Luciano Salles é quadrinista e ilustrador da Folha de S.Paulo.
Autor da histórias em quadrinhos EUDAIMONIA (2017, Publicação independente/Catarse), Limiar: Dark Matter (2015, Publicação independente), L’Amour: 12 oz (2014, Editora MINO), O Quarto Vivente (2013, Publicação independente) e da HQzine Luzcia, a Dona do Boteco (2012, Publicação independente).
Contato: lucianosalles@dimensaolimbo.com

26.4.19

E você, já errou? Eu acabei de errar legal.

Commission por Luciano Salles
Olá, tudo bem?

No meio de fevereiro recebi um pedido de commission (termo utilizado para a encomenda e compra de um trabalho original e exclusivo), de um cidadão norte-americano que reside especificamente no estado da California.

Todos os processo formais formam feitos, fiz o desenho com o tema que ele queria e enviei para o endereço indicado.

O comprador recebeu o trabalho e de forma educada e pragmática como os americanos são, disse que amou o desenho mas enfatizou estar um pouco confuso quanto ao tamanho do trabalho. 

ELE TINHA RAZÃO! Eu recebi a encomenda em formato A3 e, simplesmente, fiz a arte no formato A4. Não sei o que me levou a isso! Onde eu estava com minha cabeça durante todo o tempo que fiz o desenho? Por qual motivo não revisei nossas trocas de mensagens antes de confirmar o tamanho da encomenda?

Sinceramente? Não sei...

Fui educado pelos meus pais a assumir qualquer erro que tivesse cometido e vou confessar que errei muito! Se errou, assuma, diziam eles. Faça um sincero pedido de desculpas e repare o erro o quanto antes.

Foi o que fiz. Pedi desculpas pelo ocorrido. Expliquei que não entendi o que me motivou a fazer o desenho no tamanho errado e que estava claro que a arte deveria ser em tamanho A3. Aliás, um detalhe importante: eu cobrei o valor por uma arte no tamanho A4 então estou ciente também do prejuízo financeiro que terei (meu tempo desenhando, o custo da postagem, papel, tintas, embalagem e correios).

Entretanto erros acontecem e hoje começo o novo desenho para o californiano e que tanto aprecia meus trabalhos.

Um adendo: enfatizo que a instituição financeira que trabalhei, principalmente onde comecei (Banco Real), tinha uma política de que erros acontecem, devem ser entendidos, não repetidos e reparados de forma rápida e sem custos para o cliente.

Retrabalho é chato mas estou fazendo como se fosse a primeira encomenda. Aliás, vou fazer um desenho totalmente diferente do que está ilustrando o post.

E você? Já errou "gostoso" assim?

Deixe suas cagadas nos comentários e vamos nos consolando...

Um abraço.

Luciano Salles.

18.4.19

Como acertar as cores para impressão?

Ilustração para a coluna do Contardo Calligaris na Ilustrada da Folha de S.Paulo
Foto da qualidade da impressão com essa
escolha de cores
Olá, tudo bem?

Não tenho uma resposta exata para a pergunta que dá nome ao post e, principalmente, quando a impressão será feita para um jornal. Não entendo sobre impressão gráfica, não tenho um traquejo em cores e faço tudo o que faço, basicamente, no instinto. Você pode se perguntar: isso é bom? Claro que não!

Sempre defendo para quem se pretende ser um desenhista, ilustrador ou quadrinista, que faça um curso de desenho, de cores, perspectiva e tudo mais o que puder aprender. Não tive essa oportunidade devido aos caminhos que escolhi (e não me arrependo) porém, sinto falta de algumas ou bastantes orientações.

Digo isso pois é sempre uma dificuldade acertar as cores das ilustrações que envio para a Folha de S.Paulo. 

A ilustração dessa semana ficou fantástica na impressão do jornal porém, a da semana passada, não ficou exatamente como eu esperava que ficasse. O problema não é da impressão do jornal e sim das escolhas das cores e suas variáveis dentro do espectro CMYK. 

Na próxima semana entrarei em contato com uma pessoa na Folha que entende muito sobre processo de impressão e tratamento de imagens no jornal.

Assim que tiver maiores informações sobre o que aprender e o que me for passado, um novo post com informações precisas será feito.

Um abraço!

Luciano Salles.

16.4.19

A dificuldade que encontro para produzir minha nova HQ

Olá, tudo bem?

Ontem fiz uma thread em minha conta do Twitter sobre a dificuldade que encontro para produzir minha nova HQ. Vou replicar aqui:


Queria muito ter um boa notícia ou um post melhor para fazer mas por enquanto é isso.

Um abraço.

Luciano Salles.

11.4.19

Bacante para a coluna do Contardo Calligaris na Folha de S.Paulo

Ilustração para a coluna do Contardo Calligaris para o jornal Folha de S.Paulo
Print da Folha de S.Paulo online
Olá, tudo bem com você?

Durante 8 meses ilustrei a coluna do Daniel Furlan na Folha de S.Paulo. Depois desse tempo, a minha super editora fez o convite para uma nova parceria com o dramaturgo, escritor e psicanalista, Contardo Calligaris.

Fiquei encantado com o convite por vários motivos: já fui assinante da Folha do S.Paulo (quando nem em sonho imaginava trabalhar profissionalmente com meus desenhos) e uma das colunas que lia era a dele; por inúmeras vezes ouvi o Contardo falando na TV, dando entrevistas ou conduzindo algumas aulas em outros momentos e sempre como um ouvinte atento as palavras deste italiano radicado no Brasil há duas décadas.

Dois parágrafos foram necessários para a abertura deste post intitulado Bacante; Fiquei entorpecido quando recebi o texto (ainda bruto) do Contardo. Quase como um ensaio, as palavras fluem por assuntos que, de tal modo, tudo se encaixa e, por vezes, uma segunda leitura (no meu caso) se faz necessária.

A ilustração emanou a partir desta segunda passada de olhos pelo texto. O desenho tinha que ter 4 (quatro) tranças sendo puxadas sem que o leitor não tenha a visão de quem as estirava. Além disso, precisava distorcer muito a imagem que faria. Queria o limite da dor no prazer ou do prazer na dor.

Sketch "podrera"
Pé da minha esposa Lilian como referência









Enquanto pensava na ilustração, recebi um e-mail do Contardo, onde anexava um arquivo em .PDF com algumas imagens de uma exposição com telas da artista Regina Parra. Lendo o e-mail (sempre carinhoso), percebi que estava no caminho certo.

Por aqui termino com um curto vídeo onde passo nanquim nas tranças.



Grande abraço.

Luciano Salles.

1.4.19

Naruto

Naruto por Luciano Salles
Olá, tudo bem?

Acredito que essa tenha sido a encomenda de trabalho que mais tive o prazer em fazer. Vou explicar o motivo. 

Eu nunca havia lido Naruto, nem assistido o anime. Então, uma amiga recente que faz aula de Yoga no mesmo horário que pratico, soube que sou desenhista e perguntou se eu faria algum tipo de desenho encomendado. Me contou que o namorado dela é fascinado pelo Naruto e que queria dar um desenho original do personagem de presente de aniversário.

Passei o valor do trabalho e assim que ela topou, comecei assistir os animes na Netflix. Bem, adorei o que vi, fiz a commission (esse é o termo em inglês que usam para uma encomenda de arte original) e agora não consigo parar de assistir a série.

Entreguei o trabalho, ela presenteou seu namorado e disse que ele ficou tão feliz com o presente que ela se emocionou.

Ela me agradeceu e no sábado que passou, encontrei o casal em um festa. Fui apresentado por ela para o parceiro que agradeceu e disse que ficou encantado com a arte. Penso que um artista é alimentado por esses sentimentos e que precisamos disso.
Naruto por Luciano Salles
Sketch podrera por Luciano Salles




















Em todo desenho que faço empenho muito carinho, procuro melhorar continuamente meus traços com real envolvimento e diversão. Obrigado pela oportunidade, minha amiga Roberta.

Fique a vontade para deixar seu comentário.

Grande abraço.

Luciano Salles.

31.3.19

HQ para a Folha de S.Paulo: "O que está em jogo na visita de Bolsonaro a Israel?"

O que está em jogo na visita de Bolsonaro a Israel? por Luciano Salles
Olá, tudo bem com você?

Na edição de hoje da Folha de S.Paulo, você pode ver meu trabalho no caderno Mundo. O que foi legal em toda essa empreitada é que tive a liberdade para fazer o roteiro do "quadrinho". 

A proposta era produzir uma história em quadrinhos retratando a "vontade" do Presidente Bolsonaro em mudar a localização da embaixada do Brasil em Israel. A troca seria da cidade de Tel Aviv para Jerusalém, assim como já fez o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Recebi a pauta na quinta-feira de tarde com o prazo para entrega na sexta-feira à noite.

Não sei se reparou mas no primeiro parágrafo, coloquei a palavra quadrinho entres aspas pois montar o roteiro de uma HQ (de uma página) que contém tantas informações e viéses é, definitivamente, um desafio.

Não há espaço para a dinâmica que uma HQ necessita e assim fiz (com o apoio do repórter Daigo Suzuki) um compilado dos melhores pontos tendo a tarefa de ligar cada situação.

Fazer um quadrinho na capa do caderno Mundo, em jornal com o alcance que tem a Folha de S.Paulo é uma tremenda responsabilidade.

São quase 50 mil exemplares com uma HQ logo na cara em um espaço importante do periódico. Alguns pensamentos ecoaram depois de entregar os arquivos:

– Quantas pessoas que nunca leram ou não tem o costume de ler um gibi, uma sequência narrativa com texto e imagens e, de supetão, folheando o jornal, se interessam pela página?
– Quantas pessoas podem gostar do que viram e, de repente, bate aquela nostalgia de comprar um gibi na banca?
– E se uma criança que gosta de desenhar olha aquilo e ficar fascinada com a opção de ler uma história interagindo com imagens?

Por Luciano Salles
E principalmente:

– Como fazer os desenhos serem facilmente assimilados devido a restrição de espaço, excesso de conteúdo que a própria ocasião gera e aberto para todo tipo de público? Quem lerá será um(a) operário(a), um(a) professor(a), um(a) juiz, simpatizantes e não simpatizante ao Presidente, pessoas que entendem de geopolítica, enfim, uma diversidade fantástica!

É um desafio fazer algo que seja didático e também, de certa forma, nada como costumo fazer em minhas histórias. Essas são questões que sempre surgirão.

Espero que tenha gostado do conteúdo da postagem e deixe seu comentário.

Um abraço.

Luciano Salles.