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Miniférias
Olá, tudo bem?
Da primeira postagem sobre minha nova HQ – Duplo, eu [novidades 01] – pouco fiz até então. Alguns trabalhos encomendados, alguns dias atribulados e uma miniférias de 3 dias na Serra da Canastra, resultaram em somente duas páginas desenhadas.
De volta aos trabalhos, reenergizado por montanhas e cachoeiras, agora o foco é intenso na HQ!

Vamos as [novidades 02]:
07. Pretendo desenhar todas as páginas em 6 meses;
08. O Catarse por assinatura ainda é uma ideia que preciso estudar um pouco mais e logo defino se farei ou não;
09. Se decidir pelo Catarse por assinatura, ele vai durar somente 6 meses ou o tempo que levar para desenhar a revista. Se desenhar tudo em cinco meses, vai durar somente cinco meses;
10. A revista terá quase 80 páginas porém, quero que o preço fique entre R$20,00 e R$30,00.

Se ainda não tem meu último lançamento aqui está o link para adquiri-lo. É só clicar na imagem. Sempre envio a revista assinada com dedicatória!

Muito obrigado por acompanhar o blog e seu comentário é sempre bem vindo e será respondido. Por enquanto é isso. Agora é desenhar, desenhar e desenhar!
Um abraço.
Luciano Salles.
Esse é o banner que usarei na MESA H01.
Imagem retirada de EUDAIMONIA.

Olá, tudo bem?

É incrível como “de repente” a Comic Con Experience chega! O evento é anual e quando menos espera, a convenção está na sua cara e você imerso em expectativas, seja sua primeira, segunda, terceira ou mesmo que tenha conseguido mesa no Artists’ Alley em todas as edições ou ainda, que vá como expectador daquele universo de informações, atividades, convidados, tentações e novidades.

Você me encontrará na MESA H01 e a imagem ao lado é do banner que ficará atrás da minha mesa.

Essa é minha quinta participação no Artists’ Alley da CCXP e para este ano não terei nenhum quadrinho novo pois o mesmo, está no forno, ainda na fase do roteiro.

Retornando ao foco do post, vamos ao que apresentarei em minha MESA H01:
01. QUADRINHOS
Esse é o carro chefe do meu trabalho e lá terei as edições de (clique nos nomes das revistas para saber mais sobre elas):
EUDAIMONIA por R$25,00;
Limiar: Dark Matter por R$35,00;
O Quarto Vivente por R$20,00.
Prints que terei em minha mesa, além de alguns
outros mais antigos.

02. PRINTS E ORIGINAIS

Fiz duas artes exclusivas para o evento sendo que uma é em comemoração dos 80 anos da criação do Superman (criado em 1938, por Jerry Siegel e Joe Shuster) e um desenho do Batman pois o Batman é foda! As cores do Batman são do Wesllei Manoel.

Prints tamanho A3 por R$25,00;
Prints tamanho A4 por R$20,00;
– Original do Superman já vendido;
– Original do Batman por R$750,00;
– Outros originais terão preços variados

Observação importante: A arte do Batman está em negociação mas você pode demonstrar interesse ou fazer sua oferta através do e-mail lucianosalles@me.com

03. SKETCHES
A partir deste ano vou cobrar por sketch  em cadernos e similares:
Sketch em cadernos de tamanho A5 e A6 por R$40,00;
Sketch em cadernos de tamanho A4 por R$65,00.

04. SKETCHCOVERS
Em sketchcover vendidos na CCXP:
– Feito na capa da revista e no evento por R$95,00 (o desenho, neste caso, é um pouco mais elaborado do que um sketch normal, citado no item acima)
– Feito na capa da revista e no meu estúdio por R$180,00 (levo a revista para Araraquara, faço o desenho e devolvo via SEDEX. Nesta modalidade o desenho é feito como se fosse uma commission – encomenda particular de um trabalho – e o valor do SEDEX é cobrado a parte).

Se estou indo para a CCXP é porque tive o apoio cultural e incondicional de pessoas e suas empresas que acreditam em meu potencial com o artista e que possibilitam estar ali. Agradeço de coração meus patrocinadores que são o Colégio Pueri Domus Araraquara (muito obrigado Mônica), Mondrian Ambiente (muito obrigado, Teresa), World Game (muito obrigado ao fenômeno, Elio Lio), Escola Shanti Yoga (muito obrigado, Marcella), Portal Informática (muito obrigado Piva e Cris) e Visual Comunicação (muito obrigado, Leandro).
Empresas de Araraquara que apoiam culturalmente minha ida para a Comic Con Experience, a maior convenção de quadrinhos e cultura pop do ocidente!
E com essa postagem, fecho as informações que precisa saber sobre o meu trabalho para a CCXP 2018. Durante o evento, o blog não será atualizado e minha loja online na Amazon entrará em recesso. Só volto para o blog uma semana após o evento.

Espero sua visita na minha MESA H01.

Um abraço.

Luciano Salles.

Olá, tudo bem?
Segue entrevista em vídeo para o Chapéu do Presto, que aconteceu no Festival de Quadrinhos de Limeira e, na sequência, entrevista que concedi ao site Tapioca Mecânica, no FIQ 2018.
Confira e se quiser deixar alguma pergunta ou consideração, fique a vontade e use os comentários para isso.
Um abraço.
Luciano Salles.


Entrevista para Tapioca Entrevista – LUCIANO SALLES FIQ 2018
por Gabriel Fraga | 12 /09/ 2018 | Destaques, Quadrinhos
Na última semana de maio de 2018 ocorreu mais uma edição do tradicional Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ) em Belo Horizonte e o Tapioca Mecânica esteve lá. Foram feitas várias e interessantes entrevistas e que depois de um trabalhinho de transcrição, agora apresentaremos nessa coluna de quarta-feira.
A primeira entrevista foi com o quadrinista Luciano Salles. Muito gentil e solícito com seu tempo, Luciano nos cedeu um dos melhores bate-papos que já fizemos, além de ser muito esclarecedora sobre seus quadrinhos e seu jeito de encarar arte.
TAPIOCA MECÂNICA: No Quarto Vivente você fala do período em que viveu em Araraquara, interior de São Paulo. Parece ter sido um momento muito importante para sua formação.
LUCIANO SALLES: Eu me mudei pra Araraquara bem pequeno, com dez anos. Caí numa ruela sem saída, pequena e foi tudo que eu poderia querer: punk rock, skate e fanzine, desenhos. Tudo que eu gostava de fazer. E foi bem formador. Nessa época zine não era só desenho, não era só história em quadrinho. Tinha matéria sobre a banda de rock da cidade e aí nós mandávamos pra Recife e eles devolviam com outras matérias e fitas cassetes das bandas de lá. E eu já sabia que era isso que eu queria fazer. Isso foi em 1985…

TM: E fazia tudo isso aos dez anos, fanzine, punk rock e skate? (risos).
SALLES: Pior que sim. Eu entrei nesse mundo com dez anos e fui até os vinte e três. Andei bastante de skate, mexi muito com música, ainda mexo um pouquinho.
TM: Tocando?
SALLES: Não toco mais nada. Meu violão tá com meu pai, minha guitarra tá indo pro meu irmão, meu trompete tá parado. Às vezes faço alguma trilha pra algum espetáculo de balé ou curta-metragem. Mas isso aí ficou incrustrado em mim.
Como eu falei, em 1985, era outro mundo, cara. Você tinha que fazer uma faculdade e seguir a carreira, por isso que sempre estudei muito, sempre gostei de estudar, estudei pra caramba, sempre fui muito CDF, CDF mesmo, nem tinha nerd no Brasil ainda e foi isso. O quadrinho veio bem depois, com 37 anos.



TM: Você fez faculdade de engenharia e me diversos momentos falou sobre a relutância que tinha em fazer quadrinhos até que chegou a hora. Como foi esse momento? Houve um catalizador? A hora que você parou e disse ‘eu tenho que fazer isso agora”.

SALLES: É, nessa época eu trabalhava no banco S*****, era gestor lá e aconteceu de eu ficar doente, na real. Se tivesse ficado era capaz de estar lá ainda. Capaz não, certamente estaria. Mas eu fiquei doente de verdade e não tinha mais condições e uma madrugada minha esposa falou “olha, amanhã você pede demissão” e eu fiz isso mesmo. Passei quatro meses pedindo demissão e eles não aceitavam, mas perceberam que eu não estava legal e aí eles foram muito gente boa e me mandaram embora. Me pagaram tudo, eu fiquei um tempão lá, me dediquei ao máximo e saí por motivo de doença. Mas saí e já fiz o Luzcia, a Dona do Boteco no mesmo mês e de lá pra cá vivo exclusivamente de quadrinhos.
TM: Isso foi em…?
SALLES: Isso foi em 2012. Saí do banco em abril e no final de maio já estava com o Luzcia pronto e tentando vender online.
TM: O Quarto Vivente fala de um mundo em que catástrofes aconteceram, a Europa, pelo que eu entendi, sumiu, os franceses vieram pro Brasil e depois disso a sociedade evoluiu. Tanto é que o nome do país é República Fraternal, parece um tempo de paz. Porém eu ainda sinto muita angústia nele e no Dark Matter, onde as pessoas consomem matéria negra – no futuro as pessoas consomem aquilo que gerou o universo. Não sei se é real, mas eu sinto muito uma angústia sua com coisas limpinhas, coisas perfeitinhas. Uma certa inquietude com ideias utópicas. Existe isso mesmo?
SALLES: Acho que todo artista é um ser angustiado. Você tem razão. O Quarto Vivente era como se fosse um mundo ideal, mas na leitura todos estão sempre de ouvido tampado e lá o acaso não existe mais. Se for pensar nisso, sem o acaso há o controle absoluto e aí fica naquilo, mas não temos como mensurar o que seria um controle absoluto. Por isso a Juliete faz o que ela faz: uma menina de quinze anos que decide… e tem muita coisa por trás, o fato de ela se chamar Juliete Manon, que é diminutivo de Maria Manon, Maria mãe de Jesus. Tem muito dessas coisas no livro. Acho que é a primeira entrevista que eu falo isso, o nome dela, o que ela faz tem a ver, o Quarto Vivente tem a ver com o apocalipse, uma parte que fala dos quatro seres viventes do apocalipse, tem muito dessas coisas por baixo da história. E tem uma análise do Quarto Vivente pelo Pipoca e Nanquim, que está num texto no site deles, em que eles destrincharam noventa por cento do que eu coloquei na obra. (Link)

TM: No final, quando ela dá à luz a baleia ou o golfinho, seria o retorno do mistério ao mundo deles?
SALLES: Seria. Ela rompeu com tudo de uma forma não casual. Ela comprou aquele tipo de parto, ela comprou aquilo. Porque não teria como ser acaso. Ela fez aquilo pra romper com tudo, pra ser a primeira pessoa, até então, que fez aquilo e é louco porque eu li há pouco tempo, há uns dois anos ou um ano e meio que uma moça no Japão estava tentando gerar um tubarão. Uma loucura.
TM: A vida imita a arte (risos).
SALLES: A vida imita a arte, mas assim… nós ainda somos muito limitados. Não conseguimos ir muito além. Se você pegar todas as histórias que estão aqui, sei lá, não estou menosprezando todo mundo que está aqui, mas sei lá. Nós somos muito limitados, é muito difícil nós extrapolarmos.
TM: Essa é a angústia presente nos seus quadrinhos então, chegar a um lugar diferente?
SALLES: É, eu gosto. É uma pretensão que não vai acontecer.
TM: Mas é muito saudável.
SALLES: É saudável e, de certo modo, pode até me prejudicar como autor porque a pessoa pode passar e ficar “ah, li e não entendi nada!”.
(Risos)
TM: Aproveitando, como você se vê então? Porque você escolhe narrar seus quadrinhos dessa forma. Como você se vê então nos quadrinhos brasileiros? Você pensa nisso?
SALLES: Já pensei nisso.
TM: Você é o Grant Morrison do Brasil?
SALLES: Não, cara.
TM: Você recebe muitas críticas que o Morrison receberia; que é difícil, que não dá pra entender…
SALLES: Sim, mas sabe o que eu penso, cara? Não estou me menosprezando. Sei que eu sou um autor e que, de alguma forma, as pessoas já leram, já ouviram falar, de alguma forma, do meu nome. Mas eu faço uma correlação com futebol, mesmo sem acompanhar: me sinto como um time da série C ou série D. Tem os quadrinhistas da série A, tem os quadrinistas de Champions League. Juro, me sinto da série C, série D.
TM: Que é isso…
SALLES: Sim. Vinil não tem um lado A e um lado B? Eu acho que sempre fui lado B.
TM: Mas por escolha, você gosta de ser o lado B.
SALLES: Eu não consigo ser o lado A. Pode ser uma escolha, mas mesmo que eu tente ser o lado A não vai rolar.
TM: Mas isso é muito bom, precisa de gente que – não que faça o que você faz, porque só você faz o que você faz – mas que saia da zona de conforto, que explore o que muitos não vão explorar.
SALLES: Sim, eu estou com umas ideias de histórias na cabeça, mas eu estou procurando que eu consiga que daqui a uns três anos quando eu ler, que eu não diga “poxa, podia ter pensado um pouquinho mais”. Eu não tenho muita pressa de entregar um quadrinho, não preciso entregar um quadrinho todo ano, a cada ano e meio, eu quero fazer algo que seja relevante pra mim e que o leitor, de certa forma, acabe de ler e pense um pouquinho, que fale “o que foi isso aqui?”, e que participe porque o quadrinho só tem sentido quando o leitor participa. Sempre li quadrinhos assim e gosto que seja assim. Lógico, eu gosto de ler uma história que seja “‘TUM’, acabei de ler, acabou, guardei”, mas eu gosto de ler coisas que me façam pensar, de ver filmes que façam pensar, de filmes que acabem e eu fico “poxa, acabou mesmo? Assim? Será? Ou caiu a internet?”.
TM: Quem te influencia então? Tanto em quadrinhos quanto em cinema. Além do Moebius. (Risos).
SALLES: Então, Moebius; a cada dia percebo que o Frank Miller é uma influência maior sobre mim, mas não percebia isso. E meus desenhos novos, que eu ainda não mostrei estão, de certa forma, diferentes. Sou eu desenhando, mas sinto que está um pouquinho diferente.
Miller, Moebius, Mutarelli, e tem pessoas assim que eu tremo na base até hoje, que é o Marcatti. O Marcatti, toda vez que ele conversa comigo eu fico um pouquinho nervoso e hoje ele tá aqui do meu lado [aponta para a mesa de Francisco Marcatti, ao lado da sua] e eu tenho coisas dele desde o Chiclete com Banana, que eu recortava.

TM: E em cinema?
SALLES: Pra fazer quadrinhos o que mais me influencia é cinema. Gosto muito do Gaspar Noé, de Love e Enter the Void [Viagem Alucinante], tanto que a cor de Limiar, Dark Matter quem fez foi o Marcelo Maiolo e eu disse pra ele que tinha que assistir o Enter The Void e aquela era a sensação de cores que eu queria, pra ele poder montar a paleta dele. E a cor veio perfeita.
Vou falar de um diretor chato, que muita gente odeia, o Lars Von Trier.
TM: Sabia que você ia falar Lars Von Trier. (Risos).
SALLES: Você quer dar na minha cara, não é?
TM: Não! (Risos). Eu gosto dele.
SALLES: Ele fala umas besteiras, tem uns problemas. Lars Von Trier, Gus Van Sant. Eu gosto muito do Almodóvar, até pelas cores que ele usa. Posso ficar o dia aqui, os Irmãos Coen, David Lynch. David Lynch acho que é o principal, só lembrei dele agora.
TM: Me fala do seu processo. Todo dia tem um número de páginas que você tem que atingir, ou número de horas, é meio anárquico, o quanto você tem vontade…
SALLES: Como eu tive todo esse processo antes de trabalhar com quadrinhos, trabalhar com engenharia, trabalhar em banco, você fica normatizado com muitas coisas. Lá eu tinha horário pra chegar, pra bater ponto, cobrar dos outros e eu sempre, apesar de não poder falar isso para as pessoas, mas eu sempre pensei e procurei porque as coisas… lógico que existem convenções e pode parecer que eu estou falando loucuras agora, mas eu posso começar um trilogia pelos números três, sete e nove, não precisa ser um, dois, três. Parece loucura isso, mas…
TM: Não. Star Wars está aí.
SALLES: (Risos)
TM: Só que Star Wars é o lado A.
SALLES: (Risos) É. Totalmente lado A.
TM: Criou o lado A.
SALLES: Eu não lembro quem fez Videodrome, foi o…
TM: Cronenberg.
SALLES: Cronenberg! Fantástico, eu falei Cronenberg, né?
TM: Agora falou. (Risos).
SALLES: Então está valendo. Eu não tenho mais segunda, eu não tenho mais horário. Aqui não posso porque abre e fecha. Mas se me deu sono em casa às dez da manhã eu deito e durmo. Acordo meio-dia, como alguma coisa. Se estou com um roteiro, volto a escrever o roteiro, embalo, quando percebo são dez da noite. Claro, tudo isso vivendo bem com a minha esposa. Mas não tenho mais esses horários; procuro não criar esses horários. A única coisa que eu faço sempre é acordar às quatro da manhã, mas isso aí é desde sempre.

TM: É nois. (Risos).

SALLES: Mas não por insônia. Esse é o horário que eu acordo mesmo e também durmo cedo. E só respondo mensagem de manhã.
Quando eu pego pra fazer um quadrinho, eu faço o quadrinho. Acordo, desenho até cansar, durmo, acordo, como, faço, durmo…
TM: Tem roteiro primeiro?
SALLES: Tem roteiro, penso a história inteira, do começo ao fim, tudo, frases, o que um vai falar pro outro, tenho tudo na minha cabeça, faço um roteiro bonitinho, quase de cinema, na realidade, e aí sim eu vou desenhar. Isso eu preciso fazer porque ajuda meu desenho.
TM: Então não sofre de bloqueio criativo? Uma página que tá difícil de sair, um layout?
SALLES: Não, não sofro com isso. Porque antes de eu escrever o roteiro, já pensei em tudo. Vou pensando, vou pensando, vou pensando. E eu não anoto nada de uma ideia que eu tive. Se eu tive uma ideia hoje, eu não vou marcar ela. Porque às vezes eu marco e essa ideia é tão lixo, mas eu marquei. Se marquei, me apeguei. Então não anoto. Se eu esquecer, era ruim. Se for boa eu lembro.
TM: Que incrível. (Risos).
SALLES: Eu prefiro assim. Geralmente eu esqueço um monte de ideias, mas então é porque eram lixo. Se não esqueci, aí vou dando continuidade.
TM: Já falamos sobre isso um pouco, se seus quadrinhos são difíceis de entender. É a maneira que você faz quadrinhos, né? São seus quadrinhos.
SALLES: São meus quadrinhos. Mas eu também não acho difíceis de entender. Mas aí também, eu que escrevi, né?
(Risos).
TM: Mas isso também é falta de costume de quem lê, não é?
SALLES: Então, sabe o que eu acho que acontece? Tem a história do Quarto Vivente, a primeira camada da história, que é a menina que faz isso, faz isso e isso, até chegar ao final. Mas dentro dessa história tem o porquê do nome dela, tem o porquê ela gera o que ela gera, se você for pesquisar o que ela gera, tem isso, não tem uma história que se passa dentro de uma baleia?
TM: Sim.
SALLES: Então, tem isso, também tem as coisas que eu boto no nome da história. Em Eudaimonia, por exemplo [quadrinho mais recente de Salles], só se chamou Eudaimonia por significar algo como felicidade. E o leopardo [da capa] vive em um estado de eudaimonia, porque ele só faz exatamente aquilo que a natureza criou ele pra fazer. Passa uma zebra, ele vai e come. Depois dorme. Ele não erra. Deu fome, ele pega outra coisa, isso é o estado eudaimônico dele. Qualquer animal vive em estado eudaimônico.

TM: Indo para o Eudaimonia. Por que a mudança de formato?
SALLES: Eu estava desesperado, não aguentava mais o couchê. Porque se eu for fazer um autógrafo pra alguém no couchê, eu tenho que desenhar com uma caneta retroprojetora. E é o fim desenhar com uma caneta retroprojetora, cara. É péssimo. E eu também queria fazer no papel pólen porque é gostoso de pegar. E também sem cores e no formato americano e tinha que ser preto e branco, mas aí eu coloquei tons de cinza. E a capa quem coloriu foi o Maiolo porque eu estava colorindo, mas estava péssimo.
TM: A parceria de vocês é inusitada porque ele é o cara dos títulos americanos e essas coisas. Como vocês se conheceram?
SALLES: Ele fica com pena de mim, acho. (Risos). Ele é bonzinho demais.
Eu fui numa palestra do Gustavo Duarte em Piracicaba, onde ele mora. Um bate papo. Lá o Gustavo Duarte Falou que precisava colorir um quadrinho e ficou desesperado e pensou “Ah, se o Maiolo estivesse disponível” e apontou pro Maiolo. E eu fiquei “putz, o Maiolo está aqui?”. Porque eu sempre gostei do trabalho do Maiolo, das cores. Aí já esqueci o Gustavo Duarte (RISOS) e fiquei “Quem é o Maiolo, quem é o Maiolo…?” aí acabou e fiquei conversando com o Gustavo Duarte e eu estava com o Quarto Vivente na mochila e o Maiolo chegou. Ele deu uma olhada no Quarto Vivente e falou “você está vendendo?”. Eu falei “tô”.
Ele disse “eu li essa frase ‘Georginas, ainda defecas?’”. E falou que queria comprar por causa daquela frase. Aí começou a amizade. Aí ele falou que fazia cor.
TM: Quais temas você queria botar no Eudaimonia? Porque tem a sua primeira personagem. Que você queria trabalhar no quadrinho.
SALLES: Eu encanei com o leopardo. Ao mesmo tempo eu queria trabalhar com a Luzcia. Não sei se é porque é minha primeira personagem, mas eu gosto muito da Luzcia.
TM: Ela é inspirada em alguém da vida real?
SALLES: Ela é inspirada na secretária de um médico. A secretária era muito brava. Na consulta, ela entrou no escritório gritando com o médico porque ele não tinha carimbado o CRM dele onde assinou e ela carimbou muito nervosa. Isso foi uma consulta que eu fui com meu pai. Ela interrompeu a consulta e meu pai, enquanto ela estava brava com o médico meu pai veio no meu ouvido e disse baixinho “nossa, meu, a Luzcia deve ser a dona do boteco”.
TM: (Risos) Fantástico. E esse é o nome do quadrinho.
SALLES: Isso. Luzcia, Dona do Boteco.
E o Eudaimonia, eu queria fazer a história de um caçador que caçasse uma parte do ser-humano. Uma parte só. Aí ele tem duas chances. Ele falha na primeira e na segunda ele acaba cruzando com a Luzcia no caminho dele. Ela está sofrendo com as dores dela, com a falta de medicamentos. E quem ele precisa caçar é quem fornece os medicamentos dela.

TM: E no final, sem entregar muito, o caçador vive em um estado de paz e só aceita o que acontece com ele.
SALLES: Ele vive em um estado eudaimônico e a Luzcia também. A Luzcia é daquele jeito, ela vive da forma que acha que tem que viver, ela é violenta da forma que acha que tem que ser. É natural pra ela, é o estado eudaimônico dela. Ela vive assim como ele.
Mas… posso dar um furo jornalístico aqui [brilham os olhos dos Tapioqueiros] porque o Pipacu, ele aparece na história, mas ninguém sabe quem ele caça, como ele caça, por quê ele caça… pode ser que venha uma história que… entendeu?

TM: Opa! Rolou um teaser!
SALLES: É tipo um Star Wars reverso.

TM: “Uma história Eudaimônica”. (Risos). Pra terminar: Que quadrinho você levaria pra uma olha deserta?
SALLES: Eu não levaria um quadrinho. Não levaria quadrinho pra uma ilha deserta.

TM: Levaria o que então?
SALLES: Não levaria quadrinhos, mas pra responder a pergunta e não ser um c*zão, eu iria procurar comida numa ilha deserta porque estou com fome. Se tivesse um quadrinho na ilha eu iria queimar pra fazer fogo. Mas se fosse pra levar um quadrinho mesmo eu levaria o Garagem Hermética.

TM: Dizem que toda obra carrega um pouco do seu autor. O que tem de você na sua obra, no seu trabalho? O que você coloca que é seu?
SALLES: O que eu sinto que eu coloco em todas as obras e vou continuar colocando é que eu nunca estou satisfeito com as explicações que são dadas. Nunca.

TM: Pós-modernista.
SALLES: Pode ser. Eu nunca… por exemplo, a internet é uma coisa excelente, eu consigo sobreviver das vendas na internet, vendo original pro exterior, mas ainda sinto que não é assim que ela deveria ser. De certa forma é, mas não é assim, sabe. É uma coisa muito louca isso. Eu sou meio inconformado com formatos padronizados.

Foi assim nossa entrevista com Luciano. Foi muito interessante poder cutucar a cabeça do cara um pouco e tentar ver como sua mente funciona e como gerou tantas ideias mirabolantes pros seus trabalhos. Mal posso aguardar encontros futuros. Fica aqui nosso muito obrigado a ele e a você que leu até o fim e se quiser encontrar mais quadrinhos do Luciano Salles, basta clicar aqui e até semana que vem com a próxima entrevista do FIQ 2018.
Olá, tudo bem?
Estou hospedado em SP pois participo da Comic Con Experience e ainda ontem, no evento, foi lançada oficialmente minha nova história em quadrinhos chamada EUDAIMONIA. No meio de todo esse turbilhão deste evento épico, saíram duas pautas bem legais que replico aqui:
Entrevista no Pipoca e Nanquim
Saiu o vídeo com uma entrevista que o pessoal do PN fez comigo e falamos bastante sobre EUDAIMONIA, processos, catarse, salgadinhos “dorodobios” e leopardos. Confira logo abaixo o vídeo que aliás, ficou super divertido. Ah, assine e canal e deixe o seu like!


EUDAIMONIA no UOL

Arte criada pelo UOL
Saiu uma pauta bem legal no site do UOL: CCXP rima com HQ
Uma matéria organizada pelo camarada Ramon Vitral que indicou 5 (cinco) quadrinhos para você procurar no Artists’ Alley da CCXP e EUDAIMONIA está nesta lista. 
Deixo aqui o link para sua leitura e para conhecer os outros fantásticos trabalhos listados pelo Ramon.
Agora vou correr pois a van me espera para ir para a CCXP. Ah! Sempre que quiser deixe seus comentários ?
Forte abraço.
Luciano Salles.
EUDAIMONIA será lançada no dia 06/12/2017 na CCXP

Olá, tudo bem?

EUDAIMONIA vem recebendo algumas resenhas – o que tem me deixado bastante contente – e decidi agrupar todas neste post por ordem de publicação (das mais recentes para as mais antigas). Vale lembrar que estarei lançando oficialmente EUDAIMONIA na MESA E44 do Artists’ Alley da Comic Con Experience.

Instagram: afasiacomics

“A velocidade em que nossos olhos batem nos quadros expostos nas páginas, escaneando cada traço cada detalhe minucioso da arte primorosa que nos é apresentada, é equilibrada com o ritmo rápido, quase cinematográfico, de uma cena de ação de tirar o fôlego que a história traz.

Eudaimonia te deixa sempre com uma pulga atrás da orelha. O mistério que se revela, ao mesmo tempo, deixando mais camadas expostas, terminando com mais perguntas do que respostas…
As linhas criam um ritmo em que as formas distorcidas e surreais, se encaixam como um pequeno poema aos olhos.


Insulta-te a ti mesmo, e ao autor, olhar de forma aérea essa obra, abandona-la e guarda-la em qualquer canto da sua prateleira.
Eudaimonia, assim como qualquer obra de Luciano Salles, merece ser lida e relida sempre que possível. Quando teimar em achar que descobriu tudo sobre aquilo. Releia novamente, provaras que está errado.


Um pacote que deve ser despachado, jogado e abandonado. É largado e encontrado ao acaso por alguém que vê serventia naquela condição do destino.

Cinco anos depois, a personagem que registra a estreia do autor, no mundo dos quadrinhos autorais, volta para mais uma aventura digna da mitologia que o seu nome já cria. Luzcia, a dona do Boteco, está aqui, e está aqui para provar que o universo criado por Salles é muito mais rico e interessante do que imaginamos, desde sempre…”

EUDAIMONIA
Editora: Independente
Roteiro e Desenhos: @lucianosalles
Catarse — 2017

Luan Zuchi (canal do Youtube)

+ 1 blog de quadrinhos, por Claudio Junior

O que é felicidade? Na antiga Grécia, felicidade era relacionada com a capacidade de um ser viver da melhor forma possível, através daquilo que este foi criado para fazer. Um conceito denominado Eudaimonia, o título do quadrinho indicação de hoje, mais um fruto da prolifica de Luciano Salles.

Imagem retirada do + 1 blog de quadrinhos
Caso você ainda não tenha ouvido falar de Luciano Salles, o cara já foi indicado a três prêmios HQMIX, e é um dos meu quadrinistas nacionais favoritos. Um dos seus trabalhos, L’amour: 12oz já foi indicado aqui no blog, e você pode conferir AQUI.

Luciano ficou conhecido por sua arte característica, cheia de rugas e dobras. É o tipico artista do qual você reconhece uma obra só de bater os olhos. Além disso suas narrativas também exigem muito do leitor, dificilmente você consegue extrair tudo do quadrinho na primeira leitura, ás vezes nem numa segunda, mas no final você sempre se surpreende com o resultado.

Partindo da bagagem e fanbase adquirida com seus quatro trabalhos anteriores (Luzcia: dona de buteco, O Quarto Vivente, L’amour: 12oz e Limiar: Dark Matter) Salles partiu para um financiamento coletivo para custear Eudaimonia. O processo de financiamento foi um sucesso, e sinceramente foi um dos mais organizados dos quais eu já participei.

A história do quadrinho gira em torno de um personagem bem esquisito, vestido de leopardo, e de nome mais esquisito ainda: Piwl-Pa-Col. O protagonista, um caçador, tem uma segunda chance para conseguir abater sua presa, e nessa caçada contará com a ajuda de uma antiga personagem de Luciano Salles, Luzcia, a velha dona do boteco.

Diferente de seus últimos três trabalhos, Eudaimonia é um quadrinho mais curto, de 32 páginas, que juntamente com o ritmo mais frenético de narrativa, cheio de ação, faz com que a leitura aconteça de forma rápida, como o bote de um caçador.

Com personagens extremamente cativantes, e uma trama não tão “aberta”, este talvez seja o quadrinho mais acessível de Luciano, que mostra versatilidade, ao trazer algo, mais uma vez, diferente de tudo o que já tinha feito.

O autor optou por um quadrinho em PB desta vez, e esse contraste ajudou a realçar sua arte e mostrar sua evolução quanto artista desde seu primeiro trabalho, que também segue essa paleta de preto e branco, mas com alguns tons de amarelo.

Suas rugas, entranhas e “caras feias”, estão mais lindas do que nunca, e fazem com que o leitor tenha vontade de parar em cada página, para apreciar os mínimos detalhes de cada desenho.
Fica cada vez mais difícil achar qualquer problema em um trabalho de Luciano Salles, é incrível poder acompanhar a evolução de um artista tão singular e completo. Talvez a única coisa seja essa vontade de “quero mais”, mais uma viagem por esse “Lucianoverso”, mais histórias destes personagens tão bacanas.

Se você ainda não tinha tido a oportunidade de conhecer o trabalho deste incrível autor, agora é a hora! Não perca mais tempo. Eudaimonia será lançada oficialmente na CCXP 2017, mas já estará a venda na loja virtual de Luciano Salles à partir do dia 06/12.

Assim como Luciano, eu também estarei na CCXP deste ano, conferindo os novos lançamentos e trazendo uma porrada de quadrinhos pra casa, que com certeza irão dar as caras por aqui logo logo.
Se você também pretende ir para a Comic Con Experience, aproveite a oportunidade visite o Artists’ Alley, converse com os autores, conheça novos artistas, compre os produtos e ajude a fomentar o mercado nacional de quadrinhos!

Por hoje é isso, muito obrigado!

Chapéu do Presto (Canal do Youtube) por Presto Gaudio
Resenha do início do vídeo até 4’33”

É isso. Se estiver na CCXP, conheça EUDAIMONIA na mesa E44.
Um abraço!

Luciano Salles

Avatar para minhas redes sociais durante o mês de
novembro e CCXP17.

Olá, tudo bem?

Este é um mês de novembro bastante corrido aqui pra mim. Enquanto preparo as recompensas da campanha de financiamento coletivo de EUDAIMONIA, meu novo quadrinho, ao mesmo tempo vou arrumando tudo para mais uma Comic Con Experience.
É uma honra ter participado dos quatro eventos que já aconteceram e estou ainda mais feliz pois vou lançar oficialmente minha nova HQ na Spoiler Night.
Minha ida para a CCXP deste ano tem o apoio da Escola Pueri Domus de Arararaquara, SPLINE Multimídia e World Games.
A organização revelou o mapa do Artists’ Alley e estarei na MESA E44. Ali você vai encontrar meu novo quadrinho EUDAIMONIA, exemplares de O Quarto Vivente e Limiar: Dark Matter além de prints. Ah, vou tentar preparar dois prints novos e exclusivos para essa CCXP.
Mapa das mesas do Artists Alley
Espero você visitar minha mesa para bater um papo, comprar sua edição de EUDAIMONIA ou um print que tenha gostado.
Um abraço e nos vemos no evento!
Luciano Salles.

Pueri Domus AraraquaraSPLINE Multimídia e WorldGame
apoiam minha ida para a CCXP 2017.

EUDAIMONIA de Luciano Salles
Olá, tudo bem?
Saiu uma entrevista sobre meu novo quadrinho EUDAIMONIA no site Quadrinhosfera. Confirma a entrevista completa logo abaixo ou conheça o site do Quadrinhosfera e leia tudo por lá.
Apoie a campanha dessa minha nova empreitada nas histórias em quadrinhos no Catarse: https://www.catarse.me/eudaimonia
Um abraço.
Luciano Salles.
Quadrinhosfera by Luan Zuchi
1) Os nomes mencionados na descrição da campanha, o da revista (Eudaimonia) e do protagonista (Piwl-Pa-Col), são inusitados e, por já conhecer teu trabalho e a carga de significado que você coloca em cada detalhe, me fazem pensar que não são escolhas aleatórias. Pode nos contar alguma coisa sobre tais nomes?
Nada é aleatório, Luan. O nome da revista emergiu junto da ideia primordial da história. “Eudaimonia” é uma antiga palavra grega para designar o modo de se viver da melhor forma possível de acordo como a natureza o criou. Agora o nome do personagem vou ter que deixar para, quem sabe, uma futura entrevista.

2) Falando em personagens, temos o retorno de Luzcia nessa HQ. Ela será a única de seus personagens anteriores a retornar?
Tenho um carinho especial pela Luzcia. Tão especial que pretendo usar ela mais vezes. Eu gosto das inúmeras possibilidades que ela me oferece. Ela é uma senhora que sempre se virou sozinha, nunca precisou de nada e nem de ninguém para sobreviver além das inúmeras características que sei que ela exercer com maestria, com boas doses de docilidade e violência.

3) Complementando a questão anterior, você diz que  O Quarto Vivente, L’Amour 12 oz e Limiar: Dark Matter compõem uma trilogia. Nestes últimos tempos você vem trabalhando em Ela, uma HQ longa em preto e branco; seu primeiro quadrinho foi Luzcia, a dona do boteco, um zine também e P&B; agora em Eudaimonia você usa o preto e branco e traz Luzcia de volta. É muita conspiração minha, ou poderia estar surgindo uma “trilogia P&B” após a “trilogia CMYK”? Existe alguma relação entre esses trabalhos em P&B, além da própria técnica?
Camarada, é muita conspiração sua, rs. Não pretendo trabalhar em outra trilogia entretanto, pode ser que tudo mude. O que pensamos hoje, amanhã se dissolve. Entre esses trabalhos em PB não há relação alguma. Claro que existe o fato da personagem Luzcia fazer parte da história de “Eudaimonia”. Fora isso, nada mais.

4) Em algum lugar você já mencionou que uma xícara de café esfriando já te levou a reflexões sobre o amor e consequentemente esse foi o gatilho pra fazer uma de suas HQs. Em Eudaimonia, qual foi o gatilho, ou os gatilhos?
Eu não me lembro exatamente o motivo pelo qual estava pensando em um caçador. Sabe, como no exemplo da xícara de café, por vezes me pego pensando e refletindo sobre coisas aleatórias como um caçador. Por que alguém é um caçador? Caçar para sobreviver é caçar? Há quantos poucos anos vivemos sem caçar? E seu eu fosse um caçador e falhasse? Qual é o caçador mais efetivo da natureza?

E entre tantas divagações a imagem de um leopardo sempre vinha a minha mente. Sei que apesar de não ser tão grande, forte e pesado, é um dos mais eficiente felinos quanto a caça. E todos esse argumentos representam a “felicidade” de um leopardo, ou seja, a melhor forma de se viver fazendo aquilo que a natureza o criou para fazer. Um leopardo vive de acordo com a natureza dele. Esse conceito é basicamente um termo grego antigo para felicidade chamado eudaimonia.

5 – Eu te acompanho desde quando você iniciou essa jornada de fazer quadrinhos, nas suas redes sociais você pareceu um tanto receoso quanto a iniciar um financiamento coletivo. Como está sendo essa experiência?
Sim, fiquei bastante apreensivo se fazia ou não o financiamento coletivo. Poderia lançar de forma independente, fazer uma dívida na gráfica e ir pagando os boletos com a venda das revistas. Eu sempre fiz assim e pra mim, é algo fisicamente mais palpável.

Mas a definição pelo financiamento coletivo foi o de poder mensurar o alcance das minhas publicações nestes cinco anos que vivo somente pelos quadrinhos. Estudei muito a ferramenta da plataforma do Catarse. Vi nela uma “chave de roda” para entender onde me encontro. Pode até parecer, escrevendo essas palavras, que estou perdido, desiludido ou algo similar mas não estou.

Resumindo: precisava imprimir minha nova HQ para lançar na Comic Con Experience e também, conseguir de alguma forma, mensurar o índice de penetração que meu trabalho conseguiu nesse curto período que publico.

6 – Podemos esperar mais HQs suas sendo financiadas via Catrase? Ela, talvez?
Olha, Luan, ainda é cedo para afirmar isso com uma boa margem percentual. Tudo vai depender da campanha de EUDAIMONIA e de como eu estarei ao final do prazo para a captação de recurso. Então, se você que está lendo essa entrevista ainda não conhece meu projeto no catarse, esse é o link: https://www.catarse.me/eudaimonia



7 – Se você tivesse apenas essa resposta para convencer o amigo leitor a ajudar a financiar Eudaimonia, o que você diria? Luciano, obrigado pela entrevista e sucesso no projeto!
Conheça e apoie o quadrinho nacional. Não somente o meu. Nunca. Entre na plataforma do Catarse, na aba quadrinhos e veja a diversidade imensa de trabalhos! Há muito coisa sendo produzida. Muita coisa boa. Pesquise na internet sobre quadrinhos nacionais. Conheça autores(as) de renome, conhece autores(as) novatos(as), busque pelo gênero que mais gosta e encontrará algum autor que trabalha muito bem essa temática.
Dê quadrinhos de presente, incentive a leitura e se quiser, pode começar com a campanha de EUDAIMONIA, minha nova HQ.
Muito obrigado Luan!
Muito obrigado a você, leitor.
Patrocinadores para minha participação na CCXP 2017

Olá, tudo bem?

Como percebeu, abri esse novo post com um questionamento: ir para um evento de quadrinhos é muito caro. Por onde começar?
O princípio da resposta é que escolho “a dedo” o evento que pode ser melhor – dentre inúmeros tópicos – para todo o processo que envolve uma participação em um festival. E esses tópicos ou variáveis, perfazem uma boa lista de itens que analiso pontuando objetivamente e subjetivamente, se realmente ir para determinado evento vale todo o investimento e tempo despendido.
Um adendo importante: se tivesse condição de ir para todo festival de quadrinhos que tenho vontade, com certeza iria! Qualquer que seja o evento é mais do que válido para o trabalho de um quadrinista. Tenho muita vontade de ir para aos eventos que nunca fui como a Santos Comic Expo, Comiccon RS, CCXP Tour e sempre tentar voltar à Bienal de quadrinhos de Curitiba, UGRA Fest, Fest Comix, Festival Internacional de Quadrinhos – FIQ entre tantos outros.
Vou fazer uma rápida lista de despesas para levantar os custos da minha ida para a CCXP e inserir algum breve comentário sobre cada item. Vale lembrar que vou usar a Comic Con Experience como exemplo pois é o próximo que participarei. Se estivesse por participar do FIQ, os valores seriam similares ou até maiores.
Custos fixos.
R$72,35 (passagem de Araraquara para São Paulo).
R$75,20 (passagem de São Paulo para Araraquara).
R$800,00 (MESA com data de vencimento do boleto¹ em 27/06/2017).
¹ O detalhe aqui é que para contratar a MESA implica que sua despesa para ir ao evento começa praticamente há 5 meses antes mesmo dele acontecer.
R$1.675,80 (hospedagem já contratada²).
² A hospedagem é um item subjetivo pois você pode morar em São Paulo, pode escolher ficar na casa de um conhecido(a), parente, hostel ou hotel. Apesar de eu ter um irmão que mora em São Paulo e um amigo que sempre me oferece estadia em sua casa, prefiro fazer reserva em um hotel próximo ao evento por vários motivos.
R$400,00 (valor estimado de deslocamento do hotel para o evento³).
³ Como faço a opção de ficar em hotéis credenciados ao evento, sempre existe alguma empresa que faz o transporte de leva e traz. Fico atento a este detalhe pois contratar este serviço implica em um custo logístico muito menor do que depender de táxi ou UBER, sem contar com a comodidade de não ter que esperar em enormes filas para pegar um táxi ao final de cada dia. Esse valor estimado que estipulei é quase certo pois sempre uso deste transporte na CCXP.
R$120,00 (UBER ou táxi⁴).
⁴ Contabilizo 3 (três) despesas “extraordinárias” no valor de R$40,00 para o imprevisto de perder alguma ida ou volta com o transporte contratado.
R$350,00 (diárias de alimentação⁵).
⁵ Chego para o evento no dia 05/12 e volto somente no dia 11/12, ou seja, fico 8 (oito) dias precisando me alimentar. Para isso, determino 7 (sete) diárias de alimentação no valor de R$50,00 por dia. Com esse valor consigo comprar frutas, pães, frios, sucos e assim preparo alguns lanches para levar e consumir no evento. Além do fato de procurar sempre almoçar “de verdade” para ficar bem em tantos dias de trabalho intenso.
TOTAL: R$3.493,35 (em despesas nas linhas de custos fixos).
CCXP 2016

Você tem a liberdade em poder pensar que estou sendo extremamente detalhista ou até mesmo procurando conforto demais em minha estadia durante a CCXP. Mas para aguentar legal todos os dias e atender muito bem a todos que passarem pela minha mesa é preciso estar bem alimentado, de bom humor, descansado com algumas boas horas de sono e, principalmente (para mim), ter a tranquilidade em saber que muitas  dessas despesas já estarão honradas pelos apoiadores culturais. Dessa maneira, as vendas do eventos entrarão como fluxo de caixa para quitar a impressão da minha nova HQ e, como lucro para as minhas revistas que já se pagaram. Ainda estou com 88,55% das despesas acima patrocinadas mas pretendo chegar aos 100%.

Esses apoiadores culturais são pessoas que, através de suas marcas, aceitam vincular suas empresas a minha imagem como quadrinistas e ilustrador, além de aceitarem minhas contrapartidas. Essa é a única forma de eu poder ir para um evento.

Para a Comic Con Experience 2017, a Escola Pueri Domus Araraquara é minha grande apoiadora. A SPLINE Multimídia, é a mais nova empresa que aceitou vincular sua marca e suporte. A World Game é minha terceira grande parceira cultural e isso desde a primeira CCXP!

Entretanto, fica difícil que essas mesmas empresas apoiem minha ida para o próximo FIQ, que acontecerá em maio de 2018. A crise está para todos.

Procurando apoiadores.

Eu não sou um artista nato. Digo no aspecto de que não fiz só isso da minha vida. Tenho uma longa história com a engenharia civil, engenharia de segurança do trabalho e como funcionário e gestor em instituições financeiras. Aliás, muito mais tempo fazendo coisas assim do que como quadrinista e ilustrador e de certa forma, tudo isso me ajuda hoje a conseguir os apoiadores culturais.

Por muito tempo fui gerente jurídico no Banco Santander e assim conheci muitas empresa, de grande e pequeno porte, lojas e todo tipo de estabelecimento comercial. E, enquanto gerente, você acaba desenvolvendo um vínculo de amizade e parceria com alguns donos de empreendimentos. Muito destes apoios que consigo vem deste percurso que vivenciei.

Mas é claro que sempre apresento uma proposta formal, em envelope lacrado com uma apresentação legal, explicando do que se trata o evento, sua relevância, o que pretendo, minhas contrapartidas, tudo de forma extremamente clara e objetiva.

Espero que, se chegou até aqui, essa leitura tenha sido útil de alguma forma. Fique a vontade para deixar seus comentários e ponderações.

Um abraço!

Luciano Salles.

EUDAIMONIA por Luciano Salles
EUDAIMONIA, a nova HQ de Luciano Salles

Olá, tudo bem?

Se você acompanha o blog pode estar confuso e se perguntar: “mas a nova HQ não se chamava ELA”?

Explico melhor: estou trabalhando em duas HQ ao mesmo tempo. ELA é uma revista longa, de 136 páginas ou mais e que tomará um bom tempo de produção. Como quadrinista independente, penso que um trabalho longo assim deve ser intercalado por outras publicações até pelo fato de precisar sobreviver a partir de outros trabalhos remunerados. Além de querer manter em segredo, o máximo possível, EUDAIMONIA pois, esta sim, será lançada em 2017.

Mas vamos ao que interessa nesta postagem! EUDAIMONIA será lançada no dia 07 de dezembro, na abertura da Comic Con Experience. É o primeiro trabalho que lanço em um evento de quadrinhos e estou ansioso para isto! Aliás, estou na CCXP graças ao apoio cultural da Escola Pueri Domus Araraquara e a World Game.
Agora, neste exato momento, estou com 91,30% das páginas desenhadas e prontas. Tão logo terminar os 100% das páginas e a capa da revista, devo anunciar sinopse, produção, valor e outros detalhes com o lançamento do teaser da revista. Algumas imagens e vídeos deste trabalho inseri no meu Instagram. São todas as que estão ilustrando este post e que você pode conferir logo abaixo.

Seu comentário é sempre muito bem vindo!

Um abraço.

Luciano Salles.

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Quadro de Limiar: Dark Matter por Luciano Salles e cores por
Marcelo Maiolo.
Olá, tudo bem?
Em 2015, escrevi um post entitulado: 21 dicas para um(a) quadrinista independente. Hoje, ainda recebo mensagens através do meu Twitter, Facebook ou, diretamente por aqui, perguntando como procedo em diversos aspectos no tocante aos quadrinhos, vendas, administração de tempo, traço, roteiro e outros temas e dúvidas.

Enquanto matutava em escrever esse novo post, pensei muito se isso poderia soar como algum tipo de autoajuda ou frações de similaridades.

Não, não é autoajuda. Não serão peças ou itens que solucionarão suas ânsias mas podem, de certa forma, trazer certa tranquilidade e até alguma orientação. Não será um kit de soluções rápidas de problemas mas penso que para alguns poderá trazer um alento, um entendimento, um suporte ou um “estalo”. 
E por qual motivo digo isso? Pois o que eu sinto é diferente do que você sente, a energia que eu tenho para realizar algo é diferente da sua, o tanto que demoro para atingir o meu nível de cansaço é diferente do seu, o horário que preciso dormir é diferente do seu e a quantidade de horas de sono também. Assim como a capacidade de ficar focado em cima de um trabalho, tudo sempre será diferente para qualquer outra pessoa além de você.
Entendido e fechado este acordo, vamos lá:
01. Tenha ciência de que sendo um(a) quadrinista autoral e independente, você não vai viver ou sobreviver das vendas unitárias de sua(s) revista(s). Isso tem que ser algo claro, cristalino e extremamente bem resolvido em sua cabeça.
02. Tente produzir e manter certa regularidade na produção das suas HQs. O motivo deste item é que com material novo, você poderá ir aos mais diversos eventos de quadrinhos e, pelo menos uma vez ao ano, apresentar um trabalho inédito. Isso além de alavancar suas vendas, contribui para vender também suas HQs anteriores.
03. Utilize seus quadrinhos também como ferramenta que impulsione outros negócios. A contradição do item 01 para com item 02 é justa e aceitável: Se não vou sobreviver das vendas da minhas revistas, porquê tenho que produzi-las? Por experiência, um(a) quadrinista autoral, deve usar suas publicações também como uma ferramenta que impulsione outros meios de rentabilizar sua proposta de vida. Através de seus álbuns em quadrinhos, você pode direcionar outras atividades como bate-papos, commissions ou encomendas de arte original, palestras e oficinas, que agregarão condições de novas rentabilidades.
04. Se você é o(a) desenhista das suas próprias histórias, é hora que se disponibilizar para trabalhos de ilustração esporádicos ou freelancer. Um atalho não existe. Você terá que desenhar, desenhar, desenhar e entrar em contato com os ambientes que possam demandar ilustrações. Revistas, jornais e sites. Aqui as possibilidades são inúmeras e lembre-se que as vendas unitárias das seus quadrinhos não irão quitar seus boletos.
05. Não idealize que seu trabalho será consagrado por outros quadrinistas. Não sonhe ou imagine que uma “Elis Regina” consagrará sua música. Confie no seu quadrinho e trabalhe no esquema mais punk possível: “Do it yourself” ou “faça você mesmo”.
06. Entenda que o tempo está a seu favor. A famosa desculpa do tempo. Para entender essa frase é sabido a necessidade de entender o critério de tempo e neste ponto, o problema é bem mais confuso. Por exemplo, se você pensar que nada é eterno, então o tempo, como conhecemos, não existe. Tudo somente é. Entretanto, os segundos foram impostos e assim vivemos em prol dos tique-taques.
Desta forma, se você estiver bem disposto e feliz com a história que está desenhando, em qualquer momento que você se voltar para esse trabalho, o tempo está a seu favor. Concluindo: se o tempo, por mínimo que seja, está a seu favor, faça valer cada instante.
06.01. Trabalhe com todas e quaisquer redes sociais fechadas. Encerre, não acione, bloqueie, não logue, silencie e não deixe o celular por perto vibrando sem parar. Assim você perceberá novamente como o tempo estará inteiramente ao seu lado.
07. Antes de começar a desenhar, fazer suas cores ou escrever seu roteiro, pare por alguns minutos. Como enfatizei desde o começo do post, isso funciona pra mim. Lembre-se que somos diferentes. O fato de eu ficar 5, 10 ou 20 minutos parado, sem fazer nada, me ajuda a aliviar alguns pensamentos que não me auxiliarão em nada no trabalho.
08. Não se prenda a nenhuma escolha, escola, forma ou estética imposta. Entendo o conforto em produzir algo que está em alta, que está sendo feito e dando certo, em usar cores ou efeitos que estão “na moda”. Entretanto, nada disso garante que seu quadrinho também será bem aceito.
Ser livre é extremamente difícil. O fato de ser livre e com autonomia para fazer o que deve ser feito implica em arcar com as responsabilidades desta escolha. Isso é angustiante. Aliás a angústia me parece ser necessária para uma sincera criação.
09. Faça seu quadrinho com o melhor que você pode oferecer. Já que vai fazer, faça da melhor forma possível! Com excelência e honrando todo prazo e acordo.
10. Nunca trabalhe de graça. Na dúvida em quanto cobrar por um trabalho, não hesite em perguntar para um colega.
11. Não desenhe no anseio de likes, retuítes ou qualquer outra forma de consolo virtual. Se estiver afim de fazer algum desenho, seja por motivo político, homenagem, contestação ou até uma fã arte, faça pelo ato e pelo processo. Obrigar-se a desenhar algo somente pelo fato do assunto estar em alta, sendo muito discutido, apenas te faz obrigado a reagir de acordo com o que está produzindo  algum tipo de efusão no meio. Ser voluntariamente obrigado a algo é extremamente desnecessário.

12. Não protele.

Termino por aqui. Seu comentário é sempre bem vindo e assim que puder responderei.

Um abraço.

Luciano Salles.