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Olá, tudo bem?
Tive a honra de participar do podcast imaginário nº 1, do camarada e também quadrinista, Leandro Damasceno. Deixo aqui o link direto para o podcast mas também o incorporo.

Espero que goste da conversa que fluiu por quadrinhos, trabalhos fora das HQ, pessoas travadas em porta giratória de banco, broa com café, quitandas e um pouco mais.

Agradeço mais uma vez ao Leandro Damasceno pelo convite.

Fico por aqui. Saiba que seu comentário é sempre muito bem vindo e será respondido.

Um abraço.

Luciano Salles.

Olá, tudo bem?
Minha loja na Amazon era através da minha produtora cultural, entretanto tive que baixar o CNPJ da empresa e me cadastrar como MEI. Desta forma, cancelei minha conta na Amazon com o CNPJ baixado e cadastrei uma nova como MEI.
E agora a nova loja já está funcionando! Você pode adquirir minhas HQ por lá. Ainda não consegui inserir O Quarto Vivente por um problema na plataforma, mas logo será resolvido.
Você já pode comprar agora sua edição de EUDAIMONIA e Limiar: Dark Matter pela Amazon clicando diretamente nas revistas abaixo!

Sempre lembrando que eu mesmo envio as HQ e por isso sempre seguirão autografadas e com dedicatória.

Garanta seus exemplares ou presenteie um amigo ou amiga com quadrinhos. Sempre são excelente presentes.
Um abraço!
Luciano Salles
Minha MESA H01, sempre ao lado do amigo
Camilo e agora do seu irmão, Aldo Solano.

Olá. Tudo bem?

Cheguei em casa, em Araraquara, na segunda-feira, às 20h, depois de muito trabalho na CCXP e poucas horas de sono. Ainda tenho o dia de hoje para me recuperar pois amanhã já começo um trabalho com algumas ilustrações que ficarão bem legais mas isso fica para um próximo ¹post.
Antes do saldão de balanço, preciso agradecer as empresas que me apoiam, dão suporte e conforto para minha estadia e ida até a CCXP.
Muito obrigado Mônica e o Colégio Pueri Domus Araraquara! Sem vocês não conseguiria trabalhar com a tranquilidade e descanso necessários para atender tantos leitores da melhor forma possível. Muito obrigado Teresa e a Mondrian Ambiente e também ao Elio Lio e a World Game. Foi por vocês que trabalhar na mesa do evento foi muito, mas realmente muito mais fácil! Muito obrigado Marcella e ao espaço Shanti Yoga, onde aprendo a respirar, a viver o agora e não deixo meu corpo derreter flacidamente – durante todo ano – na minha mesa de trabalho. Valeu Piva, Cris e Portal Informática pela cadeira gamer absurdamente confortável (recomendo para qualquer desenhista essas cadeiras!). E muito obrigado Leandro e Visual Comunicação pelos incríveis banners.
Empresa parceiras, que entendem minha necessidade como artista e que aceitam minhas contrapartidas. Muito obrigado!

Para finalizar, muito obrigado a minha esposa, namorada, melhor amiga do mundo e também minha professora de Yoga, Lilian Penteado, que passou um frio danado, trabalhou pesado recebendo os leitores, cuidando das vendas e fazendo o caixa do evento com todo amor e carinho do mundo! E muito obrigado Ivan, por entender minha necessidades.

Já tenho uma ²postagem pronta sobre os apoios culturais e que ainda esse ano, disponibilizo aqui. Fique ligado!

Saldão de balanço.
Ter o privilégio de ser selecionado e estar em uma das mesas da CCXP é uma experiência incrível. É quando saio da minha toca interiorana para receber leitores e leitoras de todo Brasil, pessoas que gostam das minha HQ, desenhos, traço e também onde consigo apresentar meu trabalho para quem não conhecia meus quadrinhos.
No sentido comercial, é o evento onde faço o maior número de vendas e por consequência, tenho uma maior margem de lucro. Claro que não são somente vendas de quadrinhos pois incremento minha mesa com prints, venda de desenhos originais, sketches e sketchcovers.
Entenda que esse não é um evento somente de quadrinhos como, por exemplo, o Festival de Quadrinhos de Belo Horizonte ou somente, FIQ. Os quadrinhos na CCXP funcionam como o coração pulsante de tudo aquilo. É um evento que abrange toda cultura nerd, geek e o que mais a cultura pop engloba. Desta maneira, a convenção agrega o mais diverso público e isso também é contabilizado nas vendas da minha mesa.
Camarada Forlani ♥️
Foto por Lilian Penteado.

Amigos, camarada e colegas.

Cada vez tem se tornado mais difícil encontrar e conseguir conversar tranquilamente com outros autores. São sempre algumas poucas palavras em um encontro furtivo numa saída para ir ao banheiro ou comer algo. Peço desculpas se deixei de cumprimentar alguém que, por acaso, tenha cruzado pelo caminho.
Fico por aqui. Sei que foi um post breve e até superficial mas o cansaço está pegando. Os comentários estão abertos para você participar ativamente do blog e com certeza responderei.
Grande abraço.
Luciano Salles.

Gerações bem diferentes porém similares.
Foto por Marcelo Forlani.
Ivan de cosplay de Wolverine para não mostrar a cutis
cansada. Eu e a Lilian caímos nessa, ahahah!
Foto por Larissa Sartori.
Tranquilamente fumando minha caneta. Foto
por JP, do Melhores do Mundo.
Meditando no saco do Sansão.
Foto por Lilian Penteado.

Com Jeff f. King, meu novo amigo gringo,
que pediu um sketch em seu caderno
que tinha desenhos do Tim Sale, Jae Lee,
Bengal, Bill Sienkiewicz e agora meu!
Foto por Lilian Penteado.
Observando o tríceps do John Romita Jr,
com as mão para trás como forma de

respeito e admiração pela arte do camarada.
Foto por Lilian Penteado.

Minha esposa e eu, ambos cansados
(a foto mostro isso nitidamente) mas
felizes. Obrigado, namorada ♥️

Com o camarada Fernando Caruso, que levou o
Savage Dragon e é a única pessoa que conheço
que tem da edição nº 1 até a última lançada!
Foto por alguém.
Longo bate-papo antes da Spoiler Night com
Danilo Beyruth e Leo Finocchi.
Foto por Lilian Penteado.
Com o super cineasta Guilherme Bonini, o Luiz da
TARP Comunicação e o fantástico fotográfo Lucas Tannuri.
Essa foi a trupe responsável pela imagens da Loja da LUPO.
Foto por Lilian Penteado.
Batman: gárgulas por Luciano Salles. Cores por
Wesllei Manoel.

Olá, tudo bem?

Chegou a hora de divulgar o segundo print exclusivo para a Comic Con Experience 2018 e com as cores por Wesllei Manoel.

Como o Marcelo Maiolo – meu parceiro de cores e amigo #redfootpower – estava atribulado com tantos títulos para colorir e prazos, pedi a ele e ao Ivan Freitas indicações de coloristas para o desenho. Tive os nomes e assim que vi o trabalho do Wesllei, já sabia quem seria o camarada para essa parceria.
Ele é colorista agenciado pela Chiaroscuro e você pode conferir seu trabalho no portfólio da Chiaroscuro.

Pedi a ele uma breve biografia para apresentá-lo a você e segue o que enviou: “2017 foi um ano de estreias para Wesllei Manoel, tanto na Chiaroscuro Studios quanto no mercado de quadrinhos nacional e internacional. Já havia feito algumas participações em HQ’s autorais mas nenhum título só dele. Até agora passou por 3 Editoras, estreou na revista “Kiss Annual” para Dynamite e desde então passou pelas Revistas Librarians (Dynamite), Tintan (Amigo) e por uma série de revistas com o tema WWE para a BOOM Studios.”

Esse é o segundo desenho que fiz exclusivamente para a CCXP 2018. Quando pensei em desenhar um Batman, queria que, de alguma forma, o Coringa estivesse envolvido. Não queria colocar somente os dois para lutarem ou coisa assim. Preferi então deixar sugestionado a presença do lunático piadista. As gárgulas foram consequências para que uma delas levasse o arqui-inimigo do Homem Morcego a marcar seu território.

As cores que eu estava fazendo para o desenho não estavam ficando legais. Tentei bastante mas chega uma hora que um colorista com melhores resoluções do que as minhas, teria que entrar em ação e assim foi feito.

Arte original à venda, por Luciano Salles

Um detalhe importante! A arte original está à venda e para adquiri-la é só entrar em contato através do e-maillucianosalles@dimensaolimbo.com

RESERVE SEU PRINT!
Se gostou do desenho dá para garantir o seu agora!
Como não farei muitas cópias, reserve seu print também pelo e-maillucianosalles@dimensaolimbo.com com o título: Quero um print do Batman gárgulas. Desta forma preparo uma lista com todas as reservas e você garante sua arte tranquilamente.

As cópias em tamanho A3 serão vendidas por R$25,00 na minha MESA que é a H01.

Uma dica? Lembre de marcar os números das mesas que pretende visitar no Artists’ Alley e qual produto deseja em cada uma delas. Facilitará muito seu passeio pelo evento!

Fico no aguardo da sua reserva do print, quem sabe adquirir o original e qualquer comentários.

Um abraço.
Luciano Salles.

Participe agora!
Olá, tudo bem?
Já conhece o canal Fora do Plástico? É uma conta no Instagram que fala basicamente sobre quadrinhos.
É incrível como eles dominam bem as possibilidades que a rede social proporciona. Os conteúdos são sempre muito bem escritos, de extremo bom gosto e imparcialidade. Siga a conta e depois me diga, nos comentários, se estou exagerando ?
O mesmo Fora do Plástico está com um sorteio chamado: combo Luciano Salles. As instruções para concorrer estão nas imagens ao lado e basta clicar nelas para participar.
Participe agora!
Participe do sorteio, aproveite os links da Black Friday da Amazon que disponibilizo com cupom ¹FRETEGRATIS (abaixo explico como usar o cupom) – https://amzn.to/2qVmLJi – e fique muito bem informado sobre o mundo dos quadrinhos com o Fora do Plástico
¹Você deve inserir o cupom FRETEGRATIS abaixo do seu carrinho. O desconto será aplicado na página de conclusão da compra.
Um abraço e boa sorte!
Luciano Salles.
Imagem que contém resenha no instagram do Fora do Plástico
Olá. tudo bem?
Na semana passada saiu uma resenha da minha última publicação em quadrinhos pelo Fora do Plástico, uma conta do Instagram que é fantástica e basicamente fala sobre HQ. É muito legal seguir a conta e perceber como eles sabem utilizar extremamente bem a plataforma.
Conheci a Mariana e o Pedro, casal responsável pela página, no FIQ 2018. Não lembro se concedi alguma entrevista para eles que são extremamente simpáticos, interagem muito bem e de forma inteligente, com os autores.
Segue a resenha e aqui está link para você seguir o Fora do Plástico no Instagram. Com certeza vale por toda publicação que fazem!
Deixo aqui meu abraço e, logo abaixo, o link para adquirir seu exemplar de EUDAIMONIA!
Luciano Salles.

Clique na imagem para ser direcionado para minha conta na Amazon. A HQ será enviada com um autografo e dedicatória.

Resenha de EUDAIMONIA pelo Fora do Plástico
Texto por Mariana Viana.

“Eudaimonia não é um quadrinho fácil. Nada ali está explicado ou entregue de forma fácil e evidente. Na verdade, foi somente na segunda leitura que captamos alguns detalhes e nuances que Luciano Salles insere em meio a suas hachuras e traços finos em nanquim. Aqui, acompanhamos um matador de aluguel vestido de leopardo (que parece um tanto tolo) que tem uma segunda chance para efetivar sua caçada. Para isso, ele conta com a ajuda de Luzcia, a rabugenta dona de um boteco.

Com falar característico, olhar duro, e crises de artrite, Luzcia é um personagem que gera empatia no primeiro olhar (mesmo já tendo sido apresentada em um dos primeiros trabalhos do autor). O quadrinista traz para a protagonista uma força visceral feminina, que transmite a garra de uma sobrevivente, custe o que custar. Luzcia parece não conhecer o medo.

Embora a HQ não entregue muita profundidade na construção dos personagens, toda a narrativa de Eudaimonia flui facilmente, embalada pela arte única de Luciano Salles e pelo tom de suspense. É uma pena que o quadrinho seja tão curto. Terminamos com a sensação de que poderíamos ver aquela história se desenrolar por várias páginas, afinal, ela capta o leitor, deixando-o imerso no universo nonsense ali apresentado.

Você pode terminar este gibi com um ponto de interrogação ou pode se sentir inebriado pela experiência inusitada que o quadrinho proporciona, já buscando retornar à primeira página. Na verdade, não há como prever a reação de um leitor a Eudaimonia. Talvez fosse exatamente esse o objetivo do autor: despertar um resultado imprevisível em quem fecha as últimas páginas do gibi.”


Olá, tudo bem?

Ontem foram divulgadas as mesas que cada artista ocupará na CCXP 2018. São mais de 540 artistas do mundo inteiro, alocados no Artists’ Alley e que concorreram, através de portfólios, as tão disputadas mesas do evento.
Além das mesas, também foi divulgado o perfil de cada artista no site da CCXP e que estará no Artists’ Alley. Este é meu link: https://www.ccxp.com.br/artists-alley/1109
Esse ano estarei na MESA H01 e, na última semana de novembro, faço um novo post com o que levarei para a convenção. Além de concorrer a mesa, é importantíssimo ressaltar que a mesma conta com o apoio cultural da World Game, da Mondrian Ambiente e da Portal Informática.
Elio Lio da World Game
Entenda como apoio cultural o fato de que empresas de Araraquara, cidade onde moro, foram as responsáveis por quitar o valor referente ao uso da mesa durante todos os dias do evento. Desta forma, sou muito grato aos empresários Elio Lio, responsável pela World Game e a Teresa, que responde pela Mondrian AmbienteSão pessoas da iniciativa privada que sempre apoiam a arte, cultura e o esporte na cidade de Araraquara. Deixo aqui meu sincero agradecimento pela oportunidade concedida. Também conto com o apoio da Portal Informática, dos camaradas Marcelo Piva e o Cris.
Teresa Magnani da Mondrian Ambiente
Entretanto a batalha é árdua e ainda tenho as despesas com hotel, transporte (ônibus intermunicipal, UBER e metrô) e alimentação, que ainda dependem de apoio cultural.
Desde 2014, ano da primeira Comic Con Experience, recorro a esses patrocínios para ir ao evento e esse tem sido o ano onde conseguir apoio cultural tem sido mais difícil. Geralmente, “nos outubros” anteriores, já estava com tudo certo e organizado financeiramente para o evento. Enfim, ainda estou na luta!
Para finalizar, lembre-se de anotar a MESA H01 no seu controle de “mesas para visitar”. Nos vemos em dezembro na maior Comic Con das Américas.
Um abraço.
Luciano Salles.
Quadro de EUDAIMONIA, de Luciano Salles
Ola, bom dia.
Por vezes, recebo algumas resenhas esporádicas sobre meus trabalhos.
Eis que essa semana, fui marcado pelo Twitter em uma resenha narrada de forma peculiar. O autor, Lequinho, do site Pipe Bomb Wrestling Podcast, fez quase que um ensaio sobre as obras EUDAIMONIA e O Quarto Vivente, relacionando tudo isso a mim.
Foi um dos textos mais legais sobre meu trabalho e você pode conferir na integra pelo link https://goo.gl/87wG4Y

Você também pode lê-lo por aqui mesmo, ao final da postagem.

Seu comentário será sempre muito bem vindo, recebido e respondido.

Um abraço e fique com a resenha!

Luciano Salles.

Da Boca para Fora 3# – EUDAIMONIA, O Quarto Vivente e Luciano Salles
28 de agosto de 2018
, Lequinho, Colunas, Da Boca pra Fora

Esse escrito não é uma reportagem como a da última edição. Também não sei se é possível chama-lo de resenha. É um texto, e, tal qual as obras sobre as quais falarei hoje, ainda não compreendi totalmente.

A verdade é que a primeira vez que eu abri um quadrinho de Luciano Salles eu não entendi é porra nenhuma.

Foi na Quanta [Academia de Artes]. Eu estudava desenho e sempre antes das aulas (quando não chegava atrasado) pegava alguma coisa para ler. Neste dia o escolhido foi Limiar Dark Matter. Como você pode ver no título, caro leitor, não vamos falar dessa HQ hoje, em primeiro lugar por conta de minha parca memória e em segundo lugar… bom, acredito que introdução deixou as impressões bem claras. O fato é que, mesmo sem entender nada, algo daquilo ficou, alguma coisa daquelas linhas e daquele treco preto que o personagem engoliu, aquelas imagens ficaram guardadas, um tipo de sensação e identidade que eu relembraria no futuro.

Ele chegou.

Dois anos se passaram até eu ler, na qualidade completa que a palavra exige, uma HQ do artista e ex-bancario. Foi Eudaimonia, financiado via Catarse, publicado de maneira independente e distribuído através da produtora de Luciano, a Memento 832; adivinhe o que aconteceu quando eu li a obra pela primeira vez?
EUDAIMONIA

É uma história sobre um homem vestido de onça que se alia a uma idosa usuária de drogas para invadir um cafofo e lobotomizar um sujeito com nome de eletrodoméstico.

EUDAIMONIA

É uma HQ sobre a morte da alma, uma segunda chance, a busca pela felicidade e o cumprimento das tarefas; uma perseguição ao objetivo, aquilo que te completa.

EUDAIMONIA

Um gibi que traz vários canudos (de plástico, mas não esquente com isso, são imaginários) que se enfiam nos crânios de Kubrick, Gaspar Noé, Spike Jonze, David Lynch, Katsuhiro Otomo, Moebius, bifurcando em uma intravenosa conectada ao braço que desenhava este gibi de 32 páginas em preto e branco. Tem hachuras, retículas e pessoas extremamente bem desenhadas que parecem estar sendo constantemente oprimidas ao mesmo tempo que oprimem seu mundos internos, seus próprios ossos existência.

EUDAIMONIA

Foi oficialmente minha primeira leitura do Salles, porque, francamente, nenhuma primeira “primeira” leitura dele pode ser considerada. Seria como considerar um soco na cara sua primeira aula de educação física; é mais um choque, um acordão. Ele te joga na água (quente ou fria) que é aquele mundo e fala “nade”, enquanto você está sem boia, não dá pé e tem dois blocos de concreto amarrados aos tornozelos. É angustiante a descida, mas também é inevitável.

Foi uma felicidade ver que a edição vinha com um autografo muito bonito do autor, este que saí mostrando pela casa, inclusive para o meu avô. Ele folheou a revista e adorou, mostrando aqui e ali algum desenho.

“Olha esse aqui” dizia ele enquanto estava deitado no sofá. Aposto que ele entendeu tudo de primeira.

Na mesma semana que recebi EUDAIMONIA em minha vida, Luciano estaria lançando-a em um evento na escola de desenho supracitada. Fui lá.

Naquela noite comprei O Quarto Vivente e, como sinopse, recebi o final da história da boca do próprio escritor, que apontou para mim e completou “isso ai é spoiler para você, inclusive”. Se pararmos para pensar, já era ele mesmo que ia me contar tal acontecido, de uma forma ou de outra. E já que o próprio Luciano não liga para spoilers, vou presumir que você também não.

O Quarto Vivente.

É um gibi sobre uma garota que dá à luz a uma baleia.

Um mundo de muitas cores e emoções, de verbos em 3ª pessoa, de coisas que se espalham. Líquidos e palavras e sentimentos e fases da vida. É outra confusão completamente diferente de EUDAIMONIA. É um trabalho mais antigo, o que faz dele ao mesmo tempo mais novo pela inexperiência e mais velho pela idade. Um outro mundo, diferente do nosso, ainda que reconhecível; uma outra sociedade ao passo que é a mesma, problemas iguais. Entrando de cabeça ali é impossível saber para onde olhar, mas também dificilmente você irá fechar os olhos.

Foi bom pegar um dos primeiros trabalhos para ler logo após ter consumido o mais recente. A evolução ficou mais clara, tanto em diagramação, em pensar o produto e em escolhas estéticas, quanto no próprio traço, que apesar de já ser uma porrada (ou um chute, você que escolhe), foi ganhando mais e mais sustância com o tempo.

Ambos são gibis difíceis, muito mais sinestésicos do que cartesianos, então se você não gosta de não entender algo, é provável que torça o nariz.

E tudo bem.

Parece pouco saudável falar que se gosta ou não de algo simplesmente por não conseguir tirar uma conclusão sobre aquilo, tanto em ficção quanto na vida. O negócio com os gibis desse autor, pelo menos para mim, é que você entende tudo, se entende, pega as coisas e digere, mas no final não sabe disso. Da mesma forma que as vezes olha-se para um lado, para o outro e a vida simplesmente não faz sentido, ainda que seja totalmente coerente.

É bom, é ruim, é aquilo que está na página e o que está entre a página. Também é o que está em sua volta, por trás, nos livros, nos filmes, é um apanhado de coisas. Me desculpe por falar tantas vezes sobre o que as coisas SÃO e NÃO SÃO, mas nessa confusão toda e nesse turbilhão que existe nas obras do autor residente de Araraquara fica realmente complicado não se perder.

Sobre o autor? Na ocasião em que o conheci, além de ter sido muito atencioso, mostrou ser alguém de pensamentos muito digeridos e concretos, seja no que tange arte ou até mesmo seu modo de viver ou de seguir sua carreira. Luciano Salles é sóbrio, extremamente sóbrio, ele sabe o que está fazendo, mesmo que você não saiba o que está lendo. “Esse aqui é meu material de trabalho“ disse ele me mostrando o estojo. Talvez não tenham sido exatamente essas palavras, mas faz realmente um certo tempo (seis meses entre o evento narrado e a conclusão deste texto.)

Estou sem saber como arrematar tudo… então vou pelo caminho mais fácil: Durante a confecção desse texto, EUDAIMONIA foi indicada ao troféu HQMIX nas categorias “publicação independente de autor” e “publicação independente edição única”, além do desenhista, que concorre ao prêmio “desenhista nacional”. A entrega do troféu acontece no dia 16/09, as 17h no SESC Pompeia.

Salles também faz as ilustrações semanais da coluna de Daniel Furlan (grande craque) dentro da Folha de S. Paulo. Procure as obras, ache-as e, depois disso, procure mais um pouco ali dentro.

Obedeças para serdes feliz.
Olá, tudo bem?
Dei uma entrevista para o fórum Multiverso Bate-Boca e o resultado ficou demais. Agradeço a iniciativa e contato do Gustavo Soares pela perguntas feitas e fundamentadas pelos leitores do site.
Batemos um longo papo e falei sobre formação, com é ser quadrinista, se dá para viver assim, influências, dinheiro, música, processo criativo, explicações sobre detalhes das minhas HQ, conversamos sobre outros quadrinistas, dificuldades, motivações, enfim, uma longa e sincera entrevista.
Adicionei todo conteúdo logo abaixo mas deixo o link para lê-la direto no MBB, com direito a imagens e comentários antes de depois da pauta.
Muito obrigado.
Luciano Salles.
– Poderia começar se apresentando? (quem é, onde nasceu e cresceu, família, formação acadêmica, como começou a ler quadrinhos e desenhar, etc.)
Meu nome é Luciano Salles, nasci no dia 14/02/1975, em Taquaritinga, uma pequena cidade no interior do estado de SP. Ainda criança minha família mudou-se para Araraquara, uma cidade vizinha cinco ou seis vezes maior. Araraquara me acolheu muito bem e chegando na cidade encontrei tudo o que mais precisava na época: fanzine, skate, música e o movimento punk.

Minha família teve que se mudar para São Carlos e eu continue morando em Araraquara, isso com 16 anos. Então já com essa idade aprendi a me virar sozinho. Me formei em Engenharia Civil, pós graduei em Engenharia de Segurança do Trabalho e atuei na área até ir trabalhar em uma instituição bancária.

Ainda em Taquaritinga já lia turma da Mônica pois gostava de desenhar e meus pais compravam uma revista no mês pra mim. Lembro que eu lia tudo e ficava tentando desenhar os personagens das histórias do Penadinho.


– Aos 37 anos você deixou de ser bancário para se dedicar exclusivamente aos quadrinhos. Como foi essa decisão? Qual a reação das pessoas mais próximas?
Eu adoeci na empresa que trabalhava e acho que adoeceria em qualquer trabalho que fizesse naquela época. Adorava trabalhar no banco porém, dos 35 aos 37 anos comecei a perceber que algo não ia bem com minha saúde. Fiquei durante um ano me consultando com médicos, das mais diversas especialidades, para tentar descobrir o que estava acontecendo comigo até que tive minha primeira crise de uma doença chamada síndrome de pânico.

É algo que não desejo para ninguém pois não existe nada mais horrível e sofrível neste mundo. É comum as pessoas confundirem ansiedade aguda, pressão no trabalho, tristeza, achar que vai morrer entre outros vários sintomas com a doença mas quem irá diagnosticar será um bom médico psiquiatra. Esse realmente foi o motivo que tive que deixar o Banco. Eu não tinha mais capacidade neurológica e psicológica de trabalhar ali.

Até tentei voltar mas o cargo que tinha não permitia erros e comecei a cometer falhas primárias até que a direção do Banco decidiu atender e, entender, meus pedidos de desligamento (foram vários) por perceber que eu não tinha mais condição. A diretoria do Banco foi extremamente atenciosa, gentil e tão humana que me demitiram, recebendo  assim, todos os meus direitos. Sou muito grato por isso.

Minha esposa foi a primeira pessoa a me dizer para pedir demissão. Ela havia percebido que algo não ia bem comigo então, tive total apoio da família.

Faço aqui um adendo: trato da minha síndrome do pânico desde 2012 com medicamentos, yoga, andando muito de bicicleta e visitando bimestralmente meu psiquiatra. Ainda tenho meus altos e baixos e o acompanhamento é fundamental. O que quero dizer é que não use o Google como um guia médico achando que tem tal doença. Se sentir que algo não está certo, vá a um médico de referência no assunto.

– Financeiramente falando, consegue hoje viver somente de sua arte?
Consigo. Claro que não ganho tão bem como ganhava com meu trabalho anterior. Tem meses que são excelentes e outros que posso não receber nada. Então, um boa gestão financeira é fundamental. Aliás, percebo que muitas pessoas são praticamente ignorantes neste aspecto.


– Quais desenhistas influenciaram seus trabalhos? E roteiristas?
Desenhistas posso citar três: Moebius (sempre em primeiro lugar), Lourenço Mutarelli e hoje percebo o quanto (e cada vez mais) Frank Miller também me influenciou. Agora roteiristas, já é algo que acredito que minhas influências vem do cinema. Aliás, minha maior influência para fazer quadrinhos vem do cinema. Sou fascinado por alguns diretores como David Lynch, Stanley Kubrick, Gaspar Noe, David Cronenberg, Pedro Almodóvar, Gus Van Sant, Lars von Trier. Penso que esses são minhas influências como e, para roteiristas.

– Você já fez ilustrações de Laranja Mecânica (cinema), The end of the f***ing world (seriado) e já fez capa de álbum musical (Os Capial). Quais suas referências nessas três artes (cinema, seriado e música)? Há alguma influência delas em suas obras?
Acabei respondendo um pouco desta pergunta na questão anterior. Existe uma total influência do cinema e música nas minhas obras. Sou fascinado por essas duas artes. Minha mãe é pianista (não exerce como profissão) e sempre tivemos piano na minha casa, sempre ouvia minha mãe tocando os mais diversos temas e compositores. Meu irmão mais novo não é pianista mas estudou um pouco e tem um ouvido incrivelmente apurado. Meu irmão mais velho também tocava violão. 
– Seu processo criativo é sempre o mesmo ou varia de acordo com a obra? Poderia descrevê-lo? (roteiriza e depois desenha; rascunha enquanto roteiriza?) Sempre trabalha com papel ou também desenha digitalmente?Geralmente é sempre o mesmo. Por vezes a ideia de uma história pode surgir de uma simples observação. Por exemplo, a história de L’Amour: 12 oz, surgiu do fato de em uma manhã, eu observar a caneca de café que eu estava tomando: o tempo passa, o café vai esfriando e eu vou gostando mais ou menos dele. Em EUDAIMONIA, a história veio toda em minha cabeça por observar e pesquisar qual felino seria o mais efetivo em suas caçadas.

Pode parecer estranho mas é assim que as ideias para as histórias surgem pra mim. Alguma coisa me chama a atenção, observo, crio a relação com algo que pode vir a ser um bom tema, uma boa história e vou montando toda ela somente na minha cabeça sem anotar absolutamente nada. Não posso ter um caderninho de notas. Isso geralmente me atrapalha.

Com toda a história pronta na cabeça, vou direto para o computador escrever o roteiro, que faço como um roteiro de cinema, bem detalhado, descritivo pois assim ganho tempo na hora de desenhar as páginas.

Tendo o roteiro finalizado, envio para uma primeira revisão. Voltando corrigido, já começo a desenhar as páginas, que sempre são em um bom papel e com pincel e nanquim. Digitalmente eu só faço as cores, se necessário.

– Todos seus trabalhos até então são de autoria somente sua (roteiro e arte). Já recebeu proposta de desenhar roteiro de terceiros? Tem vontade de trabalhar com algum outro roteirista ou desenhista? Se sim, quem?
Já recebi várias propostas de desenhar para outros roteiristas mas é algo difícil para mim e sinto que seria angustiante. Desenhei uma história do Raphael Fernandes e simplesmente parece que não fui eu que desenhei.

Penso que seria mais fácil (pra mim) desenhar algo que o público já conheça. Por exemplo, desenhar uma história do Justiceiro. Pronto, é algo que faria. E se fosse, por exemplo, com um roteiro do Frank Miller, do Mark Millar, do Gaspar Noe. Esse é um detalhe que tenho: sempre gosto de pensar alto, vai que acontece, rs.

– Você produz, edita, divulga e vende diretamente. É uma escolha esse domínio de todo o processo ou gostaria de poder se dedicar exclusivamente à criação?
Gosto de todo esse processo (neste aspecto sou extremamente punk), gosto de receber uma resposta do leitor pois todo o caminho de se produzir uma HQ se encerra com o leitor(a). Ele(a) é a peça chave de todo ciclo.

Financeiramente, manter esse processo é mais lucrativo. Claro que gostaria muito de algum auxílio para ir aos Correios ou fazer pacotes, por exemplo, mas enquanto posso e consigo tempo para fazer isso, faço com prazer.

Seria muito bom e, diferente, somente me dedicar a criação mas ainda não chegou esse momento.

– Dos seus cinco trabalhos: três foram publicados de forma independente (Luzcia, a dona do boteco; O quarto vivente; Limiar: dark matter); um por editora (L’Amour: 12 oz pela Mino); e um  financiado através do Catarse (Eudaimonia). Quais as diferenças e qual a sua preferência?
Definitivamente o financiamento coletivo é onde melhor me encaixo. Apesar de ter publicado com a MINO, nunca tiver um editor direto. L’Amour: 12 oz estava pronta quando a MINO entrou em contato comigo e publicou então, basicamente, fiz e faço tudo sozinho entretanto, sempre confio a alguém muito competente a revisão dos meus trabalhos. Até o momento as pessoas que fizeram as revisões foram o Daniel Lopes e o Audaci Junior.
– É raro vermos quadrinistas independentes reimprimindo suas obras esgotadas. No seu caso, Luzcia, a dona do boteco esgotou faz tempo. Por que não reimprimir?
Por ter sido uma “HQzine” tão simples, feita de forma inocente, despretenciosa, toda dobrada a mão, grampeada e com uma tiragem de 100 cópias, reimprimi-la deve ser algo muito especial e quando chegar o momento, saberei como fazer.
– Atualmente o Catarse e outros sites de financiamento coletivo estão passando por um momento complexo: de um lado há crise de credibilidade em relação a projetos independentes, pois muitos projetos (inclusive de HQ) recolheram o dinheiro e não entregaram as recompensas; de outro lado cada vez mais editoras buscam ali financiar suas publicações, como a Figura e a Editora 85. Como foi sua experiência de financiamento coletivo? Pretende repetir?
Minha experiência foi fantástica e minha próxima publicação será pela mesma plataforma. Existem esses casos que citou, que deveria prejudicar a imagem de quem fez e faz as besteiras e não a plataforma, pois o método do financiamento coletivo é algo fantástico. É uma das grandes benesses que a internet pode proporcionar.

Estudando a plataforma, entendendo bem como funciona aqui no Brasil, sabendo dos riscos e padrões, fazer uma campanha bem sucedida não é somente bater a meta do valor requerido. É fazer todos as apoiadores receberem suas recompensas antes de qualquer distribuição ou venda da revista. O apoiador terá sempre a preferência.

– Em seu blog (dimensaolimbo.com.br) você já compartilhou algumas trocas de informações entre você e outros quadrinistas, como Rafael Grampá, Fabio Bá e Marcelo Maiolo – este com direito até a print da conversa. Você também ministra cursos e oficinas de quadrinhos. Entretanto você é autodidata. Busca oferecer algo que acredita ter lhe faltado? Faltam professores e informações sobre quadrinhos?
Essa realmente é uma pergunta complexa. Como autodidata, aprendo todos os dia alguma coisa nova no tocante a fazer quadrinhos. E também, como autodidata, aprendo muito quando aceito todas as criticas que meu trabalho possa receber de pessoas como o Grampá, o Bá e o Maiolo.

Foram pessoas que conheci, admiro muito e que sinceramente criticam meu trabalho de um forma que só faz crescer. Todas essas criticas são lições que aprendo para nunca mais esquecer. Me sinto um privilegiado de o Bá, chegar em mim no FIQ 2018, e falar o que achou da minha nova HQ. Isso pelo fato de eu ter pedido um sincero feedback. Aqueles 15 minutos que conversamos foram uma das melhores aulas que já tive sobre fazer quadrinhos.

Nos curso que coordeno, procuro passar tudo o que aprendi e tenho aprendido, como faço, o motivo de fazer daquele jeito, meios de como procurar uma ideia não tão comum, enfim, meus cursos são muito mais subjetivos e introspectivos do que me propor a ensinar como fazer um desenho realista, técnicas de aguada, aquarela, cores e o que for, até porque, não sei nada disso.

– [PERGUNTA COM SPOILER DE QUARTO VIVENTE E LIMIAR: DARK MATTER] Suas obras são marcadas por flertarem com o abstrato em algum momento. Há algo de nonsense ou tudo tem algum sentido específico? Alguns autores preferem não comentar pontos específicos de suas obras, deixando as interpretações para o público. Como pensa sobre isso? O que diria para alguém que lhe perguntasse “o que significa aquela beluga” ou “Nadio e Carino morreram”?
Não tem nada de nonsense nas minhas histórias e tudo que está ali tem um sentido específico e função. O que acontece é que insiro alguns níveis de camadas na história e faço isso propositalmente, pois cada pessoa é única assim como sua leitura. O processo de ler é igual para todos(as) mas a absorção no interior da mente daquela pessoa, junto de toda bagagem de vida que ela carrega, é que moldam o que escrevi. Bem, sei que isso é arriscado mas trabalho assim. Existem os(as) que gostam e os(as) que não gostam assim como tem que gosta de repolho e outros(as) não.

Não tenho problema em comentar pontos específicos dos meus trabalhos. Se vier uma pergunta direta, como essa que fez, respondo que a beluga foi o ponto máximo que pude conceber e que traria uma ruptura brusca no processo de evolução da humanidade.

Se Nádio e Carino morreram? Sim, claro que morreram! Até deixo isso bem claro no texto da última página da HQ. Nádio está nocauteado no chão enquanto Carino sofre as consequências de uma overdose de Dark Matter. Ali uso o recurso de quadros narrativos onde Nádio relata ao leitor: “Tudo isso me foi informado e este sou eu memorizado” lembrando que o termo “memorizado” criei para ser um sinônimo para “estar morto”, algo que deixo claro durante toda HQ.

E então ele continua e comenta que Carino é “…nossa fagulha memorizada, a explosão não contida, a ordem para um novo limiar”. Aqui também, se ler atentamente, junto do caminhar da HQ, perceberá que Carino não suportou a overdose de Dark Matter e como uma fagulha basta para uma explosão, o corpo dele explode como uma bomba atômica, dizimando tudo e todos ao seu redor, ou seja, “…a ordem se dissipando para um novo limiar” ou simplificando, um modelo fracassado se desfazendo para o início de uma nova proposta.

Existem HQ que tem um leitura direta, simples (o que não vejo problema algum e gosto também), como se faz uma simples redação com uma introdução, o desenvolvimento da ideia e a conclusão, mas formulas foram criadas para dimensionar uma ponte, um viga que suporta um vão livre de 30 metros. Gosto de usar formulas para isso e não para escrever uma história

– Você, assim como 90% dos quadrinistas autorais brasileiros, produz obras curtas. As poucas exceções como Marcelo D’Salete (Cumbe e Angola Janga), Rafael Coutinho (Mensur) e Marcelo Quintanilha (Tungstênio e Talco de vidro) são sucesso de público e crítica. Por que essas obras longas aqui ainda são tão raras? Pretende fazer algo assim?
Eu produzo obras curtas pelo fato de gostar muito de ler obras curtas, de fazer obras curtas e por ser um quadrinista independente que precisa bancar a impressão, depois carregar o peso dos gibis nas costas, distribuir, pagar os envios pelos correios, organizar e fazer lançamentos e finalmente, apresentar um preço coerente com o mercado editorial sem essas distorções que tem acontecido ultimamente com o efeito Amazon.

Todos os autores e exemplos que citou foram publicados por excelentes editoras e não sei a forma que receberam para fazer as obras, por isso, não posso argumentar sobre algo que não tenho conhecimento.

– Falando sobre obras mais longas, aproximadamente um ano atrás você postou no blog que por diversos motivos pessoais (lá detalhados) estava engavetando um projeto mais longo, chamado Ela (136 páginas, enquanto suas maiores tiveram 50). Alguma novidade sobre essa HQ?
Por enquanto não mas quando houver, logo saberão.

_ Quais as grandes dificuldades no mercado de quadrinhos nacional? E o que o motiva a seguir nesse caminho?
Eu vivo pelos quadrinhos pois sempre adorei desenhar e criar histórias. Sejam quais forem as dificuldades, não sou um colecionador delas. Tento me ajustar para estar em eventos de quadrinhos, me adequar em como divulgar melhor meus trabalhos e procuro sempre fazer tudo com excelência para que o leitor(a) tenha uma experiência  única, boa e intimista com a HQ e, que valha o valor que ele pagou pelo produto.

Outra coisa que me motiva é que posso viver também pelas ilustrações. Isso, cada vez mais, tem me empolgado! Pensando melhor, existe uma dificuldade que posso apontar. Há algo de natural aos brasileiros, que é a formação de grupos que se preservam e só validam o que acontece entre eles. Acredito que essa seja uma dificuldade que sempre haverá entre qualquer circuito criativo.

– Antes os quadrinistas nacionais tinham dois objetivos: entrar no mercado de super-heróis ou trabalhar para o Mauricio de Souza. Já hoje em dia os quadrinhos autorais parecem ser uma terceira boa opção. Acredita que essa mudança perdurará? O que acha dessa cada vez maior quantidade de editoras e lançamentos?
Penso que esses dois objetivos que citou no início da sua pergunta ainda perduram. Vejo inúmeras publicações genéricas as Graphics MSP e outras tantas similares ao mercado de super-heróis. Acho que ainda exista um novo e terceiro objetivo que é fazer quadrinhos para ser vendido para o cinema, Netflix.

O quadrinhos autorais são a quarta opção e ainda bem que estão cada vez mais valorizados dentro do mercado em geral. Eu tenho certeza de que isso continuará por um bom tempo e que temos uma produção consistente para manter o mercado fortalecido em títulos e diversidade.

Quando mais editoras e lançamentos tivermos é melhor para todos e todas. Muitas editora surgirão e sumirão assim como autores(as). É assim mesmo, um ciclo onde, por um momento, haverá uma ebulição e de repente, um arrefecimento, entretanto, hoje, a oscilação entre as ondas estão brandas e tendem a ser cada vez mais serenas.

– Você é presença constante em eventos de quadrinhos. Ainda o faz pelo prazer de estar no evento ou encara como um compromisso de trabalho?
Adoro estar em eventos de quadrinhos pois faço dele um compromisso de trabalho onde encontro colegas, amigos, vinculados a ganhar novos leitores que não conhecem o que faço.

A logística para se ir ao evento é financeiramente dispendiosa e por isso priorizo o FIQ, a CCXP e priorizava a Bienal de Quadrinhos de Curitiba.

– Apesar de somente ter trabalhos autorais você já tem um belo acervo de ilustrações de super-heróis. Tem vontade de trabalhar no mainstream? Se pudesse escolher personagens da Marvel e da DC para trabalhar, quais seriam?
Tenho pensado nisso ultimamente. Acho que gostaria de trabalhar neste mercado mas de uma forma muito particular. Sei que não sou um desenhista para fazer uma série mensal de algum título mas adoraria fazer histórias curtas, capas variantes e outras coisas. Se pudesse escolher um personagem seria o Aranha e o Bizarro.
– Pelos seus relatos, você é próximo do Rafael Grampá e suas artes possuem semelhanças. O que acha do rumo que o amigo tomou profissionalmente? Tem vontade de atuar no mercado publicitário, mesmo que isso signifique se afastar dos quadrinhos?
Acho que jamais conseguiria trabalhar no mercado publicitário. Acho que é um tipo de trabalho que não combina com meu jeito de ser. Quanto ao Grampá escolher o que quiser fazer é critério dele. Cada um é livre para fazer o que quiser, como quiser e se tem uma coisa que ele faz bem é isso! O cara é um gênio, excelente profissional e se engana quem acha que ele se afastou das HQ.
Ele acha estranho quando dizem que dizem que nossas artes possuem semelhanças. Na animação Dark Noir, que dirigiu com o apoio do pessoal da Red Knuckle, ele me chamou para desenhar as tatuagens do personagem principal e fazer boa parte do storyboard. Acredito que nossos trabalhos conversam entre si e funcionam muito bem quando juntos.
– Tem algum novo trabalho em andamento? Pode nos dizer algo sobre ele?
Sim, tenho. O que posso dizer por enquanto é que a história esta pronta em minha cabeça e desta vez, só vou mostrar algo ou falar sobre ele quando tudo estiver pronto.

– Você já disse que tudo na sua carreira é pensado e planejado. Quais os seus planos para o futuro mais distante?
Tenho realmente tudo pensado e planejado mas só tenho o controle sobre o agora. Então, se eu quiser que as coisas aconteçam, tenho que zelar e viver somente pelo instante em que estou respirando. O futuro será feito das ações que tomar hoje. Ou seja, eu sei onde quero chegar mas só tenho o agora para trabalhar.

– O que não falta no MBB é leitor querendo indicações, do mainstream a obras mais obscuras. Quais suas HQs preferidas?
Gosto muito de quadrinho japonês e europeu. Leia qualquer coisa do Suehiro Maruo e também recomendo Pluto. Agora mainstream… bom, acho que Pluto é mainstream.

– Ainda tem tempo para ser leitor? Se sim, o que tem lido ultimamente?
Tenho lido pouco quadrinhos. Estou relendo Lobo Solitário, Pluto e AKIRA.
[Edição]: Olá, o promoção foi encerrada no dia 31/07/2018 e foi um sucesso! Obrigado a todos e todas que participaram, que ajudaram compartilhando pelas redes sociais ou mesmo no boca a boca.

Grande abraço e mais uma vez, muito obrigado!

Olá, tudo bem?

Como as vendas de quadrinhos estão devagar, decidi fazer uma promoção da pesada!
Comprando uma edição de Limiar: Dark Matter (2015, independente) você ganha uma edição de EUDAIMONIA (2017, independente/Catarse). Se já tiver EUDAIMONIA, que é meu lançamento mais recente, pode optar por ganhar meu outro quadrinho O Quarto Vivente.
O que achou da promoção? Gostou? Então é só seguir os passos abaixo:
01. Clique na imagem de Limiar: Dark Matter (logo abaixo) abaixo e será redirecionado para o site da AMAZON.
02. Bastar comprar somente a edição de Limiar: Dark Matter por R$35,00 + frete do site e me informar qual outra HQ deseja ganhar (se nada for informado, enviarei uma edição de EUDAIMONIA)
03. Você pode comunicar sua escolha pelo próprio site, no momento da compra, ou ainda enviando um e-mail para lucianosalles@dimensaolimbo.com

Garanta agora suas duas HQ (clique na imagem) comprando apenas uma!

 Curiosidade: Sabia que essa HQ foi colorida pelo Marcelo Maiolo?! ♥️

Você pode escolher
EUDAIMONIA

Ou, pode escolher,
O Quarto Vivente
















OBSERVAÇÕES:
– Essa promoção tem duração até dia 31/07/2018 para compras feitas até às 23h59min59seg.
– Todas as edições serão enviadas autografadas com dedicatória e um desenho na própria revista.
– Sabia que essa HQ que vai comprar (Limiar: Dark Matter)foi utilizada em sala de aula pelo curso de Psicologia da Universidade Federal de Pelotas? Entenda como pelo link: https://goo.gl/XbRw7t

Espero que tenha gostado da promoção! Se ainda tiver alguma dúvida, é só inseri-la logo abaixo no comentários que respondo rapidamente.

Ah! Esse é o vídeo que fiz para o lançamento de Limiar: Dark Matter.

Um abraço.

Luciano Salles.