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Dette, a protagonista de história em quadrinhos ELA, de Luciano Salles

Olá, tudo bem?

Continuo as atualizações com os informes sobre minha nova HQ. Sigo a numeração de ELA [informe 01]. Vamos lá!

7. O item 6 (seis) da postagem anterior, diz: Reparou que não coloquei imagem com desenho neste post? Essas imagens só bem mais pra frente”. Pois bem, decidi mudar o andamento de algumas coisas e por isso você já está conferindo estas duas imagens do quadrinho.

8. Todas as diretrizes para a impressão da revista já foram tomadas e com isso já consegui orçamentos para conhecer os reais valores das gráficas.

9. O desenho em preto e branco tem me tomado bastante tempo.

10. Desenhar as páginas de ELA tem me deixado bastante contente exatamente pelos desafios que esse contraste impõe. E esse estímulo tem me levado a cuidar de cada linha traçada.

11. Este vídeo, em velocidade acelerada, é do quadro 4, inserido na página 03.

12. Recebi de um editor o interesse em publicar ELA. Gostei da a proposta.

13. Ainda não decidi como a revista será publicada e não tenho pressa para isso. Ter opções me deixa tranquilo.
14. Já revelei a sinopse de ELA no informe 01, mas repito aqui caso não tenho lido:
“Dette é uma jovem lutadora de artes marciais. Após uma derrota inesperada e análises de exames pós luta, foi informada pela sua equipe que não poderia mais lutar profissionalmente. Ao procurar ajuda especializada, encontra mais do que um problema de saúde. Dette e sua médica descobrem um obscuro torneio anual de artes marciais onde não há regras para os combates e tudo é permitido. Doutora e paciente vão para o torneio com a esperança de poder tratar a doença de modo não convencional perante os formais conselhos de medicina”.
E é isso, camarada! Estou muito contente e bem feliz com o andamento do quadrinho. Estou curtindo bastante desenhar cada página. Acho que isso é o fundamental para eu continuar fazendo o que faço. Quando esse sentimento desaparecer, com certeza meus quadrinhos desaparecerão junto.
Espero que tenha gostado das imagens e do vídeo! Deixe suas impressões, dúvidas, o que achou dos desenhos em PB, comentários ou o que quiser me dizer. Você será respondido ?
Um abraço!
Luciano Salles.
ELA by Luciano Salles
ELA é o nome da nova história em quadrinhos de Luciano Salles, ainda sem data de publicação

Olá, tudo bem?

Como fiz em L’Amour: 12 oz e em Limiar: Dark Matter, pretendo manter a prática de atualizações enquanto produzo meu novo quadrinho ELA. Farei o texto enumerando os detalhes para assim dar sequência nas próximas novidades. Lembrando que qualquer dúvida e questionamento é só colocar nos comentários.

Vamos lá:

1) Sinopse:

Dette é uma jovem lutadora de artes marciais. Após uma derrota inesperada e análises de exames pós luta, foi informada pela sua equipe que não poderia mais lutar profissionalmente. Ao procurar ajuda especializada, encontra mais do que um problema de saúde. Dette e sua médica descobrem um obscuro torneio anual de artes marciais onde não há regras para os combates e tudo é permitido. Doutora e paciente vão para o torneio com a esperança de poder tratar a doença de modo não convencional perante os formais conselhos de medicina.
2) A revista terá 136 páginas de história e como já recebi o roteiro revisado, fico tranquilo e em paz para começar o processo dos desenhos.
3) Como há tempos queria, a revista será em preto e branco.
4) Eu não participarei de nenhum evento de quadrinhos em 2017 e no primeiro semestre de 2018.
5) Desta vez não colocarei uma data de publicação para a HQ.
6) Reparou que não coloquei imagem com desenho neste post? Essas imagens só bem mais pra frente.

Espero que esteja ansioso(a) por ELA. Deixe seus comentários, dúvidas e questionamentos que em breve respondo.

Um abraço!

Luciano Salles.

Olá camarada, tudo bem?
Novas plataformas online de leitura para quadrinhos tem surgido. Aplicativos e sites procurando o melhor para o leitor. Entre essas, o Social Comics com sua organização me ganhou e disponibilizei para leitura minha HQ Quarto Vivente.
Este é meu segundo trabalho em quadrinhos lançado em 12 de Agosto de 2013 e que em 2014 concorreu ao 26º Troféus HQMIX como Publicação Independente Edição Única e eu como Novo Talento – Desenhista.
Tenho muito carinho por essa revista pois foi ela que me inseriu no universo dos profissionais que produzem quadrinhos Brasil. Ela até ganhou uma Análise e Interpretação em uma pauta que está alocado no site do Pipoca e Nanquim. Leia esse texto aqui!
Assim, se você não tem O Quarto Vivente, faça sua leitura no Social Comics e se gostar pode garantir seu exemplar autografado diretamente pela Loja Online aqui mesmo do blog.
Grande abraço!
Luciano Salles
‘Limiar: Dark Matter’ de Luciano Salles

Olá, tudo bem?

Vamos as novidades sobre meu novo quadrinho que terá o nome de Limiar: Dark Matter. O primeiro Limiar: Dark Matter [Novidades 01] foi publicado em 06/03/2015 e você pode conferir essa postagem por aqui!

Seguindo a sequência numérica:

09. Hoje estou desenhando a página dupla 30 – 31, o que significa que já desenhei, arte-finalizei e fiz todo letreiramento de 66% da HQ. Preciso apertar o passo pois o teaser será lançado em 04 de junho de 2015.

‘Limiar: Dark Matter’ de Luciano Salle

10. Ainda não defini que pretendo convidar para escrever os textos do prefácio, posfácio e das orelhas da HQ. Tenho alguns nomes e é bem provável que no começo de maio faça os convites.

11. Já tenho alguns lançamentos agendados fora do estado de São Paulo e isso é demais!

12. O revista será uma publicação independente. Aqui faço uma ressalva que escolher essa modalidade foi uma decisão minha e nada contra a editora MINO que lançou L’Amour: 12 oz. Muito ao contrário. A MINO é uma editora fantástica, que prima muito pela suas obras e autores. Tenho um profundo respeito e admiração pelos responsáveis pela editora além de uma gratidão e honra em inaugurar suas publicações. Nada impede de um novo trabalho – após Limiar: Dark Matter – ser negociado e lançado novamente pela MINO.

13. Hoje revelo dois recortes da HQ. Espero que goste.

14. As cores, a princípio serão feitas por mim. Uma boa prosa já aconteceu com o Maiolo, mas nada é certo. O que é certo é que as cores do Maiolo são sempre impressionantes e valorizam e muito o desenho de qualquer desenhista mas ainda há tempo para isso ser decidido e muito depende também das janelas de tempo que o ele venha a ter.

15. A história que conta Limiar: Dark Matter encerra, de modo subjetivo, o que abri em O Quarto Vivente. Também acredito que você que leu O Quarto Vivente e L’Amour: 12 oz sentirá de alguma forma uma conexão em diferentes intensidades pois cada palavra e desenho toca de forma íntima e peculiar cada leitor.

Fico por aqui. Um grande abraço!

Luciano Salles.

[Quadrinhando] Briga de peso-pesado

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O amor chega como um nocaute inesperado, tornando vitorioso aquele que vai à lona e por lá permanece após dez segundos. Por mais que amor e tempo sejam cúmplices, o primeiro nunca está satisfeito com o segundo, e o segundo tem mil e uma artimanhas para driblar o primeiro.

No álbum L´amour: 12 oz (64 páginas, colorido, R$ 37), título inaugural da Editora Mino, Luciano Salles brinca com esses conceitos ao materializar o tempo como um hábil corredor que abruptamente se apaixona por uma mulher (mas cujas asas desenhadas nas costas de seu moletom e seu trabalho de observar as pessoas de longe levem a crer se tratar de um anjo). No mesmo instante em que o amor chega para o corredor, a mulher sente a presença de algo que ainda não sabe o que é. O corredor, então, muda seu trajeto e passa a circular pelos locais nos quais essa mulher está: sua casa (onde mora seu avô – um ex-boxeador que passa o resto da vida cuidando do seu amado que ficara doente) e a discoteca na qual trabalha. As histórias desses quatro personagens vão se ligar num entrelaçamento de passado e presente, mostrando que embora o amor às vezes se perca no tempo, e o tempo se deixe conduzir pelo amor, o importante é saber desfrutar o sentimento pelo tempo que for possível.
Luciano Salles é realmente um quadrinista singular. Com L’Amour: 12 oz ele afirma que está disposto a seguir contando histórias originais, e mostra um amadurecimento em relação ao seu trabalho anterior, O quarto vivente. Aqui, ele criou uma anti-trama redondinha, com um cuidado todo especial ao construir as narrativas no vai-e-vem do tempo, tanto em imagens quanto no texto, intrigando o leitor e convidando-o a reler o álbum para captar suas nuances.

L’Amour: 12 oz se completa com as participações especiais de Gustavo Duarte, Rafael Albuquerque e Marcelo Braga, os quais assinaram as ilustrações que abrem os capítulos, e do colorista Marcelo Maiolo.

Destaque também para o pósfácio de Paulo Ramos, que entrou na brincadeira do Luciano e “embaralhou” seu texto no tempo e no espaço.

Olá camarada, tudo certo?

Ontem saiu uma resenha muito bem escrita e interessante sobre L’Amour: 12 oz no site Impulso HQ. Aos poucos, as resenhas vão aparecendo e fico feliz com o resultado que a revista vem alcançando. Para comprar a HQ autografada é só entra na Loja Online.

Aqui no blog está todo o texto mas fica o convite para ler a resenha no site Impulso HQ e conferir ali mais detalhes e muita informação top sobre cultura pop.

Grande abraço.

Luciano Salles.

Resenha HQB: L’Amour: 12 oz

       19 de fevereiro de 2015 Resenha HQB: L’Amour: 12 oz2015-02-18T19:00:47+00:00    resenha hqb     No Comment





Em uma entrevista Luciano Salles fala de suas influências: Frank Miller e Moebius. Ao ler seu álbum L’Amour: 12 oz isso fica muito claro no seu bonito traço e na história, que pode estar se passando em algum distante pequeno planeta, ou na terra em um futuro incerto.

L’Amour: 12 oz é o primeiro lançamento da Editora Mino, porém, é o terceiro trabalho solo de Salles, que chamou atenção do mercado editorial de quadrinhos com a publicação independente O Quarto Vivente, lançada em junho de 2013.
E por que as HQs de Salles chamam tanta a atenção? Fora o seu belo traço, que possui uma personalidade própria, a resposta mais completa está na deliciosa, porém não fácil tarefa, de ler as suas histórias. Como muito bem adverte Sidney Gusman em seu prefácio, a obra merece uma atenção especial. Você precisa se dedicar à leitura de Salles.
E não é só a leitura de Salles que você tem que se dedicar. Você tem que compreender o tempo de Salles. Tanto em O Quarto Vivente como aqui em 12 oz, você percebe o total domínio do autor sobre a narrativa e o tempo que ele quer contar a sua história. No final, não se surpreenda se, na sua primeira leitura, você terá que reler a obra para entender certas passagens. E isso é fabuloso, principalmente quando você cair em si de que o tempo que se passa a história é o mais relativo.
Se o tempo é relativo, a importância dos fatos vistos de outra perspectiva também são. O seu grande amor é sua vizinha, você cruzou com seu grande amor na rua, conheceu seu grande amor dançando em uma boate, ou ao olhar para a plateia, antes de ter seu nariz amassado por um poderoso soco aplicado pelo seu oponente no ringue, viu o grande amor da sua vida sentada ali. E em todas essas situações, ninguém viu o seu grande amor.
Você vai matar, se matar ou brigar por seu grande amor. Parece que o tempo parou quando você descobre o seu grande amor. Mais uma vez, repito, o grande poder de Salles é fazer você sair do tempo ao ler L’Amour: 12 oz.
Aliás, a HQ de Luciano Salles me fez lembrar um livro que li no final dos anos 70, “O Homem de Fevereiro ou Março”, de Rubem Fonseca. Procurem. Leiam.
Há pouco revi alguns filmes de um diretor que gosto muito, Nicolas Roeg. Escrevendo sobre o personagem do filme “Inverno de Sangue em Veneza”, Roger Ebert diz “o espectador fica com a incerteza de John Baxter quanto às conexões entre o que vê, o que existe, o que existirá e o que não existe.”. Em outro trecho ele fala da famosa cena de sexo do filme “há algo comovente que ultrapassa a razão em um filme que se ocupa do tempo, esta sequência insiste que o futuro está contido no presente que tudo passa, inclusive o êxtase”.
L’Amour: 12 oz tem esse poder de ser comovente. É uma HQ impactante, tanto pela arte como pela narrativa. Você irá sair do seu tempo, tão rápido que nem a entrada do texto por Audaci Junior para a edição:
“Punho em rotação para o jab, cruzado de esquerda, de direita… Soa o gongo!”
Para ler, reler, pensar no tempo e no amor.
L’Amour: 12 oz
Editora Mino
Roteiro e Arte: Luciano Salles
Cores: Marcelo Maiolo
64 páginas
R$ 37,00
Essa seria a capa de L’Amour: 12 oz.

Olá camarada, tudo bem?

Depois de mais de dois meses do lançamento de L’Amour: 12 oz com eventos, viagens, encontros e bate-papos, muito amigos virtuais se materializando e fazendo novas amizades, revelo aqui, apenas por curiosidade, a capa que não foi.

No último momento antes de enviar a revista para impressão, já conversando com os editores da MINO, houve da troca da capa da HQ, que sinceramente, achei que ficou melhor.

Se notar, na primeira capa, vai perceber que a revista ainda não tinha editora e faço com os cadarços das luvas uma referência diferente ao da capa que ficou. Repare também que coloquei um par de luvas entretanto, com duas mãos esquerdas.

É isso, grande abraço!

Luciano Salles.

A capa que ficou.

Olá camarada, tudo bem? Um excelente e generoso 2015 para você!

Primeiro post de 2015 e com um lance bem massa!

O curta-metragem Luzcia, a Dona do Boteco, uma adaptação homônima da minha primeira HQzine, ainda não foi liberado pois o cineasta e diretor mais o pessoal da produção estão estudando uma distribuição para o filme e inscrevê-lo em Festivais de Curta-metragem.

Enquanto isso, o making of do filme foi liberado, o que é muito legal e você pode assistir agora!

Se ainda não viu o teaser do curta:

E se ainda não leu a HQzine, clique aqui!

É isso, camarada!
Grande abraço e depois do segundo semestre, minha nova HQ deve ficar pronta!

Luciano Salles.

Olá, camarada, tudo certo?

Como você deve saber, lancei minha nova HQ L’Amour: 12 oz através da Editora MINO no dia 05 de novembro de 2014. E, devagar, as resenhas começam a aparecer. Hoje fui surpreendido pela linda resenha no Terra Zero escrita pelo Felipe Morcelli.

Confira toda resenha por aqui ou corra lá para o site da Terra Zero que é foda!

Grande abraço!

Luciano Salles.

HQ Brasil: L’Amour 12 oz de Luciano Salles

Postado em 19/12/2014, por Morcelli // em: DestaqueEspeciaisHQ Brasil // 0 comentário(s)

O amor pode bater forte. Tão forte quando o soco de um pugilista direcionado exatamente no meio do seu rosto. Luciano Salles, um expoente cada vez maior dentro dos quadrinhos independentes nacionais, criou uma obra tão sutil e densa quanto as nuances do amor e não economizou em detalhes narrativos visuais como economizou nas palavras, por exemplo. Ler “L’Amour 12 oz” não é uma tarefa fácil, pois trata-se de um quadrinho interativo, ou seja, ele requer que o leitor realmente participe daquela história para absorver algo e interpretá-la de forma pessoal. A introdução de Sidney Gusman (Editor da MSP) deixa claro o que o leitor tem em mãos: uma história incomum e desafiadora.
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Durante a leitura de tempo indeterminado, o leitor claramente vai entender que “L’Amour 12 oz” é de fato uma história de amor, mas nada piegas, como o próprio autor definiu num bate-papo com o Terra Zero durante a Comic Con Experience. E não será impossível para quem tiver a obra em mãos se reconhecer em algum dos personagens. São pessoas comuns passando por situações comuns (alegres e trágicas) da vida numa continuidade nada convencional proposta pela subjetividade narrativa de Luciano. Aliás, é interessante notar como o texto é cheio de simbolismo enquanto a arte não tem esta discrição toda. Ao contrário, ela bate tão forte quanto o golpe de um pugilista no rosto do leitor e o pega de assalto a cada virar de página.
Há muitas formas de se entender a história de “L’Amour” e uma das principais é compreender que, assim como na vida real, as dores do amor estão presentes na vida de qualquer um. Qualquer pessoa, por mais sensível ou viril que seja, está sujeita a bater com ele ou apanhar dele. Não é como se a história passasse uma lição de vida para o leitor. Longe disso. Mas ela o chama para o ringue, o chama para participar de um processo comum na vida de qualquer um: as idas e vindas do amor.
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Há alguns fatos curiosos a serem notas sobre este grande lançamento de Luciano. Primeiramente é notável a diferença de colorização entre “L’Amour” e seus trabalhos anteriores. Isso não é à toa. Ninguém menos que Marcelo Maiolo (“Green Arrow“, “Green Lantern Corps“) foi responsável pelas cores, assim como há intervenções matadoras de Gustavo DuarteRafael Albuquerque e Marcelo Braga. Elas não fazem parte direta da narrativa da história, mas certamente respeitam seu conceito mais básico: pegar o leitor de assalto como numa luta de boxe.
Como não podia deixar de ser, o Terra Zero bate um papo rápido com Luciano Salles para que ele fale desta sua mais nova obra, o primeiro lançamento da recém fundada editora MINO.
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Entrevista
Luciano, como foi a negociação para que seu mais novo álbum, “L’Amour 12 oz”, fosse o primeiro lançamento da MINO? Como você se sentiu ao saber que estrearia a editora?
A negociação foi bem tranquila. Eu tinha toda a HQ pronta quando a MINO entrou em contato. Conversamos e tudo se acertou bem rápido. A editora tem pessoas que confio e desta forma, fechei com eles.
Agora, ter o meu trabalho inaugurando as publicações da Editora, foi algo que me deixou extremamente honrado. A MINO deixou claro que vai trilhar por publicações que tenham uma personalidade tanto de traço quanto de narrativa e isso pode ser conferido na página da editora. Sabendo disto e sendo convidado para inaugurar as publicações da editora? Camarada, fiquei feliz demais. Ainda mais sabendo o que está por vir, com trabalhos de renomados quadrinistas brasileiros. Puxa vida…
Durante a Comic Con Experience, você contou ao site que queria fazer uma história de amor depois de “O Quarto Vivente”. Por quê?
Eu tinha a história em fragmentos na minha cabeça antes mesmo de publicar O Quarto Vivente. Entretanto, depois de publicar O Quarto Vivente, eu sabia que tinha que escrever uma história de amor. Não uma história com ensejo piegas ou melosa. Tinha que ser uma narrativa que trouxesse o amor como foco.
Com L’Amour: 12 oz consegui o que queria. A falta de afetividade em O Quarto Vivente, me obrigou a utilizar o tema. Foi alguma coisa que tinha que ser feito.
Você diria que o amor bate tão forte quanto o golpe de um pugilista? Seria o amor capaz de fazer sentir e de infligir dor (tanto a nível sentimental como a nível físico)?
L’Amour: 12 oz não é uma teoria sobre o conceito do amor. Ali, retrato o amor de um antigo pugilista. O que trato tanto como o amor na HQ é a questão do tempo, do peso do tempo, do conceito termodinâmico do tempo e de como o tempo tem velocidades diferentes para cada um. Tudo isso, sempre entrelaçado ao tema amor.
O lance do pugilista, do boxe é que desejava usar uma metáfora para o máximo da virilidade de um homem para contrastar com a história.
Agora o amor, assim como o tempo, age de forma variadas para cada um. Para alguns pode bater tão forte como um peso pesado.
Tomando os personagens de “L’Amour 12 oz” como exemplo, você diria que o amor é imortal, mesmo que passe por momentos diferentes como, por exemplo, o envelhecimento das pessoas?
O amor na revista se transforma com o tempo nele aplicado. O amor é algo mutante, que se aprimora, se desenvolve e que como nós, deve ser alimentado. Não obedece métricas ou compassos. Ele reage apenas com o tempo. Andam juntos. Assim, na HQ, o amor acompanhou o velho pugilista e moldou as suas necessidades. Assim como com os outros personagens, que são sobressaltados com o mesmo sentimento, juntamente com o tempo.
Por que fazer uma história com tantas quebras narrativas e temporais? A não linearidade é seu estilo pessoal de fazer quadrinhos?
Acho que isso tem acontecido naturalmente. Confesso que escrevi o roteiro de L’Amour: 12 oz do jeito que sentia que o mesmo deveria ser escrito.
O tema me permitia isso. Falo de amor e tempo, o que pra mim são temas que não obedecem literalmente uma ordem. Por isso a quebra da narrativa.
E aliás, há duas linhas narrativas que correm na HQ. Uma para cada casal. Uma cronológica e outra não. O detalhe é que usei o mesmo texto para as duas histórias.
Então, não acredito que a não linearidade seja um estilo meu para fazer quadrinhos. O que acredito é que uma HQ não necessita ser estritamente linear.
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Explique como surgiu a ideia de ter Marcelo Maiolo como colorista de seu projeto e, é claro, como foi ter um trabalho seu colorido por outra pessoa.
Em 2013, o Marcelo Maiolo, coloriu um Hulk que eu havia desenhado. Quando recebi o Hulk colorido fique espantado. Achei que as cores havia combinado muito com o meu traço. Aliás, achei que havia valorizado e muito meu desenho.
Acho que quando estava desenhando a página 30 da HQ, ou algo assim, tive esse estalo. Pensei comigo mesmo que poderia arriscar e convidar o Maiolo para colorir a HQ. Lógico que sabia dos títulos que o cara é responsável, mas mesmo assim arrisquei. O máximo que poderia ouvir seria um sonoro não.
O melhor de toda essa história é que o Maiolo aceitou colorir a revista. Agora ver meu trabalho colorido pelo Maiolo é incrível. Sempre fui fã das cores do camarada e ele ouviu sobre como gostaria que as cores fossem. Elaborou uma paleta com poucas cores e acertou de primeira!
Ter seu trabalho colorido pelo Maiolo é como entregar um fusquinha para ele e ele poliu, poliu, poliu até virar um Porsche (risos).
Você tem se estabilizado como um profissional em constante ascensão no mercado, e com um grande diferencial: não trabalhou com as majors americanas e produz seus próprios álbuns de forma autoral e independente. Por que resolveu trilhar este caminho? Você já pensou em trabalhar para aluma major americana em projetos especiais?
Fico muito honrado em ouvir tantos elogios nesta pergunta. Muito obrigado!
Esse caminho é o mais natural para mim. Acredito que o fato de antes de fazer quadrinhos eu ter trabalho por quase 20 anos com normas, regras e um disciplina extremamente rígida, tenha me induzido a liberdade que prezo ao meu trabalho como quadrinista. Acho que nunca me imaginei fazendo um trabalho para alguma major norte americana. Fico imaginando onde me traço se encaixaria. Onde? Como seria? Entretanto, nunca recebi proposta alguma. Se algum dia receber, com certeza vou analisar com carinho. Nunca fecho porta alguma.
Mas, intimamente, eu sempre gostei de fazer tudo sozinho. Sempre gostei de ‘do it yourself’. Foi assim com minha primeira HQzine, Luzcia, a Dona do Boteco. Foi assim com O Quarto Vivente e foi assim com L’Amour: 12 oz, que a editora MINO apareceu quando praticamente a revista estava pronta.
Só tenho que ressaltar que tenho um grande camarada, amigo e parceiro que lê todos os meus roteiros, corrige e faz a revisão. Além de eu enviar todas as páginas enquanto vou produzindo a revista. Esse cara é o Daniel Lopes, apresentador do Pipoca e Nanquim. Ele é de minha extrema confiança e desta forma, sem o aval dele, nada será feito.
Não tenho problemas em trabalhar com editores. Considero o Daniel Lopes como um editor que tenho o privilegio de ter. Ele sugere, eu analiso e eu aceito.
Agora voltando ao assunto majors. Nunca recebi convite algum. Se algum dia receber, ficarei feliz em poder analisar e quem sabe…
Seus álbuns têm recebido grandes elogios e ótima receptividade aqui no Brasil. Inclusive, na Comic Con Experience você contou ao Terra Zero que vendeu “O Quarto Vivente” e “L’Amour 12 oz” para pessoas que sequer tinham lido quadrinhos na vida. E, curiosamente, devido à sua grande influência em Moebius, há um ar fortíssimo de quadrinhos europeus no seu trabalho. Já houve propostas para que seus trabalhos chegassem a outros países?
Sim, já fui notificado de um interesse lá no velho continente.
Esse lance de ar europeu das meus quadrinhos também é algo natural para mim. É exatamente dessa forma que prefiro fazer. Li muito quadrinho norte americano, europeu, japonês e muito coisa nacional. Minha estética é essa que venho apresentando. Não forço nada. Não fico pensando em fazer algo ‘bem europeu’, ou algo assim, ou de outra forma. Faço como meu trabalho flui e me identifico.
O que eu contei para vocês na Comic Con Experience foi algo lindo. Um camarada de uns 40, 45 anos se aproximou da minha mesa me dizendo que havia gostado da capa da L’Amour: 12 oz.
Conversei tranquilamente com o camarada que me revelou que não era leitor de HQ, mas que havia gostado do meu desenho, dos temas das minhas revistas, do nosso bate-papo e resolveu comprar as duas HQ. Até fiz o convite para ele conhecer melhor o Artists Alley, falei que era maior que o Artists Alley da Comic Con de San Diego e, finalizando as compras dele comigo, observei ele sumindo em direção ao estande Chiaroscuro, observando as mesas de mais artistas.
Pra finalizar, o que você pode dizer sobre seu próximo projeto?
Bem, já estou finalizando o roteiro do meu novo trabalho. E acredito que muitos vão se surpreender. Digo isso pois talvez seja o meu trabalho mais diferente entre OQV e L’Amour: 12 oz. Acho que posso adiantar que haverá um pouco de violência. Já está ótimo!
Luciano, obrigado mais uma vez por conversar com o Terra Zero!
Eu que agradeço ao espaço e apoio. Fazer quadrinhos sem o apoio de gente como vocês para divulgar e fazer o mercado girar, seria em vão. Um grande abraço e muito obrigado!