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Imagem retirada do Iradex

Olá, tudo certinho?

Nunca havia participado de um podcast até o receber o convite do Pedro PJ Brandão, que comanda o HQ sem roteiro, que agora fica dentro do site do Iradex. Assim, fui conhecer o programa, gostei bastante e marcamos para gravar. Conversamos sobre praticamente tudo desde que comecei a fazer quadrinhos. Falamos desde o horário que acordo até meus quadrinhos, como escrevo os roteiros, meu traço, conversamos sobre o tempo, ilustrações e muito mais! Fiquei contente com o resultado e deixo aqui o convite para você ouvir o programa.
Copiei o texto de introdutório do podcast, incorporei o áudio aqui no blog e deixo o link para, se preferir, ir direto até o Iradex e conhecer todo o conteúdo que eles mantêm ali!

Texto retirado do podcast HQ sem roteiro – Iradex
“O Tempo de Luciano Salles.

O tempo é muito importante para Luciano Salles. O quadrinista paulista sabe exatamente qual dia, mês e ano pediu demissão do seu trabalho como bancário para se dedicar exclusivamente ao trabalho com ilustração e HQs. Vendeu a moto que tinha e usou todo o dinheiro para imprimir os exemplares de seu primeiro quadrinho em cores, O Quarto Vivente, em 2013. De lá pra cá, lançou também L’Amour 12oz, em 2014, e Limiar: Dark Matter, em 2015.
O traço característico de Luciano talvez só não seja mais marcante do que suas tramas complexas, repletas de cortes temporais e multinarrativas que se intercalam. São quadrinhos que desafiam. Assim como o tempo. É sobre tudo isso e muito mais que Pedro PJ Brandão conversa com Luciano Salles no HQ Sem Roteiro Podcast dessa semana. Pode por suas luvas de boxe e subir no ringue”.
Seu comentário é sempre muito bem vindo.
Um abraço,
Luciano Salles.

Olá camarada, tudo bem?

Sou um dos artistas convidados para o 21º Fest Comix que acontece entre 17 e 19 de Julho, no São Paulo EXPO.

O Fest Comix é a maior e mais tradicional feira de quadrinhos do Brasil organizada pela Comix.

É uma baita honra ser convidado para este evento e ressalto que estarei presente no estande da editora MINO.

Leve lá sua edição de L’Amour: 12 oz para eu dar aquela rabiscada ou então garanta sua edição ali mesmo!

Grande abraço.

Luciano Salles.

Olá camarada, tudo certo?

L’Amour: 12 oz ainda continua conquistando resenhas. Fico extremamente satisfeito e honrado em ler textos sobre a HQ e ver que de certa forma, a revista tem a atingido o objetivo proposto.

Ontem saiu uma resenha muito interessante e bem escrita no site Quadrinhos na Sarjeta. O autor da resenha discute, no discorrer do texto, o termo ‘quadrinhos de autor’. Convido você à leitura e para conhecer o site, que até então, confesso, não conhecia.

‘O autor que esconde’: Sobre L’Amour: 12 oz : Link direto para a resenha no Quadrinhos na Sarjeta.

Entretanto, com sempre faço, deixo o texto na integra para leitura aqui também.
Espero que goste do texto.
Um grande abraço!

Luciano Salles.

“O autor que esconde”: sobre L’amour: 12 oz

Por Em 

Ano passado ocorreu a estreia da editora Mino no mercado de quadrinhos brasileiros. A aposta, segundo a própria editora, é “publicar quadrinhos autorais que possuam em comum uma personalidade marcante tanto de traço quanto de narrativa”. Ainda estou devendo ao QnS um texto mais aprofundado sobre o porquê das minhas ressalvas com esse selo chamado “quadrinho autoral”. Para ser direto: a autoria é uma invenção de gênero, um pouco diferente é verdade, mas ainda assim joga com convenções, categorizações e é cheia de clichês. Não podemos esquecer que a autoria, como hoje a entendemos, é algo sustentando pelo romantismo do século XIX, algo com o que as artes no século XX se degladiaram de diferentes formas, indo da morte do autor na literatura à política dos autores no cinema. 
Porém, esse é um outro papo. O que quero, neste momento, é analisar mais pontualmente como essa tradição da autoria aparece na primeira HQ publicada pela Mino: L’amour: 12 oz, de Luciano Salles. De certa forma, as pretensões dos quadrinhos autorais encontram em L’amour uma filiação bem clara, um sub-gênero desse gênero maior chamado de “arte autoral”.


A exemplo do que já ocorrera com sua HQ anterior, O Quarto Vivente, Luciano Salles joga com o enigma. O desenho é composto de fundos chapados, com pouquíssima perspectiva, sobrepostos de objetos e pessoas cheias de dobras, marcadamente em volta dos olhos dos personagens. Isso por si só já causa um efeito bastante peculiar. Porém, serve apenas de sustentação, atmosfera de estranhamento, para o enigma de L’amour: 12 oz que já começa pelo título. É a trama, ou melhor, a nossa dificuldade em assimilar o que está sendo tramado que Luciando Salles parece se divertir (e divertir quem gosta do trabalho dele). A extensa e cuidadosa análise de O Quarto Vivente por Paulo Cecconi, Lauro e Janaina de Luna Larsen (os dois últimos, editores da Mino) dá o tom da brincadeira que L’amour parece continuar. 
O que está em jogo? A nossa capacidade de montar quebra-cabeças. Isso se dá de muitas formas: existem os quadros insistentes em que nós nos perguntamos porque tal detalhe está sendo tão frisado (como no começo, nas pernas e meias estapafúrdias de um dos nossos boxeadores); tem também as séries de números que excessivamente acompanham os quadros, o que pode ser somente a hora do evento, mas pode ser também outra coisa; além das narrativas alternadas com os mesmos personagens em contextos distintos, fundos mutáveis, tempos diacrônicos, com ações que se completam páginas e páginas depois do seu intervalo. As cores de Marcelo Maiolo contribuem para essa atmosfera, gerando continuidade e corte, como na virada de página em que uma mesma ação muda de cor e linha de profundidade quando outro boxeador hesita em agredir o nosso protagonista.
De fato, é possível encher a boca para chamar de “história em quadrinhos autoral” o trabalho de Luciano Salles. E isso se dá justamente pelo o que há nele de respeito, de filiação formal a um gênero. Falo do simbolismo, da escola artística, filha direta do romantismo que fazia do enigma sua poética. O que um simbolista opera é a entrega de um signficante poderoso com um significado oculto. Esse significado só será revelado se você topar jogar – com quem? com o autor, o cara que está te convidando a mergulhar na sua obra e fazer dela uma arqueologia dos símbolos. Isso é algo bem diferente do surrealismo, por exemplo, onde o significado já está perdido de vez (e com isso, também o autor). O simbolismo, pelo contrário, faz do hermetismo a casa secreta onde o autor aguarda a chegada do leitor, isto é, se você, leitor, quiser ir até ele. Se você se recusar a partir nesse encontro, o jogo perde todo o sentido e a obra deixa de operar o que ela tanto se esforça em fazer. 
Isso não quer dizer que outras leituras não são possíveis em L’amour, porém quer me parecer que outras jornadas (como a surrealista que acabei de falar) tendem a delegar à HQ o estéril espaço do “cara, que loucura legal esse L’amour. Mas então, tu viu o novo trailer da Marvel e…”. Em resumo, o que quero dizer é que L’amour parece se completar somente se você o insere no gênero do quadrinho autoral, da HQ que traz, embutida em sua poética, o reconhecimento de um ator que diz “decifra-me ou te devoro”. 
Eu acho que matei parte do enigma ao final da leitura, mas a resposta pouco importa, É o processo que é caro ao simbolismo, é ele que sustenta o “ei, aqui existe um autor”. A pergunta – e provocação – que se pode fazer é: L’amour: 12 oz sobreviveria sem a presença simbólica de seu autor nos golpeando de mais e mais símbolos? Posto de outra forma, será que haveria luta simbólica na ausência desse ilustre oponente chamado de autor? É possível, mais daí acho que já não é mais boxe, e sim a solidão do alpinismo na leitura – mas esta é outra aventura. 
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L’amour: 12 oz saiu pela Mino em 2014, em excelente acabamento e cuidadosa edição.
Essa seria a capa de L’Amour: 12 oz.

Olá camarada, tudo bem?

Depois de mais de dois meses do lançamento de L’Amour: 12 oz com eventos, viagens, encontros e bate-papos, muito amigos virtuais se materializando e fazendo novas amizades, revelo aqui, apenas por curiosidade, a capa que não foi.

No último momento antes de enviar a revista para impressão, já conversando com os editores da MINO, houve da troca da capa da HQ, que sinceramente, achei que ficou melhor.

Se notar, na primeira capa, vai perceber que a revista ainda não tinha editora e faço com os cadarços das luvas uma referência diferente ao da capa que ficou. Repare também que coloquei um par de luvas entretanto, com duas mãos esquerdas.

É isso, grande abraço!

Luciano Salles.

A capa que ficou.

Olá camarada, tudo certo?

Acabou de sair uma resenha sobre L’Amour: 12 oz no site Contraversão. Se preferir ler o texto direto no Contraversão, este é o link, mas se quiser ficar por aqui mesmo, a resenha está na integra logo abaixo.

Grande abraço!

Luciano Salles.

Resenha: L’amour: 12 Oz

EM JANEIRO 9 | EM HQS | POR  | COM 0 COMMENTS
Albert Einstein disse que “O tempo é relativo e não pode ser medido exatamente do mesmo modo e por toda a parte”.
Essa frase veio em minha mente um dia após a leitura de L’Amour: 12 oz, a nova HQ de Luciano Salles, que em 2013 chamou a atenção do cenário independente lançando O Quarto Vivente, que é também o primeiro lançamento da Editora Mino, que promete publicações focadas em autores nacionais.
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Reli a história e concordei com Einstein, não posso medir ou criticar algo que vai ser diferente para você que me lê ou para a pessoa que nesse exato momento deve está lendo essa HQ. Luciano não opta pelo caminho mais fácil de contar suas histórias, ele escolhe o conceitual, o pensar fora da caixa e nos expor ao diferente. E tudo começa na sua arte, um traço forte, vibrante e desconcertante que, à primeira vista, nos causa uma certa estranheza, e seus personagens não são belos e musculosos, ao invés disso são enrugados, feios, desproporcionais e sem nenhum senso de moda.

A estranheza continua na forma que Luciano escolheu para narrar sua história, ele não optou pelo tradicional ‘começo, meio e fim’, na verdade é até difícil dizer onde é o começo da história, onde é o seu meio e muito menos onde é o seu final, pois a história não acaba quando você fecha o álbum.

Quanto li O Quarto Vivente também me senti estranho ao perceber que a história não acaba simplesmente quando acabo de ler e fechar o álbum, mas que ela perdura em sua mente durante um tempo. E em L’Amour, diria que esse sentimento de estranheza e confusão permanece mais tempo do que poderia supor.
Tive a oportunidade de me encontrar com o Luciano Salles na última FIQ (Feira Internacional de Quadrinhos em Belo Horizonte) e conversar sobre o que ele gosta de ler e o que o influencia. Mesmo assim, é difícil olhar para o seu trabalho, apontar o dedo e dizer “tal artista influenciou nesse trabalho”. Talvez seja até difícil definir o trabalho de Luciano Salles, pois não é um tipo de leitura no qual a pessoa pega a HQ para passar o tempo da hora do almoço, ele exige atenção do leitor e que ele participe ativamente do desdobrar da história.pqLamour
Ainda me pego perguntando se entendi a história, se consegui desbravar a narrativa não linear de Luciano. É uma história de amor, isso eu sei. Também uma história que envolve boxe e de como um soco pode doer muito. Sei o peso de uma luva de 12 oz, mas será que sei o que Luciano quis dizer realmente? Ele pode ter criado uma história e eu ter entendido outra.
Uma leitura que exige do leitor um lado pró-ativo para que ele possa entendê-lo e o que pode ser interessante, atrativo e desafiador para vários leitores. Porém, ao mesmo tempo (e olha que tempo é importante em L’Amour), possa impedir que novos leitores se arrisquem nessa aventura que no fundo é uma história de amor, só que contada de uma forma inesperada.
Não é fácil resenhar o trabalho de Luciano Salles. Qualquer detalhe que possa dizer sobre essa história de amor, tempo e movimento poderia ser um possível spoiler para alguém. O trabalho dele não pede para ser resenhado, mas sim desafiado. Como um artista surrealista, ele quer nós dar uma sensação lisérgica de quando a realidade é alterada do senso comum para o diferente, onde ninguém ou poucos foram e chegaram. Uma nova experiência.
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E da mesma forma que Luciano desafia o leitor para suas novas experiências de narrativas gráficas, gostaria de vê-lo desafiado em contar uma história mais “arroz com feijão” sem gourmertização. Gostei do que vi no álbum “Quatro Estações” que Luciano desenhou uma história roteirizada pelo Raphael Fernandes. E queria ver mais desse Luciano.
Antes de terminar, queria destacar duas; as cores do Marcelo Maiolo trouxeram um novo ar a arte de Luciano. E o belíssimo trabalho gráfico e editorial da Editora Mino, podemos esperar um alto padrão de qualidade nas suas publicações.
E para fechar antes que soe o gongo e meu tempo termine, quero dizer que gostei de L’Amour, é diferente e desafiador. E podemos esperar muito do Luciano no futuro.

Olá, camarada, tudo certo?

Para encerrar o ano, não poderia ter coisa mais fantástica do que este Vlog do Pipoca e Nanquim que o Bruno Zago comandou. O camarada fez o review de L’Amour: 12 oz, minha nova HQ publicada pela editora MINO em 05 de novembro deste ano.

Zago foi extremamente generoso em mostrar todos os meus trabalhos em quadrinhos desde que pedi demissão do meu antigo emprego. Mostrou a HQzine Luzcia, a Dona do Boteco (que agora foi adaptada ao cinema como um curta-metragem), depois O Quarto Vivente para enfim, fazer a resenha de L’Amour: 12 oz.

Vou parar de escrever e colocar o vídeo aqui:

Um grande abraço e um excelente 2015 para você que costuma me visitar por aqui!
Valeu…

Luciano Salles.

Olá, camarada, tudo certo?

Como você deve saber, lancei minha nova HQ L’Amour: 12 oz através da Editora MINO no dia 05 de novembro de 2014. E, devagar, as resenhas começam a aparecer. Hoje fui surpreendido pela linda resenha no Terra Zero escrita pelo Felipe Morcelli.

Confira toda resenha por aqui ou corra lá para o site da Terra Zero que é foda!

Grande abraço!

Luciano Salles.

HQ Brasil: L’Amour 12 oz de Luciano Salles

Postado em 19/12/2014, por Morcelli // em: DestaqueEspeciaisHQ Brasil // 0 comentário(s)

O amor pode bater forte. Tão forte quando o soco de um pugilista direcionado exatamente no meio do seu rosto. Luciano Salles, um expoente cada vez maior dentro dos quadrinhos independentes nacionais, criou uma obra tão sutil e densa quanto as nuances do amor e não economizou em detalhes narrativos visuais como economizou nas palavras, por exemplo. Ler “L’Amour 12 oz” não é uma tarefa fácil, pois trata-se de um quadrinho interativo, ou seja, ele requer que o leitor realmente participe daquela história para absorver algo e interpretá-la de forma pessoal. A introdução de Sidney Gusman (Editor da MSP) deixa claro o que o leitor tem em mãos: uma história incomum e desafiadora.
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Durante a leitura de tempo indeterminado, o leitor claramente vai entender que “L’Amour 12 oz” é de fato uma história de amor, mas nada piegas, como o próprio autor definiu num bate-papo com o Terra Zero durante a Comic Con Experience. E não será impossível para quem tiver a obra em mãos se reconhecer em algum dos personagens. São pessoas comuns passando por situações comuns (alegres e trágicas) da vida numa continuidade nada convencional proposta pela subjetividade narrativa de Luciano. Aliás, é interessante notar como o texto é cheio de simbolismo enquanto a arte não tem esta discrição toda. Ao contrário, ela bate tão forte quanto o golpe de um pugilista no rosto do leitor e o pega de assalto a cada virar de página.
Há muitas formas de se entender a história de “L’Amour” e uma das principais é compreender que, assim como na vida real, as dores do amor estão presentes na vida de qualquer um. Qualquer pessoa, por mais sensível ou viril que seja, está sujeita a bater com ele ou apanhar dele. Não é como se a história passasse uma lição de vida para o leitor. Longe disso. Mas ela o chama para o ringue, o chama para participar de um processo comum na vida de qualquer um: as idas e vindas do amor.
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Há alguns fatos curiosos a serem notas sobre este grande lançamento de Luciano. Primeiramente é notável a diferença de colorização entre “L’Amour” e seus trabalhos anteriores. Isso não é à toa. Ninguém menos que Marcelo Maiolo (“Green Arrow“, “Green Lantern Corps“) foi responsável pelas cores, assim como há intervenções matadoras de Gustavo DuarteRafael Albuquerque e Marcelo Braga. Elas não fazem parte direta da narrativa da história, mas certamente respeitam seu conceito mais básico: pegar o leitor de assalto como numa luta de boxe.
Como não podia deixar de ser, o Terra Zero bate um papo rápido com Luciano Salles para que ele fale desta sua mais nova obra, o primeiro lançamento da recém fundada editora MINO.
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Entrevista
Luciano, como foi a negociação para que seu mais novo álbum, “L’Amour 12 oz”, fosse o primeiro lançamento da MINO? Como você se sentiu ao saber que estrearia a editora?
A negociação foi bem tranquila. Eu tinha toda a HQ pronta quando a MINO entrou em contato. Conversamos e tudo se acertou bem rápido. A editora tem pessoas que confio e desta forma, fechei com eles.
Agora, ter o meu trabalho inaugurando as publicações da Editora, foi algo que me deixou extremamente honrado. A MINO deixou claro que vai trilhar por publicações que tenham uma personalidade tanto de traço quanto de narrativa e isso pode ser conferido na página da editora. Sabendo disto e sendo convidado para inaugurar as publicações da editora? Camarada, fiquei feliz demais. Ainda mais sabendo o que está por vir, com trabalhos de renomados quadrinistas brasileiros. Puxa vida…
Durante a Comic Con Experience, você contou ao site que queria fazer uma história de amor depois de “O Quarto Vivente”. Por quê?
Eu tinha a história em fragmentos na minha cabeça antes mesmo de publicar O Quarto Vivente. Entretanto, depois de publicar O Quarto Vivente, eu sabia que tinha que escrever uma história de amor. Não uma história com ensejo piegas ou melosa. Tinha que ser uma narrativa que trouxesse o amor como foco.
Com L’Amour: 12 oz consegui o que queria. A falta de afetividade em O Quarto Vivente, me obrigou a utilizar o tema. Foi alguma coisa que tinha que ser feito.
Você diria que o amor bate tão forte quanto o golpe de um pugilista? Seria o amor capaz de fazer sentir e de infligir dor (tanto a nível sentimental como a nível físico)?
L’Amour: 12 oz não é uma teoria sobre o conceito do amor. Ali, retrato o amor de um antigo pugilista. O que trato tanto como o amor na HQ é a questão do tempo, do peso do tempo, do conceito termodinâmico do tempo e de como o tempo tem velocidades diferentes para cada um. Tudo isso, sempre entrelaçado ao tema amor.
O lance do pugilista, do boxe é que desejava usar uma metáfora para o máximo da virilidade de um homem para contrastar com a história.
Agora o amor, assim como o tempo, age de forma variadas para cada um. Para alguns pode bater tão forte como um peso pesado.
Tomando os personagens de “L’Amour 12 oz” como exemplo, você diria que o amor é imortal, mesmo que passe por momentos diferentes como, por exemplo, o envelhecimento das pessoas?
O amor na revista se transforma com o tempo nele aplicado. O amor é algo mutante, que se aprimora, se desenvolve e que como nós, deve ser alimentado. Não obedece métricas ou compassos. Ele reage apenas com o tempo. Andam juntos. Assim, na HQ, o amor acompanhou o velho pugilista e moldou as suas necessidades. Assim como com os outros personagens, que são sobressaltados com o mesmo sentimento, juntamente com o tempo.
Por que fazer uma história com tantas quebras narrativas e temporais? A não linearidade é seu estilo pessoal de fazer quadrinhos?
Acho que isso tem acontecido naturalmente. Confesso que escrevi o roteiro de L’Amour: 12 oz do jeito que sentia que o mesmo deveria ser escrito.
O tema me permitia isso. Falo de amor e tempo, o que pra mim são temas que não obedecem literalmente uma ordem. Por isso a quebra da narrativa.
E aliás, há duas linhas narrativas que correm na HQ. Uma para cada casal. Uma cronológica e outra não. O detalhe é que usei o mesmo texto para as duas histórias.
Então, não acredito que a não linearidade seja um estilo meu para fazer quadrinhos. O que acredito é que uma HQ não necessita ser estritamente linear.
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Explique como surgiu a ideia de ter Marcelo Maiolo como colorista de seu projeto e, é claro, como foi ter um trabalho seu colorido por outra pessoa.
Em 2013, o Marcelo Maiolo, coloriu um Hulk que eu havia desenhado. Quando recebi o Hulk colorido fique espantado. Achei que as cores havia combinado muito com o meu traço. Aliás, achei que havia valorizado e muito meu desenho.
Acho que quando estava desenhando a página 30 da HQ, ou algo assim, tive esse estalo. Pensei comigo mesmo que poderia arriscar e convidar o Maiolo para colorir a HQ. Lógico que sabia dos títulos que o cara é responsável, mas mesmo assim arrisquei. O máximo que poderia ouvir seria um sonoro não.
O melhor de toda essa história é que o Maiolo aceitou colorir a revista. Agora ver meu trabalho colorido pelo Maiolo é incrível. Sempre fui fã das cores do camarada e ele ouviu sobre como gostaria que as cores fossem. Elaborou uma paleta com poucas cores e acertou de primeira!
Ter seu trabalho colorido pelo Maiolo é como entregar um fusquinha para ele e ele poliu, poliu, poliu até virar um Porsche (risos).
Você tem se estabilizado como um profissional em constante ascensão no mercado, e com um grande diferencial: não trabalhou com as majors americanas e produz seus próprios álbuns de forma autoral e independente. Por que resolveu trilhar este caminho? Você já pensou em trabalhar para aluma major americana em projetos especiais?
Fico muito honrado em ouvir tantos elogios nesta pergunta. Muito obrigado!
Esse caminho é o mais natural para mim. Acredito que o fato de antes de fazer quadrinhos eu ter trabalho por quase 20 anos com normas, regras e um disciplina extremamente rígida, tenha me induzido a liberdade que prezo ao meu trabalho como quadrinista. Acho que nunca me imaginei fazendo um trabalho para alguma major norte americana. Fico imaginando onde me traço se encaixaria. Onde? Como seria? Entretanto, nunca recebi proposta alguma. Se algum dia receber, com certeza vou analisar com carinho. Nunca fecho porta alguma.
Mas, intimamente, eu sempre gostei de fazer tudo sozinho. Sempre gostei de ‘do it yourself’. Foi assim com minha primeira HQzine, Luzcia, a Dona do Boteco. Foi assim com O Quarto Vivente e foi assim com L’Amour: 12 oz, que a editora MINO apareceu quando praticamente a revista estava pronta.
Só tenho que ressaltar que tenho um grande camarada, amigo e parceiro que lê todos os meus roteiros, corrige e faz a revisão. Além de eu enviar todas as páginas enquanto vou produzindo a revista. Esse cara é o Daniel Lopes, apresentador do Pipoca e Nanquim. Ele é de minha extrema confiança e desta forma, sem o aval dele, nada será feito.
Não tenho problemas em trabalhar com editores. Considero o Daniel Lopes como um editor que tenho o privilegio de ter. Ele sugere, eu analiso e eu aceito.
Agora voltando ao assunto majors. Nunca recebi convite algum. Se algum dia receber, ficarei feliz em poder analisar e quem sabe…
Seus álbuns têm recebido grandes elogios e ótima receptividade aqui no Brasil. Inclusive, na Comic Con Experience você contou ao Terra Zero que vendeu “O Quarto Vivente” e “L’Amour 12 oz” para pessoas que sequer tinham lido quadrinhos na vida. E, curiosamente, devido à sua grande influência em Moebius, há um ar fortíssimo de quadrinhos europeus no seu trabalho. Já houve propostas para que seus trabalhos chegassem a outros países?
Sim, já fui notificado de um interesse lá no velho continente.
Esse lance de ar europeu das meus quadrinhos também é algo natural para mim. É exatamente dessa forma que prefiro fazer. Li muito quadrinho norte americano, europeu, japonês e muito coisa nacional. Minha estética é essa que venho apresentando. Não forço nada. Não fico pensando em fazer algo ‘bem europeu’, ou algo assim, ou de outra forma. Faço como meu trabalho flui e me identifico.
O que eu contei para vocês na Comic Con Experience foi algo lindo. Um camarada de uns 40, 45 anos se aproximou da minha mesa me dizendo que havia gostado da capa da L’Amour: 12 oz.
Conversei tranquilamente com o camarada que me revelou que não era leitor de HQ, mas que havia gostado do meu desenho, dos temas das minhas revistas, do nosso bate-papo e resolveu comprar as duas HQ. Até fiz o convite para ele conhecer melhor o Artists Alley, falei que era maior que o Artists Alley da Comic Con de San Diego e, finalizando as compras dele comigo, observei ele sumindo em direção ao estande Chiaroscuro, observando as mesas de mais artistas.
Pra finalizar, o que você pode dizer sobre seu próximo projeto?
Bem, já estou finalizando o roteiro do meu novo trabalho. E acredito que muitos vão se surpreender. Digo isso pois talvez seja o meu trabalho mais diferente entre OQV e L’Amour: 12 oz. Acho que posso adiantar que haverá um pouco de violência. Já está ótimo!
Luciano, obrigado mais uma vez por conversar com o Terra Zero!
Eu que agradeço ao espaço e apoio. Fazer quadrinhos sem o apoio de gente como vocês para divulgar e fazer o mercado girar, seria em vão. Um grande abraço e muito obrigado!

Olá, camarada, tudo certo?

No dia 08 de novembro de 2014, em São Paulo, mais especificamente na Gibiteria, aconteceu o lançamento de L’Amour: 12 oz, publicada pela recente e inovadora editora MINO.

Foi demais! Confira o vídeo do lançamento.

Capa de L’Amour: 12 oz.

E finalmente saiu a primeira resenha oficial de L’Amour: 12 oz!

Através do fantástico Pipoca e Nanquim, Diego Penha resenha ‘doze onças’ e pelo que li, fiquei feliz demais. A análise é longa mas vale o texto.

O link para o texto na integra está logo abaixo deste trecho:

“Realmente o tempo é uma pedra angular da narrativa. Para mim fica cada vez mais claro que como um formalista, Luciano espera que o leitor seja ativo no processo de leitura. Realmente está nos chamando para-o-pau e  isso faz com que este seja um gibi para todo mundo. Ninguém tirará leite dessa pedra tão facilmente e o rei está realmente pelado, só os esnobes não admitem a nudez do mestre. É ridículo. A generosidade de Luciano está em nos lembrar de que esse objeto em minhas mãos – um gibi – não passa de um bolo de papel com imagens estáticas. A continuidade é uma ilusão espaço-temporal. Não há vida nestas páginas, a não ser aquela que você leva com você para a leitura. Nesse sentido, o gibi nas mãos de Salles é um dispositivo que tem como um de seus mais importantes elementos o leitor. Um olho confeccionado à priori em sua prancheta. Minha segunda leitura foi extremamente mais prazerosa. A cronologia deixa de ser uma preocupação minha e passa a ser só um recurso. Que bom, pois tenho tantos outros. Obrigado Luciano, por me lembrar disso.”

Aqui você pode conferir a resenha indo direto para o site do PN: http://pipocaenanquim.com.br/destaques/resenha-lamour-12oz/

É isso!

Grande abraço e até o próximo ‘post’…

Luciano Salles.

Olá camarada, tudo bem?

Hoje é o lançamento de L’Amour: 12 oz aqui em Araraquara, na Mondrian Ambiente.

O evento acontece das 16h00 às 22h00.

Fica o convite para conhecer meu novo trabalho publicado pela editora MINO, tomar um vinho, uma cerveja e encontrar muita gente querida!

Espero você lá!

Abraço.

Luciano Salles.

L’Amour: 12 oz, de Luciano Salles

Olá camarada, tudo bem?

Agora você já pode adquirir seu exemplar de L’Amour: 12 oz.

É só ir para a Loja Online por aqui mesmo ou pelo botão lateral e, finalizar sua compra.

Aqui uma breve sinopse:
“A precisão do tempo não se curva as exigências de um sincero amor. Seja qual for ou haja o que houver, você o fará. Você tem o tempo a seu favor. Você tem o controle do início ao fim.”

Agradeço você que acompanha meu trabalho e que por tempos, tem visitado o bloguesaite para conferir como andava a produção desta nova história em quadrinhos e que, em pouco tempo, estará em suas mãos.

L’Amour: 12 oz é minha terceira HQ, publicada e distribuida pela editora MINOque promete um excelente 2015 para os quadrinhos brasileiro.

Muito obrigado e boa leitura!

Luciano Salles.