Posts

Olá, tudo bem?
No próximo Sábado, dia 09 de fevereiro de 2019, coordeno uma oficina de desenho e ilustração que acontecerá no SESC Ribeirão Preto.
A oficina será de apenas um dia, somente para 14 pessoas, e acontecerá em dois horários que os oficineiros devem cumprir:
– das 10h às 12h;
– das 13h30 às 15h30;
Inscrições na unidade ou pelo telefone (16) 3977 4477. Ressaltando que serão apenas 14 vagas, a partir de 16 anos.
OBSERVAÇÃO: na divulgação aconteceu o erro em dizer “14 vagas por horário”. A carga horária da oficina são de 4 horas, divididas em dois períodos: matutino e vespertino.
Reserve seu lugar e nos vemos no próximo sábado.
Um abraço.
Luciano Salles.

Olá, tudo bem?
O ano começou. Para muitos, toda uma festa com esperanças renovadas. Para outros tantos, apenas um ciclo constante. O planeta não comemora o ano novo, os animais tão pouco. Nós é que precisamos de auto incentivos, novos empurrões, pular ondas e outras mandingas pois somos extremamente carentes de entendimento, discernimentos e programados para acreditar. Acreditamos pois somos seres sociais e para isso funcionar direitinho (novamente), precisamos acreditar em algo. Mesmos que seja acreditar em nada.
Esse primeiro parágrafo ficou razoavelmente carregado de ceticismo mas minha intenção não é deixar você depressivo ou depressiva. Acredito que seja o inverso disso. De qualquer forma, desejo que tenha uma boa sequência de dias ou mesmo, um excelente 2019.
Logo abaixo seguem as ilustrações que fiz para a coluna do Daniel Furlan, publicada pelo jornal Folha de S.Paulo no caderno de cultura Ilustrada.
Novembro
Ilustrações para o jornal Folha de S.Paulo
Dezembro
Ilustrações para o jornal Folha de S.Paulo
Um grande abraço!
Luciano Salles.
Minha MESA H01, sempre ao lado do amigo
Camilo e agora do seu irmão, Aldo Solano.

Olá. Tudo bem?

Cheguei em casa, em Araraquara, na segunda-feira, às 20h, depois de muito trabalho na CCXP e poucas horas de sono. Ainda tenho o dia de hoje para me recuperar pois amanhã já começo um trabalho com algumas ilustrações que ficarão bem legais mas isso fica para um próximo ¹post.
Antes do saldão de balanço, preciso agradecer as empresas que me apoiam, dão suporte e conforto para minha estadia e ida até a CCXP.
Muito obrigado Mônica e o Colégio Pueri Domus Araraquara! Sem vocês não conseguiria trabalhar com a tranquilidade e descanso necessários para atender tantos leitores da melhor forma possível. Muito obrigado Teresa e a Mondrian Ambiente e também ao Elio Lio e a World Game. Foi por vocês que trabalhar na mesa do evento foi muito, mas realmente muito mais fácil! Muito obrigado Marcella e ao espaço Shanti Yoga, onde aprendo a respirar, a viver o agora e não deixo meu corpo derreter flacidamente – durante todo ano – na minha mesa de trabalho. Valeu Piva, Cris e Portal Informática pela cadeira gamer absurdamente confortável (recomendo para qualquer desenhista essas cadeiras!). E muito obrigado Leandro e Visual Comunicação pelos incríveis banners.
Empresa parceiras, que entendem minha necessidade como artista e que aceitam minhas contrapartidas. Muito obrigado!

Para finalizar, muito obrigado a minha esposa, namorada, melhor amiga do mundo e também minha professora de Yoga, Lilian Penteado, que passou um frio danado, trabalhou pesado recebendo os leitores, cuidando das vendas e fazendo o caixa do evento com todo amor e carinho do mundo! E muito obrigado Ivan, por entender minha necessidades.

Já tenho uma ²postagem pronta sobre os apoios culturais e que ainda esse ano, disponibilizo aqui. Fique ligado!

Saldão de balanço.
Ter o privilégio de ser selecionado e estar em uma das mesas da CCXP é uma experiência incrível. É quando saio da minha toca interiorana para receber leitores e leitoras de todo Brasil, pessoas que gostam das minha HQ, desenhos, traço e também onde consigo apresentar meu trabalho para quem não conhecia meus quadrinhos.
No sentido comercial, é o evento onde faço o maior número de vendas e por consequência, tenho uma maior margem de lucro. Claro que não são somente vendas de quadrinhos pois incremento minha mesa com prints, venda de desenhos originais, sketches e sketchcovers.
Entenda que esse não é um evento somente de quadrinhos como, por exemplo, o Festival de Quadrinhos de Belo Horizonte ou somente, FIQ. Os quadrinhos na CCXP funcionam como o coração pulsante de tudo aquilo. É um evento que abrange toda cultura nerd, geek e o que mais a cultura pop engloba. Desta maneira, a convenção agrega o mais diverso público e isso também é contabilizado nas vendas da minha mesa.
Camarada Forlani ♥️
Foto por Lilian Penteado.

Amigos, camarada e colegas.

Cada vez tem se tornado mais difícil encontrar e conseguir conversar tranquilamente com outros autores. São sempre algumas poucas palavras em um encontro furtivo numa saída para ir ao banheiro ou comer algo. Peço desculpas se deixei de cumprimentar alguém que, por acaso, tenha cruzado pelo caminho.
Fico por aqui. Sei que foi um post breve e até superficial mas o cansaço está pegando. Os comentários estão abertos para você participar ativamente do blog e com certeza responderei.
Grande abraço.
Luciano Salles.

Gerações bem diferentes porém similares.
Foto por Marcelo Forlani.
Ivan de cosplay de Wolverine para não mostrar a cutis
cansada. Eu e a Lilian caímos nessa, ahahah!
Foto por Larissa Sartori.
Tranquilamente fumando minha caneta. Foto
por JP, do Melhores do Mundo.
Meditando no saco do Sansão.
Foto por Lilian Penteado.

Com Jeff f. King, meu novo amigo gringo,
que pediu um sketch em seu caderno
que tinha desenhos do Tim Sale, Jae Lee,
Bengal, Bill Sienkiewicz e agora meu!
Foto por Lilian Penteado.
Observando o tríceps do John Romita Jr,
com as mão para trás como forma de

respeito e admiração pela arte do camarada.
Foto por Lilian Penteado.

Minha esposa e eu, ambos cansados
(a foto mostro isso nitidamente) mas
felizes. Obrigado, namorada ♥️

Com o camarada Fernando Caruso, que levou o
Savage Dragon e é a única pessoa que conheço
que tem da edição nº 1 até a última lançada!
Foto por alguém.
Longo bate-papo antes da Spoiler Night com
Danilo Beyruth e Leo Finocchi.
Foto por Lilian Penteado.
Com o super cineasta Guilherme Bonini, o Luiz da
TARP Comunicação e o fantástico fotográfo Lucas Tannuri.
Essa foi a trupe responsável pela imagens da Loja da LUPO.
Foto por Lilian Penteado.
Batman: gárgulas por Luciano Salles. Cores por
Wesllei Manoel.

Olá, tudo bem?

Chegou a hora de divulgar o segundo print exclusivo para a Comic Con Experience 2018 e com as cores por Wesllei Manoel.

Como o Marcelo Maiolo – meu parceiro de cores e amigo #redfootpower – estava atribulado com tantos títulos para colorir e prazos, pedi a ele e ao Ivan Freitas indicações de coloristas para o desenho. Tive os nomes e assim que vi o trabalho do Wesllei, já sabia quem seria o camarada para essa parceria.
Ele é colorista agenciado pela Chiaroscuro e você pode conferir seu trabalho no portfólio da Chiaroscuro.

Pedi a ele uma breve biografia para apresentá-lo a você e segue o que enviou: “2017 foi um ano de estreias para Wesllei Manoel, tanto na Chiaroscuro Studios quanto no mercado de quadrinhos nacional e internacional. Já havia feito algumas participações em HQ’s autorais mas nenhum título só dele. Até agora passou por 3 Editoras, estreou na revista “Kiss Annual” para Dynamite e desde então passou pelas Revistas Librarians (Dynamite), Tintan (Amigo) e por uma série de revistas com o tema WWE para a BOOM Studios.”

Esse é o segundo desenho que fiz exclusivamente para a CCXP 2018. Quando pensei em desenhar um Batman, queria que, de alguma forma, o Coringa estivesse envolvido. Não queria colocar somente os dois para lutarem ou coisa assim. Preferi então deixar sugestionado a presença do lunático piadista. As gárgulas foram consequências para que uma delas levasse o arqui-inimigo do Homem Morcego a marcar seu território.

As cores que eu estava fazendo para o desenho não estavam ficando legais. Tentei bastante mas chega uma hora que um colorista com melhores resoluções do que as minhas, teria que entrar em ação e assim foi feito.

Arte original à venda, por Luciano Salles

Um detalhe importante! A arte original está à venda e para adquiri-la é só entrar em contato através do e-maillucianosalles@dimensaolimbo.com

RESERVE SEU PRINT!
Se gostou do desenho dá para garantir o seu agora!
Como não farei muitas cópias, reserve seu print também pelo e-maillucianosalles@dimensaolimbo.com com o título: Quero um print do Batman gárgulas. Desta forma preparo uma lista com todas as reservas e você garante sua arte tranquilamente.

As cópias em tamanho A3 serão vendidas por R$25,00 na minha MESA que é a H01.

Uma dica? Lembre de marcar os números das mesas que pretende visitar no Artists’ Alley e qual produto deseja em cada uma delas. Facilitará muito seu passeio pelo evento!

Fico no aguardo da sua reserva do print, quem sabe adquirir o original e qualquer comentários.

Um abraço.
Luciano Salles.
Olá, tudo bem?
Dei uma entrevista para o fórum Multiverso Bate-Boca e o resultado ficou demais. Agradeço a iniciativa e contato do Gustavo Soares pela perguntas feitas e fundamentadas pelos leitores do site.
Batemos um longo papo e falei sobre formação, com é ser quadrinista, se dá para viver assim, influências, dinheiro, música, processo criativo, explicações sobre detalhes das minhas HQ, conversamos sobre outros quadrinistas, dificuldades, motivações, enfim, uma longa e sincera entrevista.
Adicionei todo conteúdo logo abaixo mas deixo o link para lê-la direto no MBB, com direito a imagens e comentários antes de depois da pauta.
Muito obrigado.
Luciano Salles.
– Poderia começar se apresentando? (quem é, onde nasceu e cresceu, família, formação acadêmica, como começou a ler quadrinhos e desenhar, etc.)
Meu nome é Luciano Salles, nasci no dia 14/02/1975, em Taquaritinga, uma pequena cidade no interior do estado de SP. Ainda criança minha família mudou-se para Araraquara, uma cidade vizinha cinco ou seis vezes maior. Araraquara me acolheu muito bem e chegando na cidade encontrei tudo o que mais precisava na época: fanzine, skate, música e o movimento punk.

Minha família teve que se mudar para São Carlos e eu continue morando em Araraquara, isso com 16 anos. Então já com essa idade aprendi a me virar sozinho. Me formei em Engenharia Civil, pós graduei em Engenharia de Segurança do Trabalho e atuei na área até ir trabalhar em uma instituição bancária.

Ainda em Taquaritinga já lia turma da Mônica pois gostava de desenhar e meus pais compravam uma revista no mês pra mim. Lembro que eu lia tudo e ficava tentando desenhar os personagens das histórias do Penadinho.


– Aos 37 anos você deixou de ser bancário para se dedicar exclusivamente aos quadrinhos. Como foi essa decisão? Qual a reação das pessoas mais próximas?
Eu adoeci na empresa que trabalhava e acho que adoeceria em qualquer trabalho que fizesse naquela época. Adorava trabalhar no banco porém, dos 35 aos 37 anos comecei a perceber que algo não ia bem com minha saúde. Fiquei durante um ano me consultando com médicos, das mais diversas especialidades, para tentar descobrir o que estava acontecendo comigo até que tive minha primeira crise de uma doença chamada síndrome de pânico.

É algo que não desejo para ninguém pois não existe nada mais horrível e sofrível neste mundo. É comum as pessoas confundirem ansiedade aguda, pressão no trabalho, tristeza, achar que vai morrer entre outros vários sintomas com a doença mas quem irá diagnosticar será um bom médico psiquiatra. Esse realmente foi o motivo que tive que deixar o Banco. Eu não tinha mais capacidade neurológica e psicológica de trabalhar ali.

Até tentei voltar mas o cargo que tinha não permitia erros e comecei a cometer falhas primárias até que a direção do Banco decidiu atender e, entender, meus pedidos de desligamento (foram vários) por perceber que eu não tinha mais condição. A diretoria do Banco foi extremamente atenciosa, gentil e tão humana que me demitiram, recebendo  assim, todos os meus direitos. Sou muito grato por isso.

Minha esposa foi a primeira pessoa a me dizer para pedir demissão. Ela havia percebido que algo não ia bem comigo então, tive total apoio da família.

Faço aqui um adendo: trato da minha síndrome do pânico desde 2012 com medicamentos, yoga, andando muito de bicicleta e visitando bimestralmente meu psiquiatra. Ainda tenho meus altos e baixos e o acompanhamento é fundamental. O que quero dizer é que não use o Google como um guia médico achando que tem tal doença. Se sentir que algo não está certo, vá a um médico de referência no assunto.

– Financeiramente falando, consegue hoje viver somente de sua arte?
Consigo. Claro que não ganho tão bem como ganhava com meu trabalho anterior. Tem meses que são excelentes e outros que posso não receber nada. Então, um boa gestão financeira é fundamental. Aliás, percebo que muitas pessoas são praticamente ignorantes neste aspecto.


– Quais desenhistas influenciaram seus trabalhos? E roteiristas?
Desenhistas posso citar três: Moebius (sempre em primeiro lugar), Lourenço Mutarelli e hoje percebo o quanto (e cada vez mais) Frank Miller também me influenciou. Agora roteiristas, já é algo que acredito que minhas influências vem do cinema. Aliás, minha maior influência para fazer quadrinhos vem do cinema. Sou fascinado por alguns diretores como David Lynch, Stanley Kubrick, Gaspar Noe, David Cronenberg, Pedro Almodóvar, Gus Van Sant, Lars von Trier. Penso que esses são minhas influências como e, para roteiristas.

– Você já fez ilustrações de Laranja Mecânica (cinema), The end of the f***ing world (seriado) e já fez capa de álbum musical (Os Capial). Quais suas referências nessas três artes (cinema, seriado e música)? Há alguma influência delas em suas obras?
Acabei respondendo um pouco desta pergunta na questão anterior. Existe uma total influência do cinema e música nas minhas obras. Sou fascinado por essas duas artes. Minha mãe é pianista (não exerce como profissão) e sempre tivemos piano na minha casa, sempre ouvia minha mãe tocando os mais diversos temas e compositores. Meu irmão mais novo não é pianista mas estudou um pouco e tem um ouvido incrivelmente apurado. Meu irmão mais velho também tocava violão. 
– Seu processo criativo é sempre o mesmo ou varia de acordo com a obra? Poderia descrevê-lo? (roteiriza e depois desenha; rascunha enquanto roteiriza?) Sempre trabalha com papel ou também desenha digitalmente?Geralmente é sempre o mesmo. Por vezes a ideia de uma história pode surgir de uma simples observação. Por exemplo, a história de L’Amour: 12 oz, surgiu do fato de em uma manhã, eu observar a caneca de café que eu estava tomando: o tempo passa, o café vai esfriando e eu vou gostando mais ou menos dele. Em EUDAIMONIA, a história veio toda em minha cabeça por observar e pesquisar qual felino seria o mais efetivo em suas caçadas.

Pode parecer estranho mas é assim que as ideias para as histórias surgem pra mim. Alguma coisa me chama a atenção, observo, crio a relação com algo que pode vir a ser um bom tema, uma boa história e vou montando toda ela somente na minha cabeça sem anotar absolutamente nada. Não posso ter um caderninho de notas. Isso geralmente me atrapalha.

Com toda a história pronta na cabeça, vou direto para o computador escrever o roteiro, que faço como um roteiro de cinema, bem detalhado, descritivo pois assim ganho tempo na hora de desenhar as páginas.

Tendo o roteiro finalizado, envio para uma primeira revisão. Voltando corrigido, já começo a desenhar as páginas, que sempre são em um bom papel e com pincel e nanquim. Digitalmente eu só faço as cores, se necessário.

– Todos seus trabalhos até então são de autoria somente sua (roteiro e arte). Já recebeu proposta de desenhar roteiro de terceiros? Tem vontade de trabalhar com algum outro roteirista ou desenhista? Se sim, quem?
Já recebi várias propostas de desenhar para outros roteiristas mas é algo difícil para mim e sinto que seria angustiante. Desenhei uma história do Raphael Fernandes e simplesmente parece que não fui eu que desenhei.

Penso que seria mais fácil (pra mim) desenhar algo que o público já conheça. Por exemplo, desenhar uma história do Justiceiro. Pronto, é algo que faria. E se fosse, por exemplo, com um roteiro do Frank Miller, do Mark Millar, do Gaspar Noe. Esse é um detalhe que tenho: sempre gosto de pensar alto, vai que acontece, rs.

– Você produz, edita, divulga e vende diretamente. É uma escolha esse domínio de todo o processo ou gostaria de poder se dedicar exclusivamente à criação?
Gosto de todo esse processo (neste aspecto sou extremamente punk), gosto de receber uma resposta do leitor pois todo o caminho de se produzir uma HQ se encerra com o leitor(a). Ele(a) é a peça chave de todo ciclo.

Financeiramente, manter esse processo é mais lucrativo. Claro que gostaria muito de algum auxílio para ir aos Correios ou fazer pacotes, por exemplo, mas enquanto posso e consigo tempo para fazer isso, faço com prazer.

Seria muito bom e, diferente, somente me dedicar a criação mas ainda não chegou esse momento.

– Dos seus cinco trabalhos: três foram publicados de forma independente (Luzcia, a dona do boteco; O quarto vivente; Limiar: dark matter); um por editora (L’Amour: 12 oz pela Mino); e um  financiado através do Catarse (Eudaimonia). Quais as diferenças e qual a sua preferência?
Definitivamente o financiamento coletivo é onde melhor me encaixo. Apesar de ter publicado com a MINO, nunca tiver um editor direto. L’Amour: 12 oz estava pronta quando a MINO entrou em contato comigo e publicou então, basicamente, fiz e faço tudo sozinho entretanto, sempre confio a alguém muito competente a revisão dos meus trabalhos. Até o momento as pessoas que fizeram as revisões foram o Daniel Lopes e o Audaci Junior.
– É raro vermos quadrinistas independentes reimprimindo suas obras esgotadas. No seu caso, Luzcia, a dona do boteco esgotou faz tempo. Por que não reimprimir?
Por ter sido uma “HQzine” tão simples, feita de forma inocente, despretenciosa, toda dobrada a mão, grampeada e com uma tiragem de 100 cópias, reimprimi-la deve ser algo muito especial e quando chegar o momento, saberei como fazer.
– Atualmente o Catarse e outros sites de financiamento coletivo estão passando por um momento complexo: de um lado há crise de credibilidade em relação a projetos independentes, pois muitos projetos (inclusive de HQ) recolheram o dinheiro e não entregaram as recompensas; de outro lado cada vez mais editoras buscam ali financiar suas publicações, como a Figura e a Editora 85. Como foi sua experiência de financiamento coletivo? Pretende repetir?
Minha experiência foi fantástica e minha próxima publicação será pela mesma plataforma. Existem esses casos que citou, que deveria prejudicar a imagem de quem fez e faz as besteiras e não a plataforma, pois o método do financiamento coletivo é algo fantástico. É uma das grandes benesses que a internet pode proporcionar.

Estudando a plataforma, entendendo bem como funciona aqui no Brasil, sabendo dos riscos e padrões, fazer uma campanha bem sucedida não é somente bater a meta do valor requerido. É fazer todos as apoiadores receberem suas recompensas antes de qualquer distribuição ou venda da revista. O apoiador terá sempre a preferência.

– Em seu blog (dimensaolimbo.com.br) você já compartilhou algumas trocas de informações entre você e outros quadrinistas, como Rafael Grampá, Fabio Bá e Marcelo Maiolo – este com direito até a print da conversa. Você também ministra cursos e oficinas de quadrinhos. Entretanto você é autodidata. Busca oferecer algo que acredita ter lhe faltado? Faltam professores e informações sobre quadrinhos?
Essa realmente é uma pergunta complexa. Como autodidata, aprendo todos os dia alguma coisa nova no tocante a fazer quadrinhos. E também, como autodidata, aprendo muito quando aceito todas as criticas que meu trabalho possa receber de pessoas como o Grampá, o Bá e o Maiolo.

Foram pessoas que conheci, admiro muito e que sinceramente criticam meu trabalho de um forma que só faz crescer. Todas essas criticas são lições que aprendo para nunca mais esquecer. Me sinto um privilegiado de o Bá, chegar em mim no FIQ 2018, e falar o que achou da minha nova HQ. Isso pelo fato de eu ter pedido um sincero feedback. Aqueles 15 minutos que conversamos foram uma das melhores aulas que já tive sobre fazer quadrinhos.

Nos curso que coordeno, procuro passar tudo o que aprendi e tenho aprendido, como faço, o motivo de fazer daquele jeito, meios de como procurar uma ideia não tão comum, enfim, meus cursos são muito mais subjetivos e introspectivos do que me propor a ensinar como fazer um desenho realista, técnicas de aguada, aquarela, cores e o que for, até porque, não sei nada disso.

– [PERGUNTA COM SPOILER DE QUARTO VIVENTE E LIMIAR: DARK MATTER] Suas obras são marcadas por flertarem com o abstrato em algum momento. Há algo de nonsense ou tudo tem algum sentido específico? Alguns autores preferem não comentar pontos específicos de suas obras, deixando as interpretações para o público. Como pensa sobre isso? O que diria para alguém que lhe perguntasse “o que significa aquela beluga” ou “Nadio e Carino morreram”?
Não tem nada de nonsense nas minhas histórias e tudo que está ali tem um sentido específico e função. O que acontece é que insiro alguns níveis de camadas na história e faço isso propositalmente, pois cada pessoa é única assim como sua leitura. O processo de ler é igual para todos(as) mas a absorção no interior da mente daquela pessoa, junto de toda bagagem de vida que ela carrega, é que moldam o que escrevi. Bem, sei que isso é arriscado mas trabalho assim. Existem os(as) que gostam e os(as) que não gostam assim como tem que gosta de repolho e outros(as) não.

Não tenho problema em comentar pontos específicos dos meus trabalhos. Se vier uma pergunta direta, como essa que fez, respondo que a beluga foi o ponto máximo que pude conceber e que traria uma ruptura brusca no processo de evolução da humanidade.

Se Nádio e Carino morreram? Sim, claro que morreram! Até deixo isso bem claro no texto da última página da HQ. Nádio está nocauteado no chão enquanto Carino sofre as consequências de uma overdose de Dark Matter. Ali uso o recurso de quadros narrativos onde Nádio relata ao leitor: “Tudo isso me foi informado e este sou eu memorizado” lembrando que o termo “memorizado” criei para ser um sinônimo para “estar morto”, algo que deixo claro durante toda HQ.

E então ele continua e comenta que Carino é “…nossa fagulha memorizada, a explosão não contida, a ordem para um novo limiar”. Aqui também, se ler atentamente, junto do caminhar da HQ, perceberá que Carino não suportou a overdose de Dark Matter e como uma fagulha basta para uma explosão, o corpo dele explode como uma bomba atômica, dizimando tudo e todos ao seu redor, ou seja, “…a ordem se dissipando para um novo limiar” ou simplificando, um modelo fracassado se desfazendo para o início de uma nova proposta.

Existem HQ que tem um leitura direta, simples (o que não vejo problema algum e gosto também), como se faz uma simples redação com uma introdução, o desenvolvimento da ideia e a conclusão, mas formulas foram criadas para dimensionar uma ponte, um viga que suporta um vão livre de 30 metros. Gosto de usar formulas para isso e não para escrever uma história

– Você, assim como 90% dos quadrinistas autorais brasileiros, produz obras curtas. As poucas exceções como Marcelo D’Salete (Cumbe e Angola Janga), Rafael Coutinho (Mensur) e Marcelo Quintanilha (Tungstênio e Talco de vidro) são sucesso de público e crítica. Por que essas obras longas aqui ainda são tão raras? Pretende fazer algo assim?
Eu produzo obras curtas pelo fato de gostar muito de ler obras curtas, de fazer obras curtas e por ser um quadrinista independente que precisa bancar a impressão, depois carregar o peso dos gibis nas costas, distribuir, pagar os envios pelos correios, organizar e fazer lançamentos e finalmente, apresentar um preço coerente com o mercado editorial sem essas distorções que tem acontecido ultimamente com o efeito Amazon.

Todos os autores e exemplos que citou foram publicados por excelentes editoras e não sei a forma que receberam para fazer as obras, por isso, não posso argumentar sobre algo que não tenho conhecimento.

– Falando sobre obras mais longas, aproximadamente um ano atrás você postou no blog que por diversos motivos pessoais (lá detalhados) estava engavetando um projeto mais longo, chamado Ela (136 páginas, enquanto suas maiores tiveram 50). Alguma novidade sobre essa HQ?
Por enquanto não mas quando houver, logo saberão.

_ Quais as grandes dificuldades no mercado de quadrinhos nacional? E o que o motiva a seguir nesse caminho?
Eu vivo pelos quadrinhos pois sempre adorei desenhar e criar histórias. Sejam quais forem as dificuldades, não sou um colecionador delas. Tento me ajustar para estar em eventos de quadrinhos, me adequar em como divulgar melhor meus trabalhos e procuro sempre fazer tudo com excelência para que o leitor(a) tenha uma experiência  única, boa e intimista com a HQ e, que valha o valor que ele pagou pelo produto.

Outra coisa que me motiva é que posso viver também pelas ilustrações. Isso, cada vez mais, tem me empolgado! Pensando melhor, existe uma dificuldade que posso apontar. Há algo de natural aos brasileiros, que é a formação de grupos que se preservam e só validam o que acontece entre eles. Acredito que essa seja uma dificuldade que sempre haverá entre qualquer circuito criativo.

– Antes os quadrinistas nacionais tinham dois objetivos: entrar no mercado de super-heróis ou trabalhar para o Mauricio de Souza. Já hoje em dia os quadrinhos autorais parecem ser uma terceira boa opção. Acredita que essa mudança perdurará? O que acha dessa cada vez maior quantidade de editoras e lançamentos?
Penso que esses dois objetivos que citou no início da sua pergunta ainda perduram. Vejo inúmeras publicações genéricas as Graphics MSP e outras tantas similares ao mercado de super-heróis. Acho que ainda exista um novo e terceiro objetivo que é fazer quadrinhos para ser vendido para o cinema, Netflix.

O quadrinhos autorais são a quarta opção e ainda bem que estão cada vez mais valorizados dentro do mercado em geral. Eu tenho certeza de que isso continuará por um bom tempo e que temos uma produção consistente para manter o mercado fortalecido em títulos e diversidade.

Quando mais editoras e lançamentos tivermos é melhor para todos e todas. Muitas editora surgirão e sumirão assim como autores(as). É assim mesmo, um ciclo onde, por um momento, haverá uma ebulição e de repente, um arrefecimento, entretanto, hoje, a oscilação entre as ondas estão brandas e tendem a ser cada vez mais serenas.

– Você é presença constante em eventos de quadrinhos. Ainda o faz pelo prazer de estar no evento ou encara como um compromisso de trabalho?
Adoro estar em eventos de quadrinhos pois faço dele um compromisso de trabalho onde encontro colegas, amigos, vinculados a ganhar novos leitores que não conhecem o que faço.

A logística para se ir ao evento é financeiramente dispendiosa e por isso priorizo o FIQ, a CCXP e priorizava a Bienal de Quadrinhos de Curitiba.

– Apesar de somente ter trabalhos autorais você já tem um belo acervo de ilustrações de super-heróis. Tem vontade de trabalhar no mainstream? Se pudesse escolher personagens da Marvel e da DC para trabalhar, quais seriam?
Tenho pensado nisso ultimamente. Acho que gostaria de trabalhar neste mercado mas de uma forma muito particular. Sei que não sou um desenhista para fazer uma série mensal de algum título mas adoraria fazer histórias curtas, capas variantes e outras coisas. Se pudesse escolher um personagem seria o Aranha e o Bizarro.
– Pelos seus relatos, você é próximo do Rafael Grampá e suas artes possuem semelhanças. O que acha do rumo que o amigo tomou profissionalmente? Tem vontade de atuar no mercado publicitário, mesmo que isso signifique se afastar dos quadrinhos?
Acho que jamais conseguiria trabalhar no mercado publicitário. Acho que é um tipo de trabalho que não combina com meu jeito de ser. Quanto ao Grampá escolher o que quiser fazer é critério dele. Cada um é livre para fazer o que quiser, como quiser e se tem uma coisa que ele faz bem é isso! O cara é um gênio, excelente profissional e se engana quem acha que ele se afastou das HQ.
Ele acha estranho quando dizem que dizem que nossas artes possuem semelhanças. Na animação Dark Noir, que dirigiu com o apoio do pessoal da Red Knuckle, ele me chamou para desenhar as tatuagens do personagem principal e fazer boa parte do storyboard. Acredito que nossos trabalhos conversam entre si e funcionam muito bem quando juntos.
– Tem algum novo trabalho em andamento? Pode nos dizer algo sobre ele?
Sim, tenho. O que posso dizer por enquanto é que a história esta pronta em minha cabeça e desta vez, só vou mostrar algo ou falar sobre ele quando tudo estiver pronto.

– Você já disse que tudo na sua carreira é pensado e planejado. Quais os seus planos para o futuro mais distante?
Tenho realmente tudo pensado e planejado mas só tenho o controle sobre o agora. Então, se eu quiser que as coisas aconteçam, tenho que zelar e viver somente pelo instante em que estou respirando. O futuro será feito das ações que tomar hoje. Ou seja, eu sei onde quero chegar mas só tenho o agora para trabalhar.

– O que não falta no MBB é leitor querendo indicações, do mainstream a obras mais obscuras. Quais suas HQs preferidas?
Gosto muito de quadrinho japonês e europeu. Leia qualquer coisa do Suehiro Maruo e também recomendo Pluto. Agora mainstream… bom, acho que Pluto é mainstream.

– Ainda tem tempo para ser leitor? Se sim, o que tem lido ultimamente?
Tenho lido pouco quadrinhos. Estou relendo Lobo Solitário, Pluto e AKIRA.
Cable por Luciano Salles
Cable por Luciano Salles
Olá!
Estava colorindo esse desenho do Cable e a peça final estava sem graça, sem um vigor chamativo.

Como sempre, enviei um mensagem para o amigo, parça e #redfootpower Marcelo Maiolo, que, impreterivelmente, me atende com uma boa vontade incrível e o que tive foi uma mini aula, quase um tutorial, de como resolver e entender o que estava sentindo com as cores.

Ah, você verá que, no meio da nossa conversa, ele mesmo sugere que daria um bom post sobre contrastes!

Enfim, esse desenho do Cable deu um certo trabalho. Geralmente não acontece isso mas desta vez foi assim. Você pode conferir (clicando neste link), no post anterior, onde discorro sobre as dificuldades e auxílios que tive para fazer o desenho. 
Eu sempre tendo a cair por um caminho de cores pasteis, mais suaves e, no caso de super-heróis, isso por vezes não funciona. Por isso, chamei o Maiolo para me ajudar dentro de algumas inúmeras (na verdade duas) variáveis: esse desenho, se assim decidir, pode virar um print e caso eu seja selecionado para o artists’ alley da CCXP 2018, pode ser que leve para São Paulo.
O desenho original também está à venda e se estiver interessado(a), é só entrar em contato comigo pelo e-mail lucianosalles@dimensaolimbo.com
Bem, vou reproduzir por imagens nosso diálogo e ao final, deixarei o link com o arquivo do Photoshop que ele, generosamente, me enviou:
Conversa entre Luciano Salles e Marcelo Maiolo através do messenger 

Tudo isso que leu foi de extrema valia para mim e, agora, espero que seja para você. Afinal ele mesmo autorizou-me a liberar esse mini tutorial sobre contrastes além do arquivo do Photoshop.
Segue link para download: Mini tutorial: dicas de contraste por Marcelo Maiolo (arquivo em PSD)
Sempre acreditei que esse seja o caminho para tudo. Compartilhar, pensar em quem está começando, não represar conhecimentos e nunca, jamais, tentar galgar o longo caminho por atalhos ou usando pessoas como escada ou mesmo palanque.
Espero que essa postagem possa te ajudar.
Grande abraço.
Luciano Salles.
Cable por Luciano Salles
Olá, tudo bem?
Faz 14 dias que não atualizo o blog. Gosto de atualiza-lo semanalmente e a postagem que iria fazer era se havia sido, ou não, aprovado para ter uma mesa na CCXP 2018. A data da divulgação dos selecionados era para ter sido no dia 20/06 mas foi prorrogada e agora somente saberei se participo da Comic Con Experience no dia 10/07.
Decidi então fazer o post com esse Cable ainda em preto e branco. Essa era uma postagem que estava programada para ser feita somente com o desenho já colorido mas, por alguns motivos, decidi antecipar. A causa, discorro logo abaixo.
Sou um desenhista e quadrinista autodidata, que vive em Araraquara, interior do estado de SP, e que tem pouco contato com a maioria dos meus colegas de profissão, que vivem na capital do meu estado, outros na Paraíba, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e tantos lugares diferentes. Enfatizo isso pois ajudaria muito se em um desenho meu ou história, houvesse alguém que, logo de cara, dissesse que aquilo não está legal ou coisa assim. Desta forma, aprendo com erro atrás de erro, o que também, pra mim, não é problema.
Entretanto, tenho a imensa sorte e oportunidade de ter um grande artista, que passei a chamar carinhosamente de “sensei”, que por vezes puxa a minha orelha, me diz para prestar atenção em como faço algumas coisas e me convida para ir visita-lo para mostrar – e, como ele mesmo diz, arrancar meu sangue – como posso melhorar meu trabalho em alguns aspectos. Esse amigo é o Rafael Grampá
Neste desenho do Cable, estava incomodado, achava o desenho duro, algo me incomodava e não conseguia resolver o que me afligia. Chamei o Rafael mostrando o desenho a lápis e logo, em duas ou três palavras, ele disse o que eu precisaria fazer. Pronto! Aquelas poucas porém assertivas observações resolveram o desenho. Ele ainda pegou a imagem que envie na conversa e fez uns rabisco em cima para eu entender exatamente o que disse. Só posso dizer que é realmente uma honra e um privilégio que isso possa acontecer.
O desenho da forma que me incomodava
O desenho com as observações do Grampá
Outro artista que fez uma critica muito construtiva ao meu trabalho foi o Gabriel Bá, quando nos encontramos no último dia do FIQ 2018. Ele havia lido EUDAIMONIA (minha última publicação) e no festival, em um conversa despretenciosa, entramos no assunto da minha nova HQ. Ele me convidou para ir até seu estúdio em SP para me passar algumas orientações que poderão potencializar meu trabalho porém, não podia perder aquela oportunidade e pedi para me adiantar alguma coisa ali mesmo.
Ele foi extremamente gentil e em 10 minutos de conversa, recebi um feedback fantástico que me abriu os olhos para alguns detalhes que nunca havia percebido e que poderiam melhorar meus desenhos e histórias. Mas uma vez, só posso dizer que é realmente uma honra e privilégio poder ter somente dois artistas incríveis que fizeram e fazem isso por mim. O foi a primeira vez mas o Grampá, desde quando comecei a fazer quadrinhos, está ao meu lado.
O FIQ 2018 foi um evento lindo que pude perceber muitas coisas que devo mudar. Minha percepção estava extremamente aguçada nos dias do evento e pude sentir tanta coisa, desde os quadrinhos que ganhei, os que comprei, os quadrinistas que encontrei, os colegas, pessoas e amigos que com o tempo mudam, mudam muito. Aproveitei bastante o silêncio do meu quarto de hotel para ponderar muitas coisas. Aliás, o tempo faz das suas e é por essas e outras que vivo o agora. Afinal, só posso viver o agora pois o futuro não existe e o passado é imutável. Sempre lembrando que só foi possível ir ao Festival internacional de quadrinhos de Belo Horizonte com o apoio cultural da escola Peri Domus Araraquara.
Voltando o foco ao post, para desenhar o Cable, esse personagem tão “bagunçado” cronologicamente, geneticamente, que vai para o futuro, passado e é usado por vilões oportunistas, recorri ao vídeo do Pipoca e Nanquim, “Tudo sobre Cable: origem e trajetória nas HQ”para saber mais sobre o que desenharia. Espero que tenha gostado do trabalho.
Ainda vou fazer as cores e nesta etapa sempre conto com o Marcelo Maiolo, outro grande artista, que sempre me auxilia com dicas e detalhes no colorir desde 2014.
Torço para que tenha gostado do post, do desenho e fique a vontade para deixar seus comentários. Todos serão devidamente respondidos.
Um abraço.
Luciano Salles.
Avatar para minhas redes sociais durante o mês de
novembro e CCXP17.

Olá, tudo bem?

Este é um mês de novembro bastante corrido aqui pra mim. Enquanto preparo as recompensas da campanha de financiamento coletivo de EUDAIMONIA, meu novo quadrinho, ao mesmo tempo vou arrumando tudo para mais uma Comic Con Experience.
É uma honra ter participado dos quatro eventos que já aconteceram e estou ainda mais feliz pois vou lançar oficialmente minha nova HQ na Spoiler Night.
Minha ida para a CCXP deste ano tem o apoio da Escola Pueri Domus de Arararaquara, SPLINE Multimídia e World Games.
A organização revelou o mapa do Artists’ Alley e estarei na MESA E44. Ali você vai encontrar meu novo quadrinho EUDAIMONIA, exemplares de O Quarto Vivente e Limiar: Dark Matter além de prints. Ah, vou tentar preparar dois prints novos e exclusivos para essa CCXP.
Mapa das mesas do Artists Alley
Espero você visitar minha mesa para bater um papo, comprar sua edição de EUDAIMONIA ou um print que tenha gostado.
Um abraço e nos vemos no evento!
Luciano Salles.

Pueri Domus AraraquaraSPLINE Multimídia e WorldGame
apoiam minha ida para a CCXP 2017.

Olá, tudo bem?
Amanhã tenho um compromisso em São Paulo e ficarei grande parte do dia na Quanta Academia de Artes.  Devo chegar antes do almoço e ficar até o começo da noite. Se estiver de boa e interessado em comprar alguns dos meus trabalhos em quadrinhos, prints, pequenos originais, trocar ideia sobre desenhos, HQs, ilustração ou mesmo pagar um café para mim (isso é brincadeira tá, mas aceito ?) é só me procurar por lá.
Aproveito para agradecer ao Marcelo Campos em sempre ser tão solidário e acolhedor.
A Quanta fica na Rua Dr. José de Queiroz Aranha, 246 na Vila Marianabem perto do metrô Ana Rosa. No vemos por lá.
Um abraço.
Luciano Salles.

Olá, tudo bem?

Saiu uma pauta bem legal e com entrevista, na Revista O Grito. Paulo Floro conversou comigo por e-mail. Logo abaixo inseri toda matéria e clicando aqui, você vai direto para a revista.

Espero que curta o texto e fique livre para perguntas aqui no blog.

Um abraço.

Luciano Salles.

 

 


Luta livre, detalhismo em preto e branco, protagonista feminina forte. Os bastidores da nova HQ do autor de O Quarto Vivente
Demorou apenas três obras para que Lucianno Salles se tornasse um dos quadrinistas com uma das assinaturas mais marcantes de sua geração. Parte de um momento muito criativo (e prolífico) das HQs nacionais ele foi responsável pela trilogia L’Amour: 12 ozO Quarto Vivente e Limiar: Dark Matter, em que mistura elementos de ficção científica e toques de surrealismo. Antes disso ele lançou uma outra HQ independente, Luzcia, a Dona do Boteco
Agora ele prepara o novo álbum, ELA, em que segue caminhos pouco usuais dentro de sua proposta artística. A começar pelo uso do preto e branco. Quem leu a trilogia sabe o impacto que a colorização tem no trabalho de Salles, com o uso inusitado de tons vibrantes. “Neste processo em PB estou sendo muito mais detalhista e criterioso. Não que nos meus outros trabalhos não tivesse sido, apenas sinto que estou 100% em cada linha traçada, em cada dialogo pensado e em cada cena montada”, explica Salles nesta entrevista por e-mail. 
Saca a sinopse de ELA. “Dette é uma jovem lutadora de artes marciais. Após uma derrota inesperada e análises de exames pós luta, foi informada pela sua equipe que não poderia mais lutar profissionalmente. Ao procurar ajuda especializada, encontra mais do que um problema de saúde. Dette e sua médica descobrem um obscuro torneio anual de artes marciais onde não há regras para os combates e tudo é permitido. Doutora e paciente vão para o torneio com a esperança de poder tratar a doença de modo não convencional perante os formais conselhos de medicina”. 
Parece bem interessante. Para nos adiantar detalhes sobre a obra, que deve sair esse ano, batom um
papo rápido com Luciano Salles. 
Quais foram as principais diretrizes criativas que você pensou para ELA, sua nova HQ?
O processo de criação começou com uma ideia que me apeteceu e que sabia que poderia ser uma boa história. A partir dela entrei no processo de manipular a ideia mentalmente por um bom tempo. Entretanto, um fato aconteceu e foi bastante divulgado na mídia muito similar ao que estava trabalhando em minha cabeça. Foi um balde de água fria. Desde esse fato comecei a embutir diretrizes criativas no processo. Comecei a inserir variáveis dentro da ideia anterior, onde o principal conceito passou para um bom adendo à história.

O que tem te inspirado para compor a personalidade de Dette, a protagonista? 
Sou fã de lutas. De qualquer tipo. Se estiver passando algum campeonato na TV, para o que estiver fazendo para assistir. Sempre observo muito os(as) lutadores(as) em todos os aspectos. Como ele(as) falam muito pouco com seus técnicos ali no minuto de descanso entre os rounds, as posturas antes das lutas, no momento em que o juiz explica as regras do combate e principalmente, no momento do embate. É nítido as expressões corporais enquanto os minutos se desenrolam. Sempre haverá duas hipóteses: um(a) vence e o(a) outro(a) é derrotado(a), entretanto, luta é luta e uma reviravolta pode acontecer em um golpe, em apenas um movimento, em uma fração de segundos. Tudo isso para dizer que Dette é uma lutadora em todos os aspectos. Daquelas pessoas que só se dedicaram para o esporte e tem potencial para aquilo. Dette é naturalmente combativa.

Esta é sua primeira obra toda em preto e branco? Como está sendo a experiência?
O minha primeira HQ, chamada Luzcia, a Dona do Boteco, é em preto e branco. Até pelo fato que havia acabado de deixar meu emprego e não vi outra alternativa para produzi-la. ELA já foi pensada e desejada para ser em preto e branco. Neste processo em PB estou sendo muito mais detalhista e criterioso. Não que nos meus outros trabalhos não tivesse sido, apenas sinto que estou 100% em cada linha traçada, em cada dialogo pensado e em cada cena montada. Estou realmente muito feliz de estar fazendo esse trabalho.

Seus três últimos livros formaram uma trilogia. Como foi terminar esse projeto a longo prazo e como acha que evoluiu nesse período?
A trilogia foi um processo basicamente intuitivo. Até mesmo em percebê-la. Eu estava bastante ansioso para terminar a trinca quando ainda desenhava Limiar: Dark Mattermas tive que me conter! Eu já estava trabalhando mentalmente a ideia de ELA quando já estava com uns 50% de Dark Matter desenhada e isso ajudou a mitigar minha ânsia. Mas tenho de ser sincero em dizer do alívio que senti quando peguei o último álbum da trilogia nas mãos. A partir dali eu estava livre para escrever o que quisesse. O processo de evolução sempre existe quando você tem consciência, entende o que está fazendo e a que se propõe. Neste aspecto posso dizer que evoluí.

Agora uma evolução quando a história, aos desenhos e a tudo mais que estou produzindo em ELA, os gabaritados para dizer isso será um(a) provável leitor(a). Sinto que meus desenhos melhoram e que escrevi uma boa história. É claro que isso é o que acho! Se eu não achar legal o que estou fazendo quem vai achar? Aprendo muito com alguns amigos que tenho a liberdade de mostrar o que estou fazendo. Ficar no interior é algo que amo e sou um caipira de coração e alma mas por vezes, preciso consultar esses amigos. São poucas pessoas, mas muito criteriosas e isso me ajuda. 

O que pode nos adiantar em relação à obra? Já tem previsão de lançamento ou formato da publicação?
Esse é o meu primeiro trabalho que não coloquei data de lançamento logo que comecei a desenhar a revista. Até mesmo pelo fato de ter terminado a trilogia e sentir que poderia fazer o que quisesse. Então, não há data de lançamento. Ano sim! Será em 2018. No tocante ao formato, quero sair do formato A4 que mantive nas três últimas publicações. Quero publicar algo em tamanho menor, em um papel diferente ao couchê e que converse melhor com o que estou preparando. Outro fato que posso adiantar é que será o trabalho mais diferente que já produzi. Isso posso dizer com a máxima certeza.

Desenho de Salles para Limiar: Dark Matter, parte da trilogia do autor.