Luciano Salles é quadrinista, ilustrador freelancer da Folha de S.Paulo e 1/3 da Produtora Cultural Memento 832.
Autor das Histórias em Quadrinhos Limiar: Dark Matter (2015, Publicação Independente), L'Amour: 12 oz (2014, MINO) indicada ao 27º HQMIX, O Quarto Vivente (2013, Publicação Independente) indicada ao 26º HQMIX e da HQzine Luzcia, a Dona do Boteco (2012, Publicação Independente), indicada ao 27º HQMIX.

4.1.15

L'Amour: 12 oz, resenhas, desenhos e comentários!

Olá camarada, tudo bem?

Aqui está tudo o que resenharam, escreveram, desenharam e já falaram sobre meu novo quadrinho L'Amour: 12 oz. Se estiver afim de comprar a HQ com direito a autógrafo e dedicatória é só clicar aqui na minha Loja Online.

Enfim, já tem bastante coisa então bastar ir descendo para ver todo conteúdo.
Grande abraço!

Luciano Salles.


(R) por Dell Carvalho via Facebook























Guilherme e Odin em Mamute Insano


(R) por Camilo Solano via Facebook
























Alexandre Linck, em Quadrinhos na Sarjeta
Ano passado ocorreu a estreia da editora Mino no mercado de quadrinhos brasileiros. A aposta, segundo a própria editora, é “publicar quadrinhos autorais que possuam em comum uma personalidade marcante tanto de traço quanto de narrativa”. Ainda estou devendo ao QnS um texto mais aprofundado sobre o porquê das minhas ressalvas com esse selo chamado “quadrinho autoral”. Para ser direto: a autoria é uma invenção de gênero, um pouco diferente é verdade, mas ainda assim joga com convenções, categorizações e é cheia de clichês. Não podemos esquecer que a autoria, como hoje a entendemos, é algo sustentando pelo romantismo do século XIX, algo com o que as artes no século XX se degladiaram de diferentes formas, indo da morte do autor na literatura à política dos autores no cinema. 

Porém, esse é um outro papo. O que quero, neste momento, é analisar mais pontualmente como essa tradição da autoria aparece na primeira HQ publicada pela Mino: L’amour: 12 oz, de Luciano Salles. De certa forma, as pretensões dos quadrinhos autorais encontram em L’amour uma filiação bem clara, um sub-gênero desse gênero maior chamado de “arte autoral”.


A exemplo do que já ocorrera com sua HQ anterior, O Quarto Vivente, Luciano Salles joga com o enigma. O desenho é composto de fundos chapados, com pouquíssima perspectiva, sobrepostos de objetos e pessoas cheias de dobras, marcadamente em volta dos olhos dos personagens. Isso por si só já causa um efeito bastante peculiar. Porém, serve apenas de sustentação, atmosfera de estranhamento, para o enigma de L’amour: 12 oz que já começa pelo título. É a trama, ou melhor, a nossa dificuldade em assimilar o que está sendo tramado que Luciando Salles parece se divertir (e divertir quem gosta do trabalho dele). A extensa e cuidadosa análise de O Quarto Vivente por Paulo Cecconi, Lauro e Janaina de Luna Larsen (os dois últimos, editores da Mino) dá o tom da brincadeira que L’amour parece continuar. 

O que está em jogo? A nossa capacidade de montar quebra-cabeças. Isso se dá de muitas formas: existem os quadros insistentes em que nós nos perguntamos porque tal detalhe está sendo tão frisado (como no começo, nas pernas e meias estapafúrdias de um dos nossos boxeadores); tem também as séries de números que excessivamente acompanham os quadros, o que pode ser somente a hora do evento, mas pode ser também outra coisa; além das narrativas alternadas com os mesmos personagens em contextos distintos, fundos mutáveis, tempos diacrônicos, com ações que se completam páginas e páginas depois do seu intervalo. As cores de Marcelo Maiolo contribuem para essa atmosfera, gerando continuidade e corte, como na virada de página em que uma mesma ação muda de cor e linha de profundidade quando outro boxeador hesita em agredir o nosso protagonista.

De fato, é possível encher a boca para chamar de “história em quadrinhos autoral” o trabalho de Luciano Salles. E isso se dá justamente pelo o que há nele de respeito, de filiação formal a um gênero. Falo do simbolismo, da escola artística, filha direta do romantismo que fazia do enigma sua poética. O que um simbolista opera é a entrega de um signficante poderoso com um significado oculto. Esse significado só será revelado se você topar jogar - com quem? com o autor, o cara que está te convidando a mergulhar na sua obra e fazer dela uma arqueologia dos símbolos. Isso é algo bem diferente do surrealismo, por exemplo, onde o significado já está perdido de vez (e com isso, também o autor). O simbolismo, pelo contrário, faz do hermetismo a casa secreta onde o autor aguarda a chegada do leitor, isto é, se você, leitor, quiser ir até ele. Se você se recusar a partir nesse encontro, o jogo perde todo o sentido e a obra deixa de operar o que ela tanto se esforça em fazer.

Isso não quer dizer que outras leituras não são possíveis em L’amour, porém quer me parecer que outras jornadas (como a surrealista que acabei de falar) tendem a delegar à HQ o estéril espaço do “cara, que loucura legal esse L’amour. Mas então, tu viu o novo trailer da Marvel e…”. Em resumo, o que quero dizer é que L’amour parece se completar somente se você o insere no gênero do quadrinho autoral, da HQ que traz, embutida em sua poética, o reconhecimento de um ator que diz “decifra-me ou te devoro”. 

Eu acho que matei parte do enigma ao final da leitura, mas a resposta pouco importa, É o processo que é caro ao simbolismo, é ele que sustenta o “ei, aqui existe um autor”. A pergunta - e provocação - que se pode fazer é: L’amour: 12 oz sobreviveria sem a presença simbólica de seu autor nos golpeando de mais e mais símbolos? Posto de outra forma, será que haveria luta simbólica na ausência desse ilustre oponente chamado de autor? É possível, mais daí acho que já não é mais boxe, e sim a solidão do alpinismo na leitura - mas esta é outra aventura. 

L’amour: 12 oz saiu pela Mino em 2014, em excelente acabamento e cuidadosa edição.

Murilo Reis, em O Paralelo
Escrever essa resenha foi tão desafiador quanto ler L’amour: 12 OZ, da autoria do paulista residente em Araraquara (minha terra) Luciano Salles, edição da Mino. E, pelas matérias, resenhas e entrevistas que vêm sendo publicadas em blogs e jornais, essa é a intenção do quadrinista: fazer com que o leitor saia do conforto de apreciar uma história linearizada com começo, meio e fim. A sensação é a de estar num ringue, frente a frente com um hábil e veloz lutador.
Aquele que segura o livro nas mãos certamente será desafiado a fazer várias leituras e diferentes análises, tarefa que não se configura apenas pela complexidade da trama, construída num entrecruzar de tempos passados, presentes e futuros, mas também pelo prazer de estar em contato com uma obra de qualidade. 
Há duas histórias paralelas que se tocam pela forma como o amor é representado.
Um ex-lutador de boxe o demonstra a seu companheiro doente amparando-o até o final de sua vida. O tempo, travestido na figura de um corredor, acaba por se apaixonar pela neta do ex-boxeador, testemunha ocular diária de que existe, sim, o amor imortal, aquele que, como versou Vinicius de Moraes em “Soneto de fidelidade”, não é infinito, posto que é chama, mas que seja eterno enquanto dure. Ciente de que um inesperado cruzado à la Muhammad Ali havia atingido seu coração, o corredor passa a dar seus saltos espaciais e temporais de modo que cruzasse o caminho da mulher de sua vida. O amor que não sucumbe ao tempo o nocauteia e aplica sua revanche, já que, sentimento frágil e complexo que é, na maioria das vezes é atropelado pelo passar das primaveras.
L’amour: 12 oz direciona o olhar do leitor para os detalhes, as miudezas e pequenos ruídos que rondam o cotidiano das pessoas. A arte de Luciano Salles mostra indivíduos que, longe de pertencerem aos padrões de beleza impostos pela sociedade (ainda bem), possuem traços marcantes, que tornam-se ainda mais bonitos graças às cores empregadas pelo “camarada” Marcelo Maiolo.
O volume é dividido em três intervalos, ilustrados por Rafael AlbuquerqueMarcelo Braga e Gustavo Duarte. Os especialistas em quadrinhos Sidney Gusman e Paulo Ramosescrevem prefácio e posfácio, respectivamente.
L’amour: 12 OZ é o terceiro livro de Luciano Salles. Antes, vieram O Quarto Vivente e Luzcia, a Dona do Boteco (que virou curta-metragem). Para 12 de outubro próximo, já está programado o lançamento de Limiar: Dark Matter.
Na expectativa pelo novo título, recomenda-se novas e intervaladas releituras do atual. Assim como O Pequeno Príncipe de Antoine de Saint-Exupéry, é uma obra que trará novos significados a cada leitura.
L’amour: 12 OZ – Autor: Luciano Salles - Editora: Mino - Páginas: 66 - Quanto: R$ 37,00
(R) por Kaio Moreira via Facebook





















"L'Amour: 12 oz": A difícil arte de Luciano Salles, por Jota Silveste em Papo de Quadrinho.
Os quadrinhos, enquanto linguagem e produto de comunicação de massa, se prestam a vários papéis: entreter, informar, educar, refletir, criticar, perturbar: é a esta última categoria que pertence L’Amour 12: oz.
Luciano Salles é um dos mais interessantes expoentes da novíssima geração de quadrinhistas nacionais. Seu primeiro trabalho, Luzcia, a Dona do Boteco, passou quase despercebido. Já o seguinte, O Quarto Vivente, chamou atenção para seu estilo nada convencional.
Em L’Amour 12: oz, o autor provoca ainda mais estranheza. Se em O Quarto, algumas digressões e concepções narrativas se amalgamavam ao clima de ficção científica, aqui elas são ainda mais provocantes ao se acomodarem sobre uma trama aparentemente prosaica.
A história fala de amor, abnegação e resignação, encontros e desencontros, o que é, o que foi e o que pode vir a ser, tendo como epicentro o boxe. A narrativa evolui em trancos temporais, grandes planos e super closes; cobra a atenção do leitor, instiga, faz pensar, ler e reler.
A leitura de L’Amour 12: oz é uma experiência difícil, mas não menos prazerosa. A arte de Luciano, com seus personagens sofridos e enrugados, é provocadora, hipnótica. Atrai e repele com a mesma intensidade.
Uma boa forma de se preparar para ler esta obra é começar pelo posfácio do jornalista e escritor Paulo Ramos. Como ele próprio admite, é o texto mais diferente que jamais escreveu. Isto porque se permitiu contagiar pela narrativa de Salles e conseguiu transmitir a mesma sensação de sincronicidade do original.
L’Amour 12: oz marca a estreia da editora Mino no mercado editorial. Tem 66 páginas coloridas, formato A4 e preço de R$ 37, e pode ser adquirida diretamente no site do autor. Vale o investimento.


Milena Azevedo em Portal GHQ
O amor chega como um nocaute inesperado, tornando vitorioso aquele que vai à lona e por lá permanece após dez segundos.

Por mais que amor e tempo sejam cúmplices, o primeiro nunca está satisfeito com o segundo, e o segundo tem mil e uma artimanhas para driblar o primeiro.

No álbum L'Amour: 12 oz (64 páginas, colorido, R$ 37), título inaugural da Editora Mino, Luciano Salles brinca com esses conceitos ao materializar o tempo como um hábil corredor que abruptamente se apaixona por uma mulher (mas cujas asas desenhadas nas costas de seu moletom e seu trabalho de observar as pessoas de longe levem a crer se tratar de um anjo). No mesmo instante em que o amor chega para o corredor, a mulher sente a presença de algo que ainda não sabe o que é. O corredor, então, muda seu trajeto e passa a circular pelos locais nos quais essa mulher está: sua casa (onde mora seu avô – um ex-boxeador que passa o resto da vida cuidando do seu amado que ficara doente) e a discoteca na qual trabalha. As histórias desses quatro personagens vão se ligar num entrelaçamento de passado e presente, mostrando que embora o amor às vezes se perca no tempo, e o tempo se deixe conduzir pelo amor, o importante é saber desfrutar o sentimento pelo tempo que for possível.

Luciano Salles é realmente um quadrinista singular. Com L´amour: 12 oz ele afirma que está disposto a seguir contando histórias originais, e mostra um amadurecimento em relação ao seu trabalho anterior, O quarto vivente. Aqui, ele criou uma anti-trama redondinha, com um cuidado todo especial ao construir as narrativas no vai-e-vem do tempo, tanto em imagens quanto no texto, intrigando o leitor e convidando-o a reler o álbum para captar suas nuances.

L'Amour: 12 oz se completa com as participações especiais de Gustavo Duarte, Rafael Albuquerque e Marcelo Braga, os quais assinaram as ilustrações que abrem os capítulos, e do colorista Marcelo Maiolo.

Destaque também para o pósfácio de Paulo Ramos, que entrou na brincadeira do Luciano e “embaralhou” seu texto no tempo e no espaço.


Mauricio R B Campos via Facebook


Bedin em Central HQs


Floreal Andrade 
em Impulso HQ.

Em uma entrevista Luciano Salles fala de suas influências: Frank Miller e Moebius. Ao ler seu álbum L’Amour: 12 oz isso fica muito claro no seu bonito traço e na história, que pode estar se passando em algum distante pequeno planeta, ou na terra em um futuro incerto.
L’Amour: 12 oz é o primeiro lançamento da Editora Mino, porém, é o terceiro trabalho solo de Salles, que chamou atenção do mercado editorial de quadrinhos com a publicação independente O Quarto Vivente, lançada em junho de 2013.
E por que as HQs de Salles chamam tanta a atenção? Fora o seu belo traço, que possui uma personalidade própria, a resposta mais completa está na deliciosa, porém não fácil tarefa, de ler as suas histórias. Como muito bem adverte Sidney Gusman em seu prefácio, a obra merece uma atenção especial. Você precisa se dedicar à leitura de Salles.
E não é só a leitura de Salles que você tem que se dedicar. Você tem que compreender o tempo de Salles. Tanto em O Quarto Vivente como aqui em 12 oz, você percebe o total domínio do autor sobre a narrativa e o tempo que ele quer contar a sua história. No final, não se surpreenda se, na sua primeira leitura, você terá que reler a obra para entender certas passagens. E isso é fabuloso, principalmente quando você cair em si de que o tempo que se passa a história é o mais relativo.
Se o tempo é relativo, a importância dos fatos vistos de outra perspectiva também são. O seu grande amor é sua vizinha, você cruzou com seu grande amor na rua, conheceu seu grande amor dançando em uma boate, ou ao olhar para a plateia, antes de ter seu nariz amassado por um poderoso soco aplicado pelo seu oponente no ringue, viu o grande amor da sua vida sentada ali. E em todas essas situações, ninguém viu o seu grande amor.
Você vai matar, se matar ou brigar por seu grande amor. Parece que o tempo parou quando você descobre o seu grande amor. Mais uma vez, repito, o grande poder de Salles é fazer você sair do tempo ao ler L’Amour: 12 oz.
Aliás, a HQ de Luciano Salles me fez lembrar um livro que li no final dos anos 70, “O Homem de Fevereiro ou Março”, de Rubem Fonseca. Procurem. Leiam.
Há pouco revi alguns filmes de um diretor que gosto muito, Nicolas Roeg. Escrevendo sobre o personagem do filme “Inverno de Sangue em Veneza”, Roger Ebert diz “o espectador fica com a incerteza de John Baxter quanto às conexões entre o que vê, o que existe, o que existirá e o que não existe.”. Em outro trecho ele fala da famosa cena de sexo do filme “há algo comovente que ultrapassa a razão em um filme que se ocupa do tempo, esta sequência insiste que o futuro está contido no presente que tudo passa, inclusive o êxtase”.
L’Amour: 12 oz tem esse poder de ser comovente. É uma HQ impactante, tanto pela arte como pela narrativa. Você irá sair do seu tempo, tão rápido que nem a entrada do texto por Audaci Junior para a edição:
“Punho em rotação para o jab, cruzado de esquerda, de direita… Soa o gongo!”
Para ler, reler, pensar no tempo e no amor.

Daniel Lopes em Pipoca e Nanquim



Ivan Freitas da Costa, via facebook
L'Amour: 12 oz, novo álbum de Luciano Salles e primeiro pela Editora MINO, é daquelas HQs que exigem bastante do leitor e, sim, isso é um grande elogio.
Mantendo a tradição de seu álbum anterior, O Quarto Vivente, que tive o prazer de prefaciar, L'Amour: 12 oz traz o traço e o estilo únicos do Luciano Salles, numa história de amor que, a cada leitura, oferece novas interpretações.
Fica a dica
!

Rubens César Baquião (pesquisador e autor de histórias em quadrinhos) em texto enviado por arquivo.
Existem várias maneiras de contar histórias, algumas se fazem compreender por meio de sensações perceptivas sugeridas por imagens. Há histórias que não podem ser entendidas apenas pelo domínio racional e inteligível, já que visam o domínio passional e sensível do leitor. L’Amour: 12 oz, um álbum de histórias em quadrinhos escrito e desenhado por Luciano Salles e colorido por Marcelo Maiolo, é uma história desse tipo, ou seja, é um trabalho que utiliza uma técnica narrativa que faz sentido por meio da conexão sinestésica entre as imagens. Embora o leitor consiga explicar de maneira descritiva o percurso das personagens e seus conflitos, essa descrição inteligível não contempla o principal aspecto de L’Amour, que é seu potencial poético para narrar a relação entre fatos e sensações. 
Nesse seu terceiro álbum em quadrinhos, o traço de Luciano Salles, que tem como influência o lendário desenhista francês Moebius, flui com uma textura quase palpável em rugas e curvas, que são perfeitamente preenchidas pelas cores com belas gradações de tom de Marcelo Maiolo. Outra técnica narrativa sofisticada utilizada em L’Amour é a fragmentação temporal de sua narrativa, a história desenvolve-se em sequências minuciosamente marcadas em horas, minutos e segundos nas caixas de texto, a enfatizar a importância do tempo em toda a trama. 
A narrativa exige do leitor a interpretação cronológica da história, pois as informações sobre a sucessão dos fatos estão implícitas no pensamento das personagens (em caixas de texto) e nas cenas que estão interconectadas no tempo e no espaço. O tempo em que o corredor encontra sua amada, o tempo em que é separado dela e o tempo em que a reencontra. Tempo que sempre está, inevitavelmente, articulado ao espaço. Na história, é surpreendente a capacidade que o corredor de cabelos negros e encaracolados tem de alterar o espaço-tempo; essa capacidade manifesta-se nas manchas amarelas de bordas alaranjadas que fluem de seu corpo. Mas esse poder sobre-humano não aproxima a narrativa de temas super-heróicos, o que se percebe na resolução do confronto entre o corredor e seus vários agressores, em lutas que são resolvidas com sutilezas visuais ousadas ao mostrar o deslocamento espaço-temporal na composição das páginas. 
Em seu primeiro trabalho em quadrinhos, Luzcia, a Dona do Boteco, o estilo de Luciano Salles foi comparado ao de David Lynch em uma resenha feita por Raphael Fernandes e publicada no blog Contraversão (http://contraversao.com/quando-david-lynch-visitou-um-boteco-e-virou-quadrinista-brasileiro/). Em L’Amour também nota-se que Salles mantém uma veia Lynch-iesca, principalmente no desenvolvimento e na resolução do relacionamento entre o ancião na poltrona e o pugilista careca, atados por um laço que simboliza o amor entre os dois, um amor que, em seu último round, tem um desfecho trágico e tocante. 
O corredor e sua amada acabam unidos em forma sublime na última sequência da narrativa, graças à capacidade que ele tem de manipular o espaço-tempo. O tempo em que o corredor encontra sua amada, o tempo em que é separado dela e o tempo em que a reencontra. Em L’Amour: 12 oz, o tempo, o espaço e o amor estão intimamente entrelaçados em sua relação inominável.


Uma foto publicada por Mike Deodato (@mikedeodato) em

Lielson Zeni em Blog da Itiban
"A arte melindrosa de Salles em uma narrativa desmontada que pede um leitor atento. Exatamente contrário desse mundo cheio de opiniões ligeiras. Ótima estreia da Mino."

"Gosto muito da arte de Luciano Salles. L'Amour é legal pois não é uma leitura, mas uma experiência. Primeiro eu leio, e ao chegar na última página, repasso toda a história na minha mente, para ter certeza que não entendi nada. Depois disso a HQ fica na minha cabeça por mais um dia, o subconsciente trabalhando, após ser colocado em xeque, mas o subconsciente é um sacana, e paulatinamente a cada releitura, o quebra-cabeça vai sendo montado, e então uma hora você se pega dizendo puta-que-pariu-então-era-isso!"

Alan Guedes em Contraversão
"Albert Einstein disse que “O tempo é relativo e não pode ser medido exatamente do mesmo modo e por toda a parte”.
Essa frase veio em minha mente um dia após a leitura de L’Amour: 12 oz, a nova HQ de Luciano Salles, que em 2013 chamou a atenção do cenário independente lançando O Quarto Vivente, que é também o primeiro lançamento da Editora Mino, que promete publicações focadas em autores nacionais.
Reli a história e concordei com Einstein, não posso medir ou criticar algo que vai ser diferente para você que me lê ou para a pessoa que nesse exato momento deve está lendo essa HQ. Luciano não opta pelo caminho mais fácil de contar suas histórias, ele escolhe o conceitual, o pensar fora da caixa e nos expor ao diferente. E tudo começa na sua arte, um traço forte, vibrante e desconcertante que, à primeira vista, nos causa uma certa estranheza, e seus personagens não são belos e musculosos, ao invés disso são enrugados, feios, desproporcionais e sem nenhum senso de moda.
A estranheza continua na forma que Luciano escolheu para narrar sua história, ele não optou pelo tradicional ‘começo, meio e fim’, na verdade é até difícil dizer onde é o começo da história, onde é o seu meio e muito menos onde é o seu final, pois a história não acaba quando você fecha o álbum.
Quanto li O Quarto Vivente também me senti estranho ao perceber que a história não acaba simplesmente quando acabo de ler e fechar o álbum, mas que ela perdura em sua mente durante um tempo. E em L’Amour, diria que esse sentimento de estranheza e confusão permanece mais tempo do que poderia supor.
Tive a oportunidade de me encontrar com o Luciano Salles na última FIQ (Feira Internacional de Quadrinhos em Belo Horizonte) e conversar sobre o que ele gosta de ler e o que o influencia. Mesmo assim, é difícil olhar para o seu trabalho, apontar o dedo e dizer “tal artista influenciou nesse trabalho”. Talvez seja até difícil definir o trabalho de Luciano Salles, pois não é um tipo de leitura no qual a pessoa pega a HQ para passar o tempo da hora do almoço, ele exige atenção do leitor e que ele participe ativamente do desdobrar da história.
Ainda me pego perguntando se entendi a história, se consegui desbravar a narrativa não linear de Luciano. É uma história de amor, isso eu sei. Também uma história que envolve boxe e de como um soco pode doer muito. Sei o peso de uma luva de 12 oz, mas será que sei o que Luciano quis dizer realmente? Ele pode ter criado uma história e eu ter entendido outra.
Uma leitura que exige do leitor um lado pró-ativo para que ele possa entendê-lo e o que pode ser interessante, atrativo e desafiador para vários leitores. Porém, ao mesmo tempo (e olha que tempo é importante em L’Amour), possa impedir que novos leitores se arrisquem nessa aventura que no fundo é uma história de amor, só que contada de uma forma inesperada.
Não é fácil resenhar o trabalho de Luciano Salles. Qualquer detalhe que possa dizer sobre essa história de amor, tempo e movimento poderia ser um possível spoiler para alguém. O trabalho dele não pede para ser resenhado, mas sim desafiado. Como um artista surrealista, ele quer nós dar uma sensação lisérgica de quando a realidade é alterada do senso comum para o diferente, onde ninguém ou poucos foram e chegaram. Uma nova experiência.
E da mesma forma que Luciano desafia o leitor para suas novas experiências de narrativas gráficas, gostaria de vê-lo desafiado em contar uma história mais “arroz com feijão” sem gourmertização. Gostei do que vi no álbum “Quatro Estações” que Luciano desenhou uma história roteirizada pelo Raphael Fernandes. E queria ver mais desse Luciano.
Antes de terminar, queria destacar duas; as cores do Marcelo Maiolo trouxeram um novo ar a arte de Luciano. E o belíssimo trabalho gráfico e editorial da Editora Mino, podemos esperar um alto padrão de qualidade nas suas publicações.
E para fechar antes que soe o gongo e meu tempo termine, quero dizer que gostei de L’Amour, é diferente e desafiador. E podemos esperar muito do Luciano no futuro."




(R) por Ricardo Luchiari, via Facebook.

Ainda na linha das HQ que mais gostei em 2014,
tem as pancadas que o amor dá em L'Amour: 12 oz.

Bruno Zago em Pipoca e Nanquim















Delfin e Felipe Morcelli em ComicPod Terra Zerro
 

Paulo Cecconi em Universo HQ
“Sinopse:
Uma história sobre as possíveis consequências incomuns do amor.
Positivo/Negativo:
Luciano Salles não gosta de obviedades. Ele não entrega o jogo e dá a comida mastigada. Pelo contrário, o autor convida você para uma experiência ativa de leitura.
Em vez de recostar no sofá e ler, o espectador deve manter-se atento a todo instante, e reparar nos detalhes e minúcias de cada página, em cada expressão, peça de roupa, horário nos relógios…
Tudo em suas histórias traz mensagens e pede voltas eventuais a páginas já lidas, afim de que se confirmem teorias e hipóteses. É uma experiência diferente, e o leitor deve estar disposto.
L’Amour é o trabalho mais recente de Salles, e é, como diz o título, uma história de amor.
O amor nem sempre acontece da forma que se espera. E, às vezes, é demonstrado por meio de atitudes que, para aqueles que não estão a par daquilo que constitui determinado relacionamento, fogem à norma padrão.
No gibi, as palavras de ordem são “tempo” e “movimento”. O tempo e toda sua inexorável fatalidade; o movimento e sua cruel imprevisibilidade.
Infelizmente, qualquer tentativa de resenhar a obra ficará aquém do que ela realmente tem a oferecer, ao menos sem entregar alguns dos alérgicos spoilers, o inimigo mais mortal da nova geração.
Além disso, um trabalho assim complexo abre espaço para inúmeras interpretações pessoais. Portanto, a resenha discorrerá, a partir de agora, sobre os aspectos técnicos do gibi.
O salto qualitativo do autor é evidente. O domínio de narrativa (destaque para a página 10) mostra o quanto Salles controla e conduz o olhar do autor de forma proposital, e aí se encontra sua maior força: as sugestões visuais.
Marcelo Maiolo prova ser um aliado valioso na entrega de recados estéticos, com suas cores que oferecem suporte imprescindível ao enredo.
O lançamento também marca a estreia da Mino, que fez um barulho estrondoso com sua chegada com de um press kit diferenciado e de extrema qualidade. A editora promete dar um gás nas publicações nacionais, atitude muito bem-vinda, especialmente quando se percebe, de imediato, a qualidade editorial e gráfica da HQ.
Com uma aparente influência do filme Amour, do genial diretor alemão Michael Haneke,  L ‘Amour: 12 Oz é uma das publicações que fecham com chave de ouro este excelente ano para os quadrinhos nacionais, e reforça o que se suspeitava quando O Quarto Vivente foi lançado: Luciano Salles vai longe.”

Felipe Morcelli em Terra Zero
"O amor pode bater forte. Tão forte quando o soco de um pugilista direcionado exatamente no meio do seu rosto. Luciano Salles, um expoente cada vez maior dentro dos quadrinhos independentes nacionais, criou uma obra tão sutil e densa quanto as nuances do amor e não economizou em detalhes
narrativos visuais como economizou nas palavras, por exemplo. Ler “L’Amour 12 oz” não é uma tarefa fácil, pois trata-se de um quadrinho interativo, ou seja, ele requer que o leitor realmente participe daquela história para absorver algo e interpretá-la de forma pessoal. A introdução de Sidney Gusman (Editor da MSP) deixa claro o que o leitor tem em mãos: uma história incomum e desafiadora.
Durante a leitura de tempo indeterminado, o leitor claramente vai entender que “L’Amour 12 oz” é de fato uma história de amor, mas nada piegas, como o próprio autor definiu num bate-papo com o Terra Zero durante a Comic Con Experience. E não será impossível para quem tiver a obra em mãos se reconhecer em algum dos personagens. São pessoas comuns passando por situações comuns (alegres e trágicas) da vida numa continuidade nada convencional proposta pela subjetividade narrativa de Luciano. Aliás, é interessante notar como o texto é cheio de simbolismo enquanto a arte não tem esta discrição toda. Ao contrário, ela bate tão forte quanto o golpe de um pugilista no rosto do leitor e o pega de assalto a cada virar de página.
Há alguns fatos curiosos a serem notas sobre este grande lançamento de Luciano. Primeiramente é notável a diferença de colorização entre “L’Amour” e seus trabalhos anteriores. Isso não é à toa. Ninguém menos que Marcelo Maiolo (“Green Arrow“, “Green Lantern Corps“) foi responsável pelas cores, assim como há intervenções matadoras de Gustavo Duarte, Rafael Albuquerque e Marcelo Braga. Elas não fazem parte direta da narrativa da história, mas certamente respeitam seu conceito mais básico: pegar o leitor de assalto como numa luta de boxe."

Fernando Bedin em Central HQ



Carlos Marques via Facebook
“Obra Fantástica de Luciano Salles. Muito massa. Coisa Fina. Uma experiência incrível! Fazendo a cabeça borbulhar.”


Bruno Passos em Papo de Homem
“40 HQ que irão te tornar uma pessoa melhor.
Do que se trata: como o tempo afeta uma história de amor, somos nós que agimos para ele passar ou é sua passagem que nos faz mover?
Por que é cabuloso: nada de subestimar o leitor. Aqui, somos convidados a acompanhar a história sem didatismo. Poucos textos e muito poder de síntese nas imagens nos fazem acompanhar de maneira fluida um boxeador, seu amor e outros pequenos grandes personagens. Dizer mais estragaria parte da experiência, neste que é o trabalho mais maduro do autor.”
























Lillo Parra via Facebook
“Li L'Amour
Cara, eu não tenho uma opinião formada ainda sobre isso.
L'amour é um daqueles gibis que vou ter que ler umas 5 vezes antes de colocá-lo na estante.
E daí, daqui a uns 4, 5 anos, num dia qualquer, numa daquelas tardes que você só quer sentar na poltrona e relaxar, vou passar os olhos na estante e meus olhos serão atraídos pelo título.
E terei uma tarde daquelas sensacionais.
Meu amigo, você é um artista raro.
Daqui a 40 anos, num muquifo qualquer, um bando de maluco envolvido em algum fazer artistico, estará lendo L'Amour, O Quarto Vivente e o que mais vier por aí, numa plataforma holográfica em 3 dimensões, com cheiro, cor e a puta que o pariu. E estarão discutindo o que você quis dizer com isso ou com aquilo.
Daqui a 40 anos, sua arte ainda influenciará e inspirará as pessoas.
É um privilégio viver na mesma época que você, meu amigo.
Um grande beijo, com todo o carinho do mundo”

Artur Tavares via Facebook
“Na semana passada, a Editora Mino estreou no mercado de HQs com o lançamento da grande obra L'Amour: 12 oz, do grande mestre Luciano Salles. O álbum está belíssimo, num formato grande, e papel de altíssima qualidade. A história conta recortes da vida de vida de um casal, e como a ação do tempo é implacável e irremediável, sendo a única certeza na vida de todos, até daqueles que colocam o amor ao seu (sua) parceiro(a) acima de tudo.
Conceitual, o álbum é narrado de forma não-linear, e, se posso dizer tanto, de maneira metafísica. Ao final, tenho certeza que cada leitor vai ter uma interpretação única daquilo que acabou de ler. Acredito que essa tenha sido a intenção do autor, embora essa não seja uma certeza. Como admirador, entusiasta, e, se tanto, amigo do Luciano, sou fascinado pela complexidade de suas obras, bem como seu imenso poder de síntese. Quem leu seu trabalho anterior, O Quarto Vivente, sabe bem o que quero dizer. Não vou mentir, é uma obra altamente intelectual, que provoca muitas reflexões. Li o álbum no sábado, e fiquei até agora pensando no que poderia dizer sobre ele. Em termos artísticos, porém, há uma completa inversão do que é apresentado em termos narrativos. Não existe subjetividade no que é apresentado ao leitor.
Os desenhos de Luciano são diretos, e servem como ponte que facilita a sinapse entre o texto e o sub-texto da obra, e o cérebro. Por fim, acredito que L'Amour: 12 oz vai além da consolidação de Luciano como um grande quadrinista nacional. A obra é prova de que é possível fazer HQs de altíssima qualidade artística e conceitual em um país que ainda hoje tenta se consolidar como um grande mercado produtor de histórias autorais.
Espero que Luciano consiga ser notado por editores visionários dos mercados norte-americano e europeu, e que sua obra ressoe como um todo por muitos anos que virão. Que o tempo seja gentil com ele, e prove que nem sempre é implacável com a humanidade e todas as coisas deste planeta!”