A angústia de um quadrinista da série C

Ilustração de quando o futebol acontecia em outro mundo
Olá, como vai?

Antes de começar, preciso explicar o enunciado; a citada série C, refere-se às nomeadas categorias disputadas pelo futebol brasileiro e que certa vez citei como exemplo ao amigo e editor da Balão Editorial, Guilherme Kroll. Lembro que em determinado momento da conversa, achou injusto da minha parte me inserir dentro deste contexto e especificamente nessa série, mas apresento algumas ponderações.

Não estava me rebaixando como quadrinista pois considero a série C do futebol nacional uma liga disputada, honrada e onde as partidas são embatidas em sinônimo de igualdade; lembro ainda que defini para chegar nesta chamada série C, os seguintes critérios.

Existem os quadrinistas, artistas ou ilustradores do tipo:

Champions League;
Série A do Brasileirão;
Série B (seja qual for o campeonato);
Série C (seja qual for o campeonato);
– E as séries continuam (e podem continuar) da forma como quiser, pois meu critério se encerrou onde me encaixava na época e onde ainda me encontro.

É claro que, por uma questão ética, não citarei (muito menos elencaria), nenhum nome de colega de profissão, ou seja, quadrinista, ilustrador ou artista.

Do título "A angústia de um quadrinista série C", agora, depois dessa introdução, posso enfatizar o fato de ter que trabalhar com ilustração (o que me realiza e adoro tanto quando produzir uma HQ), tentar vender commissions, vender projetos para SESCs, SESIs, enfim, procurando recursos que sustentem minha pretensão em produzir quadrinhos. Exatamente por esse motivo a relação com a série C do futebol; muitos são os atletas dessa categoria que tem outros trabalhos para conseguir trabalhar com o que gostam (jogar futebol).

Ainda faço questão de salientar uma parte dentro de todo conjunto futebolístico, o(a) atleta será  contratado(a) para desempenhar seu papel como jogador(a) de futebol, ou seja, o(a) profissional receberá pelo seu trabalho. Faço a ressalva às atletas que se inserem neste contexto, pois se é complicado para homens, o mesmo fica diversas vezes (ainda) mais complicado para uma mulher que se proponha a tal feito.

A minha angústia nessa pandemia se materializou e por isso, entrei em contato com uma editora para mostrar meu novo trabalho em quadrinhos e que está em minha mesa de trabalho. Tive uma resposta, de certa forma tímida e vazia, que trouxe luz à minha tese acima citada e junto dela, inúmeras questões, projeções e simulações de planejamentos que se instalaram.

1) "Continuo produzindo minha nova história em quadrinhos sem perspectiva alguma perante a pandemia de COVID-19?"
2) "A resposta positiva da editora tratada aqui traria algum estímulo perante uma boa exposição do trabalho?"

Poderia continuar a numerar questões e talvez, você que me lê, possa também fazer essa pergunta: "Ué, mas esse não é o quadrinista que tanto gosta de produzir de forma independente?".

O que tenho para responder é que a incerteza, ou incertezas, produz(em) a certeza da angústia. Bem, o que tenho feito é trabalhar de forma a me encontrar no alívio; além do fato de que venho estudando bastante, há algum tempo, coisas para além dos quadrinhos e ilustração, até por que, quando meu hobby se transformou em minha profissão, acabei por desenvolver um novo hobby e assim penso que deva ser.

Mantendo-me na série C, subindo um degrau até a série B, ou mesmo sendo rebaixado, o que me alivia é que mesmo dentro de toda angústia, meu amor pelo desenho existe e é inerente a qualquer disputa, mesmo que imaginária.

Um abraço.

Luciano Salles.

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