Posts

Olá, camarada. Tudo certo?

Ontem saiu uma resenha de O Quarto Vivente no site Contraversão. Confesso que fui surpreendido pela resenha. Aqui o link direto para a matéria. Abaixo, texto na integra.

Abraço…

Luciano Salles.

As muitas leituras de O Quarto Vivente

Por:   |  em 13/09/2013  |  0 comentários

Capa da frente

Quando li O Quarto Vivente pela primeira vez, minha sensação foi a de ter visto uma janela para um futuro paralelo, mas que o tempo que eu tinha para ver era de apenas alguns poucos minutos. Luciano Salles  é um autor que gosta de provocar sensações, estranhezas e dar choques de 220 volts na sua cachola pra ver se sai alguma coisa. O que ele faz não é contar histórias. Ele faz arte. Meu segundo contato com essa história em quadrinhos foi em uma resenha escrita por Gustavo Vícola, publicada na edição46 da revista Mundo dos Super-heróis. Depois de elogiar o desenho e a qualidade da impressão, o crítico afirma o seguinte “É uma pena que, em meio a tantos acertos, o argumento da HQ seja confuso e Salles não consiga apresentar com clareza o estranho mundo futurista que criou, resultando em diálogos às vezes incompreensíveis.” Inicialmente, discordei com muita veemência da resenha! Afinal, eu havia me encantado com o trabalho lisérgico, futurista e com altas doses de surrealismo de Luciano Salles. Porém, ao reler “O Quarto Vivente”, acabei concordando em parte com o Gustavo Vícola.

Page 10

  “O Quarto Vivente” é uma história em quadrinhos futurista protagonizada pela jovem Juliett-E, que quer ser mãe e busca os métodos mais modernos para ter autonomia masculina nessa história. No entanto, a história não se trata desta personagem. Em minha segunda leitura, percebi que o quarto vivente sou eu. Sim, leitor. O Quarto Vivente é o próprio leitor, que é convidado por Luciano Salles para entender esse sonho, vislumbre, visão. Para ajudá-lo a interpretar. No posfácio, existe um texto de Daniel Lopes, parceiros do Pipoca e Nanquim, afirmando todas as suspeitas que um leitor mais versado em outras artes poderia sacar. Segundo ele, Luciano é herdeiro de David Lynch, Moebius, Philip K. Dick… Mesmo essa visão ainda não pegou o pulo do gato de Luciano Salles. “O Quarto Vivente” não é uma história, mas uma experiência que deve ser vivenciada como tal. Algumas coisas são impossíveis de contar e só podem ser compreendidas quando vividas. Foi isso que o supracitado autor tentou fazer, contar algo que ele considera inviável de ser contado. Para isso, ele nos pede que o ajudemos a interpretar esse sonho louco distópico, sujo e artificial.

Page 21

  O grande mote da história é que tudo soa falso, tudo soa dentro da moda e com altas dosagens de mentalidade de gado. Quando nos tornamos parte desse sistema que perde o sentido? Quando a influência norte-americana foi mais forte que a francesa, tão apreciada pelo meio acadêmico brasileiro? Até quando vamos ver a concepção como algo feito por um homem e uma mulher? O julgamento do próximo dá o tom de toda a história, parecem páginas sem sentido, mas elas são a chave decodificadora. O mundo é das aparências e até os velhos reacionários sabem disso. Algumas obras não estão aqui para dar respostas, para pegar na sua mão e te levar a todas as conclusões do autor. Outras são muito mais inspiradas em Carlos Castañeda, Timothy Leary, Robert Anton Wilson, Aleister Crowley, William Burroughs, Alejandro Josorowsky e outros pensadores que rompem com a necessidade de serem entendidos ou óbvio.

Page 25

O Quarto Vivente não é para ser lido, mas vivido. Sua experiência de leitura não é para trazer respostas, mas para que você seja forçado a fazer perguntas. Por isso, devo concordar com a resenha de Gustavo Vícola. Realmente, Luciano Salles não mostrou com clareza esse mundo futurista e deixou seu argumento confuso, mas não é uma pena. Ele nunca quis que você soubesse do que a obra estava falando. Na verdade, ele provou pra você que a nossa visão de hoje para “o estranho mundo futurista que criou” seria essa. Afinal, vemos o mundo pelos olhos do nosso tempo. As minhas perguntas foram: Quem diabos é esse “O Quarto Vivente”? O que significa o nascimento de uma criança? Por que você ainda não leu Moby Dick? Você já é um dos conformados com a rotina e o óbvio? O que leva alguém a querer ter um filho? Muita gente se apaixona por quem quer ter filhos e se casar, pois isso tem aquele cheirinho de nostalgia, certo? Partos na água são uma moda sem o menor sentido ou somos criaturas aquáticas? Será que o Luciano Salles pensou alguma coisa ao fazer isso tudo? Ele teria apenas sonhado

Editor da MAD, do blog Contraversão e dos quadrinhos da Editora Draco. Atua como social media e roteirista das HQs Ditadura No Ar, Ida e Volta e Apagão. Quadrinhos, humor, terror, literatura e subversão.
O Quarto Vivente de Luciano Salles
Olá, camarada. Tudo certo?
Comecei hoje, pelo Twitter, uma nova Promoção -Sorteio. Sim, basta você  ‘retuitar’ a seguinte frase:

“Eu quero ganhar ‘O Quarto Vivente’, a nova HQ de @lucianosalles”
E, além da frase, você deve estar entre meus seguidores. Se ainda não segue meu perfil no Twitter é (sendo redundante) : @lucianosalles
Simples demais, D’Accord?
A Promoção começou hoje e o sorteio será ao final do dia 11/09.
Forte abraço!
Luciano Salles
Acima, duas páginas, de um total de 48 páginas da HQ. Todas coloridas em papel Couchê 170 gramas, capa com verniz de reserva em papel DUO Design e formato A4.