Luciano Salles é quadrinista e ilustrador da Folha de S.Paulo.
Autor da histórias em quadrinhos EUDAIMONIA (2017, Publicação independente/Catarse), Limiar: Dark Matter (2015, Publicação independente), L’Amour: 12 oz (2014, Editora MINO), O Quarto Vivente (2013, Publicação independente) e da HQzine Luzcia, a Dona do Boteco (2012, Publicação independente).
Contato: lucianosalles@dimensaolimbo.com

12.6.19

Sorteio de um SUPER COMBO pelo Instagram e alguns outros trabalhos


Sorteio SUPER COMBO

Ontem lancei um sorteio na minha conta do Instagram com dois super combos idênticos:

– EUDAIMONIA (um exemplar);
– Limiar: Dark Matter (um exemplar);
– O Quarto Vivente (um exemplar);
– Print do Superman (tamanho A4 em comemoração aos 80 anos do personagem);
– Print do Batman (tamanho A4 em comemoração aos 80 anos do personagem).

Para concorrer as regras são: seguir minha conta no Instagram, curtir a postagem – link: http://bit.ly/2XKoQH0 – e marcar um amigo ou amiga nos comentários. O sorteio acontecerá no dia 18/06 às 18h.

O ano de 2019 tem sido o ano onde mais trabalhei com ilustrações e commissions. Não posso reclamar de forma alguma dessa demanda, porém, com certeza, atrasa a produção do meu trabalho com quadrinho.

Fiz alguns trabalhos vendidos para o exterior, outros muitos dentro do nosso país, sem contar o meu trabalho semanal na Folha de S.Paulo. Todos os trabalhos para o jornal você pode conferir em um espaço próprio, com botão próprio e sempre atualizado. Deixo aqui o link para você acessar essa página: http://bit.ly/2MJZx6D

Commission: Nino & Rebeka
É isso. Um breve atualização para você, leitor do blog.

Um grande abraço!

Luciano Salles.









Commission enviada para fora do país



















30.5.19

O processo de ilustrar para a Folha de S.Paulo

Ilustração para o jornal Folha de S.Paulo por Luciano Salles.
Olá, tudo certinho?


Eu recebo o texto na terça-feira ao final da tarde, por vezes no começo da noite e tenho que enviar o desenho finalizado até às 14h da quarta-feira, para a redação do jornal.

O Contardo tem um escrita fluída, de pensamentos rápidos, ligando assuntos que pouco se atrevem ou se interligam, quase como se escrevesse um ensaio; o motivo dessa postagem é tentar fatorar os meios por onde chego na ilustração que será publicada.

Ao receber o texto direto do e-mail dele, já respondo que recebi para ele ficar tranquilo com sua parte do trabalho. Combinamos o uso do e-mail pela praticidade. 

Os textos sempre dão uns "chacoalhões" e isso desde quando eu assinava o jornal físico (a mais de 15 anos). Não sei se a prática de atender pacientes em consultas o conduz para esse formato de escrita mas, de fato, para mim, sempre foi assim.

A primeira leitura que faço é apenas uma apreciação do texto e por isso, evito pensar que terei de ilustrar sobre o que estou lendo. Por muitas vezes, uma segunda leitura se faz necessária apenas para uma melhor compreensão do que foi escrito.

Sketch "podrera" por Luciano Salles.
É geralmente na terceira leitura e essa, mais nas entrelinhas, que começo a refletir sobre o conteúdo ali exposto. Como é um texto corrente, parece que tudo ali foi preenchido como um rio preenche e percorre seu leito. Esse passa a ser meu desafio.

Penso que a ilustração dever ter o poder de atrair e quem sabe, conduzir os olhos do leitor curioso para o que deve estar escrito ali. Sei que o Contardo tem seus fieis leitores mas não custa tentar angariar um novo. Por esse motivo, essa terceira leitura é bem mais crítica, onde procuro algo que o Contardo não escreveu mas ficou velado entre tantas sentenças.

Foto da página do caderno Ilustrada.
Para o texto desta semana, especificamente, o que me atinou foi o fato de que precisamos de fantasias para viver. Não só nos aspecto sexual, como o texto viceja, mas vivemos em prol de fantasias que criamos, acreditamos e realmente são necessárias (as saudáveis no aspecto social geral).

Dentro de toda essa amplitude e carga contextual, convido para a leitura do texto por esse link http://bit.ly/2DT54RI para seguir a trilhas e passos que procurei tomar para chegar na arte publicada.

Fico por aqui no aguardo de comentários, compartilhamentos, sugestões e o que mais quiser inserir logo abaixo.

Um abraço.

Luciano Salles.

28.5.19

Um post muito diferente do que costumo fazer

Olá, tudo bem?

Esse é um post bem diferente do que costumo fazer mas tive vontade de contar minha viagem.

Precisava comprar alguns itens e suprimentos para os meus desenhos e assim aproveitei que minha esposa faz um curso de formação em Filosofia do Yoga no Instituto Paulista de Sânscrito e, de supetão, estava em São Paulo (isso na sexta-feira passada).

Arte do evento editada as pressas pelo Guilherme Lorandi
SEXTA-FEIRA
Já na capital caótica, entrei em contato com o Guilherme da Loja Monstra (antiga Gibiteria) pois sabia que haveria um troca-troca de gibis e me ofereci para estar ali, levar alguns exemplares de EUDAIMONIA e autografar.

Um detalhe importante! Eu sabia que meu amigo Orlandeli também estava na cidade e perguntei se ele gostaria de participar dessa sessão de autógrafos para quem estivesse na Monstra. Ele topou, o Guilherme deu uma leve alterada no evento e no sábado estaríamos lá.

Orlandeli e eu na Loja Monstra. Apesar de
marcado bem em cima da hora, o evento foi
demais!
Dica! Aproveito e deixo aqui meu agradecimento ao Guilherme, a Loja Monstra e convido você para conhecer o espaço incrível com muitos títulos do Quadrinho Nacional e todo catálogo de HQ que possa imaginar.

Depois de toda essa agitação on-line que fiz para o sábado, fomos eu e minha esposa na Livraria Sol, que fica no bairro da Liberdade, logo em frente a saída do metrô na Praça da Liberdade. Achei o que queria e partimos para a loja A Casa do Artista. Não encontrei o papel Winsor & Newton de tamanho A3 que uso diariamente mas havia um único bloco A4 que é o tamanho que uso para fazer as ilustrações para a Folha de S.Paulo. Garanti esse!

Por falar da Folha, eu e o Contardo Calligaris (que é o autor da coluna que ilustro para o jornal) havíamos combinado de nos encontrar para um café na Livraria Cultura do Conjunto Nacional. Finalmente nos conhecemos pessoalmente e conversamos por horas. Aqui enfatizo que o tempo aprontou, como sempre faz, quando algo é prazeiroso.

Autógrafo do Moebius em um exemplar do BlueBerry.
Falhei em não anotar o nome do dono da revista.
SÁBADO
Logo pela manhã minha esposa foi para seu curso e eu atrás do bloco A3. Fui até a Papelaria Universitária e lá encontrei o A3 mas da marca Hahnemühle. Com as mesmas especificações do Winsor & Newton que gosto de usar; tipo Bristol, gramatura alta e de superfície extra lisa, comprei e vou testá-lo em breve.

Com uma boa janela de horário até a sessão de autógrafos na Monstra, decidi ir até o MIS visitar a exposição Quadrinhos que teve a curadoria do amigo Ivan Freitas da Costa. Uma exposição linda, com inúmeros originais (inclusive esses autógrafos do Moebius), muito bem montada e disposta pelo prédio. Aproveitei por horas lá dentro mas confesso que a iluminação não me foi favorável (em alguns ambientes) pelo fato de não enxergar tão bem.

Dali fui para a sessão de autógrafos com o Orlandeli. Quer saber do resultado do evento na Loja Monstra? Foi fantástico!

DOMINGO
Logo pela manhã fui até ao Instituto de Sânscrito com a minha esposa, que teria aula até às 12h.  Queria conhecer a escola. Voltei caminhando para casa do meu irmão pois tinha o compromisso de desenhar muito com minha sobrinha, Julia. Aproveitei para fazer o trajeto por dentro do Parque da Aclimação o que deixou a manhã ainda mais agradável.

Foi um final de semana tranquilo e recompensador.

Um abraço.

Luciano Salles.

19.5.19

Oficina de criação de personagem na Fundação CASA

"Reimo" foi um dos personagens criados
no encontro. Foto cedida pela instituiçao.
Olá, tudo bem com você?

No dia 10 de maio, dei uma aula de desenho e criação de personagens na Fundação CASA (Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente) que, antigamente, tinha o nome de FEBEM.

ADENDO: devido às normas da instituição, fotos dos internos não são permitidas e por isso, para ilustrar a postagem, usei um desenho resultante da oficina.

Estava com tudo preparado. A apresentação para projeção, exercícios práticos, exercícios para reflexão e expansão da percepção, folhas de sulfite, lápis e tudo mais para boas horas de trabalho.

Era hora de ir para a Fundação Casa.

Como disse, estava com tudo preparado em minha mochila mas, a partir do momento que olhei a porta de entrada da Fundação, percebi que não estaria apto para o que encontraria.

Passando a primeira porta, recebi uma revista de praxe em uma sala minúscula com apenas um banco de alvenaria. Dali seguimos por um caminho tranquilo e entramos em um prédio que mais parecia uma escola. Um corredor com salas nas laterais.

Ao final do corredor viramos a esquerda, andando um pouco mais e saímos dessa área; paramos em frente a uma porta de barras de ferro de aproximadamente 4 cm de diâmetro. Entramos por ali e ficamos enclausurados entre essa porta e outra totalmente fechada com apenas um pequeno vidro escuro. Avisaram que era a funcionária "Juliana" com o rapaz que daria o curso de desenho. Nossa passagem foi liberada.

A sensação e sentimentos que tive foram de apequenar minha existência. Fiquei angustiado com aqueles muros de mais de 4 ou 5 metros de altura além de metros e metros de concertinas. Antes deste muro ainda havia um gradil muito alto.

Ela me levou onde aconteceria a aula e começamos a montar o projetor quando um menino apareceu na porta. Era um interno. Uma criança.

Percebi que para os funcionários, aquele é um ambiente normal de trabalho e a situação passa a ser rotineira e, de certa forma, comum. Qualquer pessoa que trabalhe em um local de reclusão de pessoas se acostuma com o ambiente assim como nos acostumamos a trabalhos em bancos, contando muito dinheiro que não é nosso, ou qualquer outro lugar de trabalho.

Os meninos iam entrando e a turma se formou com 12 garotos entre 15 e 18 anos. Entre os que estavam diretamente envolvidos na oficina (eu e a garotada reclusa), eu era o único branco.

As duas horas e trinta minutos passaram num piscar de olhos e a oficina foi fantástica com um resultado incrível! Fechamos a oficina, fizemos uma foto muito legal de toda turma, nos despedimos com abraços e voltei para o meu estúdio.

Ainda penso muito sobre essa oportunidade incrível que tive.

Ainda penso muito naqueles muros e concertinas.

Ainda penso muito em como meninos entram e saem em um fluxo quase que "natural" pela instituição.

Ainda penso muito que nascer aqui ou ali, determina, em grandes percentuais, sua passagem por um centro de reclusão e ressocialização.

Ainda penso muito.

Um abraço.

Luciano Salles.

14.5.19

10 dicas de como precificar sua arte original ou como devo cobrar por uma "commission"?

Commission do Batman por Luciano Salles
Olá, tudo bem?

Sempre recebo perguntas e mensagens de outros artistas indagando como faço para precificar meus desenhos originais e esse é o motivo do novo post: como chegar ao valor de venda de uma arte original sua?

Acho ideal enfatizar que o valor para venda de uma peça artística é totalmente subjetivo.

Montarei a estrutura do texto através de parâmetros de como faço para chegar ao valor final e que passo ao interessado pela compra da arte.

Farei uma lista com itens e você poderá (se algum lhe for útil) tentar precificar seu trabalho para venda.

Então, vamos lá!

01. Em toda encomenda de um desenho ou commission, sempre defino que o trabalho terá o tamanho de um papel A3 (29,7 x 42cm). Esse é um tamanho confortável para eu desenhar;

02. A encomenda parte de um personagem com fundo mínimo e o valor fica em 100 dinheiros (vou tomar esse valor como exemplo);

03. Se o contratante achar caro, ofereço o mesmo desenho em tamanho A4 (21 x 29,7cm) por um valor de 50 dinheiros;

04. Parametrizo meus valores tentando deixar equivalente a artistas que considero que estejam no mesmo patamar de qualidade dos meus trabalhos;

05. Se o contratante quiser a encomenda com um personagem principal e deseja incluir outro, esse custo extra é adicionado em 30%.
Acompanhe:
– o contratante quer um desenho do Batman em tamanho A3 porém quer também que o Superman esteja presente na arte. O custo ficaria em 100 dinheiros pelo desenho do Batman no papel de tamanho 29,7 x 42 cm mais 30 dinheiros pela inclusão do Superman, totalizando 130 dinheiros.

06. Esse original será arte-finalizado em nanquim, com um fundo mínimo para composição da cena e se necessário (para melhor acabamento) uma aguada de nanquim ou mesmo o uso de um marcador de boa qualidade. 

07. Falando em boa qualidade, sempre use um excelente papel, de boa gramatura e que se sustente por um bom tempo sem amarelar. Geralmente os que tem algum percentual de algodão na confecção são os melhores para isso. Eu uso papel da marca Winsor & Newton, com gramatura 250g/m². 

08. Estude bastante antes de "chutar" um valor qualquer. Desta forma você estará agregando valor ao seu desenho e trabalho, colocando um preço justo pelas horas debruçadas e que terá de empenhar na peça e, principalmente, não desvalorizará o trabalho de outros artistas que estejam no mesmo patamar que você se encontra.

09. Sobre patamares: não posso cobrar por uma arte original o mesmo valor que o Frank Miller cobra. Na realidade até posso fazer isso porém não venderei nenhuma peça! Não devo cobrar o valor que o Rafael Albuquerque cobra por um desenho original. O capital social desses "monstros" no meio dos quadrinhos é infinitamente maior que o meu capital social neste mesmo meio.

10. Honre seus prazos!

Se quiser adquirir um desenho original meu é só entrar em contato pelo e-mail lucianosalles@dimensaolimbo.com ou visitar minha loja online (aqui mesmo no blog) que sempre tem alguma peça para vender.

Um abraço.

Luciano Salles.

5.5.19

Mickey feio e quadrinho para a Folha de S.Paulo

Olá, tudo bem?

Vamos para dois assuntos em um único post: 

#mickeyfeio #mickeyfeio2019 por Luciano Salles
#mickeyfeio
Pelo que pesquisei, essa é a sétima edição do Concurso Mundial Mickey Feio que foi idealizado pelos designers pernambucanos Stuart Marcelo e Cecília Torres. Eu não conhecia esse "concurso" mas vi a hashtag e fiquei com vontade de fazer um Mickey feio.

Fiz o desenho, liguei o computador, abri o Photoshop e fiz as cores em, no máximo, 10 ou 12 minutos. Deveria ter cronometrado pois acredito que nem deu tudo isso de tempo e esse fato me levou a uma séria reflexão: "por que diabos esse não é meu traço? Faria tudo 20 vezes mais rápido!"

Quadrinho para a Folha de S.Paulo.
Na última quinta-feira, como de costume, ilustrei a coluna do Contardo Calligaris de uma forma narrativa. 

Não gostei tanto do trabalho publicado devido a inúmeros motivos; não é nenhuma ideia original, não fiquei contente com minha arte-final e alguns outros que não vem ao caso.

Mandei um e-mail para o Contardo revelando esses sentimentos quanto a ilustração (abusei do meu colega psicanalista) e para minha surpresa, ele havia gostado. Fiquei mais aliviado.
Ilustração para o jornal Folha de S.Paulo por Luciano Salles
Como ilustrador, sempre me proponho a cavar algo que ficou implícito no texto e por esse viés, a ilustração foi acertada.

Deixe seus comentários!

Um abraço.

Luciano Salles.