Recorte de L’Amour: 12 oz, de Luciano Salles publicado pela Editora MINO

Olá camarada, tudo bem?

Antes de tudo preciso revelar que o título do post foi um meticuloso chamariz pra te atrair para algo que vem me incomodando.

Por quais motivos acontece de hierarquizar tipos e gêneros de histórias em quadrinhos angariando assim certos rancores e caras viradas?
Posso ser paranóico (ou estar literalmente viajando) mas tenho percebido isso: certos graus de importância para determinados gêneros de publicação e desmerecimento de outros, algo que acho extremamente bizarro e que segue exatamente na contramão do que nosso pequeno mercado dos quadrinhos precisa.
Uma HQ direcionada para um determinado público deve ou tenta agradar essa tal demanda e não deveria gerar um descontentamento de outros que não consumirão essa publicação, sejam leitores, autores ou editores. 
Vou tentar exemplificar:
Um leitor(a), autor(a) ou editor(a) que tem preferência por quadrinhos de terror e publica isso ou consome, não deveria se opor a quem produz, por exemplo, um dos ditos “quadrinhos fofinhos”. E isso para todos os gêneros. Uma pessoa que escreve, leia ou edite quadrinhos herméticos deve fazer isso bem feito e não criticar quem escreve, leia ou edite quadrinhos de heróis, novamente aqui um outro exemplo. 
No Japão há todos os tipos de quadrinhos. Para idosos, para crianças, para quem gosta de esportes, robôs, fantasmas, “difíceis”, eróticos, herméticos, pornográficos, cabeça, suspense e todos os tipos de enredos que possa imaginar. Isso é demais de saudável para um mercado saudável e que pretende crescer.
Não tenho o conhecimento se existe um autor(a) japonês(esa) que publica quadrinhos eróticos grotesco e, por esse fato, ignore um quadrinista que trabalhe com tema fantasiosos.
Você pode não gostar do estilo de tal autor(a) ou do seu trabalho mas isso não lhe dá o direito de ignorar essa pessoa ou mesmo repugnar ou desdenhar seu trabalho. Há espaço para todos nesse mercado, somos todos colegas e educação é primordial pra tudo. O que não podemos é coadunar com conchavos, panelas e favorecimentos. Afinal, fazemos o mesmo trabalho com apenas temas diferentes. Fazemos e lemos histórias em quadrinhos ou gibis.
Posso estar louco, paranóico ou mesmo escrevendo um apanhado de asneiras e aliás, torço para que esteja digitando bobagens e que isso seja somente aflições da minha cabeça.  Um mercado forte de histórias em quadrinhos se faz com a diversidade de temas, formatos, gêneros, ousadias, quebras de paradigmas e com todos os tipos de autores, leitores e editores, sempre é claro, prezando pela excelência dos trabalhos.

E um pequeno adendo usando minhas HQ como exemplo: o fato de eu ter publicado um fanzine com uma história de suspense/terror e depois publicar três revistas herméticas e distópicas, não significa que tenha que sempre seguir nessa toada, certo?

É isso camarada!
Fique livre para deixar suas percepções nos comentários.
Um detalhe: se estiver logado no Facebook no momento que for comentar, isso pode ser feito através do seu perfil. Assim, deixe seu Facebook ligado e comente aqui no blog pois isso facilita para você saber que eu respondi seu comentário.
Um abraço.
Luciano Salles.
32 respostas
  1. Lucas Lourenço
    Lucas Lourenço says:

    fazer o mesmo tipo de quadrinho, mesmo estilo de traço, mesmo naipe de histórias é um saco! aqui um quer eliminar o outro pq conviver é visto como "vão me identificar com o outro só pq o respeito" abs! (www.pequenosertao.blogspot.com)

    Responder
  2. Flávio De Almeida
    Flávio De Almeida says:

    Sábias palavras! Já vivemos no passado uma realidade onde um gênero era beneficiado em detrimento de outros, enquanto um monte de coisa boa acontecia lá fora! Não vamos cometer os mesmos erros novamente, rs. Eu mesmo leio todo tipo de HQ, das fofinhas infantis às fofinhas mais adultas, passando pelos heróis, pelos mangás, pelos fanzines, pelas tiras sarcásticas, pelos quadrinhos herméticos, etc. Diversidade só faz bem! Amplia nosso horizonte e melhora nossa cultura! 😉

    Responder
  3. Eder-Man
    Eder-Man says:

    Suas palavras podem se encaixar em outros ramos (músical pode ser um deles) e não deixa de ser verdade, ao menos o que tange os leitores em muitos grupos do Facebook, por exemplo.
    Diversidade não só fomenta o mercado como a própria cultura do produto/produções.

    Responder
  4. Henrique Silva
    Henrique Silva says:

    Muito chato essa coisa né, só prejudica o desenvolvimento do nicho. Claro que como você disse, cada um tem um gosto. Eu por exemplo tenho uma certa resistência a mangás, mas o ideal é jogar esse preconceito fora e ler de tudo, afinal há quadrinhos bons e ruins em todos os gêneros. Mas infelizmente acho que isso acontece na maioria das mídias artísticas, por exemplo: O pessoal que curte cinema cult trata os blockbusters com muito desdém, ou os admiradores de literatura clássica que tratam a literatura pop/juvenil como se fosse lixo(e ainda acham que quadrinhos é coisa pra bebês).
    Postura totalmente inútil para o que realmente importa: Consumir arte.

    Responder
  5. Luciano Salles
    Luciano Salles says:

    Exato Henrique. Acredito na diversidade em todos os aspectos. Nos quadrinhos deve ser o mesmo. Taxar alguma tipo de HQ até com "apelidos" (fofinhos), já é de certa forma, um meio de desqualificar esse trabalho.
    Temos que ficar atentos ao mercado e a nós mesmos.

    Responder
  6. Luciano Salles
    Luciano Salles says:

    Exatamente Eder-man, exatamente!
    Hoje o mercado dos quadrinhos tem um potencial realmente gigante para seguir rumo a grandiosidade que merece. Basta nos autores(as), leitores(as) e editores(as) estarmos atentos para sempre buscar o melhor para todos.
    Abraço!

    Responder
  7. Luciano Salles
    Luciano Salles says:

    Perfeito Flávio, é isso mesmo. Eu sempre acredito que posso errar uma vez. Não posso cometer o mesmo erro. E já cometemos isso com o mercado…
    Muito obrigado pelo comentário!
    Um abraço.

    Responder
  8. Felipao
    Felipao says:

    A diversidade do mercado de quadrinhos será um dos sinais do amadurecimento e confirmação de que estará no caminho certo. Tendo espaço para todos os tipos e formatos nós só teremos a ganhar.

    Responder
  9. Ricardo Bastos Jubia A jornada
    Ricardo Bastos Jubia A jornada says:

    Então Luciano, sabe que olhando o último episódio na HBO sobre HQ aqui no nosso rico país, fiquei com este sentimento/sensação também… Como se fôssemos ou tivéssemos interesses diferentes, ou fossem excludentes!!! Maturidade neste meio é fundamental para mostrar ao público que apesar de independente,ha artistas comprometidos em fazer trabalhos com qualidade!!!

    Responder
  10. Luciano Salles
    Luciano Salles says:

    Poxa Ricardo, eu não assisti esse documentário ainda e por isso não posso opinar mas com certeza, os interesses são os mesmos e por vezes, não percebemos. Mas está na hora de atinar para esse "detalhe" e fazer o mercado fincar os dois pés de vez!
    Grande abraço e obrigado por comentar aqui no blog 😉

    Responder
  11. Marshall
    Marshall says:

    Há não muito tempo atrás certo quadrinista cujos trabalhos alcançaram certo reconhecimento deu uma entrevista na qual declarou que tinha vontade de pegar toda a "fofice" do quadrinho brasileiro, fazer uma fogueira e ver queimar…até hoje não sei bem se entendi o que ele quis dizer, mas em qualquer hipótese não me pareceu uma declaração muito feliz…e vou te contar, não faltou gente para ajoelhar e dizer amém. Acho melhor "assinar" porque não consegui comentar com a conta do face (sei lá porque). André Ornelas.

    Responder
  12. Luciano Salles
    Luciano Salles says:

    Olá Ornelas, tudo bem?

    Situações sempre vão acontecer. Mas acredito no que falei: o fato de não gostar de algo não é justificativa para execrar o mesmo. Sempre acreditei no famoso "cada um, cada um" mas não penso que isso ajude nosso convalescente mercado.
    Um abraço e valeu por ter comentado aqui 😉

    Responder
  13. Gilson Bezerra
    Gilson Bezerra says:

    Ótimo texto! Lembrou uma velha discussão sobre união entre quadrinistas que presenciei na época do finado Orkut. Acredito que o público leitor, assim como o fã de um gênero musical, tem o direito de fazer essa acepção pois é o seu dinheiro e ele vai gastar no que ele gosta. Agora os artistas, o criador, o cara que divide o espaço com outro, tem o dever de respeitar essa diferença! Se olharmos atentamente ao movimento desse mercado que surge veremos que ele está se moldando sobre pilares muito semelhantes ao do mercado nipônico. Direito autoral, diversidade de estilos e temas…Agora só ta faltando o que mencionei acima e que vemos como natural nos grandes mercados (eua e japão)…União e respeito!

    Responder
  14. Willianpm
    Willianpm says:

    Eu ja vi várias vezes aqui no Brasil esse tipo de coisa acontecer principalmente de leitores de quadrinhos de super heróis que tem preconceito com quadrinho japones, o manga. Enquanto que o pessoal que lê manga não tem esse mesmo preconceito.

    Talvez por manga não aborda sempre um mesmo tema e ter uma diversidade talvez infinitas nos temas das histórias, esse público não veja nada de errado em qualquer outro tipo de quadrinhos.

    Mas aqui na região onde eu moro, pelo menos os que conheço, não são assim e até o momento fora o exemplo citado nunca presenciei esse tipo de preconceito que você citou.

    Responder
  15. Luciano Salles
    Luciano Salles says:

    Olá Gilson, tudo bem?
    Exatamente Gilson. Em prol de um melhor mercado, com diversidade de títulos e tudo mais. Só assim vamos melhorar. Grande abraço e obrigado pelo comentário!

    Responder
  16. Luciano Salles
    Luciano Salles says:

    Olá Willian, tudo bem? Que excelente que onde você mora não há isso. Como escrevi, posso estar paranóico mas tenho percebido isso. E convenhamos, não é hora para conchavos e sim para o melhor para o quadrinho nacional.
    Abraço!

    Responder
  17. Ronaldo Junior
    Ronaldo Junior says:

    O que você diz, Luciano, faz todo o sentido. Mas, infelizmente, a impressão que fica é que não estamos preparados para aceitar a diversidade. Isso se deve, em minha limitada opinião, por conta da falta de educação. Explico: quando aprendemos, desde cedo, a conviver com ideias e pessoas diferentes, crescemos com a percepção de que o mundo não é um grande espelho, refletindo mais do mesmo.
    Parece que queremos nossa opinião reforçada a todo instante: apenas o que nos motiva, o que nos comove, o que nos agrada tem valor. O outro não faz sentido, é ruim, é mau gosto.
    Penso que falta compaixão, "só" isso.

    Belo texto!
    Abração

    Responder

Deixe uma resposta

Quer juntar-se a discussão?
Sinta-se livre para contribuir!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *