Luciano Salles é quadrinista, ilustrador freelancer da Folha de S.Paulo e 1/3 da Produtora Cultural Memento 832.
Autor das Histórias em Quadrinhos Limiar: Dark Matter (2015, Publicação Independente), L'Amour: 12 oz (2014, MINO) indicada ao 27º HQMIX, O Quarto Vivente (2013, Publicação Independente) indicada ao 26º HQMIX e da HQzine Luzcia, a Dona do Boteco (2012, Publicação Independente).

14.9.16

Como foi a Bienal de Quadrinhos de Curitiba?

Olá camarada, tudo bem?

Geralmente não costumo interrogar no título de um post mas para este, especificamente, preciso desta pontuação. 


Lucky Luke que fiz para a exposição dos 70 anos
do personagem e para a Bienal.
Fui para a Bienal de Quadrinhos de Curitiba de última hora. Não havia reservado mesa e tão pouco me planejado para a antiga Gibicon. A convite da Bianca Pinheiro e do Liber Paz, que ofereceram dividir a mesa com eles, comecei a procurar por apoios culturais (leia-se patrocínio) aqui na minha cidade para os custos de passagens rodoviária e estádia. 

Depois de tanta correria deu tudo certo. Com os apoios da Mondrian Ambiente e da World Game pude viajar para o evento.

A Bienal de Quadrinhos de Curitiba acontece no MuMA, Museu Municipal de Arte, um bonito prédio  no bairro Portão. O clima ajuda muito para passar horas mostrando seu material. Com uma lista IMENSA de convidados, sendo seis internacionais e, se estiver certo, 125 nacionais (!), o evento primou pela diversidade e inclusão, com bons painéis, exposições e tudo mais. Haviam tantos convidados que não vi uma porção deles que estavam citados no site.

Comparativamente com o Festcomix (17,18 e 19 de junho de 2016–SP) e com o FIQ (11 a 15 de novembro 2015 – BH), a Bienal, em questão de vendas, ficou entre os dois eventos. As minhas vendas na Bienal foram bem inferiores ao Festival Internacional de Quadrinhos e muito superiores ao Festcomix

É claro que minhas vendas poderiam ser maiores se tivesse apresentado algum trabalho novo. Mesmo assim, fico grato pelo tanto de pessoas que passaram pela minha mesa para dizer que tem todas as minhas revistas, que adoraram a trilogia, que levaram todas as revistas para eu autografar, que gostam do meu trabalho com roteirista e como desenhista. Fico realmente lisonjeado com todo esse carinho. 

Também percebi o menor alcance que meu trabalho tem na região sul do Brasil. É com certeza a região onde tenho o menor índice de penetração dos meus trabalhos. Eu até tentei deixar alguns exemplares dos meus quadrinhos em um loja especializada que estava no evento mas infelizmente meu trabalho não foi aceito pelo lojista naquele momento. Uma pena.

Alguns aspectos que devo destacar:

– A tentativa da organização da Bienal em disponibilizar um sinal de internet grátis para os expositores foi incrível. 
– A entregar de copos de água para os expositores pois no MuMA não havia bebedouros. Acredito que o público teve que comprar água para aliviar sua sede.
– A falta de bebedouros. Eu não localizei.
– O horário estabelecido das 11h às 21h foi um excelente acerto.
– Os painéis também merecem destaques.
– O período do ano em que a Bienal se encaixa é ideal para um conforto térmico dos expositores como dos visitante. Uma temperatura super agradável. 
– As mesas para os expositores foram ideais em tamanho e conforto.

Balizado pelos eventos que tenho me esforçado muito para ir, a Bienal de Quadrinhos se mostrou fiel a sua proposta. 

É isso. Fique a vontade para deixar seu comentário.

Um abraço!

Luciano Salles.

6 comentários:

  1. Pô cara que legal!! Parece que o evento está bem mais sólido, ainda quero muito sair de São Paulo e visitar esses outros eventos pelo país, acho que são esses eventos que vem demostrando o amadurecimento do mercado de quadrinhos BR

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    1. Com certeza Henrique, os eventos estão cada vez melhores! Tudo depende da nossa força de vontade em produzir o que temos vontade, de consumir o que temos vontade. Temos que ser como o mercado japonês. Quadrinhos para todos os gostos.
      Valeu por comentar!

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    2. Isso ae cara!!! Visivelmente temos quadrinistas maduros com produções maduras para tal, acredito e espero que a tendencia dos consumidores de quadrinhos BR seja a mesma.

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    3. Cara, já que você citou o mercado japonês, você acha que algumas características de lá poderiam ser aplicadas cá? Digo, lá eles tem o costume de publicar uma verdadeira lista telefônica com vários autores a preço muito baixo, várias séries para todos os gostos e público, você acha que isso viraria aqui? Sei lá, uma editora fazer algo semelhante?

      Enfim, as vezes penso nisso. Ta muito bacana a cena atual e tals, mas ta faltando aquela "pitada" comercial saca? Posso estar falando bobagem e nem estou falando de simplesmente copiar o mercado deles, apenas refletir. Tenho 36 anos e tinha parado uns anos atrás com meus desenhos e foi uma postagem sua que me fez voltar a desenhar (uma que você postou lá no site da Stout Club). Fico pensando se uma iniciativa, aos moldes da Image anos 90 com as características do mercado japonês também não seria válida, sabe? Grandes nomes, reunidos montando uma editora própria...sei lá!

      Enfim, to voltando a desenha e essa página anexada é de uma hq que estou trampando. A versão final ta diferente, pois alterei uns detalhes rsrsrs. Aí já viu né? Vai surgindo ideias na cabeça...Grande abraço!

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    4. Olá Gilson, tudo bem?

      Tudo que seja para fortalecer nosso mercado é valido. A ideia do catalogo seria fantástico, ideal se viabilizado por alguma editora. A cena está linda demais e há somente alguns detalhes para melhorar. A "pitada" comercial é sempre válida afinal, não se trata somente de produzir revistas. Tem que existir o público consumidor e este se consolidar.

      Fico contente que aquele post que fiz e foi publicado também no "Stout" tenha incentivado você a desenhar. Fico realmente lisonjeado.

      Muito obrigado pelo seu comentário e um grande abraço!

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