Luciano Salles é quadrinista, ilustrador freelancer da Folha de S.Paulo e 1/3 da Produtora Cultural Memento 832.
Autor das Histórias em Quadrinhos Limiar: Dark Matter (2015, Publicação Independente), L'Amour: 12 oz (2014, MINO) indicada ao 27º HQMIX, O Quarto Vivente (2013, Publicação Independente) indicada ao 26º HQMIX e da HQzine Luzcia, a Dona do Boteco (2012, Publicação Independente), indicada ao 27º HQMIX.

9.1.15

"L'Amour é diferente e desafiador" – Resenha de L'Amour: 12 oz no Contraversão!

Olá camarada, tudo certo?

Acabou de sair uma resenha sobre L'Amour: 12 oz no site Contraversão. Se preferir ler o texto direto no Contraversão, este é o link, mas se quiser ficar por aqui mesmo, a resenha está na integra logo abaixo.

Grande abraço!

Luciano Salles.

Resenha: L’amour: 12 Oz

EM JANEIRO 9 | EM HQS | POR  | COM 0 COMMENTS
Albert Einstein disse que “O tempo é relativo e não pode ser medido exatamente do mesmo modo e por toda a parte”.
Essa frase veio em minha mente um dia após a leitura de L’Amour: 12 oz, a nova HQ de Luciano Salles, que em 2013 chamou a atenção do cenário independente lançando O Quarto Vivente, que é também o primeiro lançamento da Editora Mino, que promete publicações focadas em autores nacionais.
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Reli a história e concordei com Einstein, não posso medir ou criticar algo que vai ser diferente para você que me lê ou para a pessoa que nesse exato momento deve está lendo essa HQ. Luciano não opta pelo caminho mais fácil de contar suas histórias, ele escolhe o conceitual, o pensar fora da caixa e nos expor ao diferente. E tudo começa na sua arte, um traço forte, vibrante e desconcertante que, à primeira vista, nos causa uma certa estranheza, e seus personagens não são belos e musculosos, ao invés disso são enrugados, feios, desproporcionais e sem nenhum senso de moda.
A estranheza continua na forma que Luciano escolheu para narrar sua história, ele não optou pelo tradicional ‘começo, meio e fim’, na verdade é até difícil dizer onde é o começo da história, onde é o seu meio e muito menos onde é o seu final, pois a história não acaba quando você fecha o álbum.
Quanto li O Quarto Vivente também me senti estranho ao perceber que a história não acaba simplesmente quando acabo de ler e fechar o álbum, mas que ela perdura em sua mente durante um tempo. E em L’Amour, diria que esse sentimento de estranheza e confusão permanece mais tempo do que poderia supor.
Tive a oportunidade de me encontrar com o Luciano Salles na última FIQ (Feira Internacional de Quadrinhos em Belo Horizonte) e conversar sobre o que ele gosta de ler e o que o influencia. Mesmo assim, é difícil olhar para o seu trabalho, apontar o dedo e dizer “tal artista influenciou nesse trabalho”. Talvez seja até difícil definir o trabalho de Luciano Salles, pois não é um tipo de leitura no qual a pessoa pega a HQ para passar o tempo da hora do almoço, ele exige atenção do leitor e que ele participe ativamente do desdobrar da história.pqLamour
Ainda me pego perguntando se entendi a história, se consegui desbravar a narrativa não linear de Luciano. É uma história de amor, isso eu sei. Também uma história que envolve boxe e de como um soco pode doer muito. Sei o peso de uma luva de 12 oz, mas será que sei o que Luciano quis dizer realmente? Ele pode ter criado uma história e eu ter entendido outra.
Uma leitura que exige do leitor um lado pró-ativo para que ele possa entendê-lo e o que pode ser interessante, atrativo e desafiador para vários leitores. Porém, ao mesmo tempo (e olha que tempo é importante em L’Amour), possa impedir que novos leitores se arrisquem nessa aventura que no fundo é uma história de amor, só que contada de uma forma inesperada.
Não é fácil resenhar o trabalho de Luciano Salles. Qualquer detalhe que possa dizer sobre essa história de amor, tempo e movimento poderia ser um possível spoiler para alguém. O trabalho dele não pede para ser resenhado, mas sim desafiado. Como um artista surrealista, ele quer nós dar uma sensação lisérgica de quando a realidade é alterada do senso comum para o diferente, onde ninguém ou poucos foram e chegaram. Uma nova experiência.
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E da mesma forma que Luciano desafia o leitor para suas novas experiências de narrativas gráficas, gostaria de vê-lo desafiado em contar uma história mais “arroz com feijão” sem gourmertização. Gostei do que vi no álbum “Quatro Estações” que Luciano desenhou uma história roteirizada pelo Raphael Fernandes. E queria ver mais desse Luciano.
Antes de terminar, queria destacar duas; as cores do Marcelo Maiolo trouxeram um novo ar a arte de Luciano. E o belíssimo trabalho gráfico e editorial da Editora Mino, podemos esperar um alto padrão de qualidade nas suas publicações.
E para fechar antes que soe o gongo e meu tempo termine, quero dizer que gostei de L’Amour, é diferente e desafiador. E podemos esperar muito do Luciano no futuro.

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