Luciano Salles é quadrinista e ilustrador da Folha de S.Paulo.
Autor da histórias em quadrinhos EUDAIMONIA (2017, Publicação independente/Catarse), Limiar: Dark Matter (2015, Publicação independente), L’Amour: 12 oz (2014, Editora MINO), O Quarto Vivente (2013, Publicação independente) e da HQzine Luzcia, a Dona do Boteco (2012, Publicação independente).
Contato: lucianosalles@dimensaolimbo.com

19.5.19

Oficina de criação de personagem na Fundação CASA

"Reimo" foi um dos personagens criados
no encontro. Foto cedida pela instituiçao.
Olá, tudo bem com você?

No dia 10 de maio, dei uma aula de desenho e criação de personagens na Fundação CASA (Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente) que, antigamente, tinha o nome de FEBEM.

ADENDO: devido às normas da instituição, fotos dos internos não são permitidas e por isso, para ilustrar a postagem, usei um desenho resultante da oficina.

Estava com tudo preparado. A apresentação para projeção, exercícios práticos, exercícios para reflexão e expansão da percepção, folhas de sulfite, lápis e tudo mais para boas horas de trabalho.

Era hora de ir para a Fundação Casa.

Como disse, estava com tudo preparado em minha mochila mas, a partir do momento que olhei a porta de entrada da Fundação, percebi que não estaria apto para o que encontraria.

Passando a primeira porta, recebi uma revista de praxe em uma sala minúscula com apenas um banco de alvenaria. Dali seguimos por um caminho tranquilo e entramos em um prédio que mais parecia uma escola. Um corredor com salas nas laterais.

Ao final do corredor viramos a esquerda, andando um pouco mais e saímos dessa área; paramos em frente a uma porta de barras de ferro de aproximadamente 4 cm de diâmetro. Entramos por ali e ficamos enclausurados entre essa porta e outra totalmente fechada com apenas um pequeno vidro escuro. Avisaram que era a funcionária "Juliana" com o rapaz que daria o curso de desenho. Nossa passagem foi liberada.

A sensação e sentimentos que tive foram de apequenar minha existência. Fiquei angustiado com aqueles muros de mais de 4 ou 5 metros de altura além de metros e metros de concertinas. Antes deste muro ainda havia um gradil muito alto.

Ela me levou onde aconteceria a aula e começamos a montar o projetor quando um menino apareceu na porta. Era um interno. Uma criança.

Percebi que para os funcionários, aquele é um ambiente normal de trabalho e a situação passa a ser rotineira e, de certa forma, comum. Qualquer pessoa que trabalhe em um local de reclusão de pessoas se acostuma com o ambiente assim como nos acostumamos a trabalhos em bancos, contando muito dinheiro que não é nosso, ou qualquer outro lugar de trabalho.

Os meninos iam entrando e a turma se formou com 12 garotos entre 15 e 18 anos. Entre os que estavam diretamente envolvidos na oficina (eu e a garotada reclusa), eu era o único branco.

As duas horas e trinta minutos passaram num piscar de olhos e a oficina foi fantástica com um resultado incrível! Fechamos a oficina, fizemos uma foto muito legal de toda turma, nos despedimos com abraços e voltei para o meu estúdio.

Ainda penso muito sobre essa oportunidade incrível que tive.

Ainda penso muito naqueles muros e concertinas.

Ainda penso muito em como meninos entram e saem em um fluxo quase que "natural" pela instituição.

Ainda penso muito que nascer aqui ou ali, determina, em grandes percentuais, sua passagem por um centro de reclusão e ressocialização.

Ainda penso muito.

Um abraço.

Luciano Salles.

14.5.19

10 dicas de como precificar sua arte original ou como devo cobrar por uma "commission"?

Commission do Batman por Luciano Salles
Olá, tudo bem?

Sempre recebo perguntas e mensagens de outros artistas indagando como faço para precificar meus desenhos originais e esse é o motivo do novo post: como chegar ao valor de venda de uma arte original sua?

Acho ideal enfatizar que o valor para venda de uma peça artística é totalmente subjetivo.

Montarei a estrutura do texto através de parâmetros de como faço para chegar ao valor final e que passo ao interessado pela compra da arte.

Farei uma lista com itens e você poderá (se algum lhe for útil) tentar precificar seu trabalho para venda.

Então, vamos lá!

01. Em toda encomenda de um desenho ou commission, sempre defino que o trabalho terá o tamanho de um papel A3 (29,7 x 42cm). Esse é um tamanho confortável para eu desenhar;

02. A encomenda parte de um personagem com fundo mínimo e o valor fica em 100 dinheiros (vou tomar esse valor como exemplo);

03. Se o contratante achar caro, ofereço o mesmo desenho em tamanho A4 (21 x 29,7cm) por um valor de 50 dinheiros;

04. Parametrizo meus valores tentando deixar equivalente a artistas que considero que estejam no mesmo patamar de qualidade dos meus trabalhos;

05. Se o contratante quiser a encomenda com um personagem principal e deseja incluir outro, esse custo extra é adicionado em 30%.
Acompanhe:
– o contratante quer um desenho do Batman em tamanho A3 porém quer também que o Superman esteja presente na arte. O custo ficaria em 100 dinheiros pelo desenho do Batman no papel de tamanho 29,7 x 42 cm mais 30 dinheiros pela inclusão do Superman, totalizando 130 dinheiros.

06. Esse original será arte-finalizado em nanquim, com um fundo mínimo para composição da cena e se necessário (para melhor acabamento) uma aguada de nanquim ou mesmo o uso de um marcador de boa qualidade. 

07. Falando em boa qualidade, sempre use um excelente papel, de boa gramatura e que se sustente por um bom tempo sem amarelar. Geralmente os que tem algum percentual de algodão na confecção são os melhores para isso. Eu uso papel da marca Winsor & Newton, com gramatura 250g/m². 

08. Estude bastante antes de "chutar" um valor qualquer. Desta forma você estará agregando valor ao seu desenho e trabalho, colocando um preço justo pelas horas debruçadas e que terá de empenhar na peça e, principalmente, não desvalorizará o trabalho de outros artistas que estejam no mesmo patamar que você se encontra.

09. Sobre patamares: não posso cobrar por uma arte original o mesmo valor que o Frank Miller cobra. Na realidade até posso fazer isso porém não venderei nenhuma peça! Não devo cobrar o valor que o Rafael Albuquerque cobra por um desenho original. O capital social desses "monstros" no meio dos quadrinhos é infinitamente maior que o meu capital social neste mesmo meio.

10. Honre seus prazos!

Se quiser adquirir um desenho original meu é só entrar em contato pelo e-mail lucianosalles@dimensaolimbo.com ou visitar minha loja online (aqui mesmo no blog) que sempre tem alguma peça para vender.

Um abraço.

Luciano Salles.

5.5.19

Mickey feio e quadrinho para a Folha de S.Paulo

Olá, tudo bem?

Vamos para dois assuntos em um único post: 

#mickeyfeio #mickeyfeio2019 por Luciano Salles
#mickeyfeio
Pelo que pesquisei, essa é a sétima edição do Concurso Mundial Mickey Feio que foi idealizado pelos designers pernambucanos Stuart Marcelo e Cecília Torres. Eu não conhecia esse "concurso" mas vi a hashtag e fiquei com vontade de fazer um Mickey feio.

Fiz o desenho, liguei o computador, abri o Photoshop e fiz as cores em, no máximo, 10 ou 12 minutos. Deveria ter cronometrado pois acredito que nem deu tudo isso de tempo e esse fato me levou a uma séria reflexão: "por que diabos esse não é meu traço? Faria tudo 20 vezes mais rápido!"

Quadrinho para a Folha de S.Paulo.
Na última quinta-feira, como de costume, ilustrei a coluna do Contardo Calligaris de uma forma narrativa. 

Não gostei tanto do trabalho publicado devido a inúmeros motivos; não é nenhuma ideia original, não fiquei contente com minha arte-final e alguns outros que não vem ao caso.

Mandei um e-mail para o Contardo revelando esses sentimentos quanto a ilustração (abusei do meu colega psicanalista) e para minha surpresa, ele havia gostado. Fiquei mais aliviado.
Ilustração para o jornal Folha de S.Paulo por Luciano Salles
Como ilustrador, sempre me proponho a cavar algo que ficou implícito no texto e por esse viés, a ilustração foi acertada.

Deixe seus comentários!

Um abraço.

Luciano Salles.

26.4.19

E você, já errou? Eu acabei de errar legal.

Commission por Luciano Salles
Olá, tudo bem?

No meio de fevereiro recebi um pedido de commission (termo utilizado para a encomenda e compra de um trabalho original e exclusivo), de um cidadão norte-americano que reside especificamente no estado da California.

Todos os processo formais formam feitos, fiz o desenho com o tema que ele queria e enviei para o endereço indicado.

O comprador recebeu o trabalho e de forma educada e pragmática como os americanos são, disse que amou o desenho mas enfatizou estar um pouco confuso quanto ao tamanho do trabalho. 

ELE TINHA RAZÃO! Eu recebi a encomenda em formato A3 e, simplesmente, fiz a arte no formato A4. Não sei o que me levou a isso! Onde eu estava com minha cabeça durante todo o tempo que fiz o desenho? Por qual motivo não revisei nossas trocas de mensagens antes de confirmar o tamanho da encomenda?

Sinceramente? Não sei...

Fui educado pelos meus pais a assumir qualquer erro que tivesse cometido e vou confessar que errei muito! Se errou, assuma, diziam eles. Faça um sincero pedido de desculpas e repare o erro o quanto antes.

Foi o que fiz. Pedi desculpas pelo ocorrido. Expliquei que não entendi o que me motivou a fazer o desenho no tamanho errado e que estava claro que a arte deveria ser em tamanho A3. Aliás, um detalhe importante: eu cobrei o valor por uma arte no tamanho A4 então estou ciente também do prejuízo financeiro que terei (meu tempo desenhando, o custo da postagem, papel, tintas, embalagem e correios).

Entretanto erros acontecem e hoje começo o novo desenho para o californiano e que tanto aprecia meus trabalhos.

Um adendo: enfatizo que a instituição financeira que trabalhei, principalmente onde comecei (Banco Real), tinha uma política de que erros acontecem, devem ser entendidos, não repetidos e reparados de forma rápida e sem custos para o cliente.

Retrabalho é chato mas estou fazendo como se fosse a primeira encomenda. Aliás, vou fazer um desenho totalmente diferente do que está ilustrando o post.

E você? Já errou "gostoso" assim?

Deixe suas cagadas nos comentários e vamos nos consolando...

Um abraço.

Luciano Salles.

18.4.19

Como acertar as cores para impressão?

Ilustração para a coluna do Contardo Calligaris na Ilustrada da Folha de S.Paulo
Foto da qualidade da impressão com essa
escolha de cores
Olá, tudo bem?

Não tenho uma resposta exata para a pergunta que dá nome ao post e, principalmente, quando a impressão será feita para um jornal. Não entendo sobre impressão gráfica, não tenho um traquejo em cores e faço tudo o que faço, basicamente, no instinto. Você pode se perguntar: isso é bom? Claro que não!

Sempre defendo para quem se pretende ser um desenhista, ilustrador ou quadrinista, que faça um curso de desenho, de cores, perspectiva e tudo mais o que puder aprender. Não tive essa oportunidade devido aos caminhos que escolhi (e não me arrependo) porém, sinto falta de algumas ou bastantes orientações.

Digo isso pois é sempre uma dificuldade acertar as cores das ilustrações que envio para a Folha de S.Paulo. 

A ilustração dessa semana ficou fantástica na impressão do jornal porém, a da semana passada, não ficou exatamente como eu esperava que ficasse. O problema não é da impressão do jornal e sim das escolhas das cores e suas variáveis dentro do espectro CMYK. 

Na próxima semana entrarei em contato com uma pessoa na Folha que entende muito sobre processo de impressão e tratamento de imagens no jornal.

Assim que tiver maiores informações sobre o que aprender e o que me for passado, um novo post com informações precisas será feito.

Um abraço!

Luciano Salles.

16.4.19

A dificuldade que encontro para produzir minha nova HQ

Olá, tudo bem?

Ontem fiz uma thread em minha conta do Twitter sobre a dificuldade que encontro para produzir minha nova HQ. Vou replicar aqui:


Queria muito ter um boa notícia ou um post melhor para fazer mas por enquanto é isso.

Um abraço.

Luciano Salles.