Luciano Salles é quadrinista, ilustrador freelancer da Folha de S.Paulo e 1/3 da Produtora Cultural Memento 832.
Autor das Histórias em Quadrinhos Limiar: Dark Matter (2015, Publicação Independente), L'Amour: 12 oz (2014, MINO) indicada ao 27º HQMIX, O Quarto Vivente (2013, Publicação Independente) indicada ao 26º HQMIX e da HQzine Luzcia, a Dona do Boteco (2012, Publicação Independente), indicada ao 27º HQMIX.

30.12.13

Linda Resenha de 'O Quarto Vivente' no Portal GHQ!

O Quarto Vivente
Olá, camarada! Tudo certo?

Esse é o último post do ano e considero que fechei 2013 com medalha de ouro!

Recebi essa linda resenha e muito bem escrita, pela Milena Azevedo, do Portal GHQ.

Tive a honra de conhecer a Milena no FIQ 2013, pois minha mesa ficou ao lado da mesa dela e do Brum

Você pode conferir a resenha completa logo abaixo, ou pelo Portal GHQ. Assim, você aproveita e conhece esse baita site sobre as bandas desenhadas, que a Milena administra.

E ainda, agradecer você, camarada que sempre visita o Dimensão Limbo e acompanha meus trabalhos! Excelente 2014!

Grande abraço...

Luciano Salles.


[Quadrinhando] Mesmice Questionada.
Publicado em 30 de Dezembro de 2013 por Milena Azevedo

Luciano Salles, até bem pouco tempo, lidava apenas com números, padrões e sistemas pré-definidos. Formado em engenharia civil e atuando como bancário, Luciano deu um tempo nos cálculos e ousou investir nas paralelas de sua arte.
O ano de 2013 viu nascer seu segundo trabalho, a singular graphic novel O quarto vivente (48 páginas, colorida, R$ 20).
A trama de O quarto vivente se passa no ano de 2.177, após o mapa mundial ter sido alterado devido a catástrofes naturais.
O Brasil acolheu uma parte da população da Eurásia, principalmente os franceses. Passou a se chamar República Fraternal do Brasil. O governo mudou, a língua mudou, e a engenharia genética evoluiu.
Nesse Brasil orwelliano tudo é controlado. Crianças são programadas para nascer por auto-inseminação, e nem precisam ir à escola; o poder da instrução depende de quanto o(a) genitor(a) pode pagar pelas informações inseridas no organosfemto-chip.
O Estado adestra os cidadãos através de projeções de cores e ondas no ambiente, as ectoplasmotelas. Cada pessoa vê asectoplasmotelas da sua maneira, refletindo seu estado emocional. Quaisquer alterações emocionais são detectadas, sendo automaticamente corrigidas, garantindo assim um comportamento-padrão eficaz (por que investir em robótica se os seres humanos se comportavam tal qual autômatos?).
Da mesma forma, não há estímulo à socialização. Cada um preocupa-se apenas com seu próprio umbigo.
Contra o entorpecimento e a mesmice dos gestos fraternalmente egoístas da população, a jovem Juliett-e se rebela. Ela quer vida, emoção, surpresa; por isso  programa a concepção de um ser hibridumanizado.
Como Juliett-e não tem ideia do que especificamente irá parir, sonha com um camaleão que se vangloria em ser “o rei dos disfarces”, mas ainda assim fora exterminado. Decidida, embora temerosa, ela resolve encarar as consequências da quebra de regras e deixa o acaso voltar a intervir na sociedade.
A atitude de Juliett-e pode ser vista como fruto das inquietações de Luciano com o ambiente no qual estava imerso, onde a frieza da burocracia, do raciocínio lógico e da repetição de comandos sufocava a necessidade de expressar sua individualidade, de sentir cores e formas, de criar mais do que copiar.
Assim como sua anti-heroína, Luciano não se deixa prender às convenções e aos clichês. Isso o liberta para desenvolver tramas únicas que ganham amplitude através de seu traço particularmente característico. Porém, como é um autor neófito, nota-se que ficou um tanto quanto perdido e acabou misturando estrutura clássica com antitrama. Por exemplo, ele faz textos explicativos e insere datas em alguns momentos, e em outros há elementos surreais e a não-linearidade das ações se dá bruscamente, deixando o leitor confuso quanto à passagem do tempo.
Já o ponto positivo da narrativa de Luciano é não entregar tudo de bandeja para o leitor, convidando-o a diversas releituras e forçando-o a tecer reflexões após as mesmas.
No futuro distópico de O quarto vivente, além de Orwell, Huxley e Bradbury são referências pulsantes, uma vez que Luciano faz com que sua personagem principal questione o status quo e se desvencilhe das artimanhas do sistema.
Que O quarto vivente inspire mais quadrinistas a sair de suas zonas de conforto e criar histórias realmente originais.
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