lamour12oz

Os quadrinhos, enquanto linguagem e produto de comunicação de massa, se presta a vários papéis: entreter, informar, educar, refletir, criticar, perturbar: é a esta última categoria que pertence L’Amour: 12 oz.

Luciano Salles é um dos mais interessantes expoentes da novíssima geração de quadrinhistas nacionais. Seu primeiro trabalho, Luzcia, a Dona do Boteco, passou quase despercebido. Já o seguinte, O Quarto Vivente, chamou atenção para seu estilo nada convencional.

Em L’Amour: 12 oz, o autor provoca ainda mais estranheza. Se em O Quarto, algumas digressões e concepções narrativas se amalgamavam ao clima de ficção científica, aqui elas são ainda mais provocantes ao se acomodar sobre uma trama aparentemente prosaica.

A história fala de amor, abnegação e resignação, encontros e desencontros, o que é, o que foi e o que pode vir a ser, tendo como epicentro o boxe. A narrativa evolui em trancos temporais, grandes planos e super closes; cobra a atenção do leitor, instiga, faz pensar, ler e reler.

A leitura de L’Amour: 12 oz é uma experiência difícil, mas não menos prazerosa. A arte de Luciano, com seus personagens sofridos e enrugados, é provocadora, hipnótica. Atrai e repele com a mesma intensidade.

Uma boa forma de se preparar para ler esta obra é começar pelo posfácio do jornalista e escritor Paulo Ramos. Como ele próprio admite, é o texto mais diferente que jamais escreveu. Isto porque se permitiu contagiar pela narrativa de Salles e conseguiu transmitir a mesma sensação de sincronicidade do original.

L’Amour: 12 oz marca a estreia da editora Mino no mercado editorial. Tem 66 páginas coloridas, formato A4 e preço de R$ 37, e pode ser adquirida diretamente no site do autor. Vale o investimento.

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