Luciano Salles é quadrinista, ilustrador da Folha de S.Paulo e 1/3 da Produtora Cultural e Editora Memento 832.
Autor da histórias em quadrinhos EUDAIMONIA (2017, Publicação independente/Catarse), indicada ao 30º HQMIX, Limiar: Dark Matter (2015, Publicação independente), L’Amour: 12 oz (2014, Editora MINO), indicada ao 27º HQMIX, O Quarto Vivente (2013, Publicação independente), indicada ao 26º HQMIX e da HQzine Luzcia, a Dona do Boteco (2012, Publicação independente), indicada ao 27º HQMIX
Contato: lucianosalles@dimensaolimbo.com

25.6.18

Cable

Cable por Luciano Salles
Olá, tudo bem?

Faz 14 dias que não atualizo o blog. Gosto de atualiza-lo semanalmente e a postagem que iria fazer era se havia sido, ou não, aprovado para ter uma mesa na CCXP 2018. A data da divulgação dos selecionados era para ter sido no dia 20/06 mas foi prorrogada e agora somente saberei se participo da Comic Con Experience no dia 10/07.

Decidi então fazer o post com esse Cable ainda em preto e branco. Essa era uma postagem que estava programada para ser feita somente com o desenho já colorido mas, por alguns motivos, decidi antecipar. A causa, discorro logo abaixo.

Sou um desenhista e quadrinista autodidata, que vive em Araraquara, interior do estado de SP, e que tem pouco contato com a maioria dos meus colegas de profissão, que vivem na capital do meu estado, outros na Paraíba, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e tantos lugares diferentes. Enfatizo isso pois ajudaria muito se em um desenho meu ou história, houvesse alguém que, logo de cara, dissesse que aquilo não está legal ou coisa assim. Desta forma, aprendo com erro atrás de erro, o que também, pra mim, não é problema.

Entretanto, tenho a imensa sorte e oportunidade de ter um grande artista, que passei a chamar carinhosamente de "sensei", que por vezes puxa a minha orelha, me diz para prestar atenção em como faço algumas coisas e me convida para ir visita-lo para mostrar – e, como ele mesmo diz, arrancar meu sangue – como posso melhorar meu trabalho em alguns aspectos. Esse amigo é o Rafael Grampá

Neste desenho do Cable, estava incomodado, achava o desenho duro, algo me incomodava e não conseguia resolver o que me afligia. Chamei o Rafael mostrando o desenho a lápis e logo, em duas ou três palavras, ele disse o que eu precisaria fazer. Pronto! Aquelas poucas porém assertivas observações resolveram o desenho. Ele ainda pegou a imagem que envie na conversa e fez uns rabisco em cima para eu entender exatamente o que disse. Só posso dizer que é realmente uma honra e um privilégio que isso possa acontecer.

O desenho da forma que me incomodava
O desenho com as observações do Grampá
Outro artista que fez uma critica muito construtiva ao meu trabalho foi o Gabriel Bá, quando nos encontramos no último dia do FIQ 2018. Ele havia lido EUDAIMONIA (minha última publicação) e no festival, em um conversa despretenciosa, entramos no assunto da minha nova HQ. Ele me convidou para ir até seu estúdio em SP para me passar algumas orientações que poderão potencializar meu trabalho porém, não podia perder aquela oportunidade e pedi para me adiantar alguma coisa ali mesmo.

Ele foi extremamente gentil e em 10 minutos de conversa, recebi um feedback fantástico que me abriu os olhos para alguns detalhes que nunca havia percebido e que poderiam melhorar meus desenhos e histórias. Mas uma vez, só posso dizer que é realmente uma honra e privilégio poder ter somente dois artistas incríveis que fizeram e fazem isso por mim. O foi a primeira vez mas o Grampá, desde quando comecei a fazer quadrinhos, está ao meu lado.

O FIQ 2018 foi um evento lindo que pude perceber muitas coisas que devo mudar. Minha percepção estava extremamente aguçada nos dias do evento e pude sentir tanta coisa, desde os quadrinhos que ganhei, os que comprei, os quadrinistas que encontrei, os colegas, pessoas e amigos que com o tempo mudam, mudam muito. Aproveitei bastante o silêncio do meu quarto de hotel para ponderar muitas coisas. Aliás, o tempo faz das suas e é por essas e outras que vivo o agora. Afinal, só posso viver o agora pois o futuro não existe e o passado é imutável. Sempre lembrando que só foi possível ir ao Festival internacional de quadrinhos de Belo Horizonte com o apoio cultural da escola Peri Domus Araraquara.

Voltando o foco ao post, para desenhar o Cable, esse personagem tão "bagunçado" cronologicamente, geneticamente, que vai para o futuro, passado e é usado por vilões oportunistas, recorri ao vídeo do Pipoca e Nanquim, "Tudo sobre Cable: origem e trajetória nas HQ"para saber mais sobre o que desenharia. Espero que tenha gostado do trabalho.

Ainda vou fazer as cores e nesta etapa sempre conto com o Marcelo Maiolo, outro grande artista, que sempre me auxilia com dicas e detalhes no colorir desde 2014.

Torço para que tenha gostado do post, do desenho e fique a vontade para deixar seus comentários. Todos serão devidamente respondidos.

Um abraço.

Luciano Salles.