Luciano Salles é quadrinista, ilustrador freelancer da Folha de S.Paulo e 1/3 da Produtora Cultural Memento 832.
Autor das histórias em quadrinhos EUDAIMONIA (em pré-venda no Catarse), Limiar: Dark Matter (2015, Publicação Independente), L'Amour: 12 oz (2014, MINO) indicada ao 27º HQMIX, O Quarto Vivente (2013, Publicação Independente) indicada ao 26º HQMIX e da HQzine Luzcia, a Dona do Boteco (2012, Publicação Independente), indicada ao 27º HQMIX.

21.9.16

Quadrinhos fofinhos X Quadrinhos "cabeça"

Recorte de L'Amour: 12 oz, de Luciano Salles publicado pela Editora MINO
Olá camarada, tudo bem?

Antes de tudo preciso revelar que o título do post foi um meticuloso chamariz pra te atrair para algo que vem me incomodando.

Por quais motivos acontece de hierarquizar tipos e gêneros de histórias em quadrinhos angariando assim certos rancores e caras viradas?

Posso ser paranóico (ou estar literalmente viajando) mas tenho percebido isso: certos graus de importância para determinados gêneros de publicação e desmerecimento de outros, algo que acho extremamente bizarro e que segue exatamente na contramão do que nosso pequeno mercado dos quadrinhos precisa.

Uma HQ direcionada para um determinado público deve ou tenta agradar essa tal demanda e não deveria gerar um descontentamento de outros que não consumirão essa publicação, sejam leitores, autores ou editores. 

Vou tentar exemplificar:

Um leitor(a), autor(a) ou editor(a) que tem preferência por quadrinhos de terror e publica isso ou consome, não deveria se opor a quem produz, por exemplo, um dos ditos "quadrinhos fofinhos". E isso para todos os gêneros. Uma pessoa que escreve, leia ou edite quadrinhos herméticos deve fazer isso bem feito e não criticar quem escreve, leia ou edite quadrinhos de heróis, novamente aqui um outro exemplo. 

No Japão há todos os tipos de quadrinhos. Para idosos, para crianças, para quem gosta de esportes, robôs, fantasmas, "difíceis", eróticos, herméticos, pornográficos, cabeça, suspense e todos os tipos de enredos que possa imaginar. Isso é demais de saudável para um mercado saudável e que pretende crescer.

Não tenho o conhecimento se existe um autor(a) japonês(esa) que publica quadrinhos eróticos grotesco e, por esse fato, ignore um quadrinista que trabalhe com tema fantasiosos.

Você pode não gostar do estilo de tal autor(a) ou do seu trabalho mas isso não lhe dá o direito de ignorar essa pessoa ou mesmo repugnar ou desdenhar seu trabalho. Há espaço para todos nesse mercado, somos todos colegas e educação é primordial pra tudo. O que não podemos é coadunar com conchavos, panelas e favorecimentos. Afinal, fazemos o mesmo trabalho com apenas temas diferentes. Fazemos e lemos histórias em quadrinhos ou gibis.

Posso estar louco, paranóico ou mesmo escrevendo um apanhado de asneiras e aliás, torço para que esteja digitando bobagens e que isso seja somente aflições da minha cabeça.  Um mercado forte de histórias em quadrinhos se faz com a diversidade de temas, formatos, gêneros, ousadias, quebras de paradigmas e com todos os tipos de autores, leitores e editores, sempre é claro, prezando pela excelência dos trabalhos.

E um pequeno adendo usando minhas HQ como exemplo: o fato de eu ter publicado um fanzine com uma história de suspense/terror e depois publicar três revistas herméticas e distópicas, não significa que tenha que sempre seguir nessa toada, certo?

É isso camarada!

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Um abraço.

Luciano Salles.