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Sorteio SUPER COMBO
Ontem lancei um sorteio na minha conta do Instagram com dois super combos idênticos:
– EUDAIMONIA (um exemplar);
– Limiar: Dark Matter (um exemplar);
– O Quarto Vivente (um exemplar);
– Print do Superman (tamanho A4 em comemoração aos 80 anos do personagem);
– Print do Batman (tamanho A4 em comemoração aos 80 anos do personagem).
Para concorrer as regras são: seguir minha conta no Instagram, curtir a postagem – link: http://bit.ly/2XKoQH0 – e marcar um amigo ou amiga nos comentários. O sorteio acontecerá no dia 17/06 às 18h.
O ano de 2019 tem sido o ano onde mais trabalhei com ilustrações e commissions. Não posso reclamar de forma alguma dessa demanda, porém, com certeza, atrasa a produção do meu trabalho com quadrinho.
Fiz alguns trabalhos vendidos para o exterior, outros muitos dentro do nosso país, sem contar o meu trabalho semanal na Folha de S.Paulo. Todos os trabalhos para o jornal você pode conferir em um espaço próprio, com botão próprio e sempre atualizado. Deixo aqui o link para você acessar essa página: http://bit.ly/2MJZx6D
Commission: Nino & Rebeka
É isso. Um breve atualização para você, leitor do blog.
Um grande abraço!
Luciano Salles.

Commission enviada para fora do país

“Reimo” foi um dos personagens criados
no encontro. Foto cedida pela instituiçao.

Olá, tudo bem com você?

No dia 10 de maio, dei uma aula de desenho e criação de personagens na Fundação CASA (Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente) que, antigamente, tinha o nome de FEBEM.

ADENDO: devido às normas da instituição, fotos dos internos não são permitidas e por isso, para ilustrar a postagem, usei um desenho resultante da oficina.

Estava com tudo preparado. A apresentação para projeção, exercícios práticos, exercícios para reflexão e expansão da percepção, folhas de sulfite, lápis e tudo mais para boas horas de trabalho.

Era hora de ir para a Fundação Casa.

Como disse, estava com tudo preparado em minha mochila mas, a partir do momento que olhei a porta de entrada da Fundação, percebi que não estaria apto para o que encontraria.
Passando a primeira porta, recebi uma revista de praxe em uma sala minúscula com apenas um banco de alvenaria. Dali seguimos por um caminho tranquilo e entramos em um prédio que mais parecia uma escola. Um corredor com salas nas laterais.
Ao final do corredor viramos a esquerda, andando um pouco mais e saímos dessa área; paramos em frente a uma porta de barras de ferro de aproximadamente 4 cm de diâmetro. Entramos por ali e ficamos enclausurados entre essa porta e outra totalmente fechada com apenas um pequeno vidro escuro. Avisaram que era a funcionária “Juliana” com o rapaz que daria o curso de desenho. Nossa passagem foi liberada.
A sensação e sentimentos que tive foram de apequenar minha existência. Fiquei angustiado com aqueles muros de mais de 4 ou 5 metros de altura além de metros e metros de concertinas. Antes deste muro ainda havia um gradil muito alto.
Ela me levou onde aconteceria a aula e começamos a montar o projetor quando um menino apareceu na porta. Era um interno. Uma criança.
Percebi que para os funcionários, aquele é um ambiente normal de trabalho e a situação passa a ser rotineira e, de certa forma, comum. Qualquer pessoa que trabalhe em um local de reclusão de pessoas se acostuma com o ambiente assim como nos acostumamos a trabalhos em bancos, contando muito dinheiro que não é nosso, ou qualquer outro lugar de trabalho.
Os meninos iam entrando e a turma se formou com 12 garotos entre 15 e 18 anos. Entre os que estavam diretamente envolvidos na oficina (eu e a garotada reclusa), eu era o único branco.
As duas horas e trinta minutos passaram num piscar de olhos e a oficina foi fantástica com um resultado incrível! Fechamos a oficina, fizemos uma foto muito legal de toda turma, nos despedimos com abraços e voltei para o meu estúdio.
Ainda penso muito sobre essa oportunidade incrível que tive.
Ainda penso muito naqueles muros e concertinas.
Ainda penso muito em como meninos entram e saem em um fluxo quase que “natural” pela instituição.
Ainda penso muito que nascer aqui ou ali, determina, em grandes percentuais, sua passagem por um centro de reclusão e ressocialização.

Ainda penso muito.

Um abraço.

Luciano Salles.

O que está em jogo na visita de Bolsonaro a Israel? por Luciano Salles
Olá, tudo bem com você?
Na edição de hoje da Folha de S.Paulo, você pode ver meu trabalho no caderno Mundo. O que foi legal em toda essa empreitada é que tive a liberdade para fazer o roteiro do “quadrinho”. 
A proposta era produzir uma história em quadrinhos retratando a “vontade” do Presidente Bolsonaro em mudar a localização da embaixada do Brasil em Israel. A troca seria da cidade de Tel Aviv para Jerusalém, assim como já fez o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Recebi a pauta na quinta-feira de tarde com o prazo para entrega na sexta-feira à noite.

Não sei se reparou mas no primeiro parágrafo, coloquei a palavra quadrinho entres aspas pois montar o roteiro de uma HQ (de uma página) que contém tantas informações e viéses é, definitivamente, um desafio.

Não há espaço para a dinâmica que uma HQ necessita e assim fiz (com o apoio do repórter Daigo Suzuki) um compilado dos melhores pontos tendo a tarefa de ligar cada situação.

Fazer um quadrinho na capa do caderno Mundo, em jornal com o alcance que tem a Folha de S.Paulo é uma tremenda responsabilidade.
São quase 50 mil exemplares com uma HQ logo na cara em um espaço importante do periódico. Alguns pensamentos ecoaram depois de entregar os arquivos:

– Quantas pessoas que nunca leram ou não tem o costume de ler um gibi, uma sequência narrativa com texto e imagens e, de supetão, folheando o jornal, se interessam pela página?
– Quantas pessoas podem gostar do que viram e, de repente, bate aquela nostalgia de comprar um gibi na banca?
– E se uma criança que gosta de desenhar olha aquilo e ficar fascinada com a opção de ler uma história interagindo com imagens?

Por Luciano Salles

E principalmente:

– Como fazer os desenhos serem facilmente assimilados devido a restrição de espaço, excesso de conteúdo que a própria ocasião gera e aberto para todo tipo de público? Quem lerá será um(a) operário(a), um(a) professor(a), um(a) juiz, simpatizantes e não simpatizante ao Presidente, pessoas que entendem de geopolítica, enfim, uma diversidade fantástica!

É um desafio fazer algo que seja didático e também, de certa forma, nada como costumo fazer em minhas histórias. Essas são questões que sempre surgirão.

Espero que tenha gostado do conteúdo da postagem e deixe seu comentário.

Um abraço.

Luciano Salles.

Oi, tudo bem?
Se você acompanha o blog, já sabe que ilustrei a coluna do Daniel Furlan de agosto e 2018 até março 2019. A notícia de não continuar a desenhando para a coluna foi, com certeza, uma notícia triste para mim.
Continuo ilustrando para a Folha de S.Paulo e agora estou desenvolvendo um novo trabalho (e um grande desafio pessoal) para o jornal.
Enfim, seguem as ilustrações de fevereiro e março de 2019 para a coluna da Ilustrada.
Ilustrações para o jornal Folha de S.Paulo
Ilustrações para o jornal Folha de S.Paulo
Fico por aqui.
Um grande abraço!
Luciano Salles.

Participe agora!
Olá, tudo bem?
Já conhece o canal Fora do Plástico? É uma conta no Instagram que fala basicamente sobre quadrinhos.
É incrível como eles dominam bem as possibilidades que a rede social proporciona. Os conteúdos são sempre muito bem escritos, de extremo bom gosto e imparcialidade. Siga a conta e depois me diga, nos comentários, se estou exagerando ?
O mesmo Fora do Plástico está com um sorteio chamado: combo Luciano Salles. As instruções para concorrer estão nas imagens ao lado e basta clicar nelas para participar.
Participe agora!
Participe do sorteio, aproveite os links da Black Friday da Amazon que disponibilizo com cupom ¹FRETEGRATIS (abaixo explico como usar o cupom) – https://amzn.to/2qVmLJi – e fique muito bem informado sobre o mundo dos quadrinhos com o Fora do Plástico
¹Você deve inserir o cupom FRETEGRATIS abaixo do seu carrinho. O desconto será aplicado na página de conclusão da compra.
Um abraço e boa sorte!
Luciano Salles.

Olá. Tudo bem?

Se você já fez algum curso, oficina, aula ou mesmo participou de determinado bate-papo ou palestra comigo, com certeza me ouviu dizer para criar seu blog. Inclusive, pode ter me tomado por alienado ou qualquer outro adjetivo para lunático, quando enfatizei e agora reafirmo, que as redes sociais são efêmeras, seu tempo de vida estão contados. 
Meu avô materno, um franzino senhor extremamente carinhoso mas que podia explodir em fúria em poucos segundos, sempre me dizia que todo dia nasce um cavalo mais rápido que o seu. Eu o visitava todos os dias antes de ir para faculdade, depois antes de ir para meu estágio, depois antes de ir para o meu emprego até o dia em que ele quis e decidiu ir embora.

Resumindo o parágrafo anterior em dois itens:

– Todos os dias nasce alguém que desenha melhor do que você, escreve melhor do que você, colore melhor do que você, pensa melhor do que você, atua melhor do que você, tem um condicionamento melhor do que o seu, é mais rápido do que você, é mais forte do que você, mais sábio do que você, traduz melhor do que você, escala melhor do que você, é mais disciplinado do que você, enfim, o uso de tanto “você” foi proposital para lembrar que todo dia nasce um cavalo mais rápido que o seu.
– Tudo tem seu fim, seja ele desejado ou não.
Logo do ICQ que tanto usávamos nas madrugadas

Foram necessários dois parágrafos com dois itens para salientar que você deve criar o seu blog/site até mesmo pelo fato de que você não utiliza mais o ICQ ou o MSN, deve ter esquecido a senha do seu FOTOLOG, não deve utilizar o ORKUT ou o MYSPACE (que um dia já foi a rede mais popular do mundo). Da mesma forma, esse é o caminho do nosso Twitter, Instagram e do Facebook, que já apresenta os primeiros sinais de desgastes.

Como no começo do texto, você pode me considerar um tresloucado em sugerir que o Facebook vai acabar. Não estou sugerindo, estou afirmando. 
Ao montar o seu blog, você tem o controle das publicações, divulgações, atualizações, seguidores, visitantes diários (orgânicos ou não) e tantas outras vantagens que acredito que posso enumerar em alguns tópicos. Em alguns casos, para ilustrar, vou utilizar exemplos com imagens do meu próprio blog.
01. Você tem o controle da aparência de como quer seu blog;
02. Suas publicações serão somente sobre o seu trabalho;
03. De acordo com o item 02 e atualizando constantemente seu blog, você criará um portfólio de seu trabalho, o que é excelente! Ivan Freitas da Costa, um dos detentores da marca Comic Con Experience, enfatizou isso no “Manual de inscrição” (veja imagem abaixo) para os artistas que almejavam uma mesa no Artists’ Alley.

Trecho recortado do manual de inscrição para o Artists’ Alley da Comic Con Experience
04. Com o tempo você pode utilizar seu blog para colocar link de site ou blog de camaradas que admira. Ou seja, fazer a troca de links é sempre um excelente negócio.
05. Faça a troca de links com artistas que você considera do mesmo patamar que você. Não se atreva a enviar uma mensagem ao Bill Sienkiewicz sugerindo uma troca de links, ok?
Período contabilizado entre 13/07/2018 13:00 – 20/07/2018 12:00
06. O resultado de visitas em seu blog não será imediato. Com atualizações de qualidade, o endereço receberá visitas e as pessoas começarão a acessá-lo diretamente, ou seja, terão o endereço do seu blog no favoritos ou  digitarão a URL para verificar se existem novas postagens.
Ilustro com uma imagem a esquerda com os dados de acessos ao meu dimensaolimbo.com 
07. Ainda de acordo com o item 06 e com a imagem ao lado, comecei o meu blog em 2012 e, desde então, me proponho a ter entre 6 (seis) a 8 (oito) atualizações mensais. Essas atualizações contemplam tudo o que estou fazendo, produzindo, por onde estarei, se fui convidado para algum evento, textos sobre eventos que participei, textos com dicas que acredito que possam ajudar um quadrinista iniciante (assim como eu) e o que mais achar relevante e tenha um bom conteúdo para ser apresentado.
08. Seu blog pode acolher sua loja online, onde poderá vender seus quadrinhos, prints, desenhos originais, com simples botões do PayPal ou qualquer outra forma de venda. Veja que neste caso e em todo post estou me referindo a quadrinistas mas o mesmo vale para fotógrafos, roteiristas, arte-finalistas, artistas plásticos ou qual seja a especificidade do seu trabalho.

Número de visualizações do blog dimensaolimbo.com
dentro do período especificado

09. A inserção de marcas parceiras também é algo excelente de ser trabalhado. Sempre que estou em um evento de quadrinhos, vou com apoio cultural de algumas *empresas parceiras. Como uma das contrapartidas, é oferecido um botão com a logomarca da empresa a ser inserido no blog que redireciona o visitante para o site ou endereço eletrônico que o empreendimento parceiro desejar. No meu caso, tenho oito empresas que me apoiam culturalmente e todas tem seu exclusivo botão no blog.

*Na imagem ao lado, os números comprovados ajudam a conseguir empresas parceiras para os apoios culturais.

10. Se você se propõe a ter um blog, abra o jogo. Se aprendeu algo incrível, divulgue. Pode ser que muitos ainda não sabem dessa “novidade” que acabou de aprender e conhecimento existe para ser compartilhado.

11. Sempre atualize seu blog para então compartilhar a postagem para suas redes sociais. Constantemente nesta direção e jamais pelo caminho inverso.

12. Habilite um espaço para os leitores do seu blog deixar comentários e jamais deixe de responder a eles ou alguém.

Arquivo do meu blog
dimensaolimbo.com

13. Sua história como artista estará ali, cravada, sincronizada e seu crescimento como quadrinista ficará **cronologicamente registrado. Penso que isso seja o melhor em ter constância, capricho e zelo pelas postagens do seu blog.

**Aprenda a fazer o backup do seu blog e crie um dia do mês para fazer esse download.

Poderia escrever outras inúmeras dicas sobre os benefícios que um quadrinista (ou artista) tem em manter seu blog mas devo parar por aqui afinal, a internet te obriga e se você ceder, achará que esse é um texto longo demais para perder seu tempo para lê-lo inteiro.

Se de alguma forma, uma única linha do que escrevi tenha lhe despertado algo de bom, esse post já cumpriu sua função.

Grande abraço.

Luciano Salles.

Olá, tudo bem?
Se você leu o título do post e costuma comentar aqui no blog, por favor, considere meu pedido de desculpa. Tive problema com o HTML do Facebook para comentários e como não sou um perito em programação, ao tentar ajustar o problema acabei por perder o formulário de comentários e todas as notas e observações deixadas por você que acompanha o blog.

É triste pois havia comentários desde 2012! Mas também tem o lado positivo que consegui implementar o disqus como formulário padrão para você deixar suas ponderações. Basta clicar no título do post que a aba para o comentários estará disponibilizada como você pode conferir logo abaixo.

Mudando de assunto, estou elaborando uma postagem sobre normas de como fazer quadrinhos do jeito certo. Foi estranho escrever a frase acima e é estranho ler a mesma frase. Quer ver? Tente novamente: “…sobre normas de como fazer quadrinhos do jeito certo.”

Enfim, material para um futuro post. O novo formulário já está valendo e por isso, fique a vontade para se expressar.
Um abraço e desculpe (novamente) ter apagado seu comentário.
Luciano Salles.
Ilustração para a HQ de Charlles Lucena
“Um cara que caiu do céu”
Olá, tudo bem?
Tenho por hábito responder todas as mensagens, e-mail, twitter, , instagram, whatsapp, messenger e qualquer modo de contato que recebo, logo pela manhã. Tanto que algumas pessoas me perguntam se eu não durmo pois por vezes respondo de madrugada. Durmo sim, mas durmo muito cedo e ainda por cima pouco.
Mas voltando ao título da postagem, percebi que nas respostas que faço aos comentários aqui no blog, são sempre o final da conversa.
Explico melhor: você faz um comentário aqui no dimensaolimbo.com , eu te respondo e esse é o ponto final da conversa. Percebi que a pessoa que fez o comentário só vai ver minha resposta se novamente entrar no post para ver se respondi, ou se marcou a caixa para receber notificação ou mesmo se estiver logado no Facebook.
Abaixo exemplifico com imagens.
Opção de responder pelo seu Facebook mas somente quando você está logado. 
Você pode marcar na caixa “Notifique-me” antes de publicar seu comentário.
Mesmo assim, com essas duas opções, pensei que qualquer comentário aqui no blog possa vir precedido do e-mail de quem submeter um questionamento. Desta maneira eu faço a resposta aqui e já encaminho via e-mail. Acredito que seja uma maneira de que quem comentou saber rapidamente que teve uma resposta. 
O que acha? Vamos para um teste?
Teste 😉
Se quiser deixar um comentário (aqui neste post) para ser cobaia desse novo procedimento. Esteja com seu Facebook logado ou marque notifique-me. Coloque seu e-mail (ou mesmo twitter, que eu uso bastante) antes da mensagem para que eu possa encaminhar a resposta também nesse seu endereço eletrônico. Valeu e muito obrigado!
Um abraço!
Luciano Salles.
Olá camarada, tudo bem?
No dia 02 de Julho de 2015, publiquei aqui no blog a postagem 21 dicas para um(a) quadrinista independente. Agora, um ano e alguns dias depois, decidi criar uma nova lista chamada de 10 dicas: onde está o meu traço? ou mesmo estilo de desenho.
A ideia deste post veio após o curso de férias que coordenei na Quanta Academia de Artes em São Paulo. O curso foi chamado de Entenda seu estilo de desenho e narrativa e gostei demais do resultado obtido com a turma.
O tema estilo de desenho ou traço é totalmente subjetivo e tudo o que escrever aqui pode servir 100% para você ou pode, absolutamente, servir em nada. Por isso chamei novamente de dicas. Dicas podem servir ou não, simples assim. Desta forma aproveite o que lhe for conveniente e descarte o resto.
Tudo o que escrevi vieram de testes e sentimentos vividos por mim nesses quatros anos que trabalho somente com quadrinhos e ilustração.
Então vamos para as 10 dicas: onde está meu traço?
01. Preciso deixar claro que não existe uma fórmula para potencializar seu estilo de desenho ou o que muitos chamam de traço. 
02. A prática de desenhos diários e de pensamentos ideais conduzem ao aprimoramento do seu desenho. Ou seja, desenhe todos os dias, nos horários que lhe forem condizentes e tenha sempre pensamentos a longo prazo, com a consciência de onde está e onde deseja chegar.
03. Com a aplicação do habito diário de desenhos e maturidade, seu desenho com certeza vai melhorar muito. Pode ainda não dar uma direção ou entendimento de onde está seu traço mas garanto uma melhora incrível nos desenhos.
04. Aqui uma dica muito pessoal: uma sensação boa, de prazer e satisfação com o resultado final de um desenho, pode ser um excelente sinal no caminho para seu estilo. Esteja atento a tudo.
05. Tenha um artista que você admira e que queria desenhar tão bem ou mesmo igual a ele. Com certeza seu desenho nunca vai ficar igual ao dele (e nem é esse o motivo!) mas ter um ícone, uma meta de onde se quer chegar se faz necessário dentro da sua busca. 
06. Ainda bem ligado ao item anterior (item 05), confie em sua intuição e seja honesto com você mesmo. Digo isso pois não há certo ou errado em se desenhar. Deixe sua intuição aliada com sua satisfação determinarem sua trilha em busca do seu traço.
07. Há muitos tutorias na internet com vídeos de como aprimorar seu traço ou desenho. Todos os que assisti são técnicos, com exercícios de como soltar a mão, como fazer linhas, círculos, como posicionar a mão, o braço e um monte de coisas.
Tudo pode ser válido mas eu, particularmente, não concordo. Aceito sempre que, o que for melhor e mais confortável para o desempenho do seu desenho, deve ser usado. Cada um segura o lápis de uma forma e nenhuma é errada. 
08. Entenda que o processo para se chegar ao seu estilo de desenho não será rápido e assim, pense a médio e longo prazo. 
Por exemplo, o desenho do mestre Frank Miller nas histórias do Demolidor. É notável o incrível traço do Miller nas histórias do Daredevil mas você percebe como um mesmo traço foi se moldando durante o passar do tempo? Não há como dizer em que época ou onde o desenho estava melhor e sim que aquele desenho era um Frank Miller. 
Desta forma, controle sua ansiedade (ver item 09) e de um passo de cada vez.
09. Hoje vivemos imersos em um turbilhão de informações. Esse rebuliço de informações que você agrega não te confere conhecimento. Assim como esse conhecimento não te brindará com algum tipo de inteligência a se destacar. E essa mesma inteligência não vai te trazer uma natural sabedoria.
Percebeu onde quero chegar? Esse nível absurdo de conteúdo só fará mal, trará demasiada ansiedade e angústia. Aliás, essa dupla “ansiedade e angustia” aliadas, são essenciais para minar com seu potencial criativo.
10. Novamente algo bem pessoal e muito difícil de se conseguir. Para criar (e chegar ao seu traço e estilo de desenho) é necessário aliviar todos e quaisquer pensamentos que possam interferir em seu caminho. 
Como disse, esse é um assunto subjetivo. Do mesmo jeito que eu gosto mais do lado B, você pode gostar mais do lado A. Esse fato não impede em nada que sua busca seja a mesma que a minha ou até similar em algumas partes.
Espero que de alguma forma essa lista tenha contribuído para uma futura melhoria nos seus desenhos e que sua assinatura seja substituída somente pelo seu traço. Deixe suas dúvidas, sugestões ou mesmo o que achou dessas 10 dicas no espaço para os comentários. Tenha a certeza que responderei.
Um abraço!
Luciano Salles.

Olá, tudo bem?

A primeira resenha que minha nova HQ foi por um site que aprecio muito. O Vitralizado, coordenado pelo camarada Ramon Vitral é fantástico e deixo o convite para ler o review e a entrevista por lá.

Com sempre faço, disponibilizo por aqui também. E, se ainda não comprou sua edição, agora é a hora! E só ir para o Loja Online.

Grande abraço!

Luciano Salles.

Limiar: Dark Matter e o fim de um ciclo na carreira de Luciano Salles

 NENHUM COMENTÁRIO

Limiar: Dark Matter e o fim de um ciclo na carreira de Luciano Salles
Luciano Salles diz estar encerrando um ciclo com o lançamento de Limiar: Dark Matter. A carreira do artista no mundo dos quadrinhos começou em 2012, com o lançamento de Luzcia, A Dona do Boteco. Com tiragem pequena e poucas páginas, a HQ foi uma espécie de cartão de visitas utilizado pelo quadrinista para apresentar seus dotes artísticos. O lançamento de O Quarto Vivente em 2013 deu início a uma série de publicações encerrada com seu mais recente trabalho. Entre os dois está L’Amour: 12 oz, um dos grandes gibis brasileiros lançados em 2014 e o mais belo e impactante álbum produzido por Salles até hoje.
Limiar sempre foi anunciado pelo autor como o ponto final dessa sua trajetória inicial como quadrinista. Apesar de seus enredos independentes, as três HQs compõem um mesmo cenário, com temas em comum e um mesmo acabamentos editorial. “Criei um diferente nascimento em O Quarto Vivente. Desenvolvi o princípio e o término da vida e do amor em nossas vidas em L’Amour: 12 oz. E, de modo superlativo, um tipo de apego pós vida em Limiar: Dark Matter”, conta Salles em entrevista por email (leia a íntegra no final do texto).
LimiarC
A leitura de do quadrinho recém-lançado é difícil. Como anunciado pelo próprio autor no início do ano, o livro trata de uma história de vingança envolvendo três amigos. A trama é bem mais complicada que isso. O roteiro é ambientado em um futuro distópico e os colegas em busca de justiça são usuários de uma droga de efeitos mais do que alucinógenos. Eles ganham poderes para enfrentar o assassino do amigo morto.
No início de 2015, Salles comentou por aqui que não gostava de subestimar o leitor: “Ele é a peça chave em uma história em quadrinhos. O ciclo vai se fechar na mão dele, então que o ciclo seja fechado da melhor forma, ou seja, deixando o leitor imerso no que leu. Não estou dizendo que faço isso, mas que procuro (da minha forma) deixar caminhos, atalhos, ensejos, para que o leitor participe de alguma forma do que está consumindo. Eu gosto quando assisto um filme e aquilo me toca de tal forma que me incomoda, induz a repensar algumas coisas e reflito sobre aquilo”.
Se o objetivo de Salles em seu quarto título foi criar essa mesma sensação de desconforto, o quadrinho é um sucesso. Difícil de ser compreendido e com uma colorização bastante incômoda de autoria de Marcelo Maiolo, Limiar: Dark Matter é um dos quadrinhos mais estranhos, difíceis e curiosos do ano.



LimiarCapa
– “Não precisamos ficar presos em tipos de histórias que funcionem. Qual será sua contribuição acrescentando mais do mesmo?”
Conversei com Luciano Salles sobre Limiar: Dark Matter. Ele falou sobre suas intenções com a obra, o fim do ciclo iniciado com O Quarto Vivente, a narrativa complexa de seu mais recente trabalho e seus planos para 2016. Papo bem massa. Saca só:

Achei o Limiar o mais estranho dos seus quadrinhos. Acho que é uma pergunta meio besta, mas necessária: como essa história surgiu na sua cabeça?
Tenho um grande amigo que mora no Canadá. Em comum tínhamos outro camarada que de um momento para outro faleceu. Tudo em apenas uma semana. Estava bom e então morto. Ficamos extremamente sentidos e angustiados com a notícia (acho que falávamos ao telefone) quando comentei que somos apenas memória. Nada além de memória. Um tipo de memória que varia de pessoa para pessoa.

A memória de alguém pelo outro depende do tipo de vínculo, afeto e reciprocidade. E foi assim que essa ideia me importunou e se manteve em minha cabeça. Esse foi o mote inicial mas sempre tive a intenção de contar a história como algo claustrofóbico.
Ao longo da produção do Limiar você ressaltou que esse livro fechava uma trilogia iniciada com O Quarto Vivente. Você tem o seu estilo de texto e escrita e os livros seguem um mesmo padrão, mas não consegui encontrar um elemento padrão que fosse comum nos três livros. Acho até cada um muito autônomo em termos de história. Existe um enredo maior que compõe as três obras?
Prefiro não usar o termo ‘trilogia’ e sim ‘arco’. Cada livros independe do outro. São histórias isoladas, pontuadas e que funcionam muito bem sozinhas. Entretanto, ao meu ver, quando finalizei o roteiro de Limiar: Dark Matter, percebi um fato: trabalhei com dilemas que sofremos para aceitar. Sofremos com nossa pequenez e geralmente não aceitamos isso. Somos seres prepotentes, cheios de soberba e discursos prontos. Somos orientados pelo que o momento diz ser adequado. Não conseguimos extrair o melhor de nossos sentimentos e pensamentos. Sempre reagimos com a guarda alta e prontos para atacar pelas costas. Sempre como convém. Sempre com respaldo de outro ou de outros. Sempre imbuindo um respaldo psicológico para nos acalentar. Somos assim.

A partir disso, criei um diferente nascimento em O Quarto Vivente. Desenvolvi o princípio e o término da vida e do amor em nossas vidas em L’Amour: 12 oz. E, de modo superlativo, um tipo de apego pós vida em Limiar: Dark Matter. É exatamente neste aspecto que acredito em que esse arco se encerra.
Para cada mínima ação, uma reação adequada é iniciada. É isso a vida e nunca a aceitaremos assim. Somos prepotentes demais dentro de uma escala universal.
LimiarB
Um ponto em comum que vi entre o L’Amour e o Limiar é a questão da memória. O grande mote do Limiar parece ser o esforço pela manutenção da lembrança de um amigo. O L’Amour trata da passagem do tempo, algo que está incondicionalmente ligado à memória. Esse é um tema importante pra você?
Sim. Mas são tipos diferentes de memórias. Em L’Amour: 12 oz me preocupei com o sentido termodinâmico do tempo, da vida e amor. Em Limiar: Dark Matter o tempo que quis tratar é aquele que se apaga com seu avançar. Como era o sorriso de uma pessoa querida, por exemplo? Não é estranho quando você não lembra mais de algum aspecto de uma pessoa que se foi? Sendo assim e, respondendo a sua pergunta, a memória e os tipos de memórias são das coisas mais incríveis que existem.

Mas também há outros aspectos na história que estão muito presentes e de fato são tão importantes quanto o que citou. O fato do desconhecimento da composição da matéria escura e do uso dela para catalizar a memória, os elementos químicos que compõem todo o universo desde o big bang, o peso e especificidade de uma fagulha para um requerido reinicio (o limiar a que estamos sujeitos a todo momento), o delicado equilíbrio entre caos e ordem, o nome do personagem, alguns cenários, além do poder de imagens inseridas para uma compreensão e vínculos com as histórias anteriormente publicadas. E tudo isso amarrado dentro de uma típica e simples história de vingança.
Quando conversamos pela primeira vez você comentou comigo que “nunca e jamais se deve subestimar o leitor”. Acho o L’Amour uma HQ mais ousada, mas o Limiar parece exigir mais. Não sei se consegui entender a obra plenamente e creio que essa confusão na minha cabeça faz parte da dinâmica que você propôs ao gibi. Entendo o seu ponto de vista, mas você já pensou se existe um limite para a quantidade de crédito que deve ser dado ao leitor?
É claro que você entendeu a obra e os questionamentos ou sua chamada ‘confusão’ fazem parte da dinâmica. E, sinceramente, não acredito que este limite de crédito deva existir. Qual o motivo que supomos que alguma coisa é incompreensível para alguém? Há não ser que seja um estudo específico que exige uma base muito boa em, por exemplo, cálculo avançado. Mas é história em quadrinhos. Leitura com imagens. Gosto de tentar instigar o leitor de alguma forma.

Agora o que aceito é que esse limite geralmente não existe e é empurrado goela abaixo há todo momento e em todo lugar. Tudo pronto, pasteurizado e pronto para digerir. Muito do entretenimento é assim. Música, cinema, quadrinhos e muito mais. Sei que é arriscado trabalhar desta forma mas, às vezes, ler uma HQ ou mesmo um livro como se vira as páginas de uma revista ‘Caras’ não me deixa satisfeito. Fico entediado e geralmente não termino a leitura.
Assim como na música, existem diversos andamentos e tempos para uma HQ. Não precisamos ficar presos em tipos de histórias que funcionem. É mais ou menos como aplicar um fórmula matemática ideal para a solução de um problema. Penso que desta forma, qual será sua contribuição acrescentando mais do mesmo? Não quero que me entenda como prepotente ou que esteja dizendo que o que eu faço é algo novo e diferenciado. Não, muito ao contrário. Não inovo em nada. Não inovo no traço, no formato e nem na diagramação do álbum que seria o mais fácil em um primeiro momento. A tecla que insisto em fazer soar é a que temos que acrescentar sempre. Nem que seja em um mínimo detalhe.
Deixando de divagar e voltando a resposta de sua pergunta, acredito demais na empatia para com o leitor. Até pelo fato que sou mais leitor e espectador do que um camarada que faz quadrinhos. Faço uma HQ por ano enquanto leio, assisto e escuto muitas coisas dentro deste mesmo período.
LimiarD
Aliás, pensando nisso, eu fui atrás daquela nossa primeira conversa e lá você fala de alguns cineastas que são referência pra você. Na época você citou David Lynch, Alejandro Iñáritto, Gaspar Noé, Lars Von Trier, Darren Aronofsky e Pedro Almodóvar. Vejo dois padrões óbvios nesses diretores: nenhum facilita o trabalho do público dos seus filmes e as obras deles não costumam ser as mais confortáveis de assistir. Até onde você acha que pode ir em termos narrativos sem afastar o leitor da obra?
Afastar o leitor da obra? Realmente não acredito nisso. Até pelo fato que conto a história que sinto que devo contar. Procuro ser 100% honesto comigo mesmo em cada página que produzo. Como disse, sei que pode ser arriscado trabalhar por essa linha tênue que, pra mim, é uma forma natural de executar o que pretendo. Meus trabalhos são escritos desta forma.

O que me encanta nesses diretores são suas distintas peculiaridades. Me atento demais em figurinos, nas cores, na fotografia e também me encanta o fato de apresentarem o que pretendem. Penso que o Pedro Almodovar não vai filmar algo pelo fato de estar na mídia, saca? Acho que é desta forma que o diálogo com o espectador está aberto.
Não é pelo fato da discussão de gênero, sexismo e outros assuntos estarem tão em voga que vou trabalhar com um destes assuntos, certo?
E você publicou o L’Amour pela Mino e depois quis publicar de forma independente outra vez. Durante a produção do Limiar você foi mostrando seu trabalho para conhecidos e amigos, certo? Que tipo de retorno você recebeu? Você chegou a mudar ou cogitou mudar alguma coisa em função de retorno desses leitores?
As únicas pessoas que conheciam a história desde o roteiro foram o Daniel Lopes, que é o editor da HQ e o Marcelo Maiolo, o colorista.

O trabalho com o Lopes é extremamente tranquilo. Ele entende perfeitamente o que pretendo e todas as sugestões que ele me concedeu eu atendi prontamente pois só tinham a acrescentar e melhorar a narrativa da história. Com o Maiolo é só deixar o monstro trabalhar que é certeza que vai ficar lindo.

No lançamento do quadrinho você comentou comigo que o Viagem Alucinante do Gaspar Noé foi a principal referência que você passou para o Marcelo Maiolo na hora de fazer as cores. O longa tem nas drogas uma de suas temáticas principais. O seu quadrinho também fala de drogas e fiquei com a impressão de vocês estarem querendo remeter a algum tipo de experiência alucinógena. A cor tem um peso mais intenso pra trama nessa HQ do que nas anteriores?
Sim, você está certo. Indico sempre um filme ao Maiolo para eu conseguir transmitir para ele a sensação das cores que pretendo. Acho muito mais fácil indicar um filme do que tentar verbalizar isso. Desta forma as cores para Limiar foram fundamentais para o melhor andamento da narrativa.

E como foi o trabalho com o Marcelo Maiolo? Foi tranquilo chegar à paleta ideal do quadrinho?
Trabalhar com o Maiolo é incrível. Como disse, eu queria transmitir a sensação das cores que desejava e assim indiquei um filme para ele. Não sou um colorista profissional e desta forma não sei como chegar a definir o que desejo nas cores. Por isso indico filmes para ele. Com o roteiro em mãos e o filme para assistir, ele tem a liberdade plena para criar a paleta.

Quando ele começou a me passar as páginas fiquei impressionado! Era exatamente como eu poderia imaginar e queria que as páginas ficassem mas, com certeza, jamais chegaria sozinho naquelas cores. Por isso deixo a dica: se você não é um colorista, chame alguém que entende para fazer isso. Só tem a agregar ao trabalho.
LimiarE
Estamos às vésperas do FIQ e da CCXP. Como autor independente, o que vão representar para você esses eventos no final do ano? Você estabeleceu alguma estratégia de venda para cada uma dessas convenções?
Esses eventos são extremamente importantes para quadrinistas independentes. É onde posso angariar com os leitores o necessário fundo para quitar minha dívida com a gráfica. Além do fato de fidelizar e fornecer um novo quadrinho as pessoas que acompanham e gostam dos meus trabalhos.

Não montei nada especifico para o FIQ mas para a CCXP vou apresentar prints exclusivos.
E já falamos do seu comentário dizendo que essa HQ representava o final de um ciclo. O que esse final de ciclo significa pra você? Em termos da sua carreira, a publicação do Limiar é o fim de uma fase iniciada com o Luzcia?
Não com Luzcia, mas com O Quarto Vivente. Agora estou livre em relação a um formato físico, de como contar uma história e de novas propostas de roteiro. Terminar esse novo álbum me concedeu uma liberdade criativa imensa.

Esse final de ciclo só me traz imensa vontade de apresentar algo totalmente novo e assim deve ser seguido.

O Limiar acabou de sair, mas você já tem planos para o ano que vem, certo? Você comentou que tem em mente produzir algo menor e com um formato e estilo diferente do que usou até agora. Tem algo mais que você pode dizer sobre isso?
Basicamente só isso. Inclusive o modo de produção da minha futura HQ será diferente. Costumo atualizar em meu blog como anda a produção dos trabalhos. Nesse futuro próximo não farei assim. É difícil inovar mas vou tentar algo diferente.

Então para 2016 pretendo trabalhar muito mais com ilustração. Tentar abrir minha primeira lista de commission, quem sabe…

Contando é claro com uma nova história em quadrinhos. Resumindo é isso.