Eduardo Filloy
Entretanto, neste evento, foi a primeira vez que algumas pessoas enfrentaram fila para conseguir um desenho meu em seu caderno. Recebi bem estas pessoas, fiz os sketches e é aí que acontece o dilema: esses desenhos deveriam ser cobrados?

Eu não cobrei por nenhum sketch até porque, não havia uma plaquinha em minha mesa indicando o valor que cobraria por um desenho simples em um caderno, um desenho mais elaborado ou fazer um desenho naqueles quadrinhos com sketch cover (gibis de linha de banca das editoras com capa em branco para seu artista favorito fazer uma capa original e única).

Gibi vendido na CCXP com a capa
do tipo sketch cover
Aliás, para esses gibis com sketch cover, eu sempre aviso que não faço no evento. Se a pessoa quiser, por R$150,00 eu levo o quadrinho para o hotel e faço um trabalho que valha o investimento. Se estiver cansado ou com o tempo curto, trago a revista para meu estúdio aqui em Araraquara, faço o desenho e envio via SEDEX para o cliente.

Se for pensar, eu vivo exclusivamente pelos meus desenhos e quadrinhos, não tenho emprego formal que todo dia X me paga tantos reais como salário então, para cada desenho, eu deveria receber o valor que designei para aquele trabalho. Se seguir essa linha de raciocínio, em eventos, o sketch deveria ser cobrado.

Acredito que com uma simples placa¹ indicando os valores de cada produto da mesa incluindo sketches, desenhos mais elaborados, quadrinhos com sketch cover, os preços das revistas e prints, tudo ficaria mais tranquilo para o(a) artista não ter que se explicar sobre determinada situação. Ainda assim é uma postura delicada pois eu posso fazer deste modo mas muitos outros(as), no Artists' Alley, não farão desta forma.

¹ Veja a plaquinha de preços do Ben Templesmith.

No canto inferior da foto: placa com os preços de cada item
 que você poderia comprar com o Ben Templesmith.
Existem tantos pontos aqui para serem amarrados que comentários serão muito bem-vindos!

Um abraço.

Luciano Salles.