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Mostrando postagens de 2020

A primeira aparição do Wolverine

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Olá, como tem passado?
Por aqui caminho entre meu trabalho na Folha de S.Paulo, muito estudo aliado a sessões de análise e commissions, como a que trago para o post
Recebi o pedido para recriar a primeira aparição do Wolverine nos quadrinhos. O personagem surgiu em 1974, na edição de número 181 do Incrível HulkÉ uma cena e capa clássica, bastante trabalhada por inúmeros artistas. Fiquei honrado em fazê-la.
O DESENHO
Gosto de pensar em um Hulk que traga na oscilação de sua raiva a variação de seu tamanho e, por consequência, sua força.
O Hulk pra mim é pura raiva acumulada que eclode numa espiral de fúria onde toda aquela cólera se acumula e acumula e acumula para então, em determinado momento de resolução dos problemas, se dissipar.
O que realmente queria era um Hulk gigantesco, enorme em tamanho, força e ferocidade; ao mesmo tempo, só poderia pensar na essência do Wolverine: Foda-se. Seja o que for, que venha pro pau. 
O trabalho foi finalizado, empacotado com muito cuidado e recebido c…

Uma pintura realista para ilustrar o texto "O moralismo é um espremedor"

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Olá. Como tem passado por esses tempos pandêmicos?
Costumo fazer as cores para meus desenhos de forma simples, praticamente preenchendo os espaços, aplicando uma sutil sombra e luz.
Entretanto, para essa ilustração, que faço semanalmente para a Folha de S.Paulo, senti a necessidade de fazer uma colorização direcionada mais para o real.
O motivo da opção foi a escolha do desenho que criaria para o texto que, aliás, diga-se de passagem, é incrível, de necessária leitura e entendimento em momentos de tanto ódio e mentiras disseminadas.
A coluna do psicanalista e escritor Contardo Calligaris, tem o título de O moralismo é um espremedor e ainda traz, na forma de linha fina, Moralista é um hipócrita que reprime nos outros o que não reprime em si mesmo.
Depois de algumas leituras do texto, a pintura A traição das imagensdo belga René Magritte, que é bem mais conhecida pela frase Ceci n'est pad une pipe (que estápintada no quadro), orientou a escolha do desenho que faria.
Como na obra o cachimb…

A entrevista com as melhores perguntas que já respondi

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Olá, como vai?
Essa semana foi liberada a entrevista que concedi ao escritor Carlos Freitas. Conheci o autor em uma oficina de quadrinhos (ou de desenho) que coordenei no SESC Ribeirão Preto. Há poucos dias o Carlos entrou em contato perguntando se gostaria de conceder de uma entrevista para seu site e é claro que concordei; o que não imaginava é que receberia uma entrevista com perguntas tão bem elaboradas.
Preferi responder os belos questionamentos através de áudio pois assim a espontaneidade estaria ali. O próprio Carlos transcreveu toda prosa.
Deixo aqui o link para o site do Carlos Freitas (que aliás é uma ilha de reflexão) para conhecer o espaço e para ler a entrevista completa. Logo abaixo você também consegue fazer a leitura.
O caminho está aberto se quiser deixar suas ponderações, pensamentos e o que mais desejar nos comentários.
Um abraço.
Luciano Salles.
entreVISTA do Artista – Luciano Salles27 DE JULHO DE 2020/ DEIXE UM COMENTÁRIO Luciano VISTO por LucianoLuciano Salles é quadrinis…

Acionei meu plano B: sendo quadrinista e ilustrador, recomendo ter estratégias nas mangas

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Olá, como vai?
É difícil ser artista no Brasil.
A frase pode soar genérica, cômoda ou mesmo apenas repetitiva, mas que é difícil ser artista no Brasil, isso é uma verdade.
Não só artista. Arriscaria dizer que deve ser difícil ser artista em qualquer lugar do Globo Terrestre (a Terra não é plana).
Estendo esse fato para os(as) atletas e tantas outras profissões onde você depende, exclusivamente, de você. Deste modo, se está contido entre os habilitados que citei ou impliquei, tenha planos para os eventos que não são de sua alçada ou que estão fora de seu controle; tenha um plano A, tenha um plano B e por que não, um plano C.
A pandemia e a crise vieram de forma tão brutal e avassaladora que quando percebi havia acionado meu plano B. Vinha me preparando desde 2015, mesmo sem saber, perceber ou "se" – e de qual forma – o botão de ignição seria pressionado.
Retrocedo. O começo de 2020 foi promissor. Tinha contratos e eventos para cumprir até julho/agosto, além de estar no núcleo de ar…

FLIP DRAW A3: recebi essa incrível prancheta da MOCHO

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Olá, como vai?
Na segunda-feira recebi um pacote com a etiqueta da MOCHO. Pelo tamanho e peso, suspeitei o que poderia ser (ainda não sabe o que é a MOCHO? Confira logo abaixo e visite o site).
Era o novo lançamento FLIP DRAW A3 MOCHO, uma prancheta portátil, com 6 possibilidades de inclinação, base giratória e composta por apenas 5 peças de encaixe.
Eu que sempre desenhei direto na mesa, estava sentindo necessidade de uma prancheta e essa veio para resolver minha dor no pescoço. Apesar de ser A3, ela cabe na minha mesa e ainda consigo fazer as cores digitalmente usando ela e Photoshop.
Para facilitar, fiz um vídeo no IGTV do meu Instagram e subi ele para o meu canal do YouTube. Você pode conferir a prancheta no vídeo logo abaixo:

Agradeço a MOCHO por enviar o produto e recomendo – se ainda não tem uma prancheta – que confira o valor dessa (R$159,90) e das demais, pois vale cada centavo investido.
Um abraço.
Luciano Salles

Ilustração e texto completo do Contardo Calligaris para a Folha de S.Paulo: "Outra causa da morte de Miguel"

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Olá, como vai?
No meu Instagram(que faço o convite agora para seguir clicando aqui), publiquei a ilustração da semana na Folha de S.Paulo e para o texto do parceiro de coluna, Contardo Calligaris.
Ali avisava que o todo conteúdo do texto seria inserido aqui pois acho válido que muitos tenham acesso.
Eu não sou pai, tenho três sobrinhos e, mesmo assim, me coloquei no lugar (seja em qual for o lugar) no caso do menino Miguel, que despencou de um prédio no Recife.
Segue o texto para reflexão:
"Mais uma causa da morte de Miguel
No dia 2 de junho, no Recife (PE), um menino de 5 anos, Miguel Otávio, caiu do nono andar de um prédio de alto padrão e morreu.
Miguel estava naquele prédio acompanhando a mãe, Mirtes Renata, empregada doméstica de uma família composta por Sari Corte Real, Sérgio Hacker, prefeito de Tamandaré (no litoral do Estado) e os dois filhos pequenos do casal.
Mirtes desceu para passear com a cachorra da família. Enquanto isso, uma manicure estava fazendo a unha de Sari.
Miguel …

Ilustração editorial: como faço para chegar até o desenho

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Olá, como vai?
Decidi falar sobre a ilustração que fiz para a coluna do Contardo Calligaris, publicada hoje na Folha de S.Paulo, somente para tentar mostrar como trabalho com ilustração editorial, ou mesmo, como faço para chegar até o desenho a partir das referências e da abertura em escutar o próprio autor do texto.
Um dia antes de receber o e-mail com a coluna, Contardo me antecipou o título "O triunfo da morte" e o que pretendia explanar; para tal, citou duas referências: uma foto do Pedro LadeiraFolhapress – e o afresco O triunfo da morte, de autoria desconhecida (ou incerta), podendo ser de Guillaume Spicre, de Bordonha ou Pisanello.
Com o texto e referências em mãos, comecei a trabalhar mentalmente de qual forma as informações que tinha se relacionavam. Num primeiro momento, poderia sair desenhando por desenhar, mas pensar, correlacionar as referências, sondar as entrelinhas do texto, além de acontecimentos anteriores relacionados, as práticas do atual governo aditivad…

Dissecando a ideia do meu quadrinho L'Amour: 12 oz

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Olá, como vai?
Pode parecer estranho que eu, como autor, faça uma postagem para esmiuçar uma história em quadrinhos que escrevi e desenhei em 2014. Faço por vários pedidos que recebi nesse intervalo de quase seis anos desde a publicação e por ter recebido novamente essa solicitação, mas para escrever aqui no blog.
Algumas coisas já comentei em entrevistas e por isso mesmo, posso soar redundante. Minha intenção não será explicar a obra – outra demanda para que sou solicitado –; é claro que não farei isso!

Porém, acho que posso trazer pormenores que agrade quem aprecie essa história em quadrinhos, que tem por premissa básica duas histórias de amor que acontecem ao mesmo tempo 1) de um antigo pugilista e seu moribundo marido, 2) ao mesmo tempo que é narrado o início de uma outra história de amor que acontece com sua neta (isso não é spoiler apesar de muitos leitores não perceberem esses fatos).
A origem de L'Amour: 12 oz (lê-se L'Amour, doze onças) Como sempre acontece, o ato de …

Ser ilustrador da Folha de S.Paulo

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Olá, como vai?
O título da postagem é algo que escuto muito em forma de pergunta, afinal, "como é ser ilustrador da Folha de S.Paulo?" Existem outras vertentes dessa pergunta: "como você fez para ser ilustrador da Folha?" ou ainda, "como faz para trabalhar com arte para um jornal?"
Infelizmente não tenho resposta, afinal as coisas acontecem e por vezes temos o controle e outras vezes não. A Folha aconteceu comigo sem eu perceber até eu estar desenhando para o jornal. Foram conjunções, encontros e oportunidades não desperdiçadas. Sorte? Não sei se seria um caso de sorte, até porque, o que é a sorte?
Para não fugir do tema e se você tem a ideia de ilustrar para algum lugar ou trabalhar profissionalmente com desenho ou ilustração, mas ainda não tem seu nome entre editores, monte um site, um blog, uma página no deviantArt, no Artstation (ou onde preferir), e consolide ali seus trabalhos. Se você já participou de algum curso, bate-papo, mesa ou mesmo uma conv…

Algo diferente do que sempre faço

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Olá, como vai?
Fiz uma postagem no Instagram e desenvolvi ali, um rápido e curto texto, sobre o desenho que publicava. A tentativa era fazer o perfil de um rosto com o mínimo possível de linhas na tentativa de manter o meu traço. Desenhei rapidamente a cabeça e como parecia conhecer aquela pessoa, resolvi colocar um heróico topete e estava revelado que havia rabiscado o rosto do Clark Kent.
Insiro aqui o texto que fiz no Instagram(aliás, se ainda não segue minha conta no IG, convido a segui-la): "Estudo pouco desenho; praticamente nada. Tudo o que faço é por demanda e não me considero um preguiçoso por isso. 
Você então pode se perguntar se eu me pergunto se deveria estudar mais.  Eu não faço essa pergunta. O desenho é, e sempre foi, intuitivo pra mim (não quero dizer fácil) e não me gabo por isso. Acho que desenho porque observo as coisas com atenção. Não tenho uma memória fotográfica, mas procuro entender, por exemplo, quando coloco o macarrão na água quente, como ele vai entrando,…