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“Duplo, Eu” é a nova história em quadrinhos de Luciano Salles com lançamento para 2019
Olá, tudo bem com você?
Hoje começo as postagens sobre a produção de “Duplo, eu”, minha nova história em quadrinhos que será publicada no segundo semestre de 2019. 
Como todas as coisas que começam, não tenho muitas respostas sobre o que pode acontecer até a data de lançamento do quadrinho e isso é o que menos importa! O que prefiro destacar é que hoje também, começo os desenhos da primeira página da HQ e a partir daqui será um trabalho árduo, intenso e com extrema dedicação em cada linha traçada.
Esse mesmo empenho já foi dedicado ao roteiro (o mais difícil que escrevi) e que neste exato momento, está sendo revisado por um excelente profissional do ramo. Aliás, o revisor, conhecido no sistema solar como Audaci Junior, é também, de certa forma, um co-editor da revista pois a cada trica de páginas finalizadas, envio para ele fazer uma segunda revisão nos balões inseridos e dar uma boa olhada no que está saindo.
Então vamos para as [novidades 01]:
01. O título será Duplo, eu.
02. Ainda não decidi como será a diagramação mas a fonte será a que ilustra o post;
03. A princípio, a HQ teria 32 páginas, exatamente igual a EUDAIMONIA, publicada em 06 de dezembro de 2017;
04. O roteiro se estendeu e a revista impressa ultrapassará 80 páginas;
05. Farei o financiamento coletivo, através da plataforma do Catarse, para imprimir a HQ;
06. Tenho pensado em, durante o período em que produzo a HQ, criar um Catarse Assinaturas para me ajudar a ficar mais focado em produzir as páginas. Isso ainda é um projeto que está rodando em minha mente e que tem grande possibilidades de acontecer;

Momento auto-divulgação ?
Você já tem seu exemplar de EUDAIMONIA? Com lançamento na Comic Con Experience de 2017, EUDAIMONIA foi indicada em três categorias no troféu HQMIX, o prêmio mais importante dos quadrinhos no Brasil. Adquira seu exemplar agora clicando no link abaixo.

É isso!
Logo mais faço novas postagens atualizando a produção de “Duplo, eu”.

Seu comentário é sempre muito bem vindo!

Um abraço.
Luciano Salles.
Imagem que contém resenha no instagram do Fora do Plástico
Olá. tudo bem?
Na semana passada saiu uma resenha da minha última publicação em quadrinhos pelo Fora do Plástico, uma conta do Instagram que é fantástica e basicamente fala sobre HQ. É muito legal seguir a conta e perceber como eles sabem utilizar extremamente bem a plataforma.
Conheci a Mariana e o Pedro, casal responsável pela página, no FIQ 2018. Não lembro se concedi alguma entrevista para eles que são extremamente simpáticos, interagem muito bem e de forma inteligente, com os autores.
Segue a resenha e aqui está link para você seguir o Fora do Plástico no Instagram. Com certeza vale por toda publicação que fazem!
Deixo aqui meu abraço e, logo abaixo, o link para adquirir seu exemplar de EUDAIMONIA!
Luciano Salles.

Clique na imagem para ser direcionado para minha conta na Amazon. A HQ será enviada com um autografo e dedicatória.

Resenha de EUDAIMONIA pelo Fora do Plástico
Texto por Mariana Viana.

“Eudaimonia não é um quadrinho fácil. Nada ali está explicado ou entregue de forma fácil e evidente. Na verdade, foi somente na segunda leitura que captamos alguns detalhes e nuances que Luciano Salles insere em meio a suas hachuras e traços finos em nanquim. Aqui, acompanhamos um matador de aluguel vestido de leopardo (que parece um tanto tolo) que tem uma segunda chance para efetivar sua caçada. Para isso, ele conta com a ajuda de Luzcia, a rabugenta dona de um boteco.

Com falar característico, olhar duro, e crises de artrite, Luzcia é um personagem que gera empatia no primeiro olhar (mesmo já tendo sido apresentada em um dos primeiros trabalhos do autor). O quadrinista traz para a protagonista uma força visceral feminina, que transmite a garra de uma sobrevivente, custe o que custar. Luzcia parece não conhecer o medo.

Embora a HQ não entregue muita profundidade na construção dos personagens, toda a narrativa de Eudaimonia flui facilmente, embalada pela arte única de Luciano Salles e pelo tom de suspense. É uma pena que o quadrinho seja tão curto. Terminamos com a sensação de que poderíamos ver aquela história se desenrolar por várias páginas, afinal, ela capta o leitor, deixando-o imerso no universo nonsense ali apresentado.

Você pode terminar este gibi com um ponto de interrogação ou pode se sentir inebriado pela experiência inusitada que o quadrinho proporciona, já buscando retornar à primeira página. Na verdade, não há como prever a reação de um leitor a Eudaimonia. Talvez fosse exatamente esse o objetivo do autor: despertar um resultado imprevisível em quem fecha as últimas páginas do gibi.”


Olá, tudo bem?
Segue entrevista em vídeo para o Chapéu do Presto, que aconteceu no Festival de Quadrinhos de Limeira e, na sequência, entrevista que concedi ao site Tapioca Mecânica, no FIQ 2018.
Confira e se quiser deixar alguma pergunta ou consideração, fique a vontade e use os comentários para isso.
Um abraço.
Luciano Salles.


Entrevista para Tapioca Entrevista – LUCIANO SALLES FIQ 2018
por Gabriel Fraga | 12 /09/ 2018 | Destaques, Quadrinhos
Na última semana de maio de 2018 ocorreu mais uma edição do tradicional Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ) em Belo Horizonte e o Tapioca Mecânica esteve lá. Foram feitas várias e interessantes entrevistas e que depois de um trabalhinho de transcrição, agora apresentaremos nessa coluna de quarta-feira.
A primeira entrevista foi com o quadrinista Luciano Salles. Muito gentil e solícito com seu tempo, Luciano nos cedeu um dos melhores bate-papos que já fizemos, além de ser muito esclarecedora sobre seus quadrinhos e seu jeito de encarar arte.
TAPIOCA MECÂNICA: No Quarto Vivente você fala do período em que viveu em Araraquara, interior de São Paulo. Parece ter sido um momento muito importante para sua formação.
LUCIANO SALLES: Eu me mudei pra Araraquara bem pequeno, com dez anos. Caí numa ruela sem saída, pequena e foi tudo que eu poderia querer: punk rock, skate e fanzine, desenhos. Tudo que eu gostava de fazer. E foi bem formador. Nessa época zine não era só desenho, não era só história em quadrinho. Tinha matéria sobre a banda de rock da cidade e aí nós mandávamos pra Recife e eles devolviam com outras matérias e fitas cassetes das bandas de lá. E eu já sabia que era isso que eu queria fazer. Isso foi em 1985…

TM: E fazia tudo isso aos dez anos, fanzine, punk rock e skate? (risos).
SALLES: Pior que sim. Eu entrei nesse mundo com dez anos e fui até os vinte e três. Andei bastante de skate, mexi muito com música, ainda mexo um pouquinho.
TM: Tocando?
SALLES: Não toco mais nada. Meu violão tá com meu pai, minha guitarra tá indo pro meu irmão, meu trompete tá parado. Às vezes faço alguma trilha pra algum espetáculo de balé ou curta-metragem. Mas isso aí ficou incrustrado em mim.
Como eu falei, em 1985, era outro mundo, cara. Você tinha que fazer uma faculdade e seguir a carreira, por isso que sempre estudei muito, sempre gostei de estudar, estudei pra caramba, sempre fui muito CDF, CDF mesmo, nem tinha nerd no Brasil ainda e foi isso. O quadrinho veio bem depois, com 37 anos.



TM: Você fez faculdade de engenharia e me diversos momentos falou sobre a relutância que tinha em fazer quadrinhos até que chegou a hora. Como foi esse momento? Houve um catalizador? A hora que você parou e disse ‘eu tenho que fazer isso agora”.

SALLES: É, nessa época eu trabalhava no banco S*****, era gestor lá e aconteceu de eu ficar doente, na real. Se tivesse ficado era capaz de estar lá ainda. Capaz não, certamente estaria. Mas eu fiquei doente de verdade e não tinha mais condições e uma madrugada minha esposa falou “olha, amanhã você pede demissão” e eu fiz isso mesmo. Passei quatro meses pedindo demissão e eles não aceitavam, mas perceberam que eu não estava legal e aí eles foram muito gente boa e me mandaram embora. Me pagaram tudo, eu fiquei um tempão lá, me dediquei ao máximo e saí por motivo de doença. Mas saí e já fiz o Luzcia, a Dona do Boteco no mesmo mês e de lá pra cá vivo exclusivamente de quadrinhos.
TM: Isso foi em…?
SALLES: Isso foi em 2012. Saí do banco em abril e no final de maio já estava com o Luzcia pronto e tentando vender online.
TM: O Quarto Vivente fala de um mundo em que catástrofes aconteceram, a Europa, pelo que eu entendi, sumiu, os franceses vieram pro Brasil e depois disso a sociedade evoluiu. Tanto é que o nome do país é República Fraternal, parece um tempo de paz. Porém eu ainda sinto muita angústia nele e no Dark Matter, onde as pessoas consomem matéria negra – no futuro as pessoas consomem aquilo que gerou o universo. Não sei se é real, mas eu sinto muito uma angústia sua com coisas limpinhas, coisas perfeitinhas. Uma certa inquietude com ideias utópicas. Existe isso mesmo?
SALLES: Acho que todo artista é um ser angustiado. Você tem razão. O Quarto Vivente era como se fosse um mundo ideal, mas na leitura todos estão sempre de ouvido tampado e lá o acaso não existe mais. Se for pensar nisso, sem o acaso há o controle absoluto e aí fica naquilo, mas não temos como mensurar o que seria um controle absoluto. Por isso a Juliete faz o que ela faz: uma menina de quinze anos que decide… e tem muita coisa por trás, o fato de ela se chamar Juliete Manon, que é diminutivo de Maria Manon, Maria mãe de Jesus. Tem muito dessas coisas no livro. Acho que é a primeira entrevista que eu falo isso, o nome dela, o que ela faz tem a ver, o Quarto Vivente tem a ver com o apocalipse, uma parte que fala dos quatro seres viventes do apocalipse, tem muito dessas coisas por baixo da história. E tem uma análise do Quarto Vivente pelo Pipoca e Nanquim, que está num texto no site deles, em que eles destrincharam noventa por cento do que eu coloquei na obra. (Link)

TM: No final, quando ela dá à luz a baleia ou o golfinho, seria o retorno do mistério ao mundo deles?
SALLES: Seria. Ela rompeu com tudo de uma forma não casual. Ela comprou aquele tipo de parto, ela comprou aquilo. Porque não teria como ser acaso. Ela fez aquilo pra romper com tudo, pra ser a primeira pessoa, até então, que fez aquilo e é louco porque eu li há pouco tempo, há uns dois anos ou um ano e meio que uma moça no Japão estava tentando gerar um tubarão. Uma loucura.
TM: A vida imita a arte (risos).
SALLES: A vida imita a arte, mas assim… nós ainda somos muito limitados. Não conseguimos ir muito além. Se você pegar todas as histórias que estão aqui, sei lá, não estou menosprezando todo mundo que está aqui, mas sei lá. Nós somos muito limitados, é muito difícil nós extrapolarmos.
TM: Essa é a angústia presente nos seus quadrinhos então, chegar a um lugar diferente?
SALLES: É, eu gosto. É uma pretensão que não vai acontecer.
TM: Mas é muito saudável.
SALLES: É saudável e, de certo modo, pode até me prejudicar como autor porque a pessoa pode passar e ficar “ah, li e não entendi nada!”.
(Risos)
TM: Aproveitando, como você se vê então? Porque você escolhe narrar seus quadrinhos dessa forma. Como você se vê então nos quadrinhos brasileiros? Você pensa nisso?
SALLES: Já pensei nisso.
TM: Você é o Grant Morrison do Brasil?
SALLES: Não, cara.
TM: Você recebe muitas críticas que o Morrison receberia; que é difícil, que não dá pra entender…
SALLES: Sim, mas sabe o que eu penso, cara? Não estou me menosprezando. Sei que eu sou um autor e que, de alguma forma, as pessoas já leram, já ouviram falar, de alguma forma, do meu nome. Mas eu faço uma correlação com futebol, mesmo sem acompanhar: me sinto como um time da série C ou série D. Tem os quadrinhistas da série A, tem os quadrinistas de Champions League. Juro, me sinto da série C, série D.
TM: Que é isso…
SALLES: Sim. Vinil não tem um lado A e um lado B? Eu acho que sempre fui lado B.
TM: Mas por escolha, você gosta de ser o lado B.
SALLES: Eu não consigo ser o lado A. Pode ser uma escolha, mas mesmo que eu tente ser o lado A não vai rolar.
TM: Mas isso é muito bom, precisa de gente que – não que faça o que você faz, porque só você faz o que você faz – mas que saia da zona de conforto, que explore o que muitos não vão explorar.
SALLES: Sim, eu estou com umas ideias de histórias na cabeça, mas eu estou procurando que eu consiga que daqui a uns três anos quando eu ler, que eu não diga “poxa, podia ter pensado um pouquinho mais”. Eu não tenho muita pressa de entregar um quadrinho, não preciso entregar um quadrinho todo ano, a cada ano e meio, eu quero fazer algo que seja relevante pra mim e que o leitor, de certa forma, acabe de ler e pense um pouquinho, que fale “o que foi isso aqui?”, e que participe porque o quadrinho só tem sentido quando o leitor participa. Sempre li quadrinhos assim e gosto que seja assim. Lógico, eu gosto de ler uma história que seja “‘TUM’, acabei de ler, acabou, guardei”, mas eu gosto de ler coisas que me façam pensar, de ver filmes que façam pensar, de filmes que acabem e eu fico “poxa, acabou mesmo? Assim? Será? Ou caiu a internet?”.
TM: Quem te influencia então? Tanto em quadrinhos quanto em cinema. Além do Moebius. (Risos).
SALLES: Então, Moebius; a cada dia percebo que o Frank Miller é uma influência maior sobre mim, mas não percebia isso. E meus desenhos novos, que eu ainda não mostrei estão, de certa forma, diferentes. Sou eu desenhando, mas sinto que está um pouquinho diferente.
Miller, Moebius, Mutarelli, e tem pessoas assim que eu tremo na base até hoje, que é o Marcatti. O Marcatti, toda vez que ele conversa comigo eu fico um pouquinho nervoso e hoje ele tá aqui do meu lado [aponta para a mesa de Francisco Marcatti, ao lado da sua] e eu tenho coisas dele desde o Chiclete com Banana, que eu recortava.

TM: E em cinema?
SALLES: Pra fazer quadrinhos o que mais me influencia é cinema. Gosto muito do Gaspar Noé, de Love e Enter the Void [Viagem Alucinante], tanto que a cor de Limiar, Dark Matter quem fez foi o Marcelo Maiolo e eu disse pra ele que tinha que assistir o Enter The Void e aquela era a sensação de cores que eu queria, pra ele poder montar a paleta dele. E a cor veio perfeita.
Vou falar de um diretor chato, que muita gente odeia, o Lars Von Trier.
TM: Sabia que você ia falar Lars Von Trier. (Risos).
SALLES: Você quer dar na minha cara, não é?
TM: Não! (Risos). Eu gosto dele.
SALLES: Ele fala umas besteiras, tem uns problemas. Lars Von Trier, Gus Van Sant. Eu gosto muito do Almodóvar, até pelas cores que ele usa. Posso ficar o dia aqui, os Irmãos Coen, David Lynch. David Lynch acho que é o principal, só lembrei dele agora.
TM: Me fala do seu processo. Todo dia tem um número de páginas que você tem que atingir, ou número de horas, é meio anárquico, o quanto você tem vontade…
SALLES: Como eu tive todo esse processo antes de trabalhar com quadrinhos, trabalhar com engenharia, trabalhar em banco, você fica normatizado com muitas coisas. Lá eu tinha horário pra chegar, pra bater ponto, cobrar dos outros e eu sempre, apesar de não poder falar isso para as pessoas, mas eu sempre pensei e procurei porque as coisas… lógico que existem convenções e pode parecer que eu estou falando loucuras agora, mas eu posso começar um trilogia pelos números três, sete e nove, não precisa ser um, dois, três. Parece loucura isso, mas…
TM: Não. Star Wars está aí.
SALLES: (Risos)
TM: Só que Star Wars é o lado A.
SALLES: (Risos) É. Totalmente lado A.
TM: Criou o lado A.
SALLES: Eu não lembro quem fez Videodrome, foi o…
TM: Cronenberg.
SALLES: Cronenberg! Fantástico, eu falei Cronenberg, né?
TM: Agora falou. (Risos).
SALLES: Então está valendo. Eu não tenho mais segunda, eu não tenho mais horário. Aqui não posso porque abre e fecha. Mas se me deu sono em casa às dez da manhã eu deito e durmo. Acordo meio-dia, como alguma coisa. Se estou com um roteiro, volto a escrever o roteiro, embalo, quando percebo são dez da noite. Claro, tudo isso vivendo bem com a minha esposa. Mas não tenho mais esses horários; procuro não criar esses horários. A única coisa que eu faço sempre é acordar às quatro da manhã, mas isso aí é desde sempre.

TM: É nois. (Risos).

SALLES: Mas não por insônia. Esse é o horário que eu acordo mesmo e também durmo cedo. E só respondo mensagem de manhã.
Quando eu pego pra fazer um quadrinho, eu faço o quadrinho. Acordo, desenho até cansar, durmo, acordo, como, faço, durmo…
TM: Tem roteiro primeiro?
SALLES: Tem roteiro, penso a história inteira, do começo ao fim, tudo, frases, o que um vai falar pro outro, tenho tudo na minha cabeça, faço um roteiro bonitinho, quase de cinema, na realidade, e aí sim eu vou desenhar. Isso eu preciso fazer porque ajuda meu desenho.
TM: Então não sofre de bloqueio criativo? Uma página que tá difícil de sair, um layout?
SALLES: Não, não sofro com isso. Porque antes de eu escrever o roteiro, já pensei em tudo. Vou pensando, vou pensando, vou pensando. E eu não anoto nada de uma ideia que eu tive. Se eu tive uma ideia hoje, eu não vou marcar ela. Porque às vezes eu marco e essa ideia é tão lixo, mas eu marquei. Se marquei, me apeguei. Então não anoto. Se eu esquecer, era ruim. Se for boa eu lembro.
TM: Que incrível. (Risos).
SALLES: Eu prefiro assim. Geralmente eu esqueço um monte de ideias, mas então é porque eram lixo. Se não esqueci, aí vou dando continuidade.
TM: Já falamos sobre isso um pouco, se seus quadrinhos são difíceis de entender. É a maneira que você faz quadrinhos, né? São seus quadrinhos.
SALLES: São meus quadrinhos. Mas eu também não acho difíceis de entender. Mas aí também, eu que escrevi, né?
(Risos).
TM: Mas isso também é falta de costume de quem lê, não é?
SALLES: Então, sabe o que eu acho que acontece? Tem a história do Quarto Vivente, a primeira camada da história, que é a menina que faz isso, faz isso e isso, até chegar ao final. Mas dentro dessa história tem o porquê do nome dela, tem o porquê ela gera o que ela gera, se você for pesquisar o que ela gera, tem isso, não tem uma história que se passa dentro de uma baleia?
TM: Sim.
SALLES: Então, tem isso, também tem as coisas que eu boto no nome da história. Em Eudaimonia, por exemplo [quadrinho mais recente de Salles], só se chamou Eudaimonia por significar algo como felicidade. E o leopardo [da capa] vive em um estado de eudaimonia, porque ele só faz exatamente aquilo que a natureza criou ele pra fazer. Passa uma zebra, ele vai e come. Depois dorme. Ele não erra. Deu fome, ele pega outra coisa, isso é o estado eudaimônico dele. Qualquer animal vive em estado eudaimônico.

TM: Indo para o Eudaimonia. Por que a mudança de formato?
SALLES: Eu estava desesperado, não aguentava mais o couchê. Porque se eu for fazer um autógrafo pra alguém no couchê, eu tenho que desenhar com uma caneta retroprojetora. E é o fim desenhar com uma caneta retroprojetora, cara. É péssimo. E eu também queria fazer no papel pólen porque é gostoso de pegar. E também sem cores e no formato americano e tinha que ser preto e branco, mas aí eu coloquei tons de cinza. E a capa quem coloriu foi o Maiolo porque eu estava colorindo, mas estava péssimo.
TM: A parceria de vocês é inusitada porque ele é o cara dos títulos americanos e essas coisas. Como vocês se conheceram?
SALLES: Ele fica com pena de mim, acho. (Risos). Ele é bonzinho demais.
Eu fui numa palestra do Gustavo Duarte em Piracicaba, onde ele mora. Um bate papo. Lá o Gustavo Duarte Falou que precisava colorir um quadrinho e ficou desesperado e pensou “Ah, se o Maiolo estivesse disponível” e apontou pro Maiolo. E eu fiquei “putz, o Maiolo está aqui?”. Porque eu sempre gostei do trabalho do Maiolo, das cores. Aí já esqueci o Gustavo Duarte (RISOS) e fiquei “Quem é o Maiolo, quem é o Maiolo…?” aí acabou e fiquei conversando com o Gustavo Duarte e eu estava com o Quarto Vivente na mochila e o Maiolo chegou. Ele deu uma olhada no Quarto Vivente e falou “você está vendendo?”. Eu falei “tô”.
Ele disse “eu li essa frase ‘Georginas, ainda defecas?’”. E falou que queria comprar por causa daquela frase. Aí começou a amizade. Aí ele falou que fazia cor.
TM: Quais temas você queria botar no Eudaimonia? Porque tem a sua primeira personagem. Que você queria trabalhar no quadrinho.
SALLES: Eu encanei com o leopardo. Ao mesmo tempo eu queria trabalhar com a Luzcia. Não sei se é porque é minha primeira personagem, mas eu gosto muito da Luzcia.
TM: Ela é inspirada em alguém da vida real?
SALLES: Ela é inspirada na secretária de um médico. A secretária era muito brava. Na consulta, ela entrou no escritório gritando com o médico porque ele não tinha carimbado o CRM dele onde assinou e ela carimbou muito nervosa. Isso foi uma consulta que eu fui com meu pai. Ela interrompeu a consulta e meu pai, enquanto ela estava brava com o médico meu pai veio no meu ouvido e disse baixinho “nossa, meu, a Luzcia deve ser a dona do boteco”.
TM: (Risos) Fantástico. E esse é o nome do quadrinho.
SALLES: Isso. Luzcia, Dona do Boteco.
E o Eudaimonia, eu queria fazer a história de um caçador que caçasse uma parte do ser-humano. Uma parte só. Aí ele tem duas chances. Ele falha na primeira e na segunda ele acaba cruzando com a Luzcia no caminho dele. Ela está sofrendo com as dores dela, com a falta de medicamentos. E quem ele precisa caçar é quem fornece os medicamentos dela.

TM: E no final, sem entregar muito, o caçador vive em um estado de paz e só aceita o que acontece com ele.
SALLES: Ele vive em um estado eudaimônico e a Luzcia também. A Luzcia é daquele jeito, ela vive da forma que acha que tem que viver, ela é violenta da forma que acha que tem que ser. É natural pra ela, é o estado eudaimônico dela. Ela vive assim como ele.
Mas… posso dar um furo jornalístico aqui [brilham os olhos dos Tapioqueiros] porque o Pipacu, ele aparece na história, mas ninguém sabe quem ele caça, como ele caça, por quê ele caça… pode ser que venha uma história que… entendeu?

TM: Opa! Rolou um teaser!
SALLES: É tipo um Star Wars reverso.

TM: “Uma história Eudaimônica”. (Risos). Pra terminar: Que quadrinho você levaria pra uma olha deserta?
SALLES: Eu não levaria um quadrinho. Não levaria quadrinho pra uma ilha deserta.

TM: Levaria o que então?
SALLES: Não levaria quadrinhos, mas pra responder a pergunta e não ser um c*zão, eu iria procurar comida numa ilha deserta porque estou com fome. Se tivesse um quadrinho na ilha eu iria queimar pra fazer fogo. Mas se fosse pra levar um quadrinho mesmo eu levaria o Garagem Hermética.

TM: Dizem que toda obra carrega um pouco do seu autor. O que tem de você na sua obra, no seu trabalho? O que você coloca que é seu?
SALLES: O que eu sinto que eu coloco em todas as obras e vou continuar colocando é que eu nunca estou satisfeito com as explicações que são dadas. Nunca.

TM: Pós-modernista.
SALLES: Pode ser. Eu nunca… por exemplo, a internet é uma coisa excelente, eu consigo sobreviver das vendas na internet, vendo original pro exterior, mas ainda sinto que não é assim que ela deveria ser. De certa forma é, mas não é assim, sabe. É uma coisa muito louca isso. Eu sou meio inconformado com formatos padronizados.

Foi assim nossa entrevista com Luciano. Foi muito interessante poder cutucar a cabeça do cara um pouco e tentar ver como sua mente funciona e como gerou tantas ideias mirabolantes pros seus trabalhos. Mal posso aguardar encontros futuros. Fica aqui nosso muito obrigado a ele e a você que leu até o fim e se quiser encontrar mais quadrinhos do Luciano Salles, basta clicar aqui e até semana que vem com a próxima entrevista do FIQ 2018.
Foto retirada do twitter da Camila Loricchio
Olá.
No dia 27 de março saiu mais uma resenha bem legal sobre meu novo quadrinho. Foi no Castelo de Cartas, um site que até então eu não conhecia. Aliás, vale a ressalva pelo site muito bem feito e com conteúdo.
Quem cuida de tudo é a Camila Loricchio que é escritora é lançou seu livro Castelo de Cartas financiado pelo Catarse. Esse é o link para você adquirir seu exemplar do livro: https://goo.gl/tXdt8x.
No site você ainda pode conferir contos da autora e outros(as) colaboradores(as).
A resenha está logo abaixo mas deixo o convite para conhecer o Castelo de Cartas. Você pode aproveitar e ler a resenha por lá!
Vamos para o texto da Camila:
“Com aquele gore simpático, um traço lindão, e a melhor dona de buteco que você vai conhecer, Eudaimonia foi mais um projeto apoiado no Catarse que adorei ler.

Sinopse: Piwl-Pa-Col é o nome de um estranho e solitário caçador que falha na tentativa de abater “uma parte” de sua presa. Ele tem apenas uma segunda chance para o sucesso de sua caçada e, não por acaso, contará com a ajuda de uma inusitada parceira chamada Luzcia, a dona de um boteco.

Luzcia é a melhor dona de bar que já vi. Ela é firmeza. Tem os problemas da idade, a bem da verdade, mas quem não os tem desde os 20 anos hoje em dia… Mas não leva desaforo pra casa nem nada.

Ela apareceu em outra hq do Luciano Salles, o autor, mas como Eudaimonia foi meu primeiro contato com a obra dele, foi também meu primeiro encontro com ela. Logo que ela aparece já chega com uns verbos em segunda pessoa magníficos, reclamando das artrites, de que vão parar de fornecer os medicamentos, e Piwl-Pa-Col (por algum motivo desconhecido) vai parar na frente do seu bar com uma segunda chance pra uma missão.

“Mas és um mentecapto, ahn? Olhes essa muralha! Agora percebas este velho poço de dores que tens no colo! Achas que vais entrar só porque tens uma segunda chance para fazer o que tem de fazerdes? És isso? Não podes falhar agora, és isso?”
Eudaimonia, Luciano Salles

A história é super rápida, você começa no fim da primeira tentativa falha de Piwl… bem, dele. E a partir daí você desce de carona alucinadamente pra tentar entender o que está acontecendo, quem são aquelas pessoas, por que ele tem uma segunda chance, por que as chaves funcionam, por que ele usa roupa de leopardo, por que tem um leopardo de verdade na capa, por que… enfim. São muitos porquês. E quando você chega ao final, nem todos os porquês são respondidos, a bem da verdade, mas não tem problema. Nenhuma das personagens está lá pra respondê-los.

Você termina o quadrinho se perguntando uma penca de coisa e querendo ver mais, tentar entender as suas dúvidas, acompanhar o depois de tudo. E isso é que é o melhor. Quando a gente relê vai pegando umas nuances, tentando entender porque tal personagem fez tal coisa… e o final. O que acontece no final?

Eu acabei com algumas teorias do depois que me deixaram querendo ver a sequência, admito haha

O traço é aquele super detalhado, que você perde tempo vendo como cada linha encaixa na outra e imergindo na história.

Enfim, Eudaimonia foi mais um projeto que ajudei no Catarse pela curiosidade e que foi bem recompensada.

EUDAIMONIA por Luciano Salles
Agora é conferir os outros trabalhos do autor e ver mais de Luzcia. haha
Aguardando um tutorial de rasga-bucho com Luzcia.”

E aí, se interessou por EUDAIMONIA? Você pode adquirir seu exemplar pela minha loja na Amazon ou clicando em cima da capa da revista.

Como sou eu mesmo que envio o livro, o mesmo vai autografado com dedicatória e um sketch na revista.

Seu comentário é sempre muito bem vindo!

Um abraço.

Luciano Salles.
EUDAIMONIA será lançada no dia 06/12/2017 na CCXP

Olá, tudo bem?

EUDAIMONIA vem recebendo algumas resenhas – o que tem me deixado bastante contente – e decidi agrupar todas neste post por ordem de publicação (das mais recentes para as mais antigas). Vale lembrar que estarei lançando oficialmente EUDAIMONIA na MESA E44 do Artists’ Alley da Comic Con Experience.

Instagram: afasiacomics

“A velocidade em que nossos olhos batem nos quadros expostos nas páginas, escaneando cada traço cada detalhe minucioso da arte primorosa que nos é apresentada, é equilibrada com o ritmo rápido, quase cinematográfico, de uma cena de ação de tirar o fôlego que a história traz.

Eudaimonia te deixa sempre com uma pulga atrás da orelha. O mistério que se revela, ao mesmo tempo, deixando mais camadas expostas, terminando com mais perguntas do que respostas…
As linhas criam um ritmo em que as formas distorcidas e surreais, se encaixam como um pequeno poema aos olhos.


Insulta-te a ti mesmo, e ao autor, olhar de forma aérea essa obra, abandona-la e guarda-la em qualquer canto da sua prateleira.
Eudaimonia, assim como qualquer obra de Luciano Salles, merece ser lida e relida sempre que possível. Quando teimar em achar que descobriu tudo sobre aquilo. Releia novamente, provaras que está errado.


Um pacote que deve ser despachado, jogado e abandonado. É largado e encontrado ao acaso por alguém que vê serventia naquela condição do destino.

Cinco anos depois, a personagem que registra a estreia do autor, no mundo dos quadrinhos autorais, volta para mais uma aventura digna da mitologia que o seu nome já cria. Luzcia, a dona do Boteco, está aqui, e está aqui para provar que o universo criado por Salles é muito mais rico e interessante do que imaginamos, desde sempre…”

EUDAIMONIA
Editora: Independente
Roteiro e Desenhos: @lucianosalles
Catarse — 2017

Luan Zuchi (canal do Youtube)

+ 1 blog de quadrinhos, por Claudio Junior

O que é felicidade? Na antiga Grécia, felicidade era relacionada com a capacidade de um ser viver da melhor forma possível, através daquilo que este foi criado para fazer. Um conceito denominado Eudaimonia, o título do quadrinho indicação de hoje, mais um fruto da prolifica de Luciano Salles.

Imagem retirada do + 1 blog de quadrinhos
Caso você ainda não tenha ouvido falar de Luciano Salles, o cara já foi indicado a três prêmios HQMIX, e é um dos meu quadrinistas nacionais favoritos. Um dos seus trabalhos, L’amour: 12oz já foi indicado aqui no blog, e você pode conferir AQUI.

Luciano ficou conhecido por sua arte característica, cheia de rugas e dobras. É o tipico artista do qual você reconhece uma obra só de bater os olhos. Além disso suas narrativas também exigem muito do leitor, dificilmente você consegue extrair tudo do quadrinho na primeira leitura, ás vezes nem numa segunda, mas no final você sempre se surpreende com o resultado.

Partindo da bagagem e fanbase adquirida com seus quatro trabalhos anteriores (Luzcia: dona de buteco, O Quarto Vivente, L’amour: 12oz e Limiar: Dark Matter) Salles partiu para um financiamento coletivo para custear Eudaimonia. O processo de financiamento foi um sucesso, e sinceramente foi um dos mais organizados dos quais eu já participei.

A história do quadrinho gira em torno de um personagem bem esquisito, vestido de leopardo, e de nome mais esquisito ainda: Piwl-Pa-Col. O protagonista, um caçador, tem uma segunda chance para conseguir abater sua presa, e nessa caçada contará com a ajuda de uma antiga personagem de Luciano Salles, Luzcia, a velha dona do boteco.

Diferente de seus últimos três trabalhos, Eudaimonia é um quadrinho mais curto, de 32 páginas, que juntamente com o ritmo mais frenético de narrativa, cheio de ação, faz com que a leitura aconteça de forma rápida, como o bote de um caçador.

Com personagens extremamente cativantes, e uma trama não tão “aberta”, este talvez seja o quadrinho mais acessível de Luciano, que mostra versatilidade, ao trazer algo, mais uma vez, diferente de tudo o que já tinha feito.

O autor optou por um quadrinho em PB desta vez, e esse contraste ajudou a realçar sua arte e mostrar sua evolução quanto artista desde seu primeiro trabalho, que também segue essa paleta de preto e branco, mas com alguns tons de amarelo.

Suas rugas, entranhas e “caras feias”, estão mais lindas do que nunca, e fazem com que o leitor tenha vontade de parar em cada página, para apreciar os mínimos detalhes de cada desenho.
Fica cada vez mais difícil achar qualquer problema em um trabalho de Luciano Salles, é incrível poder acompanhar a evolução de um artista tão singular e completo. Talvez a única coisa seja essa vontade de “quero mais”, mais uma viagem por esse “Lucianoverso”, mais histórias destes personagens tão bacanas.

Se você ainda não tinha tido a oportunidade de conhecer o trabalho deste incrível autor, agora é a hora! Não perca mais tempo. Eudaimonia será lançada oficialmente na CCXP 2017, mas já estará a venda na loja virtual de Luciano Salles à partir do dia 06/12.

Assim como Luciano, eu também estarei na CCXP deste ano, conferindo os novos lançamentos e trazendo uma porrada de quadrinhos pra casa, que com certeza irão dar as caras por aqui logo logo.
Se você também pretende ir para a Comic Con Experience, aproveite a oportunidade visite o Artists’ Alley, converse com os autores, conheça novos artistas, compre os produtos e ajude a fomentar o mercado nacional de quadrinhos!

Por hoje é isso, muito obrigado!

Chapéu do Presto (Canal do Youtube) por Presto Gaudio
Resenha do início do vídeo até 4’33”

É isso. Se estiver na CCXP, conheça EUDAIMONIA na mesa E44.
Um abraço!

Luciano Salles

Hoje, dia 25/09, faz 15 (quinze) dias que começou minha campanha de financiamento coletivo no Catarse, para imprimir meu novo quadrinho. Durante esses dias pude mensurar alguns números e confirmar outros dados que já havia percebido mas não constatado. Ao final da campanha vou fazer novamente uma outra postagem arrematando os números e corrigindo algumas defasagens que as curvas podem apresentar. Ressalto que aqui me refiro ao financiamento coletivo.
Vou enumerar por itens para facilitar a leitura:
1. A plataforma do Catarse é uma excelente ferramenta se você pretende, e não sabe como, mensurar seu provável publico leitor. É claro que isso deve ser entendido como uma amostragem pois muitos leitores preferem não apoiar uma campanha de financiamento coletivo mas comprar o material já lançado, pronto, impresso e sem promessas de entrega. 
2. Faz algum tempo que queria avaliar (através das minhas HQ), o número de leitores que um quadrinho independente tem de poder de captar. A resposta é que esse número é muito baixo e posso parametrizar isso no próximo item.

Faço aqui um outro adendo: o de não inclui trabalhos independentes com tiras publicadas na internet e depois compiladas em forma de um álbum. Acredito que as tiras tem sempre um grande público até por uma carga histórica.
3. *ITEM EDITADO: Através de dois comentários nesta postagem, edito e reavalio o número de visitantes versus o número de apoiadores. O amigo Douglas Braz e o camarada Rafael Olivato afirmaram que eles mesmos, apoiadores da campanha, entram diversas vezes para ver a quantas anda o financiamento. Esse fato contabiliza mais uma visita sendo que eles já apoiaram. Imagino que muitos podem fazer isso. Com certeza, meu irmão Murilo Nunes, deve fazer a mesma prática 15 vezes por dia.

Assim, esse índice do número percentual de visitantes apoiadores não condiz com a realidade. Logo abaixo, em itálico, deixo o texto original do item 3. Agradeço ao Xexéu e ao Rafael Olivato por me alertarem sobre esse tal índice!

TEXTO ANTES DA EDITAÇÃO: O índice percentual de visitantes apoiadores – que vou chamar pela sigla PVA – é incrivelmente baixo. Essa imagem que inseri é um print que fiz ontem (domingo) dos números do PVA do meu projeto. O índice de penetração de 6,55% é algo extremamente pequeno. Não tenho como saber o índice final desse PVA entretanto vou replicar aqui no blog quando o tiver.

Print do índice de PVA
Para ser extremamente claro: dos 2.047 visitantes que a página da campanha recebeu, apenas 134 apoiaram o projeto, o que dá um percentual de 6,55%!
4. Qual será o público que eu tenho? Até onde meus quadrinhos chegaram ou ainda chegam? Minha distribuição está sendo suficiente e eficiente? Eu consigo competir com a distribuição de uma editora? Sempre penso nessas perguntas e esse financiamento, até o momento, já me deu algumas respostas e me fez rever toda logística de distribuição para EUDAIMONIA
Print dos apoiadores do Catarse de EUDAIMONIA por estado do Brasil
Não tenho problemas em abrir qualquer número aqui, seja você um(a) quadrinista, leitor(a), editor(a), organizador(a) de um evento ou o que quer que faça. Inclusive, acho de bom tom abrir esses números pois é um dado que nós quadrinistas nunca sabemos exprimir.
Olhando a tabela ao lado, é nítido que meu público leitor é basicamente do estado de São Paulo, mesmo levando em consideração a concentração e densidade demográfica do estado. Você pode conferir a discrepância entre os percentuais.
5. Algo que se destacou: o público na internet é claramente reativo. Simples assim. Explico: mesmo eu publicando no meu blog que estou com um financiamento coletivo de nada adiantará se eu não informar as pessoas através das redes sociais. Mensagens diretas, seja por qual rede social que puder imaginar, também garante com uma probabilidade maior, um novo apoiador. E é por isso que uso o termo “reativo”. E sobre esse ponto, Paulo Ramos, um grande estudioso do quadrinhos nacional, escreveu sobre.

Disponibilizo aqui o link e a imagem de uma postagem que o Paulo Ramos publicou no seu Facebook exatamente sobre isso. Leia o post e os comentários: 

Imagem retirada do perfil público do Facebook de Paulo Ramos

6. Estar com uma campanha de financiamento coletivo é ter que divulgar todos os dias, de forma não invasiva, sem “soar” como spam e principalmente, sem ser chato. Como fazer isso? Sinceramente não sei. Estou aprendendo e se de alguma forma eu fui invasivo e chato, peço desculpas.

7. Aproveito o post para deixar o link do Catarse do meu novo quadrinho EUDAIMONIA: https://www.catarse.me/eudaimonia
Conheça o projeto, apoie e compartilhe com seus amigos!

Muito obrigado pela leitura e por acompanhar o blog. Seu comentário é sempre muito bem vindo.

Um abraço.

Luciano Salles.

Olá, tudo bem?
Nas quatro sextas-feiras de outubro estarei em Ribeirão Preto para coordenar uma oficina de introdução aos quadrinhos independentes no SESC. Serão encontros para quem já produz, quer produzir, para quem se interessa pelo assunto ou qual seja sua relação com os quadrinhos.
Oficina de introdução aos quadrinhos independente no SESC Ribeirão Preto nos dia 06, 13, 20 e 27/10.
A oficina será limitada a 20 (vinte) vagas por isso não perca tempo e faça sua inscrição! Como será em um formato diferente do que sempre acontece, nestes quatro encontros será valido a apresentação de trabalhos em andamento dos oficineiros, apresentação de portfólios e muita troca de ideia além da apresentação do conteúdo proposto.

Nos vemos nas sextas-feiras de outubro das 19h30 às 21h30.

Um abraço e até lá.

Luciano Salles.

Capa de EUDAIMONIA por Luciano Salles e
Marcelo Maiolo.

Olá, tudo bem?

Hoje, às 12h, começou minha primeira campanha de financiamento coletivo! Escolhi a plataforma do Catarse para lançar meu novo álbum em quadrinhos e este é o link direto para você conhecer, apoiar e garantir sua recompensa: https://www.catarse.me/eudaimonia
EUDAIMONIA conta a história de Piwl-Pa-Col, um estranho e solitário caçador que falha na tentativa de abater “uma parte” de sua presa. Ele tem apenas uma segunda chance para o sucesso de sua caçada e, não por acaso, contará com a ajuda de uma inusitada parceira chamada Luzcia, a dona de um boteco.

A revista terá 32 páginas impressas em papel pólen bold LD 90g/m², capa em papel cartão TRIPLEX LD 330g/m² colorida pelo incrível Marcelo Maiolo e tamanho 17cm x 26cm. Nessa HQ volto a trabalhar em branco e preto, além de tons de cinza.

Clicando aqui, você será direcionado para a campanha no site do Catarse e poderá conferir algumas páginas do quadrinhos e muito mais detalhes sobre o projeto!

Até decidir definitivamente que iria fazer um financiamento coletivo, já tinha estudado muito a plataforma. Baixei PDFs, vídeos, analisei muitas campanhas que foram sucesso ou um incrível sucesso, as que não conseguiram atingir a meta, estudei campanhas que tiveram reclamações para tentar minimizar os possíveis erros que eu possa vir a ter.

A campanha terá um curto prazo de 40 (quarenta) dias, recompensas simples e sempre com foco principal no quadrinho. Procurei fazer assim pois faço tudo sozinho e não quero que aconteça nenhum tipo de atraso.

Conto muito com o seu apoio escolhendo a recompensa que mais achar legal, como compartilhando esse meu primeiro Catarse entre seus amigos. Penso que ainda tem muita, mas muitas pessoas que não conhecem meu trabalho e por isso, neste momento, sua ajuda é fundamental.

Se essa é a primeira vez que você entra no meu blog, seja muito bem vindo! Se você é um visitante frequente, muito obrigado pela sua fidelidade.

Deixe seu comentário logo abaixo que em breve respondo. Observação: Agora os comentários funcionam com você logado no Facebook!

Muito obrigado!

Luciano Salles.

EUDAIMONIA por Luciano Salles
EUDAIMONIA, a nova HQ de Luciano Salles

Olá, tudo bem?

Se você acompanha o blog pode estar confuso e se perguntar: “mas a nova HQ não se chamava ELA”?

Explico melhor: estou trabalhando em duas HQ ao mesmo tempo. ELA é uma revista longa, de 136 páginas ou mais e que tomará um bom tempo de produção. Como quadrinista independente, penso que um trabalho longo assim deve ser intercalado por outras publicações até pelo fato de precisar sobreviver a partir de outros trabalhos remunerados. Além de querer manter em segredo, o máximo possível, EUDAIMONIA pois, esta sim, será lançada em 2017.

Mas vamos ao que interessa nesta postagem! EUDAIMONIA será lançada no dia 07 de dezembro, na abertura da Comic Con Experience. É o primeiro trabalho que lanço em um evento de quadrinhos e estou ansioso para isto! Aliás, estou na CCXP graças ao apoio cultural da Escola Pueri Domus Araraquara e a World Game.
Agora, neste exato momento, estou com 91,30% das páginas desenhadas e prontas. Tão logo terminar os 100% das páginas e a capa da revista, devo anunciar sinopse, produção, valor e outros detalhes com o lançamento do teaser da revista. Algumas imagens e vídeos deste trabalho inseri no meu Instagram. São todas as que estão ilustrando este post e que você pode conferir logo abaixo.

Seu comentário é sempre muito bem vindo!

Um abraço.

Luciano Salles.

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Imagem retirada do Iradex

Olá, tudo certinho?

Nunca havia participado de um podcast até o receber o convite do Pedro PJ Brandão, que comanda o HQ sem roteiro, que agora fica dentro do site do Iradex. Assim, fui conhecer o programa, gostei bastante e marcamos para gravar. Conversamos sobre praticamente tudo desde que comecei a fazer quadrinhos. Falamos desde o horário que acordo até meus quadrinhos, como escrevo os roteiros, meu traço, conversamos sobre o tempo, ilustrações e muito mais! Fiquei contente com o resultado e deixo aqui o convite para você ouvir o programa.
Copiei o texto de introdutório do podcast, incorporei o áudio aqui no blog e deixo o link para, se preferir, ir direto até o Iradex e conhecer todo o conteúdo que eles mantêm ali!

Texto retirado do podcast HQ sem roteiro – Iradex
“O Tempo de Luciano Salles.

O tempo é muito importante para Luciano Salles. O quadrinista paulista sabe exatamente qual dia, mês e ano pediu demissão do seu trabalho como bancário para se dedicar exclusivamente ao trabalho com ilustração e HQs. Vendeu a moto que tinha e usou todo o dinheiro para imprimir os exemplares de seu primeiro quadrinho em cores, O Quarto Vivente, em 2013. De lá pra cá, lançou também L’Amour 12oz, em 2014, e Limiar: Dark Matter, em 2015.
O traço característico de Luciano talvez só não seja mais marcante do que suas tramas complexas, repletas de cortes temporais e multinarrativas que se intercalam. São quadrinhos que desafiam. Assim como o tempo. É sobre tudo isso e muito mais que Pedro PJ Brandão conversa com Luciano Salles no HQ Sem Roteiro Podcast dessa semana. Pode por suas luvas de boxe e subir no ringue”.
Seu comentário é sempre muito bem vindo.
Um abraço,
Luciano Salles.