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Capa de “Emboscada Caipira de Plasma”, novo disco d’Os Capial
Olá, tudo bem?
Uma coisa é certa: música sempre esteve presente por onde quer que eu vá. Posso até tentar fugir mas ela me cerca, me rodeia e faz, de alguma forma, que eu participe.

Já brinquei de ter banda, me aventuro por alguns instrumentos, tenho uma mãe pianista, algumas tias e primos excelentes musicistas. Já fiz trilha sonora para espetáculos de ballet, de performance e até trilha sonora do curta metragem Luzcia, a Dona do Boteco, uma adaptação da minha primeira HQ, filme esse rodado e produzido de forma independente pelo cineasta Paulo Delfini.

Ano passado fiz a arte para a parte interna do encarte da banda Liniker e os Caramelows, aqui de Araraquara e agora finalizei o desenho para a capa do novo CD da banda de grindcore e death metal, Os Capial.

Dito Paiero da Silva (Marcelo Caraciolo Tucci) nos vocais e guitarra, sapateia a catira na cozinha de Bento Chapéu de Paia Pereira (Chis Tiano). É isso mesmo, a banda é um duo! São amigos de longa data que encomendaram a arte da capa do novo álbum Emboscada Caipira de Plasma.

Os Capial não param e essa é a discografia deles:
– Coletânea Araraquara Rock 2015 (2015)
– Coletânea Death Metal Narcoleptica, Vol. 5 (2015, Rússia)
– Coletânea Latina America Noise Brutal Basarabia, Vol. 1 (2016, Moldávia)

Videografia:

– Ao vivo no Teatro Wallace Leal Araraquara https://www.youtube.com/watch?v=ARNmGb26VDY
– Garrafada de galinha https://www.youtube.com/watch?v=epcfQiDfR9I
– Porco do mato eu não mato https://www.youtube.com/watch?v=Al-Le4Lc6QY
– Aquela rua (cover Horríssono) https://www.youtube.com/watch?v=j9nGw_l5UCI

Desenho PB finalizado em nanquim e com cor aplicado no Photoshop

Sketch para o desenho
Como sempre, antes de fazer qualquer traço, penso bastante no que quero desenhar, como será a composição, a posição dos personagens, detalhes para um mínimo cenário e estruturas para então, fazer o primeiro rascunho. Para esse trabalho, fiz somente esse sketch ao lado.
Como eu já conhecia as capas anteriores da banda, quis usar uma paleta onde o tons quentes sobressaíssem para que o resultado ficasse bem diferente das artes anteriores.
Espero que tenha curtido o post, a “barulheira” d’Os Capial e a arte para a capa do CD. Deixe seus comentários e perguntas que respondo em breve!

Ah, inseri no link dos blogs de camaradas o blog do Well Junio. Conheci o trabalho dele na Bienal de Curitiba e é bem massa! O blog dele é o http://www.umareticencias.com.br e lá tem uma lojinha para comprar o lançamento “Entre parênteses”. 

Um abraço!
Luciano Salles.
Popeye por Luciano Salles
Olá, tudo firmeza?
Ano novo e perspectivas novas. É sempre assim e sempre será. E desta forma recebo, com imenso agrado, perguntas via mensagens, e-mails, whatsapp e pessoalmente, se irei publicar nesse ano de 2016 uma nova história em quadrinhos, o que estou produzindo, se estou com ou sem editora, …
Acho legal demais tudo isso. Sendo assim, decidi escrever esse post.
On y va!
1. Em 2016 eu não vou publicar nenhuma história em quadrinhos. Em 2017? Talvez.
2. Decidi inserir essa pausa pois senti que é o momento para isso. Preciso dissecar esse momento, o mercado, as premiações, minhas perspectivas, minha saúde, eventos e tudo mais que envolve o famigerado mercado nacional das HQ.
3. Preciso me afastar um pouco e ver tudo por uma percepção estratosférica. Ter clareza das coisas que me permeiam e da mesma forma, apreciar minha responsabilidade com tudo isso.
4. Confesso que em 2015 me surpreendi muito com o mercadejo e ao mesmo tempo, me desencantei.
5. Sim, eu tenho novas histórias para contar.
6. Continuo a desenhar todos os dias e quero focar 2016 e 2017 em trabalhos com ilustração e commissions, algo que gosto muito de fazer.
7. Como agora tenho o arco ou a trilogia fechada, é o momento de trabalhar esse pacote!
Se quiser deixar sua pergunta, pode fazer logo abaixo nos comentários pelo blog mesmo ou pelo puglin do Facebook que respondo tudo rapidinho.
Grande abraço!
Luciano Salles.
Olá, tudo bem?

Em 07/10/2014 foi publicado em minha coluna no Stout Club o texto O Mercado dos Quadrinhos Independentes. Esse texto escrevi especialmente para o Stout e originalmente publicado ali. A partir de então, com essa pequena publicação, eu comecei a receber e-mails, mensagens direta via Twitter e mensagens inbox no Facebook sobre o que escrevi.

E, entre as mensagens comecei a perceber uma demanda e correlação que me fez pensar e analisar todo aquele conteúdo. Mas isso é assunto para uma próxima postagem.

Gostaria então de registrar aqui no blog, o texto que foi originalmente publicado no site do Stout Club.

O Mercado dos Quadrinhos Independentes

Camarada, faz dois anos que vivo exclusivamente pelos quadrinhos. Antes, labutei como engenheiro civil e depois em uma grande instituição financeira tendo as HQ, apenas como um entretenimento que ocupava a lacuna “sonhos” em minha cabeça. Esse período englobou quase 20 anos da minha vida.

Em abril de 2012, por motivo de saúde, pedi demissão e mergulhei de cabeça em produzir meus próprios quadrinhos. De repente, o famigerado e monstruoso mercado nacional das bandas desenhadas, “valorizou” o meu trabalho.

Explico melhor.

Sempre ouço alguém dizendo que o mercado não valoriza os quadrinhos nacionais, que só prioriza os mesmos, que as edições agora tem uma mísera tiragem de 1.500 cópias, ou até que não existe um mercado de HQ no país. Confesso que tenho dificuldades em entender o embasamento dessas perguntas.

Logo acima, quando disse que o mercado “valorizou” o meu trabalho, foi simplesmente pelo fato de que eu fiz uma revista. Ou seja, o mercado “viu” meu produto pois eu pensei em uma história, acreditei nela, escrevi um roteiro, desenhei tudo isso, fiz as cores, fui até uma gráfica rápida e imprimi 100 cópias, dobrei todas as folhas, fiz uma capa para o melhor acabamento que eu podia oferecer e enviei 3 ou 4 revistas para sites que costumam resenhar quadrinhos. Afinal, eu precisava de um parâmetro para a minha primeira experiência.

Recebi uma crítica muito legal de um destes sites e a trabalhei no meu blog e redes socias. O resultado foi que os 100 exemplares impressos foram vendidos! Você pode pensar: 100 edições e o camarada está comemorando? Sim! Exatamente! Comemorei o fato de uma ideia minha ter sido direcionada para a nona arte e essa ter sido aceita por 100 pessoas. O que mais eu poderia querer? Editoras correndo atrás de mim e do meu trabalho? Ser contratado para desenhar para a Marvel? DC? Ser convidado para festivais de quadrinhos? Isso é estar no mercado?

É por isso que digo não entender quando alguém já sai metralhando o mercado de HQs no Brasil. Aquela era minha primeira história em quadrinhos. Eu a fiz sozinho e o ciclo se fechou quando cada uma, das 100 pessoas, leu a revista.

O mercado é consequência do que crio. Ainda hoje não tenho uma editora que publica meus trabalhos. Entre as tantas etapas para lançar minha terceira HQ autoral, confesso que muita coisa mudou e para melhor.

Minha segunda empreitada foi com O Quarto Vivente. Eu vendi a minha moto para bancar a impressão da revista. Separei mais de 100 edições, de uma tiragem de 2.000, para enviar aos sites especializados em resenhas e para pessoas que trabalham diretamente com a mídia. Até o momento vendi 1.100 revistas. Muitas diretamente pelo meu blog e tantas outras por lojas especializadas em quadrinhos, as quais procurei para consignar minha revista. Lançei o álbum no dia 12 de junho de 2013 e ainda hoje trabalho todos os dias em cima de O Quarto Vivente, pois sei que ainda existem muitas pessoas que nem sequer ouviram falar dessa HQ.

Pergunta: O mercado se abriu para mim? O mercado “valorizou” meu trabalho? O mercado me aceitou?

Se você tem a certeza de que ama fazer algo e quer aquilo para sua vida, faça. Faça de coração aberto, verdadeiramente e sendo sincero com você mesmo. Trabalhe 12, 14, 20 horas por dia. Produza sua ideia e não espere a amargura do tempo e paradigmas esmagarem seus desejos.

O famigerado mercado dos quadrinhos autorais e independentes é apenas reativo ao seu trabalho, e garanto, ele existe e apenas aguarda a sua HQ. Pode ter certeza!