Ilustração para o jornal Folha de S.Paulo por Luciano Salles.
Olá, tudo certinho?
Eu recebo o texto na terça-feira ao final da tarde, por vezes no começo da noite e tenho que enviar o desenho finalizado até às 14h da quarta-feira, para a redação do jornal.
O Contardo tem um escrita fluída, de pensamentos rápidos, ligando assuntos que pouco se atrevem ou se interligam, quase como se escrevesse um ensaio; o motivo dessa postagem é tentar fatorar os meios por onde chego na ilustração que será publicada.
Ao receber o texto direto do e-mail dele, já respondo que recebi para ele ficar tranquilo com sua parte do trabalho. Combinamos o uso do e-mail pela praticidade. 
Os textos sempre dão uns “chacoalhões” e isso desde quando eu assinava o jornal físico (a mais de 15 anos). Não sei se a prática de atender pacientes em consultas o conduz para esse formato de escrita mas, de fato, para mim, sempre foi assim.
A primeira leitura que faço é apenas uma apreciação do texto e por isso, evito pensar que terei de ilustrar sobre o que estou lendo. Por muitas vezes, uma segunda leitura se faz necessária apenas para uma melhor compreensão do que foi escrito.
Sketch “podrera” por Luciano Salles.
É geralmente na terceira leitura e essa, mais nas entrelinhas, que começo a refletir sobre o conteúdo ali exposto. Como é um texto corrente, parece que tudo ali foi preenchido como um rio preenche e percorre seu leito. Esse passa a ser meu desafio.
Penso que a ilustração dever ter o poder de atrair e quem sabe, conduzir os olhos do leitor curioso para o que deve estar escrito ali. Sei que o Contardo tem seus fieis leitores mas não custa tentar angariar um novo. Por esse motivo, essa terceira leitura é bem mais crítica, onde procuro algo que o Contardo não escreveu mas ficou velado entre tantas sentenças.
Foto da página do caderno Ilustrada.

Para o texto desta semana, especificamente, o que me atinou foi o fato de que precisamos de fantasias para viver. Não só nos aspecto sexual, como o texto viceja, mas vivemos em prol de fantasias que criamos, acreditamos e realmente são necessárias (as saudáveis no aspecto social geral).

Dentro de toda essa amplitude e carga contextual, convido para a leitura do texto por esse link http://bit.ly/2DT54RI para seguir a trilhas e passos que procurei tomar para chegar na arte publicada.

Fico por aqui no aguardo de comentários, compartilhamentos, sugestões e o que mais quiser inserir logo abaixo.
Um abraço.
Luciano Salles.
Olá, tudo bem?
Esse é um post bem diferente do que costumo fazer mas tive vontade de contar minha viagem.
Precisava comprar alguns itens e suprimentos para os meus desenhos e assim aproveitei que minha esposa faz um curso de formação em Filosofia do Yoga no Instituto Paulista de Sânscrito e, de supetão, estava em São Paulo (isso na sexta-feira passada).
Arte do evento editada as pressas pelo Guilherme Lorandi

SEXTA-FEIRA

Já na capital caótica, entrei em contato com o Guilherme da Loja Monstra (antiga Gibiteria) pois sabia que haveria um troca-troca de gibis e me ofereci para estar ali, levar alguns exemplares de EUDAIMONIA e autografar.
Um detalhe importante! Eu sabia que meu amigo Orlandeli também estava na cidade e perguntei se ele gostaria de participar dessa sessão de autógrafos para quem estivesse na Monstra. Ele topou, o Guilherme deu uma leve alterada no evento e no sábado estaríamos lá.
Orlandeli e eu na Loja Monstra. Apesar de
marcado bem em cima da hora, o evento foi
demais!

Dica! Aproveito e deixo aqui meu agradecimento ao Guilherme, a Loja Monstra e convido você para conhecer o espaço incrível com muitos títulos do Quadrinho Nacional e todo catálogo de HQ que possa imaginar.


Depois de toda essa agitação on-line que fiz para o sábado, fomos eu e minha esposa na Livraria Sol, que fica no bairro da Liberdade, logo em frente a saída do metrô na Praça da Liberdade. Achei o que queria e partimos para a loja A Casa do Artista. Não encontrei o papel Winsor & Newton de tamanho A3 que uso diariamente mas havia um único bloco A4 que é o tamanho que uso para fazer as ilustrações para a Folha de S.Paulo. Garanti esse!
Por falar da Folha, eu e o Contardo Calligaris (que é o autor da coluna que ilustro para o jornal) havíamos combinado de nos encontrar para um café na Livraria Cultura do Conjunto Nacional. Finalmente nos conhecemos pessoalmente e conversamos por horas. Aqui enfatizo que o tempo aprontou, como sempre faz, quando algo é prazeiroso.
Autógrafo do Moebius em um exemplar do BlueBerry.
Falhei em não anotar o nome do dono da revista.

SÁBADO

Logo pela manhã minha esposa foi para seu curso e eu atrás do bloco A3. Fui até a Papelaria Universitária e lá encontrei o A3 mas da marca Hahnemühle. Com as mesmas especificações do Winsor & Newton que gosto de usar; tipo Bristol, gramatura alta e de superfície extra lisa, comprei e vou testá-lo em breve.
Com uma boa janela de horário até a sessão de autógrafos na Monstra, decidi ir até o MIS visitar a exposição Quadrinhos que teve a curadoria do amigo Ivan Freitas da Costa. Uma exposição linda, com inúmeros originais (inclusive esses autógrafos do Moebius), muito bem montada e disposta pelo prédio. Aproveitei por horas lá dentro mas confesso que a iluminação não me foi favorável (em alguns ambientes) pelo fato de não enxergar tão bem.
Dali fui para a sessão de autógrafos com o Orlandeli. Quer saber do resultado do evento na Loja Monstra? Foi fantástico!
DOMINGO
Logo pela manhã fui até ao Instituto de Sânscrito com a minha esposa, que teria aula até às 12h.  Queria conhecer a escola. Voltei caminhando para casa do meu irmão pois tinha o compromisso de desenhar muito com minha sobrinha, Julia. Aproveitei para fazer o trajeto por dentro do Parque da Aclimação o que deixou a manhã ainda mais agradável.
Foi um final de semana tranquilo e recompensador.
Um abraço.
Luciano Salles.
“Reimo” foi um dos personagens criados
no encontro. Foto cedida pela instituiçao.

Olá, tudo bem com você?

No dia 10 de maio, dei uma aula de desenho e criação de personagens na Fundação CASA (Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente) que, antigamente, tinha o nome de FEBEM.

ADENDO: devido às normas da instituição, fotos dos internos não são permitidas e por isso, para ilustrar a postagem, usei um desenho resultante da oficina.

Estava com tudo preparado. A apresentação para projeção, exercícios práticos, exercícios para reflexão e expansão da percepção, folhas de sulfite, lápis e tudo mais para boas horas de trabalho.

Era hora de ir para a Fundação Casa.

Como disse, estava com tudo preparado em minha mochila mas, a partir do momento que olhei a porta de entrada da Fundação, percebi que não estaria apto para o que encontraria.
Passando a primeira porta, recebi uma revista de praxe em uma sala minúscula com apenas um banco de alvenaria. Dali seguimos por um caminho tranquilo e entramos em um prédio que mais parecia uma escola. Um corredor com salas nas laterais.
Ao final do corredor viramos a esquerda, andando um pouco mais e saímos dessa área; paramos em frente a uma porta de barras de ferro de aproximadamente 4 cm de diâmetro. Entramos por ali e ficamos enclausurados entre essa porta e outra totalmente fechada com apenas um pequeno vidro escuro. Avisaram que era a funcionária “Juliana” com o rapaz que daria o curso de desenho. Nossa passagem foi liberada.
A sensação e sentimentos que tive foram de apequenar minha existência. Fiquei angustiado com aqueles muros de mais de 4 ou 5 metros de altura além de metros e metros de concertinas. Antes deste muro ainda havia um gradil muito alto.
Ela me levou onde aconteceria a aula e começamos a montar o projetor quando um menino apareceu na porta. Era um interno. Uma criança.
Percebi que para os funcionários, aquele é um ambiente normal de trabalho e a situação passa a ser rotineira e, de certa forma, comum. Qualquer pessoa que trabalhe em um local de reclusão de pessoas se acostuma com o ambiente assim como nos acostumamos a trabalhos em bancos, contando muito dinheiro que não é nosso, ou qualquer outro lugar de trabalho.
Os meninos iam entrando e a turma se formou com 12 garotos entre 15 e 18 anos. Entre os que estavam diretamente envolvidos na oficina (eu e a garotada reclusa), eu era o único branco.
As duas horas e trinta minutos passaram num piscar de olhos e a oficina foi fantástica com um resultado incrível! Fechamos a oficina, fizemos uma foto muito legal de toda turma, nos despedimos com abraços e voltei para o meu estúdio.
Ainda penso muito sobre essa oportunidade incrível que tive.
Ainda penso muito naqueles muros e concertinas.
Ainda penso muito em como meninos entram e saem em um fluxo quase que “natural” pela instituição.
Ainda penso muito que nascer aqui ou ali, determina, em grandes percentuais, sua passagem por um centro de reclusão e ressocialização.

Ainda penso muito.

Um abraço.

Luciano Salles.

Olá, tudo bem?
Vamos para dois assuntos em um único post: 
#mickeyfeio #mickeyfeio2019 por Luciano Salles
#mickeyfeio
Pelo que pesquisei, essa é a sétima edição do Concurso Mundial Mickey Feio que foi idealizado pelos designers pernambucanos Stuart Marcelo e Cecília Torres. Eu não conhecia esse “concurso” mas vi a hashtag e fiquei com vontade de fazer um Mickey feio.
Fiz o desenho, liguei o computador, abri o Photoshop e fiz as cores em, no máximo, 10 ou 12 minutos. Deveria ter cronometrado pois acredito que nem deu tudo isso de tempo e esse fato me levou a uma séria reflexão: “por que diabos esse não é meu traço? Faria tudo 20 vezes mais rápido!”
Quadrinho para a Folha de S.Paulo.
Na última quinta-feira, como de costume, ilustrei a coluna do Contardo Calligaris de uma forma narrativa. 
Não gostei tanto do trabalho publicado devido a inúmeros motivos; não é nenhuma ideia original, não fiquei contente com minha arte-final e alguns outros que não vem ao caso.
Mandei um e-mail para o Contardo revelando esses sentimentos quanto a ilustração (abusei do meu colega psicanalista) e para minha surpresa, ele havia gostado. Fiquei mais aliviado.
Ilustração para o jornal Folha de S.Paulo por Luciano Salles
Como ilustrador, sempre me proponho a cavar algo que ficou implícito no texto e por esse viés, a ilustração foi acertada.
Deixe seus comentários!
Um abraço.
Luciano Salles.