Luciano Salles é quadrinista, ilustrador freelancer da Folha de S.Paulo e 1/3 da Produtora Cultural Memento 832.
Autor das Histórias em Quadrinhos Limiar: Dark Matter (2015, Publicação Independente), L'Amour: 12 oz (2014, MINO) indicada ao 27º HQMIX, O Quarto Vivente (2013, Publicação Independente) indicada ao 26º HQMIX e da HQzine Luzcia, a Dona do Boteco (2012, Publicação Independente), indicada ao 27º HQMIX.

30.12.13

Linda Resenha de 'O Quarto Vivente' no Portal GHQ!

O Quarto Vivente
Olá, camarada! Tudo certo?

Esse é o último post do ano e considero que fechei 2013 com medalha de ouro!

Recebi essa linda resenha e muito bem escrita, pela Milena Azevedo, do Portal GHQ.

Tive a honra de conhecer a Milena no FIQ 2013, pois minha mesa ficou ao lado da mesa dela e do Brum

Você pode conferir a resenha completa logo abaixo, ou pelo Portal GHQ. Assim, você aproveita e conhece esse baita site sobre as bandas desenhadas, que a Milena administra.

E ainda, agradecer você, camarada que sempre visita o Dimensão Limbo e acompanha meus trabalhos! Excelente 2014!

Grande abraço...

Luciano Salles.


[Quadrinhando] Mesmice Questionada.
Publicado em 30 de Dezembro de 2013 por Milena Azevedo

Luciano Salles, até bem pouco tempo, lidava apenas com números, padrões e sistemas pré-definidos. Formado em engenharia civil e atuando como bancário, Luciano deu um tempo nos cálculos e ousou investir nas paralelas de sua arte.
O ano de 2013 viu nascer seu segundo trabalho, a singular graphic novel O quarto vivente (48 páginas, colorida, R$ 20).
A trama de O quarto vivente se passa no ano de 2.177, após o mapa mundial ter sido alterado devido a catástrofes naturais.
O Brasil acolheu uma parte da população da Eurásia, principalmente os franceses. Passou a se chamar República Fraternal do Brasil. O governo mudou, a língua mudou, e a engenharia genética evoluiu.
Nesse Brasil orwelliano tudo é controlado. Crianças são programadas para nascer por auto-inseminação, e nem precisam ir à escola; o poder da instrução depende de quanto o(a) genitor(a) pode pagar pelas informações inseridas no organosfemto-chip.
O Estado adestra os cidadãos através de projeções de cores e ondas no ambiente, as ectoplasmotelas. Cada pessoa vê asectoplasmotelas da sua maneira, refletindo seu estado emocional. Quaisquer alterações emocionais são detectadas, sendo automaticamente corrigidas, garantindo assim um comportamento-padrão eficaz (por que investir em robótica se os seres humanos se comportavam tal qual autômatos?).
Da mesma forma, não há estímulo à socialização. Cada um preocupa-se apenas com seu próprio umbigo.
Contra o entorpecimento e a mesmice dos gestos fraternalmente egoístas da população, a jovem Juliett-e se rebela. Ela quer vida, emoção, surpresa; por isso  programa a concepção de um ser hibridumanizado.
Como Juliett-e não tem ideia do que especificamente irá parir, sonha com um camaleão que se vangloria em ser “o rei dos disfarces”, mas ainda assim fora exterminado. Decidida, embora temerosa, ela resolve encarar as consequências da quebra de regras e deixa o acaso voltar a intervir na sociedade.
A atitude de Juliett-e pode ser vista como fruto das inquietações de Luciano com o ambiente no qual estava imerso, onde a frieza da burocracia, do raciocínio lógico e da repetição de comandos sufocava a necessidade de expressar sua individualidade, de sentir cores e formas, de criar mais do que copiar.
Assim como sua anti-heroína, Luciano não se deixa prender às convenções e aos clichês. Isso o liberta para desenvolver tramas únicas que ganham amplitude através de seu traço particularmente característico. Porém, como é um autor neófito, nota-se que ficou um tanto quanto perdido e acabou misturando estrutura clássica com antitrama. Por exemplo, ele faz textos explicativos e insere datas em alguns momentos, e em outros há elementos surreais e a não-linearidade das ações se dá bruscamente, deixando o leitor confuso quanto à passagem do tempo.
Já o ponto positivo da narrativa de Luciano é não entregar tudo de bandeja para o leitor, convidando-o a diversas releituras e forçando-o a tecer reflexões após as mesmas.
No futuro distópico de O quarto vivente, além de Orwell, Huxley e Bradbury são referências pulsantes, uma vez que Luciano faz com que sua personagem principal questione o status quo e se desvencilhe das artimanhas do sistema.
Que O quarto vivente inspire mais quadrinistas a sair de suas zonas de conforto e criar histórias realmente originais.
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28.12.13

L'Amour : News 01

Olá camarada, tudo certo?

Assim como fiz com a minha HQ O Quarto Vivente, começo nesse post, com as notícias sobre meu novo trabalho em quadrinhos, que se chamará, L'Amour.

Bom, sendo assim, vamos lá!

01: O roteiro já está pronto e revisado pelo meu camarada e grande amigo, Daniel Lopes, apresentador do excelente Pipoca e Nanquim.

02: Pelo roteiro, a revista terá 58 páginas de história. 

03: Obedecendo meus cronogramas, começo a desenhar a revista no dia 30/12/2013.

04: Não costumo mostrar meus rascunhos de personagens, mas aqui está um que provavelmente estará em L'Amour!

Essas são as primeiras novidades e notícias sobre meu novo projeto em quadrinhos. Espero que acompanhe as postagens, que deixe suas impressões e tudo o que quiser, aqui no bloguesaite!

Grande abraço!

Luciano Salles

20.12.13

HQ Lab no SESC Ribeirão Preto : HQ Autoral e Independente.

[Atualizado em 15. 01. 2014]

Olá, camarada. Tudo certo?

Para quem ainda não sabe, estou no HQ Lab, do SESC Ribeirão Preto, em todas as quartas-feiras do mês de Janeiro!

Aqui, nessa breve atualização do post, um video sobre a oficina!

Cheers!

Luciano Salles.





Olá, camarada. Tudo certo?

O final de 2013 se aproxima e por consequência, 2014 vem acoplado, emendado, quase junto e com isso, convido você para participar do HQ Lab, no SESC Ribeirão Preto, onde sou o quadrinista convidado.

Meu foco será sobre quadrinhos autoral, independente e seus meios e modos de auto promoção.

Uma oficina colaborativa e aberta para a troca de ideias, onde você poderá levar seu trabalho. Vale tudo! Trabalhos em andamento, empacados, lançado e tudo mais!

Assim, espero você lá, no calor de Ribeirão Preto mas no ar condicionado do SESC, para muita conversa e quem sabe, um melhor direcionamento para seus objetivos com as bandas desenhadas!

Até dia 08...

Baita abraço

Luciano Salles.


12.12.13

2014 : 2015

A artrite de Luzcia, uma história de Luciano Salles
Camarada, tudo bem?

Eis que apresento, dentro dos meus cronogramas, o que tenho programado para 2014 e 2015!

Isso é tão somente, a apresentação dos personagens e alguns testes de cores por onde pretendo conduzir.

Um pouco mais para frente, lanço realmente dois teasers de como as coisas certamente virão.

Aproveito o post para já divulgar o curso que vou coordenar no SESC Ribeirão Preto, em todas as quartas-feiras do mês de Janeiro.

Será realizado dentro do projeto HQ Lab – Laboratório de Histórias em Quadrinhos e vou falar basicamente sobre as HQs Independentes, Autorais e como trabalhar sua auto promoção.

L'Amour, uma história de Luciano Salles





Assim que a programação já estiver pronta, divulgo também por aqui!

Espero que tenha gostado das novidades!

Um baita abraço...

Luciano Salles.





10.12.13

Janeiro de 2014 : HQ Lab comigo no SESC Ribeirão Preto!

Olá, camarada. Tudo certo?

Boas notícias para o começo de 2014.

Já em Janeiro, vou coordenar o próximo : HQ Lab – Laboratório de Histórias em Quadrinhos, evento que acontece no SESC Ribeirão Preto.

O curso será em todas as quartas-feiras de Janeiro, das 19 h 00 às 21 h 30.

O assunto vai ser específico em Quadrinhos Autoral, Independente e Auto Produção. Ali não pretendo ensinar nada e sim, trocar ideias e experiência com os que se participantes.

Em breve, mais detalhes por aqui mesmo! Abraço!

Aguardo você lá!

Luciano Salles.

8.12.13

Entrevista para o site Cenário HQ!

Olá, camarada, tudo certo?

Mais uma entrevista bem legal e agora para o site, Cenário HQ. Confira aqui na integra!

Abraço...

Luciano Salles.

salles
A primeira vez que vi O Quarto Vivente foi na Monkix. Um dia entrei lá e o Marcelo me mostrou, “esse cara deixou esse livro aqui, ele é do interior”. Peguei o livro e comecei a folhear. Me lembrou muito os europeus nos quadrinhos. Perguntei quem era o cara. “Ele era bancário”. Eu pensei “porra, mas gente nesse emprego, quando surta, sai metralhando gente na rua, não faz quadrinhos”. Na verdade, o Luciano sempre foi ilustrador. Trabalhou no banco pra ajudar a pagar as contas. Enfim peguei o livro e levei para casa. Meses depois ele participou de uma tarde de autógrafos na Monkix, junto com o pessoal da Miolo Frito e da LOKI. Vi o cara lá, sentado, na dele, autografando os livros. Ali comecei a falar com ele. Lembro que fazia frio e o cara de bermuda. Conversamos sobre quadrinhos, o interior de São Paulo, o Batman com seu suspensório de utilidades, e, claro, peguei meu autógrafo. E acompanhando as publicações em seublog, suas postagens no Facebook e outras entrevistas que ele deu, você vê que o cara é muito tranquilo, simpático, atencioso e preocupado com seu trabalho e a recepção do público. Além do Quarto Vivente, o Luciano participou da publicação Quatro Estações e da edição comemorativa Mônica(s). Baita ilustrador e um cara muito legal. Agora passou o FIQ, fiz uma pequena entrevista com ele sobre seus trabalhos e o mercado de quadrinhos.


P: Como tem sido a receptividade d’O Quarto Vivente?
Luciano SallesMuito boa, para não dizer excelente!Tenho recebido ótimas críticas e resenhas. Em quase todas as vendas que faço pelo meu bloguesaite Dimensão Limbo sempre recebo um feedback espontâneo do comprador. Acho isso demais de legal. É o fechamento perfeito do ciclo, Obra : Autor : Leitor. A receptividade no FIQ também foi demais.As lojas especializadas também tem sido muito receptivas para acolher minha revista.
P: Você acha que hoje o grande divulgador de Quadrinhos no Brasil é o Independente e não as editoras? Pergunto isso por 
Capa da frente
causa da FIQ. Eu não fui, mas pelo que vi nas fotos e no que o pessoal comentou pelas redes sociais, o FODA da FIQ foram os Independentes, os que publicaram por conta própria ou através de financiamento coletivo.

L.S.Sempre trabalhei de forma independente com os meus quadrinhos e, que não são muitos. Na realidade, são dois. A HQzine ‘Luzcia, a Dona do Boteco’ e agora, a HQ ‘O Quarto Vivente’. Agora, não acredito que um ou outro seja o grande divulgador. O mercado está para todos na mesma proporção. Sempre pensei assim. As ferramentas, como a internet, redes sociais, blogs, apps e outros milhões de formas para se divulgar seu trabalho, estão prontas e aguardando o seu trabalho. Acredito enfim, em trabalho. Minha próxima HQ, que devo lançar no final de 2014, já está com o roteiro pronto e já estou na terceira revisão. Quero trabalhar e muito bem, em cada página, quando começar a desenhá-la. Acredito piamente em uma fórmula simples e eficiente. Seu trabalho será valorizado se for feito com amor, dedicação diária, intensidade, verdade e dando as caras para bater. Uma editora terá acesso a alguns pontos de venda que ainda não consegui, a distribuição será muito melhor mas se eu, no conforto do meu estúdio, não me mexer, nada acontece. Trabalho muito e todos os dias. Independente da minha revista já ter vendido quase 500 unidades. Continuo firme e forte!

P: E vendo esse mercado independente crescer, você tem vontade de ver um livro seu publicado por uma editora, ou, ser chamado por uma editora para produzir um livro?

L.S.Seria uma experiência nova que teria que analisar. Os prós e contras. Não posso julgar ou falar sobre algo que nunca aconteceu. Com certeza, ouviria a proposta com carinho e iria procurar o melhor para a obra, para os meus leitores e também, é claro, para a Editora, que estaria bancando o livro. Sempre estou aberto a novas ideias, propostas e interesses.

P: O que falta no mercado independente para chegar no nível das editoras? (estou pensando em distribuição e renda. Já peguei algumas publicações independentes que foram lançadas na FIQ que estão pau a pau com edições lançadas por editoras, por exemplo a QUAD… ou o seu próprio Quarto Vivente…O Inspiração do Solano, etc.)

L.S.Eu acredito que a distribuição é o grande diferencial entre os independentes e as editoras. Para ser independente é necessário, antes de tudo, ter uma visão ampla do mercado, aprender a mexer com a logística da sua publicação, ter controle sobre vendas, pontos de vendas, parceiros, parcerias entre outras tantas coisas. Hoje, é possível um independente ter uma publicação tão boa quanto qualquer editora. A minha revista, por exemplo, foi impressa na mesma gráfica que são impressos alguns gibis da turma da Mônica. O atendimento foi excelente e eles entendem que o mercado independente está se estruturando.

P: Por fim, quais os planos para 2014?

L.S.: Já estou, como disse, com o roteiro da minha nova HQ pronto. Só estou fazendo uma terceira revisão, para dirimir continuidades e outros pontos. Também tomo bastante cuidado com o texto no roteiro. Mas, voltando a pergunta, meus planos para 2014, basicamente é, finalizar com a impressão dessa nova revista, trabalhar bastante com ilustração (que adoro) e divulgar muito a minha revista ‘O Quarto Vivente’. Fiz 2000 cópias e que pretendo vender todas.

6.12.13

Nova resenha sobre O Quarto Vivente + Entrevista : Terra Zero!

Olá!

Uma resenha bem legal, junto de uma entrevista muito bem elaborada, acabou de ser postada no site do Terra Zero!

A pauta O Quarto Vivente e Luciano Salles, inaugura a coluna HQ Brasil! Fico feliz e me sinto lisonjeado, por ser lembrado para estreiar a nova atração aos leitores do site. Agradeço ao convite de Felipe Morcelli.

Fique por aqui mesmo e leia a entrevista ou, vá até o incrível site do Terra Zero, confira a matéria e muito mais do que a página tem para oferecer!

Forte abraço...

Luciano Salles.

HQ Brasil: “O Quarto Vivente” e Luciano Salles


Postado em 06/12/2013, por Morcelli
Em: Análise , Destaque , Matérias
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Nesta sexta-feira o Terra Zero inicia uma nova atração aos leitores: a coluna “HQ Brasil“. A ideia é promover uma HQ nacional fazendo comentários sobre ela e entrevistando seu(s) autor(es). Depois de um ano abarrotado de lançamentos no Festival Internacional de Quadrinhos e de projetos de quadrinhos bem sucedidos nas plataformas de financiamento coletivo ficou claro que os sites de quadrinhos, independente de qual escopo possuem, precisam promover o que está acontecendo no Brasil.
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Para a estreia da coluna foi escolhida a HQ “O Quarto Vivente” do araraquarense Luciano Salles. Esta é sua segunda HQ publicada e mais uma vez o autor optou pelo formato independente de lançamento. Focada na vida de uma jovem brasileira num mundo distópico e futurista a história figura entre as grandes obras nacionais de 2013.
A HQ
Luciano criou um universo à parte para sua história. A personagem principal, Juliett-e, é quem se conecta com o leitor, pois é ela que tenta sair da ordem dominadora no mundo. A Europa e a Ásia (chamadas aqui pelo seu antigo nome de Eurásia) afundaram e algumas sociedades se fundiram aos países que sobrevivem às mazelas do Século XXI – entre eles, o Brasil, onde a história se passa. A França foi anexada ao território brasileiro. Portanto, idioma e cultura se confundem e é muito importante que o leitor esteja atento a isso para não se perder nas falas dos personagens. Aliás, a única coisa que poderia fluir um pouco melhor na HQ são os diálogos. Por vezes confusas, as conversas possuem uma estrutura estranha e muitas vezes desconexa. Claro, isto faz parte do mundo em que o leitor imerge ao começar a ler a HQ, mas, às vezes, a coisa fica estranha demais.
Por outro lado, com muito bom gosto, Luciano questiona o marasmo mental de uma sociedade cada vez mais preguiçosa, colocando em xeque a dualidade do individualismo com o pensamento coletivo: como alguém pode se tornar tão individualista e, ao mesmo tempo, fazer exatamente o que todas as outras pessoas fazem? Seria culpa da ordem governamental opressora? Seria uma característica humana que nunca vai mudar? Quando as pessoas vão acordar para desbravarem a vida como a personagem principal tenta fazer nesta história? Estes são alguns dos muitos (e inteligentes) questionamentos que podem ser levantados durante a leitura da HQ.
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“O Quarto Vivente” é um grande trabalho dos quadrinhos nacionais. Luciano conseguiu criar uma distopia que obedece as regras mais clássicas do tema. Ao somar estas características com seu jeito ímpar de trabalhar a ideia e com o tempero brasileiro, o autor entrega uma obra interessantíssima e com um universo cheio de possibilidades de exploração.
Nota: 9/10
A Entrevista
Luciano, lendo “O Quarto Vivente” deu pra notar o quanto seu trabalho é influenciado, principalmente, por obras de ficção científica, em especial aquelas que tratam de possíveis futuros distópicos para o planeta. Quais são suas principais influências para expressar sua arte desta forma?
Acredito que para essa obra, uma grande influência, do gênero que citou, foi o filme Blade Runner. Entretanto gosto muito de alguns romances como “Admirável Mundo Novo” (“Brave New World“) de Aldous Huxley, 1984 e “A Revolução dos Bichos” (“Animal Farm“) de George Orwell. Voltando aos filmes (que são minha maiores influência para qualquer quadrinhos que eu faça), o filme “Fahrenheit 451″ também cito com uma influência para essa obra. E, para o ódio de muitos, acredito que a estética de Lars Von Trier e David Lynch existe nos meus trabalhos.
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Juliett-e é a protagonista da história. É aquela que nasceu ao acaso e quebra as regras da distopia seguindo seu próprio coração. Como artista, você acredita que o acaso está se perdendo e que os quadrinhos (assim como qualquer outra forma de arte) podem mostrar isso aos leitores?
Sim. Acredito no acaso como a mãe da evolução e também acredito, que o fim do acaso, é trabalhado diariamente e por muitas vertentes. Trabalhei com Juliett-e, nascida ao acaso, justamente para ter, como disse, a quebra do paradigma na história. Juliett-e vem com o ímpeto que é tão inerte hoje em dia. Ninguém arrisca contra o que já está imposto e decretado. Vivemos um estágio de torpor. Não sabemos conduzir nada. Somos apenas respostas automáticas. Não quero parecer pessimista e não sou pessimista. A realidade simplesmente é tirada do nosso foco. Simples assim.
A arte tem o poder e deve ser utilizada para o questionamento. Qualquer tipo de arte.
O manual de funcionamento da inseminação possui um olho em sua capa. Este mesmo olho está na contra-capa de “O Quarto Vivente” e nos autógrafos que você deu a cada fã que adquiriu o volume. Seria “O Quarto Vivente” um manual para que as pessoas deem mais atenção ao acaso e não à forma sistemática em que vivem? Todos deviam ser como Juliett-e?
Não só o olho. Cada página da revista. Se eu for falar do olho, posso entregar a história para quem ainda não leu a revista! Em cada página da HQ, coloquei intencionalmente, detalhes que acredito que muitos podem notar o que quero dizer. Não só detalhes em forma de desenho. Os nomes dos personagens foram pensados dentro da coesão da história. O nome da revista sintetiza muita coisa.
Mas também, acredito que fui direto ao que queria, no texto da história. Recebo críticas que dizem que é uma história linda e que, após o término da primeira leitura, a pessoa fechou a revista, pensou e, leu novamente. Esse é o maior feedback que posso receber. Consegui a atenção do leitor e o ciclo se fechou.
Ainda no aspecto filosófico que Juliett-e representa para a obra, o diálogo dela com o camaleão sugere que, mesmo sendo adaptável, nem mesmo ele evitou a própria extinção. Estaria você, como autor, sugerindo que a natureza adaptável do ser-humano não é mais suficiente para o mundo de hoje?
O ser humano foi adaptável em uma época pré histórica ou coisa assim. Hoje somos confortáveis. E o motivo de sermos seres confortáveis é que os pensamentos estão cada vez mais voltados para o ‘um’, para o único. Assim, temos a sensação de tudo certo. Funcionamos na base de choques. A limitação é tamanha, que somente acontecendo um hiper impacto, para mudarmos algo ou ligar a chave da adaptação. Isso é da essência humana e em todos os aspectos. Somos substâncias reativas e rasas. Acho que respondi sua pergunta (risos).
Já no começo da obra, especialmente na primeira página, é perceptível o quanto o português foi mudado para se adaptar à situação geo-política que você criou para “O Quarto Vivente”. Chega a ser intrigante como uma história que toma por inspiração autores estrangeiros tenha conseguido funcionar tão bem dentro do Brasil. Por outro lado, o país sempre foi um abrigo de várias culturas. Em que momento do roteiro você percebeu que misturar nações seria benéfico para sua narrativa?
Eu já tinha o roteiro pronto e já havia começado a desenhar a revista, quando fiz uma viagem de 21 dias para a França. Interrompi o trabalho. Lá, em um estúdio alugado, no frio de fim do outono e andando por toda Paris com minha esposa, comecei a fazer muitas conexões com minha história. Muito das coisas que havia procurado ambientar na HQ, acabei buscando dessa viagem. O silêncio que havia em alguns lugares, mesmo com muitas pessoas e, em especial, no dia que estava embarcando para o Brasil, sendo levado pela imensa esteira do aeroporto Charles De Gaulle, em um ambiente de isolamento imenso.
Ali, naqueles 21 dias, troquei os nomes das personagens, inclui a Europa na história e as Unidades Fraternais, mas o motivo central do roteiro não foi alterado.
E falando em nações e na nova geo-política proposta pela sua obra, por que a França foi a escolhida como principal parceira do Brasil? Outros países e culturas foram considerados enquanto você preparava a obra?
A França foi a escolhida pelo motivo real da viagem que fiz. Muitas lacunas que poderiam haver no roteiro foram preenchidas. E dessa forma, não havia dúvida que a França deveria ser acolhida fraternalmente. E um outro detalhe que devo citar é que me incomodou muito visitar alguns museus. Muito da parte egípcia que existe no Louvre, está lá pois foi saqueado, de alguma forma. E milhões de pessoas, assim com eu fiz, pagam para ver um produto que é parte de furto, roubo e atentado violente contra uma cultura. Somos uma coisa estranha e bizarra.
Juliett-e tem todo um futuro pela frente, mas muitos momentos da história podem ser explorados em futuras obras que revisitem este universo – tais como mostrar o dia-a-dia brasileiro do futuro mais detalhadamente e possíveis outros “dissidentes” desta distopia com mentalidade um pouco diferente de Juliett-e. Você tem planos para isso?
Esse universo que criei está congelado com essa história. Ainda não é o momento de revisitá-lo. E quando isso for feito, não será exatamente no momento que a deixei. Já pensei em opções.
Mas, na realidade, já tenho pronto o roteiro da minha nova história em quadrinhos. Estou fazendo uma terceira revisão e pretendo ter a revista pronta para impressão, no mais tarde, em Outubro de 2014. Mas já posso adiantar o nome da revista, que será: “L’Amour“.

Autógrafo na Gibiteria : São Paulo : 07/12/2013

'Quatro Estações' : Capa por Luciano Salles
Olá camarada, tudo certo? 

Dia 07/12/2013, ou seja, amanhã, estarei em SamParlo, na Gibiteria, autografando o lançamento da revista Quatro Estações, que participei desenhando a história Primavera, de 15 páginas. 

Esse é um projeto de quatro roteiristas que convidaram quatro desenhistas, para assim, cada dupla criar uma pequena história sobre cada estação do ano. A revista tem a opção de quatro capas diferentes! Eu fui convidado pelo Raphael Fernandes, recente ganhador prêmio HQMix, como roteirista revelação. 

Além disso, A Gibiteria tem o meu novo álbum, O Quarto Vivente, pelo valor de sempre, ou seja R$ 20,00. Uma boa oportunidade de comprar a revista, resolver seu problema de presente de Natal e com um autógrafo exclusivo.

Mais uma dica?
Na Gibiteria, também é vendido o incrivelmente lindo, Ícones dos Quadrinhos, onde participei desenhando os personagens do Watchmen! São 101 artistas representando 100 personagens do mundo das HQs!

E para fechar quebrando tudo, você que já adquiriu o Mônica(s), outra fantástica edição de luxo que comemora os 50 anos da dentuça, pode levar para eu assinar o livro para você.

Muita coisa legal, certo!

E mais uma coisita! Levarei meus prints para vender por R$ 20,00. E se eu conseguir, levarei um novo print para você que curte meu traço e estilo!

Abraço e inté...

Luciano Salles!


3.12.13

2013 : A escolha certa!

Mônica(s), Ícones dos Quadrinhos, O Quarto Vivente e
Quatro Estações : Edições onde tive meu trabalho impresso!
Faz um ano e meio que vivo da minha arte e por consequência, das histórias em quadrinhos. E, é com imensa felicidade e satisfação, que fecho o ano de 2013 com minha segunda HQ autoral, O Quarto Vivente, publicada e reconhecida a cada dia. 

Participei como co-autor do livro Mônica(s), uma linda edição comemorativa do aniversário de 50 anos da Mônica, personagem do Maurício de Sousa.

Entrei também, no Ícones dos Quadrinhos, outra maravilhosa edição de luxo, onde o autor, Ivan Freitas da Costa, reuniu 101 artistas, cada um homenageando um personagem do mundo das bandas desenhadas. Vale lembrar que participei de um concurso para entrar nesse livro!

E finalizando as publicações que tive meu trabalho impresso, fechei o ano desenhando a história Primavera, de Raphael Fernandes. Essa história faz parte da HQ Quatro Estações, onde quatro roteiristas e quatro desenhistas trabalham em histórias fechadas, cada um com uma estação do ano e, fechando o ciclo sazonal.

Assim, 2013 foi um ano incrível. E se você acompanha meu trabalho, já deve saber que em 2014, minha nova HQ será lançada. 

That's all folks!

Baita abraço!

Luciano Salles.