Luciano Salles é quadrinista, ilustrador freelancer da Folha de S.Paulo e 1/3 da Produtora Cultural e editora Memento 832.
Autor das histórias em quadrinhos EUDAIMONIA (2017, Publicação Independente/Catarse), Limiar: Dark Matter (2015, Publicação Independente), L'Amour: 12 oz (2014, MINO) indicada ao 27º HQMIX, O Quarto Vivente (2013, Publicação Independente) indicada ao 26º HQMIX e da HQzine Luzcia, a Dona do Boteco (2012, Publicação Independente), indicada ao 27º HQMIX.

28.12.17

O quê? Você vai cobrar por um sketch?

Desenhando e autografando uma edição de EUDAIMONIA
na CCXP17
Olá, tudo bem?

O que estou para publicar desde o término da CCXP17 é sobre uma situação delicada que acontece em convenções de quadrinhos, entre o autor – que também desenha – e o seu leitor, seu fã, seu público ou mesmo alguém que esteja com um caderninho colecionando sketches pelo evento.

Quanto vale um sketch? É justo chegar até a mesa de um(a) artista com um sketchbook e pedir um desenho? Desconsiderar os trabalhos que estão pela mesa e apenas pedir para ele(a) desenhar um batman ou outro personagem?

Sei que isso é recorrente e não tenho a resposta para uma possível equação que solucione esse tipo de pedido, considerando os produtos que a pessoa comprou (ou não) na mesa do(a) artista, o tempo que o(a) artista vai demorar para fazer o desenho, o específico valor daquele trabalho e qual será o destino final daquele desenho.

O que posso fazer é trazer essas questões para o meu mundo, para o que vivo nesta relação direta. Na última CCXP, vendi muitas revistas e prints. Para cada um destes itens vendidos, faço com o maior carinho do mundo um desenho (ou, sketch) e sempre pergunto se posso assinar os prints também. Gosto de fazer o melhor que posso naqueles poucos momentos. Não sou um desenhista tão rápido.

Foto retirada do Facebook de Eduardo Filloy
Entretanto, neste evento, foi a primeira vez que algumas pessoas enfrentaram fila para conseguir um desenho meu em seu caderno. Recebi bem estas pessoas, fiz os sketches e é aí que acontece o dilema: esses desenhos deveriam ser cobrados?

Eu não cobrei por nenhum sketch até porque, não havia uma plaquinha em minha mesa indicando o valor que cobraria por um desenho simples em um caderno, um desenho mais elaborado ou fazer um desenho naqueles quadrinhos com sketch cover (gibis de linha de banca das editoras com capa em branco para seu artista favorito fazer uma capa original e única).

Gibi vendido na CCXP com a capa
do tipo sketch cover
Aliás, para esses gibis com sketch cover, eu sempre aviso que não faço no evento. Se a pessoa quiser, por R$150,00 eu levo o quadrinho para o hotel e faço um trabalho que valha o investimento. Se estiver cansado ou com o tempo curto, trago a revista para meu estúdio aqui em Araraquara, faço o desenho e envio via SEDEX para o cliente.

Se for pensar, eu vivo exclusivamente pelos meus desenhos e quadrinhos, não tenho emprego formal que todo dia X me paga tantos reais como salário então, para cada desenho, eu deveria receber o valor que designei para aquele trabalho. Se seguir essa linha de raciocínio, em eventos, o sketch deveria ser cobrado.

Acredito que com uma simples placa¹ indicando os valores de cada produto da mesa incluindo sketches, desenhos mais elaborados, quadrinhos com sketch cover, os preços das revistas e prints, tudo ficaria mais tranquilo para o(a) artista não ter que se explicar sobre determinada situação. Ainda assim é uma postura delicada pois eu posso fazer deste modo mas muitos outros(as), no Artists' Alley, não farão desta forma.

¹ Veja a plaquinha de preços do Ben Templesmith.

No canto inferior da foto: placa com os preços de cada item
 que você poderia comprar com o Ben Templesmith.
Existem tantos pontos aqui para serem amarrados que comentários serão muito bem-vindos!

Um abraço.

Luciano Salles.

25 comentários:

  1. Toda vez que vou para pegar um sketch, eu sempre vou com o intuito de pagar. Por alguns fatores : Primeiro me coloco no lugar do artista, como você disse é sua renda direta. Segundo: É algo único, é uma arte. Provavelmente só você vai ter aquele idéia que autor colocou no papel pra você.
    E você faz muito pelo seus fãs Luciano, é uma bondade e apreço enorme.
    Abraços.

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    1. Muito obrigado pelo seu comentário, Matheus. E obrigado por expor sua opinião.
      Abraço!

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  2. Ótimo assunto levantado.

    Acredito que a saída mais simples, eficiente, direta e justa seja a tal plaquinha com os devidos preços.

    Quanto ao fato de que nem todos os artistas do Alley farão uso da tal placa, acredito que vai da visão pessoal de cada artista, mas aquele que quer dar um preço por cada tipo de trabalho vendido tem o direito de cobrar e a forma de deixar isso bem claro ao leitor/fã é a tal placa.

    Bota preço, bota plaquinha e bora ser feliz hehehe

    Abração, Luciano!
    Sucesso!

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    1. Muito obrigado por comentar, Luan.
      Tenho pensado bastante nisso. Pode ser que venha a mudar algo.
      Um abraço!

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  3. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

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    1. Douglas, de alguma forma removi seu comentário sem querer e não consigo voltar a colocar. Se puder republicar.

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  4. Hey, Luciano!
    Adorei o seu texto sobre o assunto.
    Pra mim é um assunto meio complicado e meio que sem resposta exata(na minha opinião como fã, claro), eu sou uma das pessoas que pede sketch, no meu caso o sketch é um bem de valor sentimental que de forma alguma eu pegaria pra vender e eu sigo a seguinte linha de raciocínio, eu só peço um sketch quando eu levo algum quadrinho do artista para conhecer ele e pegar o autógrafo ou quando eu compro alguma coisa na mesa do artista. Sempre peço com toda educação e se o artista dizer não eu entendo, em convenções como a CCXP e o FIQ, levam os artistas a um cansaço extremo, são filas enormes o dia inteiro, pessoas com trocentos itens para autografar(isso eu acho uma coisa complicada tbm, levar mais três ou quatro itens em convenções como um público enorme), o artista não é uma maquina que vai conseguir atender da mesma forma 3184613641364813746813746 fãs que passam pela sua mesa, o sketch é mais um agrado para o fã. Alguns artistas pediram para eu comprar um poster da mesa para fazer um sketch e alguns disseram não sobre sketch, nem por isso deixo de consumir tudo que o artista x ou y produz. Ganhar ou não um sketch, pagar ou não por um sketch não muda a minha opinião sobre o artista.

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    1. Olá, Lucas. Tudo bem?
      Que legal seu comentário. Essa é uma discussão que sempre permeia nosso meio e sempre o caminho do meio é o ideal. No seu texto você relatou exatamente isso.
      Muito obrigado pelo seu comentário.
      Um abraço.

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  5. Acredito que quando o autor não cobra por um sketch, nada mais justo do que a pessoa comprar um quadrinho, um print, etc. Como disse, para os artistas esses são seus meios de renda, e por mais que algumas pessoas não gostem, muitas vezes é necessário cobrar por esse tipo de trabalho.
    Acho que vai também da consciência de cada um.
    É um assunto delicado, e esse é o meu ponto de vista sobre, todo trabalho deve ser valorizado, então por mais que o artista não cobre, busque comprar algo dele, assim você ajuda e incentiva mais trabalhos do mesmo.
    Abraços, Luciano.

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    1. Olá, Aislan, tudo bem?
      Então, camarada. Esse assunto é bem delicado e como já havia essas conversas em nosso meio, decidi publicar o post.
      Acho que tudo sendo bem explicado, feito de forma honesta e com a devida atenção e carinho, o mercado só tem a melhorar.
      Muito obrigado pelo seu comentário.
      Um abraço!

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  6. Eu acho uma discussão interessante, principalmente colocando o teu caso, que seu estilo de desenho é extremamente detalhado. Cobrar por sketch mais elaborada, comission e etc... é uma forma de renda e deve ser cobrada sim.

    Nada mais justo que o artista também ganhar com aquilo. E eu tenho um pensamento bem interessante sobre o assunto, caso um dia eu faça quadrinhos, pra mim o ideal seria tipo "Gastou X leva uma sketch rápida no gibi ou sketchbook", porque ai você dá uma moral para a pessoa que apoia e gosta do trabalho.

    Esse é um assunto que corre a diversas opiniões e possibilidades, mas sendo tratado com carinho é tudo tranquilo.

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    1. Olá, Carlos!
      Muito obrigado por comentar e colaborar com o assunto.
      Toda as revistas que vendo eu faço questão de autografar com um sketch. Acho super legal fazer isso até pelo fato de entender que é um agrado entre o autor e o leitor.
      Muito obrigado, camarada!

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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  8. Tenho meu caderninho de sketch lotado de desenhos acumulados ao longo dos anos e eventos. A maioria, se não comprei algo na hora, comprei antes ou depois. Alguns poucos não comprei nada. Mas mudei a postura. Agora prefiro conversar um pouco do que pegar um autógrafo ou desenho. Acho que de tanto ver outras pessoas pedindo e pedindo desenhos me senti... errado. Me incomoda a ideia de ser um incômodo para o artista.

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    1. Olá, André. Tudo bem?

      Obrigado pelo comentário e por expor sua opinião. Acho que as pessoas estão percebendo esse fato do desenho ser "o" trabalho do artista. Bom, tomando pelos comentários por aqui e pelo facebook.

      Um abraço!

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  9. Olá Luciano, tudo bem?
    Assunto interessante esse. Você mostrou o lado de dois grandes artistas que vivem pela arte e trabalham para mercados diferentes, o norte-americano e o brasileiro, esse último tem estado em ebulição com tantas coisas novas acontecendo e, portanto, esse é um ótimo momento para solidificar alguns costumes e disciplinar o mercado.
    Nos pequenos eventos que participei pude ver cadernos de desenhos sendo passados em mesas colecionando desenhos que, como você mesmo falou, não sabemos qual será o destino. Particularmente não vi com bons olhos, no entanto, ver meu desenho no mesmo caderno que de outro grande artista que admiro fez meu coração balançar.

    Em resumo, se um comportamento for adotado por artistas mais conhecidos, com certeza será adotado por outros dentro da mesma comunidade, e assim modelando o mercado. Afinal não foi assim com os sketch-autógrafos?

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    1. Olá, Eder. Tudo bem?
      Obrigado por expor sua opinião, achei interessante seu posicionamento.
      Valeu pelo comentário.
      Abraço!

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    1. Valeu, camarada Laz Muniz!
      Muito obrigado pelo comentário.
      Um abraço!

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  11. Fico contente de você ter feito o Sketch em 3 dos seus trabalhos para mim, sem eu nem mesmo pedir. E apesar deu ter comprado eles na mesa, o que acarreta um investimento no autor, tecnicamente isso so cobre o valor no HQ. Logo por mais que eu ache o máximo ganhar um presente desses, pois sem custo e praticamente isso, eu acredito que até mesmo estes devam ser cobrados. Ou no mínimo o desenho num item comprado na mesa deva ser algo mais rápido e menos elaborado. Quanto ao resto dos sketchs, eu concordo que todos devam ser cobrados.

    Digo isso pois é algo que eu meio que levo ao meu blog. Eu escrevo a 6 anos, e desde de 2017 eu tenho começado a colocar um valor para certos tipos de textos exigidos por autores, editoras, entre outros. Basicamente propaganda. E quando dou reply com o valor 90% das pessoas fingem que eu não existo.

    Eu entendo que a maioria das pessoas que me contatam falam de projetos no Catarse, e eu sei que um custo extra pode não ser bem-vindo, pois tem os custos do próprio projeto. Mas acontece que eu desde o começo nunca fiz propaganda. O blog sempre foi de reviews ou então eu chamava atenção para algum projeto menor que eu via potencial.

    Não desvalorizando outros títulos, obviamente. Mas quando o seu e-mail pula de 2 mensagens de “Cara, dá uma olhada no meu projeto” para umas 30 mensagens de “Olá, seque abaixo informações sobre o nosso release. Teria como agendar um post falando deste perto da data X?” você tem de dar uma organizada nas coisas. Eu não posso simplesmente abandonar outros projetos por conta de um pedido. Sendo assim eu cobrar e até mesmo uma maneira de se filtrar a demanda.

    Porem como disse antes, 90% das pessoas não respondem, e com isso eu acabo me sentindo desvalorizado. Eu acho que eu tenho o direito de ganhar algo com o meu trabalho. Eu estou desempregado e ainda assim eu dou 100% pelo blog e canal. Mas parece que isso não me serve de nada.

    E então deixo aqui a pergunta Luciano. Você como autor, o que acha dessa situação que falei referente ao blog? Caso fosse cobrado um valor a você por uma divulgação de um projeto seu, como agiria?

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  12. Olá, Raphael. Tudo bem?

    Antes de mais qualquer resposta, muito obrigado pelo comentário!
    Sempre que você comprar um revista minha e eu estiver no local, com certeza ela será autografada e com direito um sketch.

    Quanto ao seu blog, é algo a ser mensurado. A internet já consegue rentabilizar autores de blogs, youtubers e outros métodos de trabalho. Tudo na base de troca de cliques e visualizações. Você precisa encontrar um meio termo.

    Cobrar do autor um valor para divulgar o trabalho é válido dependendo se o autor terá benefícios suficiente entre o valor aplicado e o resultado obtido. Se você tiver muitos leitores orgânicos somente uma inserção de publicidade já gera alguma renda. Mas é tudo uma questão de números a serem analisados.

    Se fosse cobrado um valor para eu divulgar uma HQ minha, eu analisaria o alcance e as perspectivas de venda que esse valor agregaria ao meu produto. Se valesse o valor investido, com certeza faria.

    Por exemplo, eu nunca pago publicidade via Facebook pois entendo que o retorno não vale o valor investido.

    Espero que tenha respondido ao seu comentário.

    Um abraço!

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  13. Tem que cobrar sim!
    É a sua tinta, o seu talento, o seu tempo! Arte tem valor em todas as etapas incluindo o sketch! O Glenn Fabry tinha plaquinha com 3 tipos de sketchs! Desde o simples até o bem finalizado. Fora os prints que ele tinha pra vender e autografar na hora. Acho que a cada ano que passa esse é o caminho!

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    1. Olá, Frigo. Tudo bem?
      Muito obrigado pelo seu comentário e por expor sua opinião.
      Um abraço!

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  14. Interessante a discussão!
    Quando eu autografo meus livros eu foco mais no texto autógrafo do que no sketch, porque o meu trabalho já está exposto ali, dentro das páginas. Aí faço um rosto rápido do personagem, por exemplo, ou algo que o leitor prefira.
    Geralmente desenho gratuitamente em cadernos para as pessoas que me pedem quando tenho tempo, quando não tenho digo que farei quando tiver, mas cobrar mesmo só foi na CCXP 2015 em capas variantes brancas da Panini, e foi coisa de 50 reais acho.
    Colocar na placa que sketch é gratuito com aquisição de produtos da mesa talvez seja uma outra opção.

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    1. Olá, Digo. Tudo bem?
      Muito obrigado por comentar por aqui.
      A ideia da plaquinha (acho eu) a ideia mais sensata.
      Um abraço!

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